domingo, agosto 22, 2010

Portugal Seguro

 

Numa espécie de trabalho árduo, as autoridades nacionais andam atentas aos factores de risco que podem gerar insegurança em Portugal.

As polícias, GNR e PSP, têm um departamento, ou umas equipas, que circulam com uns carritos que dizem “Escola Segura”. Mas à porta das escolas ninguém se sente inseguro à hora do lanche ou da pausa da manhã. Seria melhor se estivessem por ali à hora de saída, mas a essa hora os Srs agentes já saíram do emprego.

Passamos o ano a ler nos jornais, notícias que relatam acidentes mortais em tudo o que é estrada nacional, mas no entanto, eu que faço uns 70 a 80 mil km’s por ano, só vejo radares montados em Auto-estradas e Itinerários principais. Ou nas cidades durante o dia. Deve ser por isso que morre mais gente de noite e nas estradas nacionais: Pela falta de radares.

Para passarem à população um sentimento de segurança, as polícias, fazem operações com grande nº de efectivos, à noite, nas grandes cidades e acessos às médias. Só que os Srs Agentes saem às 7h. Os frequentadores das discotecas que se mantêm abertas para lá dessa hora têm menos probabilidade de serem fiscalizados.

Ora, ali para os lados de Celorico da Beira, um Sr. que, como eu, achava tudo isto, conduzia uma carroça puxada por uma burra, alcoolizado. Depois de uma perseguição, imagino, emocionante, foi detido para ser julgado.

A Juíza deu-lhe uma valente reprimenda. Alertou-o do perigo de conduzir alcoolizado, e disse-lhe que, se a burra fosse uma tentação, a vendesse. Multou o homem em 409 €. Três ou quatro dias depois da infracção. Célere justiça a dos tesos. Se tivesse sido um Ministro, ou um jogador da bola, tinha que ir à escola mais próxima, onde a PSP ou GNR poria um carro da “Escola Segura” para a fotografia. Pagar ninguém pagava nada e a Juíza mandava o infractor contratar um motorista.

Entretanto, com estas vicissitudes todas, criminosos apanhados em flagrante a violar mulheres indefesas, ou a roubar empregados dos CTT, são mandados esperar por julgamento. É preciso um inquérito, apresentação de testemunhas, peritos, avaliadores psicológicos, assistentes sociais, etc.

Muito mau mesmo é conduzir carroças alcoolizado.

Ainda por cima puxada por uma burra. Que tentação. Se o homem vender a burra, como sugeriu a Juíza, provavelmente vai ter que a puxar ele, e caso esteja alcoolizado, é multado na mesma.

Pobre é sempre pobre. E o País, pelo menos dos pobres, ainda está seguro.

sábado, agosto 14, 2010

Literalismo e paradoxo

“ - Porque será que uma coisa que nos mata pode também fazer-nos sentir mais vivos?

Villada suspirou.

- Isso é o que os filósofos chamam de paradoxo. Quando Deus nos criou, decidiu que o literalismo seria a ruína do mundo. Por isso, inventou o paradoxo para o contrariar.

- Mas como contrariamos o paradoxo?

- Interpretando-o literalmente.”

in As Profecias de Nostradamus, de Mario Reading

 

Acabado de apresentar um dos meus livros de férias, vamos à interpretação, literal, das ditas.

Quem quer sossego não tira férias em Agosto. Deixa-se estar a trabalhar, contagiado por um ambiente morno onde nem todos estão “a banhos”. O trânsito nas cidades fica facilitado, os dias são suficientemente grandes para dar um pulinho à praia, mas, paradoxalmente, é muito pior conduzir nas estradas do resto do País.

Todo o mundo se dirige ao litoral. Uns ficam-se por lá, outros, literalmente, fazem “piscinas” diárias pelas estradas de acesso às praias e zonas turísticas do burgo.

Paradoxalmente, o sossego do tempo de descanso, torna-se numa busca, literal, de um melhor lugar para estacionar, de um melhor lugar para a toalha, ou, para quem está pelo Algarve, de uma praia que ainda tenha lugares vagos.

Ou seja, o tempo que deveria servir para quebrar rotinas, esquecer horários, relaxar, não é mais do que a troca de stress por outro stress. Literalmente. Paradoxalmente é um stress, para a grande maioria, agradável.

Eu, como não gosto nem de uma coisa nem de outra, tiro férias apenas e só para ficar quieto e sossegado, em casa, sem ter de me deslocar por entre quem nem se maça, nem se rala, com quem anda por aí a fazer pela vida.

Paradoxalmente vivo na praia. Literalmente na praia.

Mas evito os banhos de sol e mar neste mês estranho, que mais parece um frenesim de gente que quer corar a ver se não se envergonha com o churrasco que se tornou a santa terrinha.

É que o País está, literalmente, a arder!

E paradoxalmente estamos todos descansados.

Boas férias.

domingo, agosto 08, 2010

Moda lusa

A Procuradora Adjunta rege as suas investigações pelas suas convicções. Vai daí negoceia um relatório que inclua as perguntas que não deixou fazer. Um despacho de arquivamento, a corresponder às suas convicções.

O Ministério Publico em Portugal leva a julgamento as causas mais imbecis que se possam imaginar; desde o roubo de um champô, até ao insulto entre vizinhos que não se gramam.

Sob o beneplácito de uma classe política que tudo tolera desde que se arquivem os casos das malas e dos licenciamentos à ultima hora, este MP continua a atafulhar os tribunais com casos ridículos, que mais parecem reposições foleiras do “Juiz decide”. Quando se trata de gente que não pode gastar dinheiro a entupir os processos com recursos que levem à sua prescrição, os juízes até decidem por convicção. Convictos da culpa do arguido condenam por impulso.

Quem quiser safar-se de um qualquer processo, contrate um defensor que tenha no CV mais prescrições. Ou então, dê uma saltadinha ao Brasil.

À boa moda lusitana, a Fatinha de Felgueiras, mulher de 56 anos, socialista e amiga do povo, diz que sofreu muito no Brasil (provavelmente apanhou um escaldão), e que só sobreviveu à custa da sua, parca, reforma. Aos desempregados a receber subsídio obrigam a apresentações periódicas, esta sujeita foge e ninguém lhe corta a pensão.

À boa moda tuga, o voyeurismo da malta, leva-nos a espreitar tudo o que é incêndio. É o Avatar português. Cinema 3D nas Serras e campos de Portugal.

À boa maneira portuguesa, está tudo de férias. Não se passa nada. Mais imposto, menos imposto, há-de inventar-se algum para cobrar a burrice e a falta de cultura deste povo. Que é feliz assim, porque a ignorância e a ingenuidade são os melhores calmantes do mercado.

Tudo vai ardendo, seja às mãos de quem pode ou pelas mãos de quem não quer saber.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Travestis

Os tempos modernos parecem assim ser.

O jornalismo, que não percebo, não entendo, nem tenho formação para tal, virou uma espécie de programa tipo “As tardes da Júlia”, onde se fala de tudo para encher tempo pré-determinado. É quase um acto heróico encontrar notícias por esse mundo fora para manter a malta entretida enquanto almoça no tradicional tasco, com a TV a debitar decibéis, enquanto se enche o copo de três e se põe mais uma isca no pão.

Lá pelo Algarve um senhor magoou-se ao ser abalroado por um barco, tartarugas deram à costa, e Tavira tem praias acessíveis só de barco, que as senhoras da Linha comparam, deleitadas, com as piscinas lá do condomínio.

Na Guarda há uma praia fluvial, na Zambujeira as miúdas vão ao banho que está muito calor, e, em Lisboa, por causa do calor, não vão os toiros reclamar das condições de trabalho, fechou-se o tecto amovível do Campo Pequeno e ligou-se o ar condicionado. Está quase tudo a postos para a Corrida do Emigrante. Sim, do emigrante, que eles vieram só para ir ao Campo Pequeno acompanhar as tias, que devido aos joanetes, ficaram pela linha.

Foda-se! Que País este! Apetece invocar Millôr Fernandes e desatar a descarregar palavrões que melhor adjectivem esta merda.

Entre um dia de incêndios e outro de acalmia no churrasco em que se transformou o Norte e Centro cá do sítio, ficámos a saber que houve um acidente de trânsito na Austrália e que Moscovo está poluída. Sim, isto deu nas notícias.

Como diz um amigo meu, quando alguém desaparece em terra não chega a ser notícia, se desaparece no mar fica uma multidão a olhar o horizonte a ver se o náufrago caminha sobre as águas. Outra vez entrevistas e mais entrevistas aos expert´s que vagueiam pela costa.

Entretanto a espécie de julgamento em que se transformou o processo Casa Pia parece que está em vias de ser anulado. Se não fosse assim, seria a Justiça travestida de justiça.

Um homem, que andou ao murro na Sexta-Feira, anda desde aí de hospital em hospital, e o pai já pondera processar os hospitais todos por achar que o filho, devido ao adiamento da cirurgia ao queixo, que lhe partiram, possa ficar com a boca à banda.

Eu continuo de férias, mas por cá.

São umas férias travestidas…

quinta-feira, julho 22, 2010

Constituição ou Bíblia Sagrada?

Percebo pouco disto, mas ou é de mim ou nada do que diz a constituição é respeitado.

Ensino gratuito? Onde?

Saúde gratuita? Só se for para os membros do governo e parlamentares.

Trabalho sem despedimento? Se as empresas não falirem…

Andamos há anos a enganar o Zé povinho com retórica. Andamos não, andam a enganar. E tudo porque ninguém teve coragem de mexer nos testemunhos sagrados dos discípulos do conselho da revolução. Da esquerda à direita querem todos continuar como o teso: A fazer de conta que tem a carteira cheia.

Não consta que se tenha mudado a Constituição americana para mudar o sistema de saúde.

Nem consta que nos Estados Unidos se pague mais pelos estudos do que em Portugal, antes pelo contrário. As faculdades financiam-se com ditos mestrados que não são mais do que os anos que Bolonha roubou às antigas licenciaturas. Tudo porque temos um ensino obrigatório cada vez menos suficiente para dotar os alunos com bagagem para o ensino superior. Passam a licenciatura a aprender a ler e escrever, passe o exagero.

A justiça, constitucionalmente gratuita, é mais cara do que comprar carro novo. Favorece quem tem possibilidades económicas para pagar as artimanhas legais que levem à prescrição ou amnistia dos delitos.

Somos um País maioritariamente de gente católica.

Assim como esperamos o reino dos céus prometido na Bíblia, ansiámos pelo País que desejámos na Constituição.

Assim seja.

terça-feira, julho 20, 2010

O Amor é…

Não me sinto (nem deveria sentir, a julgar pela falta de experiência que tenho a esse respeito) nenhum expert na matéria, mas penso, logo (não, não vou por aí…) tenho opinião.

Ando arredado desta minha paixão, recente é certo, mas uma paixão é sempre fugaz. Aparece com força de tufão e sai como uma brisa matinal de um dia de Primavera. É uma tempestade tropical. Aquece de tal maneira que acaba em chuva e humidade em excesso. Nem sempre se repara na praga de mosquitos que vem atrás, mas enfim, tem piada a intensidade. Piada não, tem mesmo é o poder de cegar.

A escrita tem destas coisas, necessita de inspiração. É como o amor.

O amor é inspirado na vivência comum. As expectativas que criamos aquando da paixão, são sempre elevadas, e as expectativas “lixam-nos”. São sempre grandes as desilusões advindas de esperanças.

Eu tinha a esperança e ousei pensar em escrever todos os dias. Passei para “de vez em quando” para o semanal. Agora parei por um tempo, embora cheio de vontade de escrever. É uma espécie de paixão adormecida. Que como qualquer relação amorosa digna desse nome, daquelas que se tornam rotineiras, daquelas que nos obrigam a pensar nelas, precisava de um “click”, de algo diferente que quebrasse a rotina. E teve. Uns tempos depois do ultimo artigo, ou “post”, aconteceu o inédito. Despertado por pensamentos que assolam a minha veia criativa enquanto corro, lembrei-me que um bom tema de regresso à escrita era este. O Amor. Que tanto apregoa quem o busca e tão mal o trata quando o tem.

Conheço quem ame sem respeitar, só porque acha que amar é saber o que é melhor para o outro. E amor sem respeito não é amor.

O egoísmo e o egocentrismo dos apaixonados, leva-os a cegarem na luz que pensam emanar de dentro para outros e para todos. Ficam assim como que vidrados na sua razão, que estando ausente, se torna em obsessão deprimida, de ânsia de atenção. É uma espécie de condutor embriagado que acha que os outros não conseguem manter um rumo certo.

Ao invés há-os racionais, que param, pensam, distribuem amor e carinho, atenção e compreensão. Seguram as pontas, mantêm as bases de retorno dos irracionais, quais balões cheios com hélio à espera que alguém lhes segure o fio que os mantém à distância de retorno sem esforço. São os embriagados que apanham os táxis.

Esquecem-se uns e outros que nem todo o racional tem o sucesso que espera, porque amor sem paixão é como chocolate sem açúcar, nem o tonto chega à plenitude da loucura, porque esta não é boa conselheira da estabilidade necessária no amor.

Não sei o que é o Amor, mas gosto muito de escrever.

A escrita é descoberta. O amor só o encontrei nas paixões. E sem paixão nunca vi o amor. Mas amor duradouro…

Nem conheço amor eterno nem mulher que o queira. Nem homem que o deseje.

Nem escrita esporádica nem escrita compulsiva. Vou escrevendo…

quarta-feira, maio 05, 2010

Actualidades

Enquanto me entretenho a tentar dar um rumo a um livro que, há longo tempo, tento escrever, a política portuguesa segue o rumo de uma autêntica comédia, a não parecer quase trágica.

Cavaco, do alto da sua insignificância, diz que a alternativa ao Euro seria ruinosa, se ele não dissesse não acreditávamos. Agora que já se tinha iniciado o cunho das moedas de 50 paus e a estampagem, quais t-shir't’s, das nouvelles notas de “conto”, é que o Sr. Silva vem mandar parar a ansiedade dos cotas, que tinham a legítima esperança de gastar as economias antes de partir para o outro mundo.

O Louçã insiste em sacar a “pasta” a quem a tem para investir por aí, e de preferência com muitos empregos para os, inaptos, tugas na alta velocidade.

O Jerónimo diz que sim, que o investimento tem de ser público, como se o público não tivesse já metido no prego os anéis que sobraram das estradas que por aí grassam.

O Portas, que ninguém leva a sério, foi ao Cavaco fazer queixinhas, enquanto pedia desculpa pela campanha do Independente nos idos anos 90.

Os ministro correm a dizer que tudo está bem e bem há-de estar.

O Norte continua a assobiar enquanto é posto à parte destes investimentos todos.

E nos Açores tivemos o momento Júlio Isidro. Carlos César assume que há muito viu em Alegre o que parece que o PS vai assumir em breve: O homem ideal para vencer o Sr. Silva dos discursos insignificantes.

Eu, como nem de relações percebo, nem de política quero saber, vou tentar dar rumo ao livro, na esperança de fazer algo de útil, não vá a minha cabeça entrar nesta onda de parvoíce colectiva.

A actualidade é dura, mas em liberdade podemos sempre alhear-nos como se nada fosse.

Até que a água nos chegue aos pés, isto parece ser, embora movediça, areia firme. Sim areia. Porque se tentarmos sentir algo em tudo isto, esvaísse-nos entre os dedos.

quinta-feira, abril 29, 2010

Tânger

Terra de mercadores, primeira conquista portuguesa em África.

Tem todo o ar de cidade virada para o contrabando e para as trocas comerciais com a Europa. Os polícias estão sempre prontos a multar os ocidentais, em busca de um suborno que lhes componha o ordenado que o Rei lhes paga. Eu, como não gosto de subornar, pago e peço talão. Eles não gostam, mas acho que, se todos formos na conversa dos “criminosos”, acabamos por lhes dar razão para agirem como agem.

Tenho por hábito fugir aos “aglomerados” de machos, homens de negócios em busca de proveitos em terras estrangeiras. E um grupo que convivia no bar do hotel veio confirmar os meus temores.

Seis cromos na ordem dos 50, telefonam cheios de ganas, às 6 da tarde, para uma “promotora” de bons momentos. Pedem-lhe que se desloque ao hotel, exigem rapidez, e que se faça acompanhar de 5 amigas.

Ás 18h45 chega o harém solicitado.

Raparigas com bom aspecto, com tez magrebina, vestes ocidentais e perfumes foleiros.

Cá como aí, mulheres de vida.

Não gosto de lhes chamar o que são, prefiro manter-me longe da ideia de comprar os serviços que prestam.

E gosto de me manter longe de homens que negoceiam assim.

terça-feira, abril 27, 2010

Casablanca

Cidade fantástica. Encantadora.

Tem a maior Mesquita do mundo, e, para acompanhar o feito, os condutores mais “apanhados” com quem eu dividi os espaço das ruas por onde tenho conduzido.

Não tenho grande paciência para o trânsito das grandes cidades, e, normalmente, “passo-me” com os autênticos pastores que grassam pelas nossas estradas e ruas citadinas. O português, que normalmente é stressado, conduz como pensa: Muito devagar, de preferência de forma a estorvar o vizinho.

Aqui, onde as pessoas não transmitem stress em nenhuma situação, onde há sempre um sorriso para responder a uma pergunta, por parva que seja, onde o tempo parece prolongar-se de forma a apreciarmos o que de belo por cá se fez, o que de esplendoroso eles mantêm, conduzem como verdadeiros artistas.

Numa espécie de bailado coordenado, num contorcionismo que faz pasmar, aparecem por todos os lados, e cabem sempre onde ninguém acredita ser possível.

Então os “Petit Taxi”, que, como o nome indica são mesmo pequenos, aparecem como mosquitos. Devem bater muito, (embora nestas 24h ainda não tenha visto nenhum acidente), a julgar pelos imensos danos visíveis.

Mas, apesar de tudo, do trânsito constante e dos condutores loucos, é uma cidade a visitar.

Eu estou em trabalho, senão, visitava com certeza.

terça-feira, abril 20, 2010

O poder das pessoas

Uma mulher, que não seja estúpida, cedo ou tarde encontra um farrapo humano e tenta salvá-lo. Às vezes consegue. Porém, uma mulher, que não seja estúpida, cedo ou tarde encontra um homem são e reduze-o a um farrapo. Sempre consegue. (Cesare Pavese, in Il mistiere di vivere.)

Coloquei esta frase no mural do meu facebook. É uma das muitas que li num site bastante agradável, de que uso e abuso, de onde tiro frases, pensamentos, reflexões e onde consulto fabulosos autores das mais variadas épocas.

Esta é uma das cerca de 400 do tema mulher. Podia ser do tema pessoas. Ou do tema amor.

Curiosamente não gerou tanta polémica como uma outra publicada há alguns dias, mas gerou discordância em privado.

Gostava de aqui deixar a minha opinião acerca da dita.

Acho que a vontade de salvar um farrapo humano é comum aos nativos dos dois sexos. Quanto a reduzir a farrapo, é bem possível que a causa não seja a mulher, mas sim a paixão. A paixão, a insegurança, a solidão, a ilusão, as expectativas, são tudo factores que podem fazer de uma mente sã uma espécie de farrapo.

Como me dizia uma amiga, as pessoas não sabem viver sozinhas. Quando se livram de uma relação onde não querem estar, ou de onde são levados a sair, tratam imediatamente de procurar alternativa.

Há quem diga que não. Mas não há quem o faça.

As relações levam sempre uma das partes ao ponto de desespero, seja porque não se sentem nem ali, seja porque não sentem o outro ali.

Conhecem relações perfeitas? Nem eu.

Mas daí a perceberem que o fim do amor é inevitável vai uma enorme distancia. As relações só são algo parecido com a perfeição quando deixam de importar. Quando se deixa andar só porque o outro não incomoda muito, ou que até dá jeito.

Essas são as relações normais. As que perduram. Que levam e trazem fogachos de respeito e cumplicidade que se confundem com amor. As que geram a confiança entre duas pessoas que se respeitam, amam os filhos e não têm tempo nem coragem de assumir a ruptura.

Depois há os pragmáticos, os chamados homens ou mulheres de uma relação só. Aqueles que se separam antes de se tornarem farrapos, que antecipam o futuro da relação e precipitam o fim. Com determinação saltam de relação em relação até atinarem com a enfermeira, ou com o geriatra que os acompanhará até ao fim dos dias.

Esse é o poder que todos têm, a bomba atómica da relação.

Assim tenham a coragem de carregar no botão.

Senão, passam a vida a viver em guerra-fria…

domingo, abril 18, 2010

O vulcão islandês

Estes islandeses teimam em encrencar os europeus de qualquer forma.

Há alguns meses decidiram não apoiar um acordo com alguns credores (leia-se bancos do centro da Europa), o que levou à irritação de uma série de burocratas que lhes tinha indicado um caminho, impar diziam, para repor no bolso dos especuladores o dinheiro que, repentinamente, desvalorizou a moeda lá do burgo.

Faliram.

Como represália, e numa tentativa de retribuírem os prejuízos, em perfeito conluio com a natureza da ilha, de origem vulcânica num clima gélido, “impelem” uma nuvem de matéria por essa Europa fora.

Com os aviões em terra, a Europa a despender dinheiro, seja a pagar estadias e refeições, seja a alugar transportes alternativos, a Islândia, ironicamente, tem o espaço aéreo aberto. O aeroporto da capital está em pleno funcionamento, só que a população já não dispõe dos meios de que dispunha para viagens lúdicas. 

Sinais dos tempos…

domingo, abril 04, 2010

Notícias à pressão…

Quando vejo um dos jornais televisivos diários, o que, felizmente, é raro, interrogo-me porque têm os ditos que “encontrar” notícias suficientes para preencher o tempo de antena.

É irritante a quantidade de banalidades que brotam das bocas dos apresentadores.

A gripe A era, até há pouco, o “tapa-buracos”, o assunto recorrente até às campanhas eleitorais e às escutas de que já ninguém fala. Agora passámos ao PEC, esse bicho que nos há-de levar por esta crise fora, imposto por uma Europa forte que se una contra os fracos, numa espécie de matilha que, não expulsando quem não quer, o morde continuamente nas patas, para que este ao menos não pense que come e dorme seguro sem dar algo em troca.

Hoje, na ausência de notícias políticas, era o Tivoli, a urgência (?) de Valença, e a Páscoa de Castelo de Vide com a mistura de tradições judaicas e cristãs.

Com jornais tão enfadonhos, seria melhor fazer como o milionário que impõe folclore transmontano ao canal televisivo.

Já imaginaram se a imprensa escrita tivesse que preencher X folhas por dia, houvesse ou não notícias? Provavelmente enchiam-nas com puzzles sudoku, ou banda-desenhada.

Porque as notícias não têm dia e hora marcadas, seria bom que adequassem os horários à quantidade das ditas que têm para dar.

quinta-feira, abril 01, 2010

A morte à espreita

Temos como certo o destino. Ninguém escapa ao fim. Nem nada.

Todos o sabemos, não é nada de novo. O mundo, cheio de vida, é uma dança de cadeiras, ocupadas sequencialmente por nascimentos em lugares deixados vagos por quem parte.

A vida em tudo nos mostra que temos como certo o fim, embora vivamos como se aquele nunca viesse. Há-os que vivem com o epílogo no pensamento, não tirando partido, nem mesmo sentindo, o verdadeiro êxtase da existência.

Não que eu viva como um louco, em busca de diferentes experiências que me façam sentir vivo, nada disso. Acho apenas que, quando não fazemos algo, é uma parte de vida que deixamos de sentir.

Já todos nós perdemos alguém ou algo. Nada de novo.

Ontem, enquanto caminhava em direcção ao Metro, o Toni, amigo de longa data, vizinho mais velho que sempre respeitou os “putos” lá da rua, estava longe de imaginar que seria a sua ultima viagem terrena. Num ápice, num simples segundo, caiu e ali ficou. Apesar de rapidamente socorrido, de terem inclusive suspendido a circulação do Metro em toda a linha, a fim de facilitar a assistência, nada inverteu o destino do António Cunha.

Morreu com 49 anos.

É um amigo que parte, um pai que se perde, um filho que deixa os pais em dor e na angustia de verem partir quem criaram para cá deixar.

Conheci-o muito bem, privávamos conversas banais, ambições trocadas, relações falhadas, enfim, sobre tudo e sobre nada. Agradável no trato, sempre disposto à gargalhada ocasional ou ao conselho banal. Partiu.

Diziam-me hoje que havia um Padre que, nas Missas de Corpo Presente costumava dizer:

Até já! 

domingo, março 07, 2010

A raça do alentejano

 

Recebi este texto por e-mail, de um alentejano puro.

Se a definição for errada, eu encaminho as reclamações.

Não sei quem é o autor do texto, mas é digno de divulgação.

“A raça do alentejano?
É, assim, a modos que atravessado.
Nem é bem branco, nem preto, nem castanho, nem amarelo, nem vermelho....
E também não é bem judeu, nem bem cigano.
Como é que hei-de explicar?
É uma mistura disto tudo com uma pinga de azeite e uma côdea de pão.
Dos amarelos, herdámos a filosofia oriental, a paciência de chinês e aquela paz interior do tipo "não há nada que me chateie"; 
Dos negros, o gosto pela savana, por não fazer nada e pelos prazeres da vida;                                                                       Dos judeus, o humor cáustico e refinado.
As anedotas curtas e autobiográficas;
Dos árabes, a pele curtida pelo sol do deserto e esse jeito especial de nos escarrancharmos nos camelos;
Dos ciganos, a esperteza de enganar os outros, convencendo-os de que são eles que nos estão a enganar a nós;
Dos brancos, o olhar intelectual de carneiro mal morto;
E… dos vermelhos, essa grande maluqueira de sermos todos iguais.
O alentejano, como se vê, mais do que uma raça pura, é uma raça apurada.
Ou melhor, uma caldeirada feita com os melhores ingredientes de cada uma das raças. Não é fácil fazer um alentejano.
Por isso, há tão poucos.
É certo que os judeus são o povo eleito de Deus.
Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus:
Nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor certificado da sua qualidade.                                                                     Conhecem, por acaso, alguém que preste que já tenha sido eleito para alguma coisa?
Até o próprio Milton Friedman reconhece isso quando afirma que «as qualidades necessárias para ser eleito são quase sempre o contrário das que se exigem para bem governar».
E já imaginaram o que seria o mundo governado por um alentejano?
Era um descanso.”

sexta-feira, março 05, 2010

Sinais dos tempos

Tenho reflectido sobre os acontecimentos dos últimos dias, mesmo semanas.

Reflectir é uma capacidade que nos atrapalha as ideias, muitas vezes faz-nos pensar no melhor para alguém que não nós próprios, o que, diga-se, não é muito inteligente.

O mundo anda numa agitação constante há milhares de anos, mas agora que somos muitos, as consequências dos abanões são sempre mais devastadoras. Mesmo no plano pessoal, e com a evolução constante da humanidade e dos meios ao dispor das sociedades desenvolvidas, as decepções e conquistas são mais suadas e difíceis.

O homem, numa ânsia de comodidade, tudo atropela. Natureza, tempo, outros seres humanos, sentimentos, vontades, tendências, enfim, todo um conjunto de imperativos que passaram para segundo plano, quando comparados com o nosso bem estar.

A comodidade leva-nos a olvidar os princípios básicos de uma sociedade.

O respeito faz parte da minha concepção de sociedade. Não me vejo a viver com a indiferença com que se apreciam casos de bullying, sejam eles numa escola ou na sociedade em geral.

Todos nós tivemos arrufos com colegas de escola, ou noutra qualquer circunstância, sendo que quem tinha a obrigação de nos orientar, fosse professor, superior, familiar ou alguém mais velho, normalmente se impunha sobre os nossos ímpetos, fazendo com que o bom senso de alguém mais maduro imperasse.

A anormal sensação de falta de respeito generalizada, pelos professores, autoridades de polícia ou justiça e mesmo pela família, demonstra que o sonho de muitos, que pensaram uma sociedade livre e justa, esbarrou no medo da autoridade.

O respeito pelos outros não deve ser abolido desta sociedade, mesmo correndo o risco de excesso de autoridade, ou corremos o risco de a convivência ser insuportável.

Como será possível que um miúdo de 14 anos, detido depois da 1ª violação e depois de 3 tentativas, dependa da bondade da mãe para que as autoridades pensem em o colocar em internamento compulsivo, de onde, muito provavelmente, vai fugir?

Como é possível que um miúdo de 12 anos chegue à conclusão que a única saída para os abusos que sofre é o suicídio?

Que sociedade será esta em que o estado não pode penalizar, em nome de um colectivo, alguém que não respeita os valores comuns?

Já ninguém respeita ninguém.

E continuamos a assobiar para o lado.

Sinais dos tempos…

terça-feira, março 02, 2010

Assim, não!

Acho sempre difícil alguém fazer sacrifícios, sejam eles quais forem.

Admiro todos aqueles que vão ao Mc Donald’s e bebem Coca-cola zero, os que vão ao café e tomam o dito com adoçante a acompanhar o belo do croissant, que pedem sempre salada para acompanhar os rojões, etc.

Mas quem admiro bastante mais são os que, à medida que crescem os dias, começam a luta contra os quilinhos acumulados, numa guerra com o tempo ou com a falta dele.

Admiro quem luta contra o tempo, contra as tentações e contra os erros. Ou quem os tenta emendar.

Admiro quem atravessa na passadeira, quem espera pelo sinal verde para os peões, quem sempre acha que o bem comum está à frente do individual.

Admiro-me quando vejo alguém dizer que não tem problemas, todos temos.

Admiro mesmo muito quem reconhece os seus erros, quem vê em si próprio o mal que, cristalinamente, vislumbra nos outros.

Admiro quem consegue lutar contra ventos e marés, quem rema para o lado em que acredita, apesar dos que teimam em soprar ao contrário, fazendo crer aos próprios que a brisa é contrária.

Admiro os cientistas que nos ajudam na busca de qualidade de vida, que nos “decifram” e que nos mostram os caminhos.

Admiro o gajo que inventou o Facebook.

Admiro os Filósofos que, na antiguidade, descobriram tanto sobre nós.

Admiro os homens.

Não admiro de forma nenhuma é que se vá gastar a quantia exorbitante de 200.000€ num palco para apenas uma celebração do Papa.

Não é admirável de forma nenhuma que, os seguidores do Homem que correu com os vendilhões do Templo, que praticou a simplicidade entre nós, ostentem tanta riqueza e esbanjem tanto.

Não é um bom exemplo. Tornam-se pouco admiráveis.

Ao menos corrijam o erro. Só pode ter sido…

domingo, fevereiro 21, 2010

Mundo cão virado ao contrário

Um destes dias dizia-me um amigo que o mundo era uma merda. Não concordo. Às vezes a vida é madrasta, mas o mundo não é assim tão mau, pelo menos, não tenho uma classificação tão redutora.

Há alturas em que a vida parece não fazer sentido absolutamente nenhum e acenderem-se luzes que nos guiam.

Há sempre sinais que nos chegam nas formas mais estranhas, que nos mostram caminhos, alternativas para uma vida que é única.

É agora. É este o nosso tempo. É agora que temos de fazer com que o tempo que aqui passarmos faça sentido.

Não podemos, não posso, não podes fazer do mundo o mundo de todos. O mundo é teu, e quando te alheias do teu mundo levas para um lugar obscuro e sombrio todos os que tentas agradar.

A vida, por muito que nos magoe, é quase sempre um desafio à altura de heróis. Por isso é que a grande maioria de nós se sente deslocado do seu mundo ideal.

Mas pode alguém abstrair-se do mundo que o rodeia e fazer sem olhar a quem magoa?

É a pergunta que se nos depara em enumeras situações, naquelas alturas em que não fazemos porque achamos que vamos magoar alguém, ou desiludir.

Enquanto assim pensarmos somos apenas mais um no meio de muitos que não vivem. Passamos o tempo a lamentar o que nos estava destinado. O destino somos nós que escolhemos.

Dizem os crentes que Deus deu ao homem o livre arbítrio. É nosso o direito de escolha, é nosso o nosso íntimo desejo. Mas esta sociedade que sempre se dispõe a avaliar e classificar comportamentos e vontades, é má companheira de vida.

É esta sociedade que nos proporciona os sonhos, paixões e desejos que depois nos leva a questionar o que achamos que é ideal para a nossa vida. E ata-nos as mãos, tolhe-nos os pensamentos e mata-nos os sonhos.

Mundo de merda? Não.

Mas ladrões de sonhos construíram uma sociedade que não nos liberta para a vida.

Poesia

Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes
que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu que reunias pedaços
do meu poema reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me
qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer

Mia Couto

domingo, fevereiro 07, 2010

Tributar os bancos já!

O presidente da associação de bancos defende um aumento de impostos para que Portugal recupere a credibilidade.

Para darem o exemplo, diz que vão subir os spreads, devido à subida dos juros na fonte.

Defende-se dizendo que a rentabilidade dos bancos desce continuamente, à medida que cresce a taxa de juro que pagam aos financiadores estrangeiros.

Eu, como contra-medida, acho que se deve aplicar aos bancos, com efeito retroactivo e imediato, um taxa excepcional de 40% sobre os lucros do último ano. Acho que não se deve tributar mais os lucros de 2008, visto que foram anormalmente baixos.

Com a lata destes senhores aplicada no Ministério das Finanças, faziam-se actos de gestão do tipo: Partir o porquinho das poupanças das prendas de Natal, para pagar ao merceeiro.

Porque raio é que esta gente acha que deve continuar a assobiar para o ar, a mandar bitaites para a comunicação social, e anunciar reiteradamente lucros que nos fazem corar de vergonha, quando confrontados com a miséria crescente em Portugal?

Quem me conhece sabe que não sou propriamente defensor de radicais medidas de ataque ao capital. Talvez por medo do desconhecido, por sentir que o capitalismo em que vivemos é o melhor sistema, que permite uma razoável humanização da sociedade, que faz com que as pessoas possam sonhar sem achar que os sonhos são inatingíveis. Mas assim, com quem se aproveita de um sistema que deveria servir a todos, para, cegamente, buscar forma de agradar a alguns, temo que a democracia esteja em risco.

Pena é que tudo aqui seja importado, até as revoluções. Devíamos ficar pelo dinheiro…

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Faits divers

São fatos desconectados de historicidade jornalística, ou seja, referem-se apenas ao seu carácter interno e seu interesse como fato inusitado, pitoresco.

É este o significado da expressão francesa.

Enquanto navegava pelas páginas do ciberespaço, dei com vários. O que mais me espantou foi o facto de as reportagens mais lidas no site de um dos jornais lideres em audiência no nosso País, serem as referentes aos assuntos mais parvos e pitorescos de uma sociedade que já se alheou completamente da realidade que a possa afectar.

Com larga vantagem, estava a noticia que dava conta do incêndio que devorou o carro do marido de uma conhecida apresentadora.

Em segundo vinha (com pouca vantagem sobre a notícia de uma prostituta querer mudar de vida) a notícia de uma actriz internada compulsivamente numa ala psiquiátrica por ter atacado a avó à facada.

Por fim, em quarto lugar, destacava-se uma peça que narrava a vingança de uma amante ofendida, que ao saber que o “moço” que frequentava a sua cama era casado, atraiu-o para um Motel e, à boa maneira de Hollywood, colou-lhe o pénis à barriga. Chamou outras três ex-enganadas e celebrou a vingança.

Ninguém se preocupou com o País, a política que temos ou o orçamento que nos vai governar. Nada.

Continuamos como até aqui.

Assobiamos todos muito bem e queremos saber o que vai em casa da vizinha.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Periférico? O Porto não!

Entre outros assuntos, está em análise a rentabilidade das linhas de alta de velocidade.

Diz um estudo feito vá-se lá saber por quem, que o Aeroporto de Lisboa, o novo, se paga a ele próprio. Diz ainda que a linha Porto-Lisboa e Porto-Vigo serão deficitárias e não gerarão o suficiente para se pagarem a si próprias. Parece que rentável só é a linha Poceirão-Caia (!). A malta de Lisboa tem mais hábito de ir comprar caramelos à fronteira.

Mas porque raio é que acham que uma linha de TGV nos dá centralidade? Mas será que Málaga ou Sevilha cresceram com o TGV? Dizem que sim, nas férias da Páscoa. Mas se o Zé povinho gosta tanto do bólide e é tão bem servido de Auto-Estradas, porquê mais uns milhões numas linhas de comboio?

Não seria mais rentável a expansão da rede do metro?

Não seria mais rentável o incremento das verbas a distribuir pelas autarquias por onde vai passar o TGV, para que estas se desenvolvam e evitem a excessiva centralidade de Lisboa?

Será que os nossos governantes ainda não repararam que o que evita o desenvolvimento do País é o excessivo protagonismo da capital em relação ao resto do território?

Periférica está Lisboa de tanto chamar a si o centro do que não consegue controlar: A geografia.

Não vai ser o TGV que os vai aproximar do resto da Europa. A única cidade que o TGV vai tirar da periferia ibérica será Vigo.

O Porto nunca lá esteve. Daqui nasceu Portugal.

sábado, janeiro 30, 2010

Belmiro de Azevedo em entrevista à Visão

Não que o ache a pessoa mais indicada para reflectir as preocupações da generalidade dos portugueses, mas, para quem não leu, ainda, a entrevista que deu à Visão, aqui ficam alguns tópicos, com alguns comentários que, livremente, acrescentei.

SONAE - "É incorruptível". (Pudera, digo eu. Também seria com 10% do capital…)

INVESTIMENTO - "Acabe-se com o devaneio das grandes obras". (Nesta afirmação revela descrença nas acções da Mota-Engil)

GOVERNAÇÃO - "Bloco central, não. Senão vira ditadura a dois, compadrio. Neste momento, e quase direi por felicidade, não há um Governo de maioria". (E temos tido o quê?)

LÍDER DO PSD - "[Manuela Ferreira Leite] teve muitos anos de trabalho, mas no Estado. Nunca dormiu mal por ter a responsabilidade de saber como pagar salários". (Mulher sem insónias não é mulher. Deve ter dormido mal quando era Ministra da Educação. A imagem da geração rasca de rabinho ao léu era aterradora.)

GOVERNO - "Tenho dificuldade em saber os nomes de metade dos que estão lá" (Também nós.)

PROMESSAS - "Muitas vezes as promessas são feitas sem o Teixeira dos Santos assinar pior baixo". (Ou quase sempre. Mas devem dar-lhe conhecimento, vide a promessa acerca da Red Bull Air Race…)

DEMOCRACIA - "Criou-se um sistema em que o povo vota pelas festas, frigoríficos e passeios". (O povo ainda vota?)

SALÁRIOS - "Os salários são baixos. O pessoal do meio é que ganha de mais. Têm de ser aumentados o último piso e o rés-do-chão". (Ponha em prática a teoria. Comece pelos Modelo e Continente.)

JORNAL "PÚBLICO" - "[José Manuel Fernandes] era acusado - e bem acusado - de não criar climas de consenso no jornal". (Ahhhh! Consenso…. Pluralidade num jornal, parece-lhe mal?)

SÓCRATES / PRESSÕES - "O primeiro-ministro telefona ou manda telefonar com muita frequência" (É um bom cliente da PT.)

MARCELO - "[Marcelo Rebelo de Sousa] é pluri-pluri. Tem dez respostas, todas boas, para a mesma pergunta. Não sofre de pensamento único". (Ou não sofre de falta de criatividade.)

PRESIDENCIAIS - "O Alegre devia ter juízo (...) No final do mandato já terá 80 anos, não é muito sensato". (Não. Mas ir à caça depois dos 70 custa mais.)

CAVACO - "Cavaco é um ditador. Mandou quatro amigos meus, dos melhores ministros, para a rua, assim, 'com vermelho directo'". (Oh Belmiro: Tu já mandaste quantos? Ah! Só com duplo amarelo…)

TGV - "O TGV está desenhado em função dos interesses espanhóis". (Devia ser construído em função dos interesses dos Ruandeses…)

ESPANHA - "Do ponto de vista político, o sistema espanhol é pior do que o nosso". (É. As democracias são assim, diferenciam-se por nacionalidade.)

CONCERTAÇÃO - "Os empresários têm muita força, mas quem tem mesmo força são os trabalhadores". (Não têm é dinheiro. São os do R/C.)

SINDICATOS - "[Sindicatos] terão de se reformular se não quiserem desaparecer rapidamente". (Exacto. Dão demasiada força aos trabalhadores.)

TRABALHADORES - "Para se ter uma sociedade coesa, os trabalhadores têm de ser bem tratados, não se podem explorar". (Desculpe???)

PATRÕES - "Não há nenhum empresário sério que se reveja nas associações patronais". (As associações patronais não são de empresários sérios.)

REGIONALIZAÇÃO - "Podia ser interessante regionalizar a Educação". (Ou educar as regiões. Mas, regionalizar à moda de Espanha?)

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Fábula do Défice

Como estamos em época de crise, ou estivemos, nem sei bem, vou revelar o meu défice: 9% do meu produto. Ao ano.

Nada que uma parceria com um qualquer otário não resolva. Aceito contribuintes líquidos.

Prometo que não compro mais nada a crédito.

No próximo ano baixo este défice para 8,3%. E o meu rendimento este ano subirá 0,7%. Bate certo.

De referir que o meu rendimento está já empenhado em 82%, o que me dá 18% de margem para comprar pirolitos (deixei de fumar à algum tempo).

De qualquer das formas, espero nos próximos anos comprar uma quinta no Douro, uma moradia de 500 m2 na Foz e, se me agradar o novo modelo, vou comprar dois Ferraris.

Pode ser que rebente um dia.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Desgraças e modernidades

Enquanto que por cá se discute o acesso de casais de pessoas do mesmo sexo a um evento organizado pela, socialista, Câmara de Lisboa, do outro lado do Atlântico poucos serão os casais que resistiram à devastação da natureza.

Port-au-Prince é uma cidade construída à custa de muita desflorestação e de imensas barbaridades cometidas contra a natureza da ilha e a sua biodiversidade. Dizem que o solo, de tão desprotegido, se tornou árido. Nada disto incomodou a comunidade internacional, que, do sofá, apreciou em belos LCD’s, as sucessivas tomadas do poder e os atropelos à vontade de um povo que nada tinha e que de tudo carecia.

A ONU, para o Haiti, o máximo que conseguiu foi um contingente, liderado pelo Brasil, constituído por militares de países tão surpreendentes como nunca mencionados em missões de paz pelo mundo fora. Não que o não possam ou devam fazer, mas porque, em suas próprias nações a dita calma não abunda: Jordanos e paquistaneses.

Depois da desgraça, correu o dito 1º Mundo, em direcção ao País mais pobre das Caraíbas (onde abundam resort’s e cruzeiros de luxo) e um dos mais pobres do Mundo.

Somos sempre mais sensíveis a uma tragédia que envolva 100.000 mortes, do que a 100.000 tragédias que envolvam 1 morto apenas. Mas era isto que acontecia no Haiti, e que continua a acontecer com a falta de distribuição de bens de primeira necessidade.

Apesar dos SMS, das campanhas de solidariedade e de todas as manifestações de pesar e de choque, continuam a existir no Mundo inteiro, milhares de tragédias que não chegam ao nosso conhecimento.

Não podemos mudar o Mundo, mas temos obrigação de mudar um pouco o “nosso” Mundo, para que os demais possam evoluir e, daqui a uns anos, discutam vulgaridades como as que se discutem por cá. 

domingo, janeiro 10, 2010

Regionalizar – Parte x

Ontem li nos jornais que o novo Ministro das Obras Publicas, numa visita ao Grande Porto, e quando questionado sobre os investimentos a fazer no Metro do Porto, falava em racionalização de recursos. Que o dinheiro é pouco e todo o investimento tem que ser muito ponderado e tal, e coiso…

O ex-Ministro Mário Lino, falava, em relação à localização do Aeroporto de Lisboa na margem sul, num território inóspito, numa terra sem gente nem infra-estruturas condizentes com um investimento daqueles. Resumia com um lapidar JAMAIS!

A expansão do Metro do Porto custa aí uns 100 milhões de euros. Hoje ouvi um anuncio de uma obra que ronda os mil milhões de euros, numa região que, chamou o governo, de “Pinhais do Interior”.

Deve ser um investimento Mota, daqueles que se chamam parcerias publico-privadas. São mais ou menos engenharias financeiras que querem dizer que fica muito caro para o erário público e é vantajoso para os concessionários.

Os milhões de habitantes de Oleiros, Proença-a-Nova, Ansião, Sertã e Vila-de-Rei, vão ganhar muita qualidade de vida com a nova estrada. O entusiasmo é tal que estão a mudar-se para aquelas bandas milhares de lisboetas, ávidos de estrada livre.

Nós por cá, como não temos pinhais, continuámos à espera que sobrem 100 milhões dos trocos aplicados. Dava jeito uma expansão da linha do metro, para que as populações fiquem mais próximas das escolas, hospitais e indústrias que por cá existem.

Ficámos à espera.

Como dizia Eça, isto não é um País. É um sitio muito mal frequentado.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Mais um pontapé no Porto

O concurso da terceira fase do Metro do Porto deveria ter sido lançado no passado mês de Outubro. Não foi. Fase essa que está avaliada em menos de 10% das obras já lançadas no Metro de Lisboa, que não pára de se expandir com derrapagens atrás de derrapagens. 

Há comboio para a Amadora? Constrói-se metro. E já agora alarga-se o IC 19.

Receitas? Portagens nas SCUT a Norte.

O que mais me incomoda é que ninguém se chateia com tudo isto. O governo que tudo adia a Norte, foi premiado nas ultimas eleições. Continuamos a mendigar o desenvolvimento de uma região que tem todas as condições para liderar o Noroeste peninsular. Em sentido contrário temos um governo centralista, que, cada vez mais, se fortalece em 80 Km’s quadrados, qual condomínio de luxo de um País cada vez mais pobre e desigual.

Como reflexo dessa política, até o vinho de Lisboa é mais apoiado pelo Turismo de Portugal. Se não tivessem construído a Expo ainda nos levavam de cá as Caves. E só não levam o nome porque ele faz parte do nome do País, ou não fosse originado no Condado Portucalense.

Este cantinho peninsular tornou-se numa espécie de carro com um bom motor, mas que não circula por ter os pneus carecas e a carroçaria toda enferrujada por falta de manutenção.

Gamofobia

É palavra que o meu (inteligente corrector ortográfico) considera como erro.

Designa o medo de casar.

É mal de que não padecem os casais do mesmo sexo. Agora que já foi dado o passo principal, até já foram contemplados na Expo noivos.

Fico à espera da legalização da Poligamia.

Há por aí tanta gente a disputar o mesmo, ou mesma, parceiro. Seria uma boa solução e teria muitos adeptos. Não vejo qual seria o problema. É uma liberdade individual que ainda não está contemplada.

Podia era multiplicar os casos de gamofobia…

Avaliação

Qualquer um de nós é capaz de avaliar seja quem for, em qualquer ramo de actividade, a que estejamos directa ou indirectamente ligados.

Eu, consigo avaliar uma série de TV, o padeiro, a empregada do café, o polícia de trânsito, o meu chefe, um ministro, etc., etc., etc.,…

Consigo avaliar muita coisa, e apesar de tentar, não consigo atribuir classificação positiva a tudo o que me rodeia.

Ora, quanto aos cerca de 200.000 professores da nossa praça, dizem-me que muito poucos, uma ínfima percentagem, é classificada como mau ou suficiente. É mais ou menos como com os alunos, podem chumbar, mas raramente chumbam.

Querem os ditos profissionais progredir na carreira sem qualquer entrave. Querem poder subir de escalão (ganhar mais dinheiro, porque a recompensa de ser bom ou mau não implica um pontapé no rabo, como para qualquer um de nós) e deixar poucos (os que não prestam) a ganhar pouco. É uma espécie de vamos todos ser chefes e deixamos dois ou três para disfarçar.

Como acho que avaliações e carreira não podem jogar, deviam manter-se as remunerações por diuturnidades e mandar para a rua os maus professores. Um País que os deixa leccionar não pode progredir. Já agora, deixem uma qualquer empresa auditora externa à classe avalia-los e provavelmente ficam muitas vagas por preencher.

No meu tempo um mau professor levava com uma batata no tubo de escape…

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Desligar a corrente

O Rio Douro produz mais de metade da electricidade proveniente de recursos hídricos em Portugal.

Com a construção das novas barragens nos afluentes, vai aumentar essa capacidade. É no norte que está situada a central que controla as descargas nas barragens nacionais, evitando assim cheias nos grandes rios do País, como o Tejo, Zêzere, Mondego e Guadiana. Só não as consegue evitar no Douro. É uma força incontrolável.

Com a perspectiva da regionalização no horizonte, devemos começar já o apelo ao voto pela reforma das reformas. E começar a cobrar o uso dos nossos recursos para o bem estar de quem nos leva os impostos para desenvolver um País à parte, onde qualquer mini-tornado se transforma numa causa nacional. A preocupação dos jornalistas, na última semana, era a escassez de tomate e alface no MARL (Mercado abastecedor da região de Lisboa), como se o Norte dependesse das estufas do Oeste para ter uma saladinha na mesa.

Não, meus senhores!

Eles é que dependem na nossa bondade para terem luz em casa e nas empresas!

E para não terem água pelos joelhos!

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Dia de S. Envelope

Hoje, véspera de Natal, há uma corrida ao envelope.

Tirando esta quadra, só nos casamentos é que se vê tanta circulação postal.

A malta anda toda a comprar bonequinhos nos 300’s ou nos chineses, na esperança que os familiares mais velhos lhes dêem envelopes bem recheados.

Há quem invista com o chamado “retorno absoluto”. Ou então, com a esperança que o retorno cubra o investimento.

Não, não é o meu caso, mas conheço muitos.

Afinal, o Natal tornou-se no expoente do consumismo. Antigamente, as pessoas mais velhas compravam o bacalhau e financiavam a festa, mas as prendas não passavam de embrulhos foleiros cujo conteúdo não excedia a cintura. Ficávamos com a gaveta da roupa interior renovada.

Tínhamos uma Tia, que sempre trazia a última novidade em jogos de tabuleiro, com que nos entretínhamos na noite e dia de Natal.

Agora, ficámos a olhar para os miúdos a experimentarem os jogos das PS2 ou 3, das wiii, dos PC’s, etc…

Foi-se o tempo da partilha. Só se for o comando. Ou os mail’s.

Ou no meu caso, este post.

Bom Natal a todos.   

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Anda tudo doido!

Então o Ricardo Araújo Pereira é capa da Playboy?

É quase a mesma coisa que a capa da “Bola” ter a Cinha Jardim com as suas “queridas” filhas!

Há coisas que não se devem desvirtuar. Corre-se o risco de dar um significado não desejado à publicação.

Não que eu seja um leitor dedicado, nem tão pouco ocasional, mas que é estranho, é.

É quase como ver os aviões da Red Bull a sobrevoar o Tejo. Vão perder o efeito que mais atraíam publico no Douro; o risco de sobrevoar um rio com a largura do rio Douro, perde-se na enorme distância entre as duas margens do rio alfacinha.

A Playboy põe-nos à espera da próxima capa normalizada, e nós cá na Invicta passamos a beber Burn!

Eu e a Matemática

Tenho tentado jogar sudoku.

Ok! É mesmo passatempo de quem não tem que fazer, dizem-me.

Talvez. Mas li algures que era uma boa forma de treinar o cérebro, evitar a morte precoce das células, etc. e tal e não sei mais o quê…

O problema é que me falta paciência para raciocinar, o essencial do jogo. A lógica do jogo aplica-se facilmente, mas, se calhar fui concebido com a matemática e as ciências exactas fora de órbita.

Já vi explicações, truques e formas de, facilmente, chegar ao resultado de qualquer jogo, mas não atino com a coisa.

Enfim, pego no jornal enquanto tomo café, começo pelo sudoku e, rapidamente, desisto. É frustrante.

Vou continuar a insistir, pode ser que deixe de ler notícias cá do burgo. São tão más que nem se destacam das piores de outros dias.

Parece que o papa vem a Portugal num avião transformado numa espécie de Hilton voador, não vá estranhar a saída do humilde albergue que é o Vaticano. A minha matemática é tão má que nem consigo chegar à cifra que vão gastar para tal; nem dá para calcular a quantas pessoas mataria a fome tal excentricidade.

Eu e a matemática…

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Se soubesse o que sei hoje…

Hoje, enquanto almoçava (no melhor restaurante italiano que conheço: Caruso, na Póvoa de Varzim), e, como tantas vezes me acontece, estava sozinho, socorri-me da companhia de uma revista. Naquele restaurante, a escolha é habitualmente a Visão.

Aquela datava de Outubro. Entre outros assuntos, dissecava, essencialmente, acerca das, felizmente, passadas eleições autárquicas. Quando estava quase a acabar a Lasanha, dou com o tema de capa: Uma entrevista a António Lobo Antunes.

Há pessoas que até a falar encantam. A transcrição, acredito, é a fiel do que o entrevistado disse.

Deliciei-me com a qualidade de pensamento daquele, fabuloso, contudo simples, homem.

Umas quantas páginas antes, tinha absorvido vorazmente a sua habitual crónica semanal. Falava da sua relação com Deus, das vicissitudes que ultrapassara, dos desentendimentos com Ele, da permanente evolução normal em qualquer relação.

Na entrevista, entre outros assuntos, fala sobre os livros que escreveu, que escreve e dos autores que admira.

Do cancro que venceu, diz que não vale a pena falar muito porque, e cito: “Sobre as coisas grandes não há muito a dizer”.

Mas guardo sobretudo uma frase que marca a sua personalidade:

O homem passa a vida em busca de sabedoria e conhecimento, que, na maioria das vezes, chega tarde de mais.

domingo, dezembro 13, 2009

Nada como o frio

Gosto de frio. Sempre gostei. Era miúdo, vivia numa casa aquecida por 7 petizes, gostava das noites de frio, do cheiro dos lençóis de flanela, dos cobertores a pesar, e, acima de tudo, da condensação da respiração pela manhã.

Sempre achei que o frio se suportava melhor que o calor. Era só por mais agasalho, mais lenha na lareira, mais um cobertor e o choque é atenuado. No calor, por muita roupa que tirasse, tinha sempre muito calor.

Agora, reconheço que o calor é mais agradável. É melhor para a sociabilização, para ver gente a passear, para a malta sair para a rua.

Mas deixem-me apreciar este período de tempo em que não se vê viva alma cá pela praia da Madalena. Correr praia fora com o ar gélido a bater na cara, sem bater de caras com nenhum “tone”, é realmente um luxo!

sexta-feira, novembro 27, 2009

Face oculta

Cada vez percebo menos disto…

Onde será que está agora, a má moeda de que falava Cavaco em 2005?

Será que vamos continuar a assistir a branqueamentos sucessivos do centrão e seus malabarismos?

Agora com estas confusões, veio-me à cabeça, de repente, a detenção do histórico socialista Edmundo Pedro, que no início da década de 80 foi apanhado a conduzir uma carrinha carregada de armas e explosivos, enquanto se perseguiam as FP. Esteve preso onze meses preventivamente e depois…, nada, nem julgado foi. E o julgamento das FP deu no que deu.

Depois admiram-se de a extrema esquerda subir a votação quando o PS está no poder. Eles conseguem governar com tiques mais caciques que a direita. Desde o “No jobs for the boys” do tempo do Guterres, até à nomeação do professor de inglês técnico, passando pela confusão das escutas e suas intenções e a acabar nesta coisa parecida com Estaline, em que até os magistrados, quando não estão com eles, são espiões políticos…

Como dizia Zeca Afonso: “Eles comem tudo…”

sexta-feira, novembro 13, 2009

Quem diria…

Além da compra da TVI pela  PT, conforme o SOL revelou na passada edição, são também referidas manobras para financiar a campanha eleitoral do PS para as últimas legislativas e para ajudar a salvar o grupo empresarial de Joaquim Oliveira (DN, JN, 24Horas, TSF, O Jogo e Sport TV).

in Jornal Sol, edição on-line 13 Novembro 2009

Quem diria que o Sr. Sócrates andava preocupado com o futuro dos jornais do Sr. Oliveira? Entre eles está o já aqui referido pasquim: O DN.

Coincidências de Sexta-Feira 13, se não estivesse numa qualquer escuta, diriam que era mentira de 1 de Abril. E depois admiram-se que, ao usar a comunicação social, o feitiço se vire contra o feiticeiro.

Que sofram agora as consequências: Julgamento pelos jornais.

É apenas e só isso que provocam. E que provavelmente não queriam.

Primeiro, mas mesmo primeiro!

Então agora sempre que se fala em uma qualquer trapacice elaborada por um qualquer militante do PS, aparece colado o nosso primeiro?

Claro está, que o qualquer militante é quase sempre o amigalhaço de longa data, o expert bancário Armando. O tal que, na boa tradição socialista, trepou à custa do bom trabalho no aparelho partidário. Passou de caixa na CGD do Mogadouro, não para a Direcção Regional, mas para a Administração. E quando o BCP correu com os aldrabões da Opus Dei, correu o governo, qual ponta-de-lança da maçonaria, a colocar a Administração amiga à frente dos destinos do dito banco.

E agora vem a saber-se que o primeiro negócio do Sr. Godinho com o estado português, concretizou-se com o Ministério do Ambiente enquanto o nosso primeiro era o titular da pasta.

Porreiro pá!

Cá fica uma foto, possivelmente a primeira, do nosso primeiro.

Socrates_Jovem

domingo, novembro 08, 2009

Maratona do Porto

Decorreu hoje nas ruas do Porto e Gaia a Maratona do Porto.

Como nem toda a gente está preparada para sofrer durante mais de 42 km’s, decorreu em paralelo uma prova de 14 km e uma outra de 6.

Eu, para apreciar parte do percurso que me espera no próximo ano, fui participar na chamada Family Race (14 KM).

Com um dia pouco convidativo a sair de casa, muito menos para correr, lá fui eu justificar a compra de um gorro e umas sapatilhas. Com a chuva a bater forte, puxada por um vento de NO que fustigava, na companhia de mais uns milhares de doidos, fiz o que pude. Depois de uma semana com gripe e febre (se foi A já estou imunizado), com o pingo no nariz a incomodar (era mais uma espécie de massa consistente), o que me obrigava a limpar o dito com alguma frequência (limpar não, era mais uma espécie de expulsão de ranho), lá fui eu fazer mais uma etapa.

E consta assim:

Dorsal:4563 Cl.Geral:894 Cl.Esc.:566 RUI PINHO M VETM PORTUGAL INDIVIDUAL
1:22:33 (Tempo total)
0:06:00 (Tempo/KM)

Acabaram esta prova 1044 atletas, sendo que 634 pertenciam ao meu escalão (veteranos(!) masculinos).

Não está mau…

Tributo ao cão

Sou um admirador da capacidade que alguns animais, os cães em particular, têm para nos conquistar. São uns amigos incondicionais.

No século XIX, o senador George G. West, representou o proprietário de um cão morto pelo vizinho.

O senador ganhou o caso e hoje existe na cidade de Warsensburg uma estátua do cão. O discurso do senador de Missouri está inscrito na entrada do tribunal de justiça.

Eis alguns tópicos do discurso:

"O mais altruísta dos amigos que um homem pode Ter neste mundo egoísta, aquele que nunca o abandona e nunca mostra ingratidão ou deslealdade é o cão."

"Senhores jurados, o cão permanece com seu dono na prosperidade e na pobreza, na saúde e na doença. Ele dormirá no chão frio, onde os ventos invernais sopram e a neve se lança impetuosamente. Quando só ele estiver ao lado de seu dono, ele beijará a mão que não tem alimento a oferecer, ele lamberá as feridas e as dores que aparecerem nos encontros com a violência do mundo. Ele guarda o sono de seu pobre dono como se fosse um príncipe. Quando a riqueza desaparece e a reputação se despedaça, ele é constante em seu amor como o sol na sua jornada através do firmamento. Se a fortuna arrasta o dono para o exílio, o desamparo e o desabrigo, o cão fiel pede o privilégio maior de acompanhá-lo, para protegê-lo contra o perigo, para lutar contra seus inimigos. E quando a última cena apresenta, a morte o leva em seus braços e seu corpo é deixado na laje fria, não importa que todos os amigos sigam seu caminho. Lá, ao lado da sua sepultura, se encontrará seu nobre cão, a cabeça entre as patas, os olhos tristes mas em atenta observação, fé e confiança mesmo à morte."

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Verdades preocupantes

 

Vais ter relações sexuais? O governo dá-te preservativos!

Já tiveste? O governo dá-te a pílula do dia seguinte!

Engravidaste? O governo oferece o aborto! 

Estas na escola e não aprendes nada? O governo dá-te a aprovação por decreto (ou por cansaço)!

És viciado? O governo troca a seringa, e se quiseres, paga bem para te curares com outra droga!

Detestas trabalhar? O governo dá-te o rendimento social de inserção.

Agora experimenta estudar, trabalhar, produzir e andar na linha para ver o que acontece! O Governo oferece-te uma carrada de impostos e responsabilidades.

terça-feira, outubro 27, 2009

Acção cívica

Li num artigo de opinião a incredulidade da autora depois de uma pessoa ter morrido num restaurante, após um episódio que, considera, estúpido. Como todas as mortes evitáveis.

O estúpido da situação repetiu-se ontem. Um jogador, jovem, morreu após, supõe-se, uma paragem cardíaca, que poderia ter, eventualmente, evitado com um simples desfibrilador. Acontece que o dito aparelho que pode salvar vidas, não faz parte dos utensílios que a Federação de Basquetebol considera indispensáveis num pavilhão onde se realizem jogos daquela modalidade.

No primeiro episódio, um homem morreu após se ter engasgado enquanto comia. Não havia ninguém na sala que soubesse efectuar a manobra de Heimlich, que consiste em pressionar a zona abaixo do diafragma da pessoa engasgada, para que, com a saída em pressão do ar dos pulmões, a mesma consiga expelir o que lhe impede a respiração.

Na segunda situação, apenas  o melhoramento das regras e a consciencialização de que o tempo após uma paragem cardíaca é curto para uma eventual recuperação do paciente. Para o encurtar, os desfibriladores devem estar, obrigatoriamente, presentes em todos os espaços onde se pratica desporto.

Quanto ao facto de no restaurante onde morreu uma pessoa engasgada, este deve-se a um simples motivo: a ausência de formação cívica. Em vez de tanto se preocuparem com coisas supérfluas, os políticos, deveriam ter-se lembrado já há muito tempo, de implementar nas escolas uma disciplina que abrangesse estas matérias. As pessoas deveriam aprender como lidar em caso de presenciarem um acidente, fosse ele de que natureza fosse.

Infelizmente, ainda não é o caso. E vai-se morrendo por omissão ou por pura ignorância de quem assiste.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Bailarinas exóticas

Hoje, no programa mais didáctico da televisão portuguesa (o da manhã do canal 1), enquanto me espreguiçava, vejo a seguinte, bombástica, notícia: “Comerciantes de Paris, para combater a crise, usam dançarinas exóticas como manequins nas suas montras”. Fiquei à espera de ver dança da chuva, ou algum grupo Maori a actuar. Não. Nem tão pouco eram strippers de leste, daquelas que quando se despem mostram uma magreza extrema, com costelas salientes. Eram bailarinas tipo Moulin Rouge!

As ditas dançavam muito sincronizadas, não faziam propriamente pose. E se pensam que as roupas seriam de alguma nova colecção, enganam-se. Estavam praticamente despidas, exceptuando umas plumas no cabelo e as “partes baixas” cobertas com um tecido escuro.

Em frente, um batalhão de jornalistas tentava a melhor foto para eternizar o momento. Eram muitos os curiosos que tentavam, ao longe, ver o dito espectáculo, sem conseguir chegar perto.

Afinal, os comerciantes de Paris descritos pela RTP como bastante aflitos com a crise, resumiam-se à montra de uma das mais caras lojas do mundo, a Printemps!

Eu cheguei a pensar que alguém ali para os lados de Amarante se lembrasse de pedir ao dono de uma das muitas casas de strip, algumas bailarinas para animar o comércio tradicional, mas afinal parece que só resulta se as bailarinas forem exóticas à francesa.

Ninguém lhes disse que a Printemps tem 45.000 m2! Deve ser a superfície ocupada pelo comércio tradicional na Rua Santa Catarina no Porto. E chamam àquilo “os comerciantes de Paris”!

Como se o Corte Inglês de Lisboa representasse o comércio tradicional da cidade.

E que alguém lhes diga que manequins em montras de lojas de roupa, normalmente têm roupa…

Santa ignorância…

quarta-feira, outubro 21, 2009

Estou consigo, Mário David!

“José Saramago, há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa! Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?

Se a outorga do Prémio Nobel o deslumbrou, não lhe confere a autoridade para vilipendiar povos e confissões religiosas, valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter.”

in, www.mariodavid.eu

Nunca comprei um livro de Saramago, como nunca comprei nenhum de Salman Rushdie. Acho que um escritor que se afirma contra alguma coisa, ou contra alguma crença, ou contra alguma pessoa, vai por um caminho que implica parcialidade. Seria como achar verdadeira e fiel a biografia de Álvaro Cunhal escrita por José Pacheco Pereira.

Não me parece que a grande maioria das pessoas partilhe desta opinião, mas como as que crêem em Deus e na Bíblia me merecem muito mais respeito que um exilado em Lanzarote (rico exílio), parece-me que a minha opção de não encher os bolsos do dito individuo, é tão só, uma homenagem a quem vive e se guia pelo livro Sagrado.

Já tive imensas discussões com muita gente acerca da educação católica. Não me parece válido o argumento que advoga a livre escolha, que pede que não se baptize uma criança, ou que não se eduque a dita inocente numa religião que ela ainda não sabe se quer. Costumo dizer que o meu pai me obrigou a ir à escola, me obrigou a respeitar os outros, me obrigava a fazer a minha cama, a lavar a louça nos dias em que me estava destinado tal ofício e me orientou nos princípios em que acreditava. Nada do que me obrigou a fazer fez de mim pior pessoa, e nenhuma das escolhas que por mim fez me trouxeram nenhum malefício.

Agradeço a educação católica que me deram, o que não invalidou que não tivesse confirmado a minha Fé pelo Sacramento que serve para confirmar a escolha que um dia fizeram por nós: O Crisma (Sacramento de confirmação da Fé). Quando chegou a altura, achei que não tinha assim tanta certeza. E se toda a gente fizesse exclusivamente aquilo em que acredita, provavelmente haveria menos casamentos pela Igreja. Os comunistas não teriam Missa de Corpo Presente, ou funerais católicos, nem os Socialistas corriam a beijar a mão ao Papa quando este vem a Portugal. Porque pior que educar e ensinar segundo uma crença religiosa, seja ela qual for, é apregoar uma coisa e fazer o contrário.

Quanto ao dito escritor, que se nacionalize espanhol, vá para Madrid dizer aquelas barbaridades, que alguém é capaz de o chamar à razão.

Tenho dito.

domingo, outubro 18, 2009

A minha 1ª Meia Maratona

Quase 15 meses depois de deixar de fumar e de ter começado a correr, aventurei-me numa prova de atletismo. Como as esperanças de vitória não eram muitas, esforcei-me por acabar, o que, diga-se, não é fácil para ninguém.

Depois de 21,095 km!!!, cheguei, solitário, com o dorsal 795, à meta instalada no Jardim do Calém, junto ao Douro que serviu de cenário a toda a prova.

Fica o registo e a classificação que era o que menos importava.

http://www.runporto.com/classificacoes/meiasportzone09/classmeiasportzone09.aspx

1413º classificado em 1448 que conseguiram terminar.

Custa a primeira, a partir daqui é sempre a melhorar, digo, e espero eu!

sexta-feira, outubro 09, 2009

Campanha interessante…

Campanha interessante esta.

O Sócrates apoia os candidatos do PS, dizem com ênfase os jornalistas (alguém lhes diga que o Sr. é o Secretário Geral do Partido).

O Jerónimo é contra a privatização da TAP (já foi a favor de alguma?).

O Portas diz que vai ganhar (nunca perde).

O Louçã quer tirar a maioria a toda a gente e, diz ele, ser o provedor dos cidadão nas Câmaras Municipais (não é preciso, já lá estão os vereadores do PCP).

E a Manelinha nem sabe o que anda por ali a fazer. Ninguém a quer por perto (as derrotas eleitorais são mais contagiosas que a Gripe A). Até o Santana Lopes, antevendo uma derrota em Lisboa, chamou o Portas e a Manuela, para que a derrota tenha mais rostos.

As eleições são Domingo, na segunda-feira volta a Gripe A às primeiras páginas…

quinta-feira, outubro 08, 2009

Gravatas serão símbolos?

Acompanho, na medida do que me é possível, alguns blogues. A autora de um deles, que aprecio e que mais fielmente acompanho, colocou um post em que questionava o símbolo em que se tornou a referida indumentária, para os elementos do BE que se deslocaram a Belém. Na minha modesta opinião, fez muito bem.

Já alguém se lembrou de usar meias brancas em vez de pretas, no BE?

Símbolos são as atitudes e as peneiras de quem se acha dono da verdade, da liberdade e da república.

Para mim símbolos dos nossos dias, são os botões de punho usados da esquerda à direita, pelos ilustres comentadeiros da nossa praça. Se tivessem vergonha não insultavam a miséria em que tanta gente vive, limitando as acções de campanha eleitoral a meros debates televisivos.

Aproveitavam e distribuíam pelos pobres o dinheiro poupado.

Já alguém disse aos pobres que votaram no BE, que deram a esse partido 3 € por cada voto?

Perguntem-lhes se vão dar o dinheiro a quem precisa.

A demagogia não seria maior que a que eles, normalmente, usam.

Mesmo com gravata…

Movimentos cívicos

Acho piada a esta moda dos movimentos ditos cívicos. Agora é o da defesa das vistas para o Tejo, do qual faz parte, entre outras individualidades, o idiota de estimação da malta que gosta de dizer mal de tudo o que é lusitano, o ilustre Miguel Sousa Tavares.

Então o papalvo que se diz tripeiro, que tanto bate no Rui Rio, anda a ajudar (como se fosse preciso), o António Costa, com reuniões secretas e garantias de não expansão?

Será que agora vai começar a escrever numa qualquer esplanada das docas, em vez de se ausentar, como tanto gosta, em terras de clima mais ameno, como o seu tão estimado Brasil?

Ninguém defende um terminal de contentores naquele sítio, mas ninguém o viu a marcar reuniões antes das campanhas eleitorais.

Já agora, criem um movimento que defenda a não expansão da Secil na Arrábida. Já sei que há menos esplanadas por lá, mas que aquilo é uma vergonha, é.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Raciocínio muito simples

 

1. Deixem que todos os homens que queiram casar com homens, o façam...
2. Deixem que todas as mulheres que queiram casar com mulheres, o façam...
3. Deixem que todos os que queiram abortar, abortem sem limitações...
4. Em duas gerações, deixarão de existir socialistas...

domingo, outubro 04, 2009

Homenagem (pelos piores motivos)

Aos super-dragões, esse grupo de gente que leva bem longe o nome da minha cidade. Diga-se de passagem que nem precisavam de o fazer, já que, na sua grande maioria, são oriundos de cidades limítrofes. Outros são de zonas nobres como o Aleixo, Bairro do Cerco e Ribeira.

Como ninguém consegue, fazem aberturas de lojas em busca do melhor artigo para comprar. Muitas vezes, acontece que as pessoas fogem e não se lembram de receber. Outras, quando aquelas que querem cobrar artigos que os descuidados tragam à vista, eles fazem o favor de acelerar o passo para que não se magoem.

Hoje, mais uma vez, foram abertura de telejornais.

Pelos motivos óbvios: distúrbios, roubos, saídas dos bares e restaurantes de Albufeira sem pagar, etc.

Só não percebo é porque não foram fazer tudo isso para Olhão. É que lá, acredito que não faziam farofas, como diz o povo.

Pelos vistos, como exemplares cumpridores da lei, são uma associação organizada e legalizada. Porque é que não lhes imputam os custos?

Ou ao padrinho do grupo de energúmenos…

quarta-feira, setembro 30, 2009

Campanha Autárquica

Tópicos da Elisa Ferreira:

- O “problema” do Aleixo;

- O “Bolhão”;

- O Parque da Cidade;

- A desertificação da cidade.

Tenho a dizer-lhe que:

1- O Aleixo, quando for demolido chama gente à cidade. A malta gosta de viver em cidades em que não é assaltada muitas vezes, e onde se pode circular em todo lado, sem guetos, como é o Aleixo.

2 – O Bolhão terá muitos mais clientes quando soubermos que aquilo não cai enquanto compramos grelos ou broa de Avintes. E já agora, mercados típicos só mesmo em Angola (o Roque Santeiro) e em Bagdad.

3 – O parque da cidade é um problema já herdado, com muitos negócios enrodilhados pelo seu camarada Nuno Cardoso. Aliás, depois dele sair (e o PS atrás), as subsidiadas dos negócios perderam os meios de subsistência.

4- A desertificação é o reflexo da insegurança. E quanto a esse aspecto terá de falar com o Governo.

P.S.:

1 - Como sabem viajo imenso pelo País. Sabem qual é o tópico comum a todos os candidatos autárquicos do PS? Estágios subsidiados. Acho que se todos se cumprissem, até o minimercado do Sr. Teixeira teria um qualquer jovem a estagiar na charcutaria…

2 – Onde é que eles vão buscar tanta ocasião para apresentar os programas? Já é p’raí a terceira apresentação do programa da S.ra…

3 – Se o Aleixo não for abaixo, quero um T3 na Torre 1. Tem umas vistas fantásticas e não se paga água nem luz. Ou acham que os funcionários da Edp e das Águas vão lá fazer cortes de fornecimento? Não me façam rir…

terça-feira, setembro 29, 2009

E-mail

Na ordem do dia!

Eu, sinceramente, nunca percebi, porque raio é que agora, toda a gente se corresponde por meios electrónicos. Inclusive, nas empresas, os chefes deixaram de chamar os seus súbditos (perdoem-me o exagero da expressão) ao gabinete para dizer seja o que for.

Hoje em dia, as reprimendas são enviadas para a caixa de correio electrónico, com o conhecimento de 22 gajos que não têm nada a ver com o assunto, e de mais 2 ou 3 em Bcc, para que não saibamos quem mais sabe o que nós sabemos.

Ora, parece que na Presidência da Republica o digníssimo ocupante do cargo, reparou que o seu, imaginava ele, seguro sistema, afinal é vulnerável.

Então o Sr. Presidente não vê as notícias?

Qualquer banal cidadão, com menos assessores que S.Exa tem na casa de banho, já viu na TVI, aquelas Sras a chorar baba e ranho com a Julia Pinheiro, depois de Hackers terem sacado todo o dinheirinho que tinham no Banco. Isto depois de terem, apenas, transcrito todos os códigos de segurança, na resposta a um e-mail de um Sr. do Banco.

Deduz-se daqui que nenhum dos, imagino ocupados, assessores do Sr. Presidente, vê a TVI.

Ainda não houve quem lhe dissesse que os documentos confidenciais não deveriam andar no seu PC pessoal. Qualquer dia raptam os segredos da presidência como fizeram com os do Miguel Sousa Tavares (a TVI é muito didáctica).

Quanto mais esmiúçam, menos percebem e menos esclarecidos ficamos nós, os parvos que os metemos lá.

E a comunicação social, alimenta histórias sem qualquer fundamento, na ânsia de não perder as fontes.

Tá tudo doido…

sexta-feira, setembro 25, 2009

Recordando Eça

ATT000071

Andar por aí

Andar por aí deve ser porreiro, pá!

Devia, aliás, ser uma profissão com acesso através de concurso público. Sim, porque nem todos têm perfil para andar por aí. O Pedro Santana Lopes, por exemplo, não conseguiu manter-se por aí, rapidamente regressou ao por aqui, que designo por lides públicas.

Não, o andar por aí não é um cargo público, o por aí é um cargo privado, quase uma carreira auto-didacta que se limita a apreciar quem anda por aqui.

Ainda não perceberam, eu explico:

Andámos todos por aqui a ver se percebemos porque é que somos o País que somos, com todos os defeitos e virtudes, com os atrasos e avanços, os que em nós mandam e nos dirigem, e ainda não entendemos que enquanto por aqui andarmos nos limitamos a ser informados e, por vezes, ignorados.

E a classe que anda por aí a dirigir-nos, vai por aí levando o que produzimos, entrega a quem entende o que dá para ver por aí, eventualmente estudar o que se vai fazer por aí, e, melhor fora, que não tenha que se deslocar a lado nenhum, muito menos por aqui.

Estes que analisam os “por aí” são os que se safam. São os que ninguém sabe o nome, ninguém conhece, mas que se tornam um número, considerável diga-se, por aqui.

São os gajos que quando por cá se faz de conta, vão vendendo essas ideias e ganhando o pilim. Esmiúçam, fazem textos parvos (mais ou menos como este), tornam-se famosos e influenciam opiniões. Não, não são os Gato Fedorento. São os 48.000 milionários de Portugal. Excluindo meia dúzia de palermas que trabalham mesmo, os outros andam por aí (devem ser gestores) a analisar e estudar soluções que ninguém entende, mas, contudo, sendo produzidas a partir de bases estudadas, enfim, por aí, se tornam valiosíssimas.

Deve ser…

terça-feira, setembro 22, 2009

Não há pachorra…

Já não tenho paciência para este país a brincar. Enquanto o numero de desempregados continua a aumentar, o défice das contas publicas em igual movimento ascendente, a insegurança a sobrepor-se à liberdade de movimentos do cidadão comum, enfim, o País a andar para trás e anda tudo a discutir escutas. Os jornalistas pouco interessados em discutir o País, os Gato Fedorento armados em oposição à Manuela Ferreira Leite, o Cavaco, como sempre, a minar o terreno a todo e algum que se atreva a ser 1º Ministro depois dele, com as cores do PSD (sim, porque o Durão foi um equivoco do Guterres, que lhe estendeu a passadeira) e o povo com um apagão geral, esquecendo-se do que se passou nos últimos 4 anos.

Não compreendo. Este Cavaco Silva, deve sentir que tem que se manter no centro das atenções. Ou com uma fatia de bolo-rei, ou com artigos de opinião a “dar palmadas nos irmãos mais novos, ainda na maternidade” (sim citei Pedro Santana Lopes, qual Calimero), ou, como agora, atraindo atenções para a sua Casa Civil. Já em 1995, com um desmentido sobre a sua candidatura à Presidência da Republica, passou uma rasteira a Fernando Nogueira, abafando completamente a demonstração de incompetência do Guterres com a sua completa desorientação quanto ao PIB. Pode ser que o mandem de vez para Boliqueime, mas o homem que mais o queria pôr lá (o Portas do Independente), é agora um dos indefectíveis defensor do homem que soltava migalhas de uvas passas com frutos cristalizados.

O Presidente despediu o assessor Fernando Lima. Mas porque raio é que todos os políticos metem atrás deles montes de assessores que ninguém elege, que normalmente são pagos a peso de ouro e que se dedicam a mandar bocas para os jornais. Ou acham que só os assessores de Belém é que o fazem? Não, não sou ingénuo…

Já a Manuela Ferreira Leite, poupadinha, dispensa assessores e só dá calinadas. Esmiuçada pelos Gato Fedorento, parece o bobo da corte destas eleições. Consegue ser uma espécie de Sarah Palin à portuguesa (salvo as evidentes diferenças estéticas).

Com tanto tiro nos pés e granadas lançadas para as próprias casernas, parece que lá para 2011, teremos o País pior, com obras do TGV (para trazer espanhóis na Páscoa), muitos beneficiários do Rendimento Mínimo (se ainda houver dinheiro na Segurança Social), e casais do mesmo sexo nos Noivos de S.to António (sim, o António Costa é moderno e vai alinhar na inovação). Vamos continuar pior mas modernos. É como os carros Tunning, velhos mas com extras que davam para comprar um carro novo.

Não me digam o contrário, porque não vejo quais foram as evoluções deste País nos últimos 12 anos. Anda este Zé Povinho aramado em Chico Esperto, cada vez que consegue “sacar” algum do Estado, como se o Estado não fossemos todos nós. Só cá um Partido como o Bloco com mais de 10%… São os cicerones dos parolos deste canto à beira-mar plantado. Vamos dar-lhes a maioria que este povo só aprende quando lhe vão ao bolso. Já se esqueceram todos do PREC, quando o País, depois do saque da esquerda populista (como este Bloco), correu a bater à porta do FMI, qual filho teso, depois de estoirar as mesadas de 1 ano no dia 1 de Janeiro. Até o Garcia Pereira já tem audiência. Valha-me Deus! Alguém dê juízo e umas lições de História aos Jornalistas portugueses.

Alguém elucide o Povo, já que os políticos não o conseguem fazer…

sexta-feira, setembro 18, 2009

Lembranças de menino

Lembro-me de medos ter sem nada temer, com horizontes longínquos sem nada ver.

Lembro-me de tudo querer sem nada obter, com vontade de buscar embora sem poder.

Lembro-me do que não tinha nem viria a ter sem poder alcançar ou sequer viver.

Lembro-me da idade em que tudo é belo, sem nada acabar com o tempo efémero de quem quer viver.

Lembro-me do menino que fui, um dia deixei de ser e que gostaria um dia de voltar a nascer.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Memórias

Quem esquece, quem esmorece, quem quisesse que se fizesse da memória outra história, de quem de amor padece.

Padece, ou padeceu, porque embora enamorado estivesse, de amor não morreu.

Sentiu, possuiu, e, por fim, fugiu.

Deixou-o só, com ardor e dó, de quem uniu o amor e o destino numa memória em pó… Que no vento se diluiu!

quarta-feira, setembro 16, 2009

Apetece-me, sei lá…

Normalmente não escrevo, aqui, sobre política. Limito-me a comentar artigos noutros blogues que acompanho. Só que, por esta altura, acho que, sendo este espaço um espaço dedicado a reflexões várias, e como me falta a inspiração para insultar as mais diversas formas de estupidez e mesquinhez humana que grassa à minha volta, decidi voltar-me para um tema ainda mais fracturante e deveras interessante, senão mesmo, dilacerante (gaita, às vezes as ideias fluem-me…).

A campanha já vai longa, para quem como eu, considere o último ano uma pré campanha a todos os níveis. Os senhores do governo a multiplicarem-se em simpatia e suspensões de reformas que abanassem muito a árvore e os fizessem cair (ainda mais), nas sondagens. A oposição a dramatizar tudo e mais alguma coisa e a acenar com a panaceia para todos os males.

Mas o que me irrita mesmo é a falta de coragem dos jornalistas.

Quando vão à Madeira, região que consideram território adversário, desdobram-se em provocações ao AJJ, mas não têm coragem para perguntar aos partidos da extrema esquerda deste país, como vão governar, sendo contra a União Europeia? Como vão nacionalizar o que pretendem nacionalizar? Como vão pagar as medidas que pretendem implementar? Como vão manter investimentos estrangeiros, se querem acabar com os incentivos fiscais aos grandes grupos económicos?

Depois chegam à triste conclusão que Portugal é o único País da Europa onde a extrema esquerda mais tem crescido. Pudera, são mais publicitados que o Skip…

Chama-se populismo ao tipo de politica seguida por Luís Filipe Menezes e Pedro Santana Lopes, só para citar dois exemplos, e então às propostas que visam nacionalizar as casas (mesmo licenciadas) integradas em Parques Naturais chama-se o quê? Eu chamaria estupidez.

Andaram a procurar no programa eleitoral da Manuela motivos de conversa, como a mulher não descreveu (como de costume) um compêndio de modelo de sociedade, aqui d’el Rei que tem motivações ocultas. Nos últimos anos algum de vocês se deu ao trabalho de ler programas eleitorais?

O Eng.º foi eleito sem dizer coisa nenhuma, agora quer que os outros digam seja o que for, e coloca-se ele na posição de quem não tem nada a ver com os últimos anos. Terei eu, sei lá…

Acabem mas é com a bandalheira que para aí vai e ponham este canto no mapa, com condições mínimas de vida e com esperança no futuro. E acho que os trotskistas e marxistas não conseguirão fazer cá o que não se fez em lado nenhum. Deixemo-nos de tangas, importante é votar em quem acredita na democracia.

Tenho dito.

domingo, setembro 13, 2009

Será o Amor eterno?

Não me parece. Acho até que quando as relações se eternizam, acabam por infernizar a vida de um dos elementos do casal.

Quando as relações começam, tudo é belo, tudo são rosas, tudo o que é bom ofusca os defeitos. É como um carro novo. Raramente se descobrem defeitos, e quando nos falam em algum, enervámos-nos e relativizamos ou mesmo eliminamos, pura e simplesmente, os ditos. Partilhámos com os melhores amigos, na esperança de os convencer. Ficamos sempre à espera que o momento de ver esse alguém chegue.

A paixão no seu auge é quase a perfeição de uma relação.

Depois, como sempre fazemos com tudo o resto, inventamos forma de estragar o que está, quase, perfeito: Casámos!

É o momento do sonho de qualquer menina. Elas são mesmo preparadas para esse desiderato, o casamento é a meta da vida delas. E os filhos. Mulher que não case quer muito ter filhos, as que casam são pressionadas para isso, até porque a sociedade não compreende a opção de não os ter. Quando os meninos nascem, são os filhos delas, e os maridos passam, imediatamente, a “pai do meu filho”. O modelo que elas escolheram, que não tinha defeitos, que era todo ele o que mais desejavam, acabara de nascer e, perfeição das perfeições, era para moldar como elas querem. Elas projectam então nos filhos, aquilo que viam no pai. E começa uma longa e árdua tentativa de fazer mais uma perfeita e ideal paixão. Aliás que se prolonga vida fora, vide as sogras…

Depreende-se desta curta e resumida reflexão que, não sendo o amor eterno, elas fazem tudo para o prolongar.

Louve-se a tentativa.

Só que, normalmente, estragam tudo a tentar.

P.S.: Reconheço algum machismo exacerbado neste texto. Contudo, gostaria de referir que o texto é inspirado num exemplo real. Desculpem-me as meninas que lerem este texto e não se achem assim. Eu acredito que não sejam, mas olhem à vossa volta e facilmente revêem características aqui descritas em alguém que vos é próximo. Mais que não seja, a vossa sogra…

quarta-feira, setembro 09, 2009

Actualidades

Hoje, sem assunto para dissecar, apetecia-me, contudo, escrever. À falta de assunto, fiz um périplo pela actualidade. Nada me seduz para fazer um comentário daqueles que só a mim diz respeito. Sim comentário, porque nós somos donos da nossa opinião, ou deveríamos ser. Existem fazedores de opinião a quem não vale, pura e simplesmente, dar a mínima atenção.

Da ordem de retirada do livro daquele ex-inspector da PJ, até ao, supostamente, indigitado novo director da TVI, nada me seduz, porque não me suscita interesse. Que Portugal ganhou à Hungria, já todos sabemos e esperávamos (como esperávamos a vitoria sobre a Albânia, em Braga, e empatámos), que a campanha eleitoral anda por aí, sem esclarecer ninguém a não ser, provavelmente, os opinadores que esmiúçam até ao ínfimo pormenor a performance dos intervenientes. Como se importasse…

Não. actualidade nacional cada vez me interessa menos comentar ou eventualmente acompanhar. Cheguei ao ponto em que voto no contra e acompanho ao mínimo, não vá a minha tensão arterial subir desmesuradamente e provocar algum percalço no meu bem estar. Não. Pouco me importa que os Baldaias e os Pinas deste país se apregoem isentos quando não o são, ou que, quem se assume com lado político seja corrido dos painéis de opinião; que se critique o populismo à direita (e bem) e se dê tanta publicidade e promoção a um populismo de esquerda, que, à boa maneira marxista, proponha nacionalizações a torto e a direito, e a liberalização da bandalheira. País estranho este que discute alegremente possíveis coligações com partidos que são contra a UE, a Nato, a OCDE, a Organização Mundial do Comercio e todas as demais organizações que sirvam para regular o que quer que seja. Pobre país este. Não conseguimos crescer como povo e como sociedade sem a mão tutelar do despotismo ou do populismo. O caciquismo apodera-se de tudo como um polvo com densos e extensos tentáculos, qual academia da cunha, onde sem esta, ninguém vai a lado nenhum.

E já agora, pobre gente que vive no país das garantias, onde tudo anda atrás de garantir seja o que for. Ou a pensão do ex-marido (“p’ró menino, não é p’ra mim…”), ou o subsidio disto ou daquilo, ou a efectividade no emprego, a caixa, a reforma, a vida boa, as benesses, etc., etc., etc.,…

E ainda queriam que o Estado, qual pai tutelar, nos obrigasse a assumir compromissos que não queremos. Isso é que deveria ser discutido nesta campanha. A economia é com o Sr. Jean Claude Trichet. As uniões de facto, a solidariedade, a justiça, a educação e a reforma do estado (papão que nos suga todos os recursos), temas fracturantes que gostaria de ver debatidos. Não, enchem-nos de economia, de visões utópicas de um país que depende do exterior para quase tudo, qual panaceia para tudo o resto.

E vou dormir, que amanhã tenho que trabalhar, parece que desde Abril já trabalhamos para a empresa e, consequentemente, para nós próprios. Até aí, trabalhámos para o papão Estado.

Já agora, votem, porque, apesar de tudo, isso ainda é o mais importante.

domingo, setembro 06, 2009

00h48m03s

É este o tempo oficial da minha primeira prova de atletismo.
Claro está que os meus dois companheiros de jornada, (pelo menos até à linha de partida), fizeram tempos mais ambiciosos (35 e 38 minutos), mas são já velhos habitués daquelas andanças.
Um ano e pouco depois de deixar o meu velho amigo cigarro, dois depois de iniciar a perda do meu recorde absoluto de 137 kilinhos, o que implicou muita fominha (e boa nutrição), consegui correr uma pequena competição, que mais parecia um convívio de atletas.
A Corrida do Homem e da Mulher, cuja receita reverteu a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro, transformou-me num deles, daqueles espécimes humanos que, quando podem, e em ritmo de lazer, fazem da corrida um hobby. Devo dizer-vos que nunca a palavra determinação fez tanto sentido. Parti determinado a acabar. Passou tanta gente por mim no início que eu pensei acabar atropelado, mas não. Era apenas a colocação natural dos atletas, os que queriam andar mais rápido, chegavam-se à frente. O meu ritmo(?) manteve-se estável, a partir do meio da prova melhorou, e acabei por ultrapassar muitos dos que se posicionaram, ao início, na linha da frente.
A meta chegou, muito suor e 7 km’s depois.
Valeu a pena. Agora é "só" continuar. 

segunda-feira, agosto 31, 2009

E depois do retiro…

Depois do retiro, cá estou eu de volta, para dar seguimento a este chorrilho de, às vezes humor, outras vezes sabor, dor e muitas apenas e só, simples desabafos de quem acha piada a estas coisas.

O retiro, que não sendo espiritual, não foi desligar, ficou-se por uns lamentos das enchentes de Agosto pelas praias ao meu redor, e agora, tornado em saudade do tempo de calor. Estranha esta dicotomia, onde não consigo pôr uma linha que diferencia o melhor do bom tempo e o melhor do tempo bom. Nem sei se bom tempo é o tempo em que o sossego abunda, se é o sol a escaldar. Não a mim, qual pinguim, que quando o sinto tão forte mergulho na água refrescante (brrrrr) do atlântico norte. Poupei, ao menos, este blogue de uma catrefada de textos a lamentar os estragos que os veraneantes provocam por cá, e aos sempre cómicos exemplos de famílias em busca de lazer. Todos temos direito à vida e a parvoíce faz parte. Foi a silly season. Vêm os dias para lamentar o que acabou e para trabalhar num futuro, que apesar de tudo, esperemos seja sempre diferente e, se possível, para melhor.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Nem sei que diga…

Ando aqui que nem sei que diga! A preguiça deu-me aí há um mês, não me apetece pensar.

Tenho assuntos para debitar que nunca mais acaba, pareço a redacção de um canal  de noticias, desses que preenchem horas de assunto, mesmo que não o tenham. Sempre me questionei como é que as noticias em Portugal têm sempre tempo marcado, leva os atarefados jornalistas à procura de assunto quando ele não existe. O que me falta é vontade de escrever.

A gripe A está em grande, substituindo, em parte, a época de incêndios. Parece obrigatória a dita.

Abriu também a época das mães extremadas que tentam a todo o custo proteger os filhos dos pais quais papões avançando contra o seu bem-estar. Há gente muito parva, gente que se aproveita de tudo o que pode para daí extrair o máximo para si próprio, usando para tal, o que for necessário. Neste país que apela ao laxismo, país que debita e inventa subsídios e protecções, chegamos ao cumulo de as mães acharem sua propriedade os filhos que põem no mundo. Que raio de país este que protege a estupidez e promove o absentismo.

Que raio de gente, que se agarra a tudo o que acha que é direito seu e exorciza tudo o que lhe parece dever.

Que raio de educação dá um Pai, quando cria os seus filhos com a ideia de que o mundo e a vida tudo nos dão, não sendo preciso dar em troca, bastando para tal acreditar numa qualquer utopia.

Raio de gente esta que se acha sempre mais que todos os demais, que se acha mesmo de mais para todos os outros.

Bom, estou de férias, não me apetece pensar nisso.

quinta-feira, julho 23, 2009

Coisa gira do dia

Li uma frase fantástica hoje, num daqueles estados de Alma de alguém, no ciberespaço.

Traduzindo do Inglês é mais ou menos isto:

“Quando morrer, gostava de morrer como o meu Avô: Durante o sono; não a gritar como os passageiros que iam com ele no carro…”

Ainda dizem que não se aprende com gente desta.

Ou então esta:

“O homem inteligente aprende com os erros dos outros; o menos esperto aprende com os próprios”.

Ou então:

“Camarão que se deixa dormir é levado pela corrente!”

Gente gira a ciber população.

terça-feira, julho 21, 2009

Silly Season

Falta-me a paciência. A inspiração, essa treina-se. Arranja-se um tema, desenvolve-se e passa-se ao teclado. Mas falta-me mesmo é paciência.

Resumindo este já longo mês, é esta a conclusão.

Quando não se tem paciência para pensar, deixamos a vida acontecer. Não a controlamos, ela é que nos controla.

Fiquei de escrever um livro com uma amiga, mas ainda não tenho tanta qualidade na escrita como ela demonstra. Um contributo não deve nunca chegar a estorvo.

Resumindo, é a minha merecida silly season: Época de retiro.

Mas eu volto. Prometo.

segunda-feira, julho 06, 2009

Que totó!

Li a entrevista do Miguel Sousa Tavares ao Dn (http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1295588&seccao=Livros) e fiquei com a mesma opinião do único leitor que se deu ao trabalho de a comentar na página do dito jornal. Com tanto que o homem disse, o leitor comentou com a expressão que faz título desta crónica.

MST começa por desancar forte e feio em Portugal, nos portugueses, nos políticos, nos blogues, no twitter, enfim, em tudo o que o rodeia, seja na sociedade civil seja no mundo virtual. Bate em tudo e em todos, insurge-se contra este estado em que o País mergulhou, onde tudo e todos gravitam à volta do Estado a tentar colher umas migalhas (leia-se subsídios) do Orçamento de Estado. Manifesta-se contra, no fundo, o excesso de Estado que é gritante na nossa economia e sociedade em geral. No entanto, o cromo, é apoiante dos políticos que defendem, precisamente, mais estado.

Declara sentir uma vontade enorme de emigrar, provavelmente para o Brasil, que é País com muita trapalhada, mas, diz o cromo, tem ainda direito às trapalhadas, ao contrário de Portugal.

Bate forte no nosso PR, acha-o inútil, sem curriculum para o cargo e sem objectividade na função.

Enfim, o homem sente-se muito desiludido com tudo isto, com vontade de se pirar, contudo, continua a viver à custa do Zé Povinho. Que eu saiba os leitores do Expresso, onde escreve, e os telespectadores da TVI, onde comenta a actualidade, estão, na esmagadora maioria, em Portugal. E os livros devem vender mais por cá, ou não?

É por causa de palhaços como este que o nosso País está como está. Limitam-se a dizer mal de tudo por cá e a enaltecer as imbecilidades dos destinos turísticos preferidos. E ainda há quem lhe dê audiência. Já sei que para o caso pouco importo, mas, desde há muitos anos, que decidi marimbar-me para esse pasquim. Recuso-me a ler os seus livros e crónicas, e escuso-me a ouvir as opiniões que emana na dita Tv. Prefiro outras paragens, outras opiniões e aprecio a sinceridade intelectual. Esta coisa de dizer uma coisa e praticar o contrário, já cansa.

Gente como este pode ir para o Brasil que cá não faz falta.

A minha opinião é tão válida como a dele!

P.S.: Espero não ferir susceptibilidades com este texto, que é, quer se goste quer não, apenas uma opinião.