terça-feira, fevereiro 19, 2013

Viver o presente!

Hoje acordei cedo, pouco passava das 6h15.
O Lord, rafeiro para os clubes caninos, mas com um pedigree apurado em dedicação e gratidão, meu companheiro de muitas corridas matinais dos últimos 4 anos e meio, quando sentindo-me desperto, fita-me com o ar ansioso de quem quer apanhar ar. Ali, com o focinho pousado na cama, sentado a meu lado, só lhe faltava ter as sapatilhas na boca. Acedi ao leve bater de rabo. Levantei-me e, os dois em silêncio, numa cumplicidade evidente, lá fomos ver o que a praia da Madalena nos reservava.
O dia estava fresco, ainda num envergonhado despertar, onde os raios de luz furavam as nuvens. Chovia. Não uma chuva intensa, nem tão pouco "molha tolos", era uma chuva constante de gotas que se faziam notar, mas com espaço suficiente entre elas, para não serem demasiado incómodas nem ignoradas.
Ali fomos junto ao mar, ele feliz por poder sentir todos os aromas da manhã, solto à sua vontade, mas sem nunca deixar de me ter no seu horizonte. Nem preciso falar, gritar ou assobiar. Parece que... Melhor, ele sabe o que eu sinto, sabe quando deve vir, só quer sentir se vou para Sul, Norte, se paro, se calcorreio as dunas ou o passadiço, para me poder acompanhar.
Foi um bom treino. Pouco mais de 8 km em pouco mais de 40 minutos.
Passear na praia de manhã, sentir as cores e os aromas da aurora, apreciar o carrossel de barcaças que serpenteiam a costa em busca de pesca, ouvir as gaivotas, ver todo o despertar do mundo que me rodeia. Impagável.
Posso não ter tudo, posso não ter nem um pouco do que muitos têm, mas ter a percepção de que o que tenho é mais do que muitos terão, é meio caminho para viver melhor e tranquilo. Porque nem sempre as melhores coisas são as que menos vemos, porque quase sempre não apreciamos aquilo que temos e ansiámos por coisas que não sabemos se vamos ter, devíamos olhar mais para aquilo que nos rodeia.
Parafraseando Pessoa (Livro do Desassossego), numa frase que era a preferida do jornalista Nuno Felício, que ontem faleceu, aos 38 anos sem que nada o fizesse prever:
"Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho."

6 comentários:

  1. Arre, que me arrepiei.
    Um beijinho.

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  2. Grande texto Rui. Um abraço

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    Lembrei-me de um cão que tive e adorava treinar comigo mas tinha uma particularidade especial: se o treino fosse lento demais para o seu gosto "chateava-se" dava meia volta e ia para casa! Quando eu chegava do treino lá estava ele a minha espera à porta!

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