sexta-feira, agosto 19, 2011

Tiro de partida

O ano passado, enquanto preparava a minha primeira maratona, li este artigo, escrito pelo meu amigo Vítor Dias, autor do excelente site sobre corrida, Correr por prazer, que sugeria como leitura de Verão o best-seller, Nascidos para correr.

nascidos para correr

O livro surpreende. Pela excelente e cativante narrativa, e pela motivação que nos incute para a corrida. E não, não é nada convencional, não nos maça com todas as teorias médicas e fisiológicas/psicológicas acerca dos benefícios da corrida, não ´pela vertente técnica ou teórica, é pela forma díspar e completamente fora do normal em que decorre a preparação e prova, de um grupo de atletas de eleição, que não deveriam ser. E são-no apenas por um motivo: Nasceram para correr. Eles como qualquer um de nós.

Mostra-nos porque corremos, porque gostamos de correr, e, principalmente, porque devemos correr.

E acreditem que nos ensina a correr. Sem stress, sem preocupações exageradas, sem a rigidez dos planos de treino e dietas rigorosas. Não, nada disso. Ensina-nos que, mesmo sem tudo isso, qualquer um de nós é capaz de correr mais e melhor, e assim, tirar maior partido do prazer da corrida.

Aconselho vivamente. Reli-o esta semana e inscrevi-me para isto e isto e ainda isto!

Está dado o tiro de partida para mais um período de provas e treinos.

Tudo por e com prazer.

domingo, agosto 14, 2011

Percebas

Não, não estou a falar do crustáceo, a que erradamente chamam assim (é percebe, ou perceve), estou mesmo a referir-me ao facto de entender ou perceber algo.

Não entendo esta sociedade. Conheço, aos magotes, gente hipócrita e falsa como Judas, alguns infinitamente pior do que os seus próprios fantasmas, gente que apregoa alguns princípios, que concorda com quase todos aqueles que são básicos numa sociedade decente, mas que vivem completamente à revelia de (quase) todos, desde que, ao viola-los mantenham o melhor para elas próprias.

Se perguntar a quem quer que seja, o significado de felicidade, advogam todos que a mesma terá obrigatoriamente de abranger quem os rodeia, mesmo que isso não seja verdade.

Há por aí quem consiga viver mentiras anos a fio, com o desejo supremo de se manter cómodo, mesmo que pouco ou nada feliz. Vivem mentiras, mentindo amiúde. Condenam a mentira e mentem em quase tudo o que fazem. Criticam os pobres que se mantêm ao abrigo de prestações sociais, ou os arrumadores que chateiam para amealhar o suficiente para a “dose”, mas mantêm-se em empregos onde não trabalham, onde se limitam a não produzir, ou onde enganam o suficiente para poder manter o cheque ao final de cada mês. Ou então, à boa maneira de quem “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”, sugam a Segurança Social até ao limite.

Há-os também que mantêm relações por conveniência. Seja pelos filhos, pelo dinheiro, pelo estatuto, pela sogra, pelo cão, pelo sexo, pelo padre, enfim, por todos menos pelo que apregoam. Acham que são fiéis, mas sabem que não são. Vivem com infiéis que sabem que o são, mas mantêm-se assim porque sim. Porque há sempre motivos para não mudar, e a mudança dói.

Há os que mudam porque são mudados à força, há os que mudam e não queriam e há os que mudam sem saber.

Fico sem perceber é onde é que raio mete esta gente toda a palavra coerência. São todos opinadores, todos muito sérios, fiéis e dedicados, gratos, trabalhadores e honestos, mas na minha modesta opinião, não passam de falsos vestidos de gente.

O mal, para todos eles, é que não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe, e não se pode ter sol na eira e chuva no nabal eternamente. Há-de chegar o dia em que provarão do veneno que destilam pelos poros em atitudes de escárnio, inveja e maledicência. E aí, quando virem que entretanto o tempo passou e viveram como viveram, talvez percebam que não é olhando para o próprio umbigo, que se conseguem alcançar metas mais facilmente.

Vejam se percebem, o Mundo não é só vosso, nem a vida dos outros tem de ser como a vossa.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Artur

Nasceu no verão de 1937, segundo filho de um casal agricultores, onde hoje tocam os dormitórios da grande urbe invicta. Mouriz, terra do famoso Zé do Telhado, no Concelho de Paredes era então uma pequena freguesia rural.
Em tempos de guerra, período em que tudo era racionado, em que o que se colhia da terra era confiscado, quando as necessidades eram mais que muitas e os filhos ainda mais.
Foi criado pelo Padrinho, dono de terras, agricultor remediado. Os seis que lhe seguiram foram sendo distribuídos pela ajuda na lavoura dos Pais, ou seleccionados por outros Padrinhos e Madrinhas que os vestiam, cuidavam e iniciavam nas lides agrícolas.
Por lá ficou até ir para a tropa. De menino teve a Escola, numa infância expresso, que cedo terminou e trocou pelo "Escritório", como lhe chama, em que a caneta era a enxada.
Depois de cumprido o serviço militar, entre poucas viagens a casa que o dinheiro não se via e as boleias eram proibidas, trabalhou num bananeiro, de onde fugiu depois de uma noite em que partilhou esteira com alguns percevejos. Conseguiu lugar numa Fábrica e rapidamente chegou a encarregado. Desistiu por troca com o sonho de carreira na Policia, podia ter sido agente da PIVDE mas ser bufo não era opção. Um processo complicado o de entrada na Policia de Viação e Trânsito, que incluía recomendações do Pároco e atestados de boa conduta.
Curso feito, Policia extinta. Nada de grave, passou para a PSP e inaugurou a Divisão de Trânsito do Porto, onde esteve 11 anos, e que aproveitou para enriquecer a formação académica.
5 filhos entretanto nascidos, o que, em pouco mais de uma década perfaz um currículo apreciável e regular, ingressou na carreira de bancário onde passou os restantes 26 anos de actividade profissional, em paralelo com uma preenchida família que foi acrescida de mais dois descendentes.
Vida complicada de uma pessoa simples, que tanto gramou e palmilhou. Irmão de sete, Pai de sete, criou-nos a todos com as dificuldades próprias da época, sem nunca sentirmos necessidade alguma. Fomos educados para respeitar tudo e todos, o que acaba por evidenciar toda uma filosofia de vida abrangente, onde mesmo o respeito pelos bens materiais, ou pelo esforço necessário para os ter, nos fez dividir uma espécie de partilha austera em que ter era quase sempre um período de posse limitada, à espera do que seguia na hierarquia. Nunca nos criou expectativas, mas sempre nos ensinou a não vivermos na ilusão.
Homem muitas vezes surpreendente, afável e pouco dado a quezílias, era conhecido entre os colegas do Banco como "Irmão Pinho" pela forma cordial com que dava sem esperar retribuição, espelhado no sempre presente "Se Deus quiser" que ainda hoje o caracteriza. Incapaz de guerrear, ensinou-nos que cumprir com o dever de cada um, era a obrigação de cada individuo enquanto integrante de uma comunidade, fosse familiar ou enquanto sociedade.
Recordo-me, ainda petiz, de, um dia, ao ir com o meu Pai ao dentista, às então instalações do SAMS (Serviço de Assistência Médica dos bancários) na Rua da Picaria, enfrentar um momento aflitivo, ainda no final da década conturbada de 70. Saímos do autocarro na Praça D. João I e, pouco depois do Rivoli, vemo-nos de repente no meio de uma carga do Corpo de Intervenção da PSP sobre manifestantes integrantes de um protesto não autorizado. Eu, cheio de medo agarrado ao meu Pai, fui tranquilizado pela sua atitude, quando calmamente me disse: "Se não fugires ninguém te bate. Quem não deve não teme." E lá atravessamos a Avenida dos Aliados incólumes. Foi sempre esta a sua postura. Foi e é.
Fomos todos criados num ambiente familiar calmo, onde todos colaborávamos, havia distribuição e responsabilização de tarefas, igualdade entre rapazes e raparigas (5 para duas, se assim não fosse seriam umas escravas) e organização. Não se falava alto naquela casa, quando o meu Pai lá estava. Sossego e respeito, resultaram em 7 adultos que, tenho a certeza, respeitam o outro.
Fica aqui a homenagem ao meu Pai, que fez ontem 74 primaveras. E apesar de ser pouco extrovertido, tendo sido sempre um Pai à antiga (a figura de chefe de família assenta-lhe na perfeição), é o meu herói de sempre, como demonstrou e demonstra tantas vezes pela vida fora, e que se tornou enorme naquele final de tarde na Av. Dos Aliados.
Parabéns Pai!

quarta-feira, agosto 03, 2011

Os otários pagam sempre e continuam otários!

Ilucidem os portugueses nos blogues, já que a comunicação social tuga, gosta mais de Noticias de gordos que emagrecem ou de doidas que se tentam suicidar. Tudo o resto, se não der para "gozar" ou para fazer umas peças jornalísticas de profissionalismo duvidoso, tipo anedota caseira, não é importante.
O contribuinte, vulgo otário, paga sempre, já que continua a ignorar os contornos das decisões políticas, papando como real aquilo que vê nos telejornais de desinformação diária.

In Blasfémias,

Coisas simples

Até à sua nacionalização, o prejuízo, as dívidas e as fraudes relativas ao BPN eram uma responsabilidade directa e exclusiva dos sócios do banco e do seu património.
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O governo socialista de Sócrates ao nacionalizar o banco passou essas dívidas para os contribuintes.
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Os credores privados do banco agradecem muito a Teixeira dos Santos terem recuperado 2500 milhões de euros do seu património privado que de outra forma teriam perdido.
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Os contribuintes portugueses foram mais uma vez generosos, à força é certo, por terem contribuído para a felicidade de um pequeno grupo de seus concidadãos.
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Quem tomou estas decisões de delapidação do dinheiro dos portugueses voltou a ser professor de …economia. Qualquer dia é comentador encartado na tv.

segunda-feira, julho 25, 2011

escritor

O titulo está em letra minúscula propositadamente.
Eu, que não sou Escritor nem me atrevo a pensar ser, faço uso do prazer de escrever.
Vou escrevendo pensamentos, estados de espírito, sentimentos e considerações.
Tenho dias bons e maus, actos bons e menos certos e opiniões sobre tudo isto e, essencialmente sobre a vida.
Há sempre quem se sinta pior do que tu, mas nunca há quem sinta por ti. O prazer, a angustia, a vontade e a conquista, não sendo as maiores ou as mais fortes entre todos, serão sempre as maiores para ti.
Colocas no que vives o peso do Mundo, mas o Mundo é grande demais para ti. Tens um Mundo só teu que pesa tanto como o real, mas que é mais imperfeito que o ideal. Parece que quando algo vai correr mal, corre mesmo, e que quando alguma coisa vais conquistar, fica sempre um pouco por ganhar. Nunca, mas nunca estamos satisfeitos com o que conseguimos alcançar, nem conformados com o que vamos perdendo. Mas na vida saímos sempre a perder, quando não a aceitamos como ela é: Egoísta umas vezes e altruísta outras. E se não reclamamos quando ganhamos, aprendamos então a aceitar as vicissitudes da vida com a complacência que ela merece.
O castigo de escrever enquanto aluno, enquanto miúdo que queria muito brincar e pouco estudar, deu-me a prática e despertou-me a criatividade.
A vida é como uma Mãe. Da-nos o que queremos e o que achamos que não precisamos, a todos por igual.
Afinal, somos seus filhos.
Escrever, para mim, é viver.

sábado, julho 23, 2011

Corredores todo o terreno

Eu, que achara a Corrida da Freita dura, mas que me tinha deixado um gosto especial pelo trail, acho agora que toda a corrida de montanha é dura mas deve ser apreciada. Foi o que fizemos hoje.

Há uns dias, quando fui informado da realização de um treino Free-Running na companhia do José Moutinho, grande impulsionador do trail em Portugal e um apaixonado pela Freita em particular, onde organiza a mais dura Ultra de montanha em Portugal, decidi na hora ir.

Organizados e distribuídos pelo menor número de carros possível, lá fomos chegando bem cedo ao Merujal. 9h da manhã, equipados a rigor, fomos em direcção ao Concelho vizinho de S.Pedro do Sul, rumo ao Parque de Campismo Retiro da Fraguinha, donde haveríamos de iniciar o treino Free Running, como o nome indica, sem competição, com liberdade de andamentos, mas, como referido pelo José Moutinho no briefing, onde todos se preocupam com todos.

Lá partimos, rumo à aventura, sem a pressão de uma prova, mas com andamento vivo.

Os primeiros dois quilómetros, em subida ligeira até aos 1026 m (tínhamos começado nos 920), fez-se por um terreno bastante acidentado e com muitos tojos, que nos picavam as pernas e atrasavam o andamento, já que as ultrapassagens não se verificavam. Os mais astutos tiveram de esperar mais uns quilómetros para dar asas à destreza. Já no alto, na garra, onde emborcam vários trilhos (cinco no total dão acesso àquele local, daí o nome), novo briefing do Moutinho para nos mostrar alguns dos locais de passagem da Ultra, num ponto magnífico, de onde se pode apreciar uma grande parte do Maciço da Gralheira.

Iniciámos então a descida rumo à aldeia da Póvoa das Leiras pelo famoso Trilho dos Incas, que, ao que parece, ligava originalmente à aldeia de Covelo de Paivô, em Arouca. O nosso guia, Moutinho, que tinha como intenção dar-nos algumas dicas sobre técnica de trail, inicia a dita descida com uma simples explicação sobre como colocar os pés para manter o equilíbrio e evitar entorses, o grande inimigo dos corredores de montanha e que viria, mais à frente, a vitimar o próprio Moutinho. Quando demos conta, ninguém! Nem Moutinho, nem os que o conseguiram acompanhar, não víamos ninguém abaixo de nós. Lá seguimos, com um novo guia, o Manuel Veloso, de um pequeno grupo que se havia formado e que, atentos ao chão que pisávamos, não nos preocupamos com direcção diferente da que levávamos enquanto houvesse trilho. E o dito acabou mesmo, junto a uns postes de alta tensão, e sem sinais do resto do grupo. Num topo de mais uma montanha, ao fundo uma antiga mina de exploração de volfrâmio, um rio, uma estrada em terra, mas corredores nem vê-los. Toca a fazer soar o apito, que alguns levavam e que serve para chamar os atletas e sinalizar a localização de uns e outros. Com silêncio, aguardamos resposta, mas sem sucesso. Chega entretanto o Carlos Rocha e orienta-nos. Tínhamos falhado uma viragem à esquerda nos Três Pinheiros, uma espécie de cruzamento em montanha, que divide trajectos, e que o próprio já falhara, dois anos antes na Ultra da Freita. Lá recuamos os dois quilómetros que já havíamos descido desde as ditas árvores, que alinhadas e únicas num raio de umas centenas largas de metros, faziam de sinal de trânsito, junto com umas mariolas (pedras sobrepostas, colocadas por pastores, que servem como marcos) que assinalavam o local para encarreirarmos, literalmente, de novo no grupo. 

Reagrupados, seguimos em passo tão acelerado quanto possível, rumo à Povoa das Leiras, onde nos abastecemos de água, fresquíssima,em simpática convivência com os (poucos) habitantes locais com que nos fomos cruzando, inclusive com algumas vacas arouquesas que serviram de modelos aos fotógrafos de ocasião. Alguns dos que já sofriam da dureza do percurso e suas vicissitudes (quedas), atalharam caminho rumo ao ponto de partida, os demais, seguimos empedrado abaixo, rumo à aldeia do Candal. Com a grande maioria sedenta de corrida, o ritmo aí acelerou, até demais face ao percurso, com muitas pedras soltas, mas onde os mais experientes nos passavam com uma velocidade que assustava os menos avisados. O Moutinho, conhecido pela sua destreza, ao colocar um dos pés sobre uma pedra solta, torceu-o, ficando com uma pequena lesão, que, contudo, não o impediu de continuar. Já no Candal, começa a cruz. Quatro quilómetros em subida, com percentagens grandes no início, um desnível de mais de 400 metros, e um sol implacável sobre nós, que fez da subida da Mizarela uma bela recordação. Encosta acima, atrás do Jorge Azevedo, que se iniciou na corrida em Janeiro, mas, a fazer jus ao ano em que nasceu (1967, ano da Cabra no horóscopo chinês), já tem um enorme à vontade naqueles terrenos, seguimos em fila e com pouca vontade de fazer comentários. Olhávamos para cima e parecia que vinha sempre uma subida ainda mais inclinada. Uff!!! Dura, muito dura, atendendo ao calor que se fazia sentir àquela hora do dia (12h) e já com mais de 2 de treino. Vou ficando para trás, passa-me o Fernando Leite, a Conceição Grare, o João Vieira, todos com poucas falas, (excepto a Conceição, que é atleta de outro nível, e que vinha calmamente a falar ao telemóvel), apenas a preocupação de saberem se eu estava bem. Eu lá dizia que sim enquanto bebia mais um pouco de água, não fosse desidratar, mas a “penar”. Chegado a pouco mais de meia subida, passa o Manuel Veloso. “Mau”, penso, “parece que, não tarda, rebolo até ao Candal outra vez”. Não foi preciso. Como diz o Freitas (um dos atletas que acompanhou o Moutinho e que ajudou a guiar-nos) no trail, começamos a matar e acabamos a morrer. É mesmo isso, penso. E mesmo assim gostámos!

Chego, a transpirar em bica, ao alto, onde já o grosso do grupo aguardava à sombra de algumas árvores que ainda restam, já que os incêndios têm destruído, também ali, quase toda a floresta, sento-me por momentos, poucos, já que, a malta toda se preparava para atacar a parte final do troço, rumo ao Parque da Fraguinha. Uma outra hesitação no início da descida, mas, já no rumo certo, lá fomos trilho abaixo, a correr e a pular de pedra em pedra, por uma descida para destemidos, que acabava no ponto de onde partíramos e de onde regressaríamos ao Merujal.

Já depois de tomado o retemperador e refrescante banho, iniciámos a prova principal. Sopa da Pedra, Vitela estufada, acompanhada de arroz e salada. Vinho e cerveja para repor líquidos, que nem só de pó vive um runner.

Parabéns cantados ao Rui Vilar, que discursou eloquentemente e agradecimentos do nosso Presidente, em nome de todos, ao José Moutinho, que os retribuiu, lá regressámos ao rebuliço da Cidade que nos dá o nome, com mais uma experiência agradável na montanha.

Obrigado a todos pela companhia num excelente dia (mais um) de corrida.

Somos mesmo todo-o-terreno!   

sexta-feira, julho 22, 2011

Cruel ingenuidade

Moro numa praia onde são descarregadas, literalmente, milhares de crianças e idosos, para ali poderem gozar a época balnear juntos com os demais utentes de escolas, atl's e lares de terceira idade ou centros de dia.
Hoje pela manhã, quando um grupo de idosos se cruzavam com uns miúdos que aguardavam instruções das educadoras, os petizes desataram a chamar "velhotes" aos... Velhinhos.
Não gostei da passividade dos monitores das crianças, mas adorei a reacção dos idosos; com ar jovial, soltaram umas caretas engraçadíssimas, como se fosse um duelo entre jardins escola. Os miúdos, pasmados, quedaram-se incrédulos.
A ingenuidade pode ser cruel. Mas só mesmo para quem vê, porque para aqueles anciãos, com muitos anos de "bagagem", não passa de uma oportunidade de continuar a viver o dia-a-dia, como se fosse o primeiro dos últimos, enquanto os outros se sentem com o Mundo inteiro só para eles.

quinta-feira, julho 21, 2011

Oportunidade perdida

Não, não foi um golo falhado. Mas só porque não foi num jogo de futebol.

Foi como se uma janela se abrisse, e eu, enquanto prisioneiro de uma cela sem porta, não a tivesse visto. A nortada que vai soprando nestes dias de verão (?) fez com que não sentisse a corrente de ar, que provocou quando escancaradas as portadas.

A vida na maioria dos dias parece um jogo de espera, uma espécie de montaria de caça grossa em que o caçador, silencioso, aguarda numa porta sorteada a passagem das peças. E há com cada peça…

Surpreendo-me muitas vezes com feitios, com o efeito que as pessoas acham que ainda me provocam. E não sendo fácil provocar-me, não deixa de ser muitas vezes oportuno incomodarem-me com a mesquinhez, inveja e egoísmo que caracteriza muitos dos imbecis que por aí pululam.

É no entanto nestas altura, que sinto que a oportunidade que a alguns foi dada, não passou de uma balda, uma oportunidade perdida na esperança que sempre ponho em todos os relacionamentos que inicio.

E depois, há aquelas oportunidades que tanto esperamos, e que quando chegam, algo nos fez desviar a atenção, olhamos para outro lugar e quando voltámos a procurar, já passou.

Estas, às vezes doem. As outras, dou de barato.

terça-feira, julho 19, 2011

O País das sete colinas

Sempre que leio uma notícia relativa a assaltos, distúrbios ou agressões no Portugal rural, reparo nos lamentos de população, autoridades e políticos locais, relativamente à falta de efectivos das forças de segurança, normalmente da GNR.

Espanto-me quando leio que, só em Lisboa, esta força de segurança tem cerca de 6.000 (!) efectivos. Compreendo. Pode haver alguma invasão do Terreiro do Paço, como em Abril de 1974, e não estar por lá a força civil necessária à manutenção da ordem. É a chamada segurança de proximidade… Do poder, claro. Estão ali para, como em tudo neste País, coordenar a Guarda desde a Capital.

Lisboa tornou-se uma espécie de capital de império, de onde devem partir as colunas em conquista, e sem território ou povos para conquistar. Limitam-se a engordar os arquivos centrais com papéis e mais papéis, enquanto o resto do burgo está a saque.

Entretanto, também lá pela capital, o Reitor da Universidade Católica, anunciou a aprovação de um conjunto de recomendações, quanto à indumentária que deve ser usada por todos os que frequentam o conceituado campus académico. Assim, e como se pode ler aqui, Manuel Braga da Cruz, que preside ao Conselho Académico, deu como exemplo um conjunto pitoresco, “chanatos e camisola do Benfica”, que atesta bem das preocupações a que já chegou a reflexão do dito Conselho.

Dois exemplos de desperdício de tempo: O dos efectivos da GNR que deveriam estar pelo País fora a fazer aquilo para que foram formados, que é garantir a ordem e a segurança publica, em vez de se dedicarem a burocracia, e o do Conselho Académico da Católica, que se deveria preocupar mais com a pedagogia, a fim de evitar que um estudante universitário desconhecesse qual a indumentária adequada para frequentar um espaço público de ensino.

segunda-feira, julho 18, 2011

E o que fazer enquanto esperas?

Enquanto esperas que a vida te dê o que tu esperas dela, vai fazendo coisas que possam coincidir com aquilo que precisas que aconteça.
Se esperas mudança, não esperes sem a provocar, porque quem espera nem sempre alcança, porque para alcançar é preciso lutar.

Vícios sociais

Há quem ache o simples acto de ir beber um café um vício. Eu, enquanto adicto de cafeína, não tenho tal ideia. Acho que o dedo no nariz substituiu definitivamente a bica e o queque.
Não sei qual dos dois vícios será pior, mas andar pela rua fora a escarafunchar orifícios que não o devem ser em público, não me parece nada social. Ao contrário da cafeína, as bolas que fazemos dos macaquinhos que extraímos dos orifícios nasais, não nos fazem despertar, nem tão pouco nos proporcionam conversas de circunstância. Tentem observar o gesto mais repetido pelas pessoas enquanto esperam que o semáforo passe a verde e vão ver que uma grande percentagem limpa a "penca". Em período estival, usa-se muito o tirar o macaco e, com o braço bem de fora, formar a bola até que caia.
Caso se desloquem em transportes públicos, o acto mais repetido deverá ser o de coçar partes íntimas, ritual tido como obrigatório para não se ser assaltado. Ou então, deverá pôr de parte o uso de qualquer desodorizante, viajar de pé e agarrar-se a um varão bem alto.
Nos autocarros, caso encontre alguém conhecido, fale bem alto, para que todos possam ficar a conhecer um pouco mais de si.
Como estamos em época balnear e há pouco disto na rotina normal, como qualquer "socialite", desloque-se a uma praia, que os hábitos sociais se mantêm por lá.
Tirar macacos do nariz, coçar os tomates, mijar na água e mandar os meninos fazer o mesmo (se for necessidade sólida, fazem num balde de brincar com a areia e depois enterram), depois de esvaziar a geleira, são os vícios mais vistos pela orla costeira.

sábado, julho 16, 2011

O Grupo Impresa e o jornalismo sério

Acho imensa piada a estes jornaleiros que se acham grandes investigadores, e que lançam notícias como a de hoje do Espesso.

Apesar de todos os desmentidos, mantêm a notícia e noticiam-na de hora a hora no canal de notícias do grupo, verbalizando-a como uma história e não como uma alegada história.

O director do jornal, acha que tem toda a razão e não retira uma vírgula. O, presumido, investigado é entrevistado em horário nobre, como se o caso fosse a prioridade do País. Eu, livre, mudo de canal.

Estes jornalistas, que advogam para si mesmos a inocência, quando em causa, até provado o contrário em Tribunal, investigam e noticiam com a certeza dos carrascos quando executam sentenças.

Não gosto do estilo bate no grupo ao lado, antes que batam em ti.

Desarrumado e saudoso

Sabem, aqueles sapatos que não queremos deitar fora?

Aquele momento que queremos prolongar, que por nada desejámos que acabe?

Aquele dia perfeito de praia, que nos faz prolongar até ao limite o recolher da toalha, o sacudir a areia dos pés e voltar para casa?

Aquele dia de final de férias, que curiosamente se torna perfeito, em que tudo corre tão bem, que a ultima coisa que desejámos é fazer-mo-nos à estrada e voltar?

Aquele beijo, aquele momento, aquele abraço, aquela palavra, aquela frase que nunca mais saía e que quando a dizemos não queremos que não a ouçam?

Sabem quando olhamos para ali, para o que queremos e conseguimos, e de repente termina? Sabem?

Esta música faz-me lembrar esses momentos, leva-me para aquele tempo em que não havia tempo, em que o limite era o inimaginável, em que o Mundo não me conseguia parar, em que tudo era perfeito quando visto daqui, deste tempo. No fundo não seria, mas a juventude deixa-nos esta memória de imortais e grandiosos dias e feitos.

Eram os tempos em que os dias pareciam semanas, as semanas meses e os meses anos.

Agora os anos parecem meses. A vida passa-nos ao lado, leva-nos tudo, somos marionetas do stress e da rotina. Não devíamos. Eu, sinceramente tento não ser, e sofro as amarguras daí resultantes, mas não trocaria esta forma de viver por outra.

Sinto o sal da vida todos os dias. É assim que deve ser!

 

segunda-feira, julho 11, 2011

(O)Pinar

Anda tudo numa de opinar. Toda a gente tem opinião sobre tudo e mais alguma coisa. Até eu opino.

Uma agência de rating, coisa que nada nos dizia até há algum tempo atrás, analisou a situação… blá, blá, blá, blá, blá…

Pois.

E agora somos lixo. Basicamente foi isso que passou para o grande publico.

O Angélico levava cinto, mas cortaram-no para o tirar do carro. A julgar pela opinião do bombeiro. A GNR diz que… blá, blá, blá, blá, blá, blá…

Pois.

O homem morreu. Temos pena. Era giríssimo e namorava com uma tipa de olhos trocados, mas que desfila sorridente uma semana depois. Os outros? Esses não interessam, não são “Morangos”.

O Tony Carreira não se queixa da crise, tem o apoio do Continente, que assume os riscos dos concertos, que são zero. As sopeiras vão todas aos concertos patrocinados pela marca do Shôr Engenheiro Belmiro, depois vão lá à loja comprar cachecóis para levar aos concertos, com o respectivo desconto em cartão. Que é para acumular e continuar a gastar. Entretanto sai um talão para o Tone ir à Galp abastecer, preferencialmente ao Domingo, e vai daí sai na bomba de gasolina outro talão para descontar no hipermercado.
Crise? Qual crise? Vai tudo em família aí pela estrada fora, uns aos concertos ou piqueniques e outros beber umas minis enquanto a mulher solta a libido no meio da multidão e sonha com o dia em que sai o novo CD do homem do capachinho.

Agora até na compra de seguros, telecomunicações e manjericos, há descontos para acumular em cartão. Consta que até a Rozete, dona do bordel cá da terra, vai fazer uma parceria com o Shôr Engenheiro, a ver se as massagens dadas pela Delmia, que veio de Minas Gerais, contem para acumulado de compras.

O Goucha há-de ser o escolhido para a campanha publicitária.

Crise económica? Só se a malta não puder (o)pinar.

Eu opino.

O Zé povinho? Esse “pina” a paciência de quem não a tem, enquanto que, os que a têm, vão fazendo negócio à custa de suas cabeças que estão mais abaixo do nível com que a Moodys avaliou a nossa dívida pública.

Pinem então, que é o que nos resta.

terça-feira, julho 05, 2011

Ultra Trail da Serra da Freita 2011

Hoje, dia seguinte ao da prova, já recuperado da Frecha da Mizarela, ainda me doíam todos os músculos responsáveis por nos prestar suporte para subir um obstáculo. Não que tenha sido uma prova daquelas para que tenha treinado afincadamente, das que nos obrigam a longas semanas de planos com séries, rolamentos e técnicas de corrida, nada disso. Na Freita nada suplanta o querer.

8h da manhã, nevoeiro serrado, frio (o termómetro do carro indicava 12º) e eu a chegar ao ponto de onde já tinham partido os participantes da prova rainha, os 70 km que dão nome à dita, 4 horas antes. Saio do carro e rapidamente regresso. Chiça, faz frio! Em baixo, no meio do parque de campismo que serve de base à corrida, alguém se move com um saco-cama enrolado às costas, e eu ali, de t-shirt e calções, arrependido de não ter levado uma camisola térmica. Enfim, 2 horas de espera depois, junto-me ao João Meixedo, ao Vítor Dias e ao Vasco Batista, englobados no grosso do pelotão, juntos com os demais Porto Runners presentes,  depois da foto da praxe, e do tiro de partida, arrancámos para a dita.

A minha mania de me juntar a gente rápida, leva-me rapidamente a ponderar e regressar ao ritmo normal de quem nunca tinha andado em nenhum trilho sem ter às costas uma mochila bem pesada, umas botas calçadas e uma G3 ao ombro. Como flechas disparadas rumo aos mais de 1000 metros de altitude da Freita, vejo ao longe os que comigo partiram, e, como se não fosse a subir, o grupo do nosso Presidente passa também com excelente ritmo.

“Há-de haver por aí uma descida para os apanhar e acompanhar”, pensei. De nariz no ar num qualquer ponto mais alto, a tentar decifrar quem seriam os corredores que estavam a atravessar uma pequena ponte(?) e pumba! Resvalei com o pé numa pedra solta. Resultado: Grande tombo. Por sorte foi num trilho que tinha mais terra e lama do que pedras, e, “apenas” rasguei as meias que me protegiam as pernocas, com uns consequentes arranhões nas mãos e pernas. Lama já tinha com fartura com apenas 3 kms de prova e a lição mais importante a retirar desta façanha: Um trail faz-se a olhar para o chão, nunca a olhar para outros pontos onde não se vão colocar os pés.

A correr, que ainda se podia, rumo ao 1º ponto de abastecimento, no 5º km. Paro para beber e aparece a Joana Leite com um lanço, que só deu para arrancar e tentar acompanhar aquele ritmo louco com que ela e a amiga Teresa saltavam de pedra em pedra em cada descida, por mais inclinada que fosse. Em estilo cabra montês, lá fomos até ao 2º abastecimento, ao km 11.

Até aqui nada de assustador. Conseguimos correr a pouco mais de 7’ de média por km, o que, a julgar pelo que me tinham já falado da Freita, me parecia um feito digno de registo. Ainda mais impressionante seria o ritmo dos da frente, já não via ninguém no horizonte. De repente, quase parado no meio de um trilho, o Vasco, com quebra de forças provocada por uma indisposição gástrica. Tento ficar por ali, não me parecia um local muito aconselhável para deixar alguém naquele estado, muito menos um amigo. Fico. O Vasco não queria que parasse, quase que me batia, enquanto praguejava com o tempo médio por km. “Nunca tinha corrido tão devagar”, dizia. Mandou-me embora, mas fui ficando. Começamos a descida para o Rio Caima, que vindo da frecha, proporciona uma imagem deslumbrante. Descíamos enquanto uns caminheiros ocasionais subiam. Fantástica imagem, linda paisagem, fabuloso País que temos. Embevecido por tudo aquilo, preocupado em não cair, “empurrado” por mais uns quantos concorrentes que nos tinham apanhado, adiantei-me ao Vasco. Ao chegar ao rio, 300 m de altitude menos em relação ao início da descida, vejo-o em cima, junto com outros corredores. Como não vinha só, segui trilho fora. De repente vejo-me a trepar literalmente de gatas, uma parede. À  minha esquerda a famosa corrente cravada na rocha, que se ali não estivesse o equilíbrio seria quase impossível. Um grupo de três atletas, habituados àquelas andanças, seguiam-me trilho acima, animados e a animar-me. As pernas não me doíam, mas já não via muito bem… “Ainda aí vem pior”, diziam-me. Cada vez que achava que estava a acabar aquela tortura, erguia-se mais uma parede na nossa frente. Foram 2 km em pouco mais de 40 minutos. Agora percebo quando o Mark Macedo diz que não percebe como é possível fazer subidas daquelas rápido. Há quem faça. E por incrível que pareça, os concorrentes da Ultra, fazem aquela subida depois de 65 km de prova, e alguns não a acham a mais dura, mas já houve alguns que ali chegaram e desistiram.

Ao chegar ao fim do trilho, a Lina, esposa do Vasco e nossa fotógrafa de serviço (excelente sempre), junto com o filho Diogo, anima-me e vislumbra com a objectiva da máquina fotográfica, ao longe com um grupo, o marido. Descansado, sigo até ao final, com o trio que me acompanhou naquela terrível subida, cruzando com eles a meta.

Depois de terminar, depois do banho de água fria, do almoço e da roupa seca e lavada, já confortavelmente a almoçar, eis que o speeker da prova anuncia a chegada dos primeiros classificados da ultra. Com 8h e 45 minutos de prova, de mãos dadas, cruzam a meta. Inédito, contudo demonstra o altruísmo de ambos, ao atribuírem a proeza ao companheirismo que, provavelmente, tiveram durante a corrida. O terceiro chegaria mais de 30 minutos depois, os restantes foram chegando, soltando descargas de adrenalina ao passar a meta e ao se abraçarem aos amigos ou família que os esperavam. Ou a descomprimir de tal forma que nem uma palavra conseguiam dizer. É um feito notável, a ver pelos 17 de amostra que tive, fazer 70 km serra acima e abaixo.

Parabéns a todos os que, num Domingo de Julho, às 4 da madrugada saíram do quentinho para desafiar o frio e a serra com todas as armadilhas que ela nos proporciona. Não posso deixar de destacar os atletas da minha equipa, Porto Runners, que participaram na Ultra. Imagino o que todos sofreram, mas sei que, em equipa, como sempre, tudo suplantaram.

Nós os que por lá andámos uma ou duas horas, ficámos com uma ideia do que eles passaram.

Até ao próximo desafio!       

quinta-feira, junho 23, 2011

Elas

Gosto delas, acho-as fantásticas. São, na minha opinião, a melhor criação da natureza. Personificam mesmo, a suprema mestria que Deus teve, ao desenhar os componentes do Mundo.

Gosto muito de ver uma mulher ao volante. O poder fica bem na maioria das mulheres. Gozam de facto, de uma beleza e de uma elegância supremas quando lideram.

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A imagem de Assunção Esteves na cadeira da Presidência da Assembleia da República personifica uma mulher de sucesso, cheia de elegância, bonita, inteligente e sagaz. Não que sejam todas assim, há mulheres mais jovens que se parecem já gastas, e outras mais maduras que se eternizam na juventude, mas a maioria das mulheres de sucesso, conseguem transformar o mundo delas num mundo de elegância e charme.

O homem tem mais dificuldade em conseguir tal proeza, não foi feito para cuidar, para prolongar ou fazer brotar beleza onde ela não existe. Aquela mestria de dar vida e de dela cuidar, missão que a elas foi entregue, é única e facilita-lhes o acto de seduzir o mundo que as rodeia.

Elas têm tanta arte em si mesmas que se invejam mutuamente. Um homem conta o seu maior segredo a um amigo, mesmo que recente, desde que nele sinta alguma confiança, já uma mulher…
Não será fácil encontrar no Mundo a determinação, vontade, beleza e sensualidade de uma mulher.

Agora na casa da democracia portuguesa quem manda, como deve ser em qualquer casa, é também uma mulher.

quarta-feira, junho 15, 2011

Enquanto pensam…

Enquanto pensámos nas formas ideais de vida, no sucesso, na realização pessoal e na felicidade, há quem se vá entretendo com outras coisas que os fazem felizes.

No último Domingo, celebrou-se em Portugal, mais precisamente em Coimbra, o Dia mundial de tricotar em público (??). Um grupo de 20 senhoras exultava com os seus tricots e pontos de cruz. Havia uma jovem que mostrava orgulhosamente umas peúgas de lã que estava quase a acabar. Muito úteis nesta época.

Hoje, deparo-me com uma notícia que fala num estudo americano que anuncia ao mundo que, os homens que lavam a louça, têm uma melhor vida sexual. Será por prémio, digo eu. Ou então será pelo cuidado em não partir a louça. Diz ainda que, quanto mais tarefas domésticas os homens cumprem, mais felizes são as mulheres. É normal, ninguém fica triste com a colaboração e ajuda de alguém que seria suposto estorvar. Afinal, os homens também sabem agradar…

Já as mulheres, segundo um estudo sueco, são geneticamente mais predispostas às depressões, alterações de humor e ansiedade. Não sei se estes dois estudos estão relacionados, mas imagino que uma mulher, ao chegar a casa e ver a cozinha de pernas para o ar, cama por fazer, sanitas com tampas para cima e roupa espalhada pelo chão, não possa fazer um ar propriamente sensual ou mesmo de agrado. Provavelmente amua, faz o que acha que deve fazer (elas normalmente gostam das coisas arrumadas) e, à noite, no sossego do quarto, dedica-se a tricotar em privado, para depois o poder fazer em público.

Enquanto um homem pensa porquê, elas já vão no como…

segunda-feira, maio 30, 2011

REALidade

Ontem, depois de uma corrida tardia e sob uma chuva torrencial, decidi dar uns mergulhos. Souberam-me tão bem, como se ainda tivesse 16 anos, e o estivesse a fazer com um grupo de amigos depois de uma partida de futebol ao fim da tarde, numa praia do grande Porto.
A nossa realidade é magnifica. Transforma-nos, por instantes, em crianças que quisemos deixar de ser, e a que recorrentemente tornamos.
Conseguimos com gestos de satisfação transformar qualquer momento numa realidade que nos fica gravada na memória. Em tudo. Não me recordo de quase nenhum dia na praia em especial. Lembro-me em geral de dias intermináveis passados no areal ocupados com brincadeiras de crianças ou de adolescentes a recrearem-se. Mas das idas à praia em dias de chuva lembro quase todos como dias marcantes e incrivelmente satisfatórios.
Curioso como a diferença na nossa realidade nos revela o fantástico de um momento diferente, que nos transporta para uma idade diferente, e que sabe lindamente. É nestas alturas que nos apercebemos que a nossa real idade é quase sempre adequada ao nosso contentamento. Quanto maior o prazer do momento, mais novos nos sentimos!

sexta-feira, maio 27, 2011

Mudança é vida

A vida passa ao lado de muitos dos que nascem.

A evolução trouxe-nos aqui, a este mundo estranho de conveniências e de bem-estar.

O ser-humano vive com uma insatisfação decorrente de querer tudo e de não conseguir quase nada.

Enquanto novos queremos independência, não queremos estudar, não nos apetece obedecer e, na ânsia sôfrega de pular do “ninho”, damos passos atrás, à frente, muitos para o lado, até chegarmos à desejada estabilidade, profissional e pessoal. Com tanta vontade de encontrar essa estabilidade, muitos colam-se na mais conveniente, na que foi mais trabalhada por uma das partes intervenientes no processo de construção da dita relação, seja pessoal ou profissional.

E quando achamos que já tudo encarreirou, vem a vontade de mudar. Nunca estamos satisfeitos. E depois, é um corrupio de emoções e de impulsos, que dominámos com a maturidade, mas que levam muitos à depressão ou à desistência por KO. Ninguém, ou poucos são os que ensinam a contornar as desilusões.  Dominados pelas circunstâncias e vicissitudes da vida deixámo-nos levar, não pelos Pais, mas pelo bom-senso. Que nunca bate certo com a vontade.

Mas a essa vontade chama-se viver. As histórias que mais nos fascinam enquanto crianças são as do final “e viveram felizes para sempre”. Mas, à medida que vamos acumulando vida e vivências, o que nos fascina, a mim seguramente, é a capacidade de todos aqueles que buscam a felicidade ou a realização pessoal, de mudar, de correr riscos, de partir em busca do que tanto desejam. E esses, mesmo quando fracassam, ao chegar ao fim da linha, sentem-se preenchidos pela vida, pelo sal que lhe deram.

O que fica na memória nunca são os fracassos, são os passos que se dão para fracassar.

terça-feira, maio 24, 2011

Preço justo

Nesta vida tudo se paga.

Já todos ouvimos tal expressão.

Há expressões que espelham a nossa realidade com uma exactidão violenta.

Alguém me dizia há uns tempos que, sempre que queremos alguma coisa, sempre que almejamos uma meta, um objectivo, um sonho, se houver outra pessoa implicada, tudo se torna mais difícil, porque nem sempre o que nos convém, convirá ao(s) outro(s).

Há sonhos que inevitavelmente implicam mais alguém. Seja por participação directa, seja pela influência que têm nas nossas vidas. Esses são os mais difíceis, porque, normalmente, são os que têm tantos efeitos colaterais que transcendem o próprio, logo, estão sempre na dependência da bondade, vontade ou aceitação de alguém.

Passamos, egoisticamente, as nossas vidas a desejar muito, muitas coisas, criámos expectativas, defraudamos algumas, somos correspondidos no amor, no trabalho, nas amizades, na vida em geral… Ou não.

Em miúdo nunca sabia onde acabava o respeito e começava a ousadia excessiva até levar um estalo. Nunca conseguia decifrar o ponto em que “podia”… Ou não. Nalgumas situações era demasiado ousado, noutras demasiado respeitador? Não entendia. O preço? Levar ou não uma chapada. Enfim, havia sempre quem tentasse.

Um sinal que achamos que damos, mas que quem pretendemos que o entenda, nem se apercebe de tal. Um acontecimento que desejamos, que está prestes a desenrolar-se e, um contratempo atira para o lote dos “never happened”.

Enfim, passámos as nossas vidas em apalpadelas de sinais, de consensos, de encaixes de vontades. Somos correspondidos, às vezes fingidos, nunca sabemos se sim se não.

Que raio, tinha tudo isto de ser tão complicado?

Tinha quem nos programou de nos dar uma consciência que tanto nos trava os impulsos?

No trabalho, na vida pessoal, na família, na roda de amigos, no desporto…

Há sempre um “…e se eu…?”

Não há fórmulas perfeitas. A vida é o que é, somos nós que a fazemos, somos nós os condutores do nosso “carro”.

Mas há um preço para as interrogações e para as hesitações. Normalmente são as frustrações.

quinta-feira, maio 19, 2011

História

A história vai sendo feita do sumo dos dias. Apesar da muita parra e da, consequente, pouca uva, temos vivido dias históricos.

Tenho a sensação que a história que vai ser escrita pelos cancioneiros dos nossos dias, incluirá umas páginas sobre um indivíduo que, apesar de bom tribuno, não passa de um charlatão.

Como somos um País pequenino, não temos originalidade na criação ou no pensamento de novos ou diferentes sistemas políticos, mas fomos o País que despoletou uma nova forma de fazer barulho, de protestar, de fazer política sem ser político. Foi aqui, neste cantinho a sudoeste da Europa que começaram os protestos da sociedade civil contra a chamada classe política, na qual poucos se revêm.

Ontem em Madrid, capital do Reino de Castela, um movimento semelhante, protestou em força contra os políticos lá do sitio, e como Madrid tem mais algum impacto no resto da Europa, os protestos contagiaram outros pontos do velho continente.

A diferença é que, em Espanha, Zapatero levou em consideração os ditos contestatários e, num assomo de bom-senso, disse que aqueles deveriam ser ouvidos e respeitados.

Por cá, ou melhor, nós por cá, achamos que o protesto que por cá decorreu, não foi mais do que uma marchazita de uns putos “à rasca”, que entretanto se afogaram numas bejecas servidas numa barraquita académica da queima das fitas.

O Zapatero cá do sítio chora em pré-campanha. Se lhe tiram a mama nem sabe o que fazer. O outro canta. Os outros assobiam. Todos se acham sociais e todos prometem não tirar a mama aos que vivem da “teta” do estado.

O mentiroso primeiro continua a tratar os portugueses como um bando de ignorantes, que certifica qualificados, com uma redação onde descrevam aceitavelmente o percurso de vida, e a quem pede que o voltem a por no poleiro. A ver pela quantidade de gente que continua a dar dezenas de milhar de euros a desconhecidos, para trocar por “novas notas”, qualquer licenciado em Engenharia, mesmo que ao Domingo, os engana bem. É mete-los num autocarro, e, por uma bifana e uma bandeira, eles apoiam e votam.

Os da esquerda prometem o impossível. Com esses ia-mos rapidamente à falência, não sem antes haver prisões políticas e uma debandada do capital e dos empresários.

O Portas acena à esquerda e à direita, num populismo tal que até sobe nas sondagens. Quanto mais se mente em Portugal, melhor se fica na fotografia. Mesmo a comunicação social se sente na obrigação de enaltecer o “excelente comunicador, e excelente táctica eleitoral”, ou seja, o vazio de ideias e a vulgaridade nas intenções, é para esta gente, sinónimo de boa intervenção política.

O cantor, é criticado por ter um programa. Toda a gente o critica por ter criado, com a ajuda do homem dos pentelhos que chefiou uma equipa criada para o efeito, um verdadeiro guia de liberalização do estado, uma revolução, considerada por muitos meritória e que deveria ser discutida. Mas não agora, dizem eles. Agora é altura de fazer campanha, de mentir ao povinho, como é tradição.

E depois admiram-se de ninguém acreditar nos políticos. Eu pessoalmente não acredito é nos jornalistas, esses é que fazem passar o que lhes apetece, o que choca. O que deve ser discutido é muito maçador. As notícias em Portugal só são notícia quando puderem ser esmiuçadas nas “tardes da Júlia”, ou no “Goucha”, caso contrário são muito maçadoras.

Está-se a fazer história.

Com o beneplácito de todos está-se a enterrar o período em que a Europa mais cresceu, melhor viveu e mais esperança de vida deu aos seus habitantes, e por consequência ao Mundo.

Com esta forma de vida democrática, em que todos mentem durante as campanhas, para depois darem as machadadas nas legítimas ambições das pessoas, tornam-se coveiros do sistema.

Vai chegar o dia em que a revolta contra o sistema político e o capitalismo que o suporta, será imparável. E tudo porque acham anormal falar verdade e claro às pessoas, que são o que mais importa.

Tenham juízo. Mudem a história enquanto é tempo.

sábado, maio 14, 2011

Vítor Dias

E porque este também é um blogue sobre corridas, aqui fica a apresentação em vídeo de um dos grandes responsáveis por este modo de vida que adoptei, a corrida.

O Vítor é o mentor do site que mais uso como “muleta” da minha preparação, e o site, bem como o livro, que me levaram à aventura de saltar da mera recriação para a distância mítica, a Maratona.

Considero-o como amigo e intitulo-o como meu Padrinho na corrida. Agradeço-lhe a paciência de me aturar sempre que o chateio com alguma dúvida que me assola. 

http://tv.cm-porto.pt/arquivo/zoom-camara/depois-das-seis-prog-3 

Obrigado Vítor!

sexta-feira, maio 13, 2011

Pentelhos

Enquanto alguns os discutem, como disse Eduardo Catroga, outros analisam o programa que o PSD apresenta ao País.

Francisco Assis acha que o dito programa tem um mérito, diz ao que vai. Refere que é contra, que agora até pode parecer muito correcto, mas que o problema não é o facto do Estado ter domínio sobre todas estas questões, que o problema só se coloca porque há uma crise de financiamento externo. Financiamento externo? Pergunto eu. Financiamento! Não tem de ser externo. Só tem que ser assim porque a economia não consegue gerar recursos suficientes para pagar todos os serviços que o Estado acha que mais ninguém é capaz de prestar.

E o que diz o dito programa?

Diz claramente que o Estado deve sair da posição predominante em tudo o que mexe com a vida das pessoas.

Diz que os serviços de saúde não têm que ser prestados no estado para serem comparticipados, coisa que os sindicatos não admitem que seja alterado nos benificiários da ADSE, por exemplo.

Diz que os pais podem escolher a escola para os filhos, pagando o Estado o mesmo valor, seja pública ou privada.

Diz que acabará com os Governos Civis. Eu gostava de saber porque é que ainda não acabaram. Será que foi só para “albergar” alguns candidatos autárquicos derrotados, como o Governador Civil de Aveiro, José Mota, derrotado surpreendentemente em Espinho?

Diz que terá menos Ministros que qualquer outro governo, não mais do que 10. Diz ainda que reduzirá drasticamente o nº de Secretarias de Estado, bem como o nº de assessores.

Diz ainda que vai privatizar o que resta das já privadas EDP, PT, GALP, REN, CP e mais, muitas mais. Acham mal? Eu não. Evita casos como o de Rui Pedro Soares, que enriqueceu na PT só porque era amigo de Sócrates, ou casos como o de Fernando Gomes, actualmente na Galp, ou como o de José Penedos da REN, ou ainda como o caso de muitos outros ligados ao PSD e que também por lá pululam.

E diz muito mais. É só ler.

Nada me choca nestas medidas, aliás, acho que finalmente apareceu alguém que está disposto a acabar com muita da mama que por aí há, e a malta da comunicação social discute pentelhos.

A definição de pentelho está aqui, para quem a desconheça e refere precisamente aquilo que Catroga quis dizer: Coisa mínima ou de pouca importância.

sexta-feira, maio 06, 2011

Patriótico ou nacionalista?

De esquerda ou de direita?

Se é de esquerda é patriótico, de direita é nacionalista.

Se é de extrema-esquerda é irresponsável, ou romântico; da direita já se torna perigoso.

Esta máxima criada no período pós-revolução é tão levada a sério e tão temida que, até o PP e o seu líder, se vêm na obrigação de fazer uma colagem aos ideais comunistas de emergência com os desfavorecidos.

Temos por onde escolher? Pouco. Quem como eu quer menos Estado, treme sempre que surge uma proposta nesse sentido, com o titubear constante de quem, à direita, deveria saber explicar as vantagens de tirar o Estado da economia e dos serviços que os privados conseguem assegurar com mais qualidade e melhor gestão dos recursos disponíveis.

Ainda não houve ninguém suficientemente convincente nessa missão. E é urgente que alguém tome esse lugar sem medo da chamada “opinião pública”, que, na minha modesta opinião é mais publicada que publica.

sexta-feira, abril 29, 2011

Relato

Embora não seja este o objecto do Tripas e Nortadas, acho que é aqui que devo registar esta humilde opinião.

Este Porto é, seguramente, Vintage, ao contrário do de Mourinho, que me parecia mais uma equipa feita para ganhar. André Vilas Boas fez uma equipa espectáculo. Cada jogo é um hino ao futebol.

Apreciem o relato, realmente neutro, de um jogo de futebol. É o minuto a minuto descrito pelo repórter do The Guardian enviado ontem ao Dragão, para descrever aos leitores o desenrolar da partida referente às meias-finais da Liga Europa.

 

Andre-Villas-Boas-001

With the manager of Real Madrid testing out elaborate methods of being banned from football sine die, football could soon be on the lookout for a new Jose Mourinho. Oh look! Here comes one now!

Yes, it's André Villas-Boas. He's just won the Portuguese league with Mourinho's alma mater, Porto, their current record being P27, W25, D2, L0, F64, A13. His side are in the Portuguese Cup final too, as well as the semi-finals of this, having lost only two cup ties all season. He's 33 years old. He's got matinee-idol looks. He's not designed to make you feel better about yourself.

He's not that great at playing football, is about all you can pin on him. He never played professionally, only getting into the game after pestering Bobby Robson for a job at Porto in the mid 1990s.

And we're off! Porto start full of confidence, as you'd expect. Cristian Rodriguez heads a long ball on for himself down the left and hoicks a cross to the far post for Falcao. Diego Lopez hooks the ball away from the striker's head. Ten seconds had elapsed when that had happened.

2 min: Villarreal have hardly touched the ball yet.

5 min: Nilmar looks to scoot down the right wing. Alvaro finds himself in the book for a late lunge, flipping the Villarreal man high into the air.

7 min: Nilmar misses a golden opportunity to give the away side the lead. He's offside by half a yard, but nevertheless allowed to scamper free down the inside-right channel after Valero's pass. He romps into the box and decides to aim for the bottom-right corner, but Helton is wise to his game and parries the ball wide of the post. The corner is wasted. This is a very open start.

10 min: Hulk attempts to swing a free kick into the box from near the right-hand corner flag. His effort doesn't clear the first man. "Ever since the group stages last year, I've sent an email to MBM-ers in every round of the Europa League telling them that that they were all wasting their time, as Andre Villas Boas would lead Porto through a succession of effective performances to the final in Dublin," writes Declan Johnston. "Everytime I was ignored and my email not published. So tonight, I don't know what I want. If you publish this email, I stand to finally get recognition for my foresight, or I will inevitably bring a jinx on myself and Porto will lose 5-0 and I'll look very silly. I think I'll leave my fate in your hands." It's a no-win situation, though, because even if Porto win 5-0, anyone reading this will simply assume that the unpublished emails are a figment of your fecund imagination. These are cynical times. I believe you, though.

14 min: So much for that fast start. This is pretty dull all of a sudden.

17 min: The Yellow Submarine make another couple of sorties down the right through the exciting Nilmar, who both times very nearly breaks clear along his wing. Porto have enjoyed most of the ball, but created very little. Villarreal are carrying more threat of the two, the home side asking for trouble with a very high offside trap.

20 min: You're all out getting gaddered on booze tonight, aren't you. The damage Will and Kate are doing to the nation's collective liver.

23 min: Hulk takes a free kick from 30 yards out. Three rugby points.

25 min: For the nth time in this match already, Nilmar zips free down the right. He gets to the byline and cuts the ball back into the centre past Helton, but Rossi can't convert from close range, bundled out of it by three blue-and-white shirts.

27 min: Hulk is booked for simulation. Do people still use the word simulation? No. He's dived. Anyway, he was chasing a ball into the Villarreal area down the inside-left channel alongside Musacchio, who goes to slide in, then thinks better of it. Hulk doesn't notice the defender's withdrawn his leg, though, and falls over an imaginary challenge. That's a brilliant decision by the referee.

29 min: Porto are being ripped apart at will down the right. Now it's Rossi who tears clear and sees his shot-cum-cross bundled out. From the corner, Marchena attempts a shot from the edge of the area; it's fielded easily by Helton.

31 min: From a central position 25 yards out, Hulk drops a shoulder, edges to the left, then whips a low shot inches wide of Diego Lopez's right-hand post. The closest Porto have come so far, though the keeper had it covered.

34 min: Are you drinking beer? Are you drinking gin? Drinking from a glass? Or swilling from a tin? OK, I'll level with you, I'm bored. This is dismal.

36 min: This is getting old. Two more attacks for Villarreal down the right, one ending with Rossi dinking over the bar from eight yards out in the middle, another clanking off Nilmar's shin. I assume the heralded Villas-Boas is doing nothing about the glaring hole in his defence because Villarreal seem to be on a mission to cock up every chance in as many different ways as possible.

40 min: The Pedro Mendes lookalike Sapunaru cuts inside from the right and shoots wide left.

43 min: God help us.

45 min: GOD HAS HELPED US!!! Porto 0-1 Villarreal. It's been a terrible half of football, but if one team deserved to score, it was the visitors. Predictably, it's come down the right, Nilmar sauntering down the wing in acres before clipping a cross towards the near post, where Cani heads home with the greatest of ease. No defenders in this description, you'll notice.

HALF TIME: Porto 0-1 Villarreal. That Porto defence. Dear me.

And we're off again. You lucky people. "What a dull game!" cries Christoph Wagner. "Villareal deserved the goal but what was the Porto keeper doing? Awful. Yesterday wasn't particularly enjoyable to watch but this game is almost torture to watch."

46 min: Guarin has a lash from distance. The effort just about stays in the stadium. "If he is as good as many say in the intelectual interpretation of an ongoing game then Mr Boas might want to have a look at why on earth he hasn't bothered to change anything so far," writes Ben Dunn. "I'm unaware of the Portuguese for hairdryer, but he needs to avoid a Fergie bollocking and go straight for a Pleat-like analysis of why they are being over-run."

48 min: A ball's rolled straight down the inside-left channel to release Cazorla. He's free into the area, but pulls an aimless cross into the centre instead of shooting. That should have been 2-0, and Porto haven't learned a thing from the first half.

49 min: PENALTY!!! AND GOAL!!! Porto 1-1 Villarreal. Falcao chases after a ball down the inside-left channel into the away area. Diego Lopez comes out at his feet, and though he withdraws his arms, he's too late to stop the striker clattering into him. The keeper is booked - and the next thing he does is pick the ball from the net, Falcao getting up and hammering home an unstoppable effort.

51 min: Cazorla wants to hang his head in shame for missing that chance.

52 min: Nilmar races clear down the right for the umpteenth time. He Cazorlas a low cross that's bundled away by a defender, when it was surely easier to find one of three team-mates in the centre for a tap-in. Villarreal have been outstandingly profligate this evening.

54 min: It's a much better spectacle now, though. Moutinho sends a free kick from the right towards the near post, allowing Rodriguez to head powerfully wide right. That wasn't far away, and a very good effort.

58 min: Hulk takes the worst free kick in the history of All Football. With the box loaded with team-mates, he rolls a pass down the right wing where there are no blue-and-white shirts. The ball turns through 360 degrees about four or five times before being intercepted by a yellow shirt, the player half-surprised at being on the end of such a ridiculous pass.

61 min: Guarin tries to chip Diego Lopez in the Villarreal goal from 35 yards. It's not a bad effort, only just floating over the bar, but even so.

62 min: GOAL!!! Porto 2-1 Villarreal. Guarin gets his goal. He tears down the inside-right channel and into the box. He reaches the byline, checks back, and hammers a shot towards the bottom-right corner. Diego Lopez isn't gettting beaten at his near post, and parries brilliantly, but Guarin is the first to the bouncing loose ball and stoops to head home from close range. What a turnaround. To repeat Ben Dunn's question: what's the Portuguese for hairdryer?

64 min: Porto so nearly score their third straight from the restart, Rossi bundling an effort wide right. Only just wide right, too. Porto were appalling in the first half, but they're now showing the confidence of a team that's only lost twice all season. Villarreal look stunned at the way this half has developed.

67 min: A change for the Yellow Submarine: Valero is replaced by Mubarak.

67 min and a bit: GOAL!!! Porto 3-1 Villarreal. This is beginning to look like a rout. What an odd turnaround. Hulk breaks clear down the right, enters the box, and skelps a crisp cross into the centre, past the drawn Diego Lopez, for Falcao to tap into an empty net.

70 min: The difference between Porto's first-half performance and their second-half display is so marked, you'd be forgiven for wondering if Villas-Boas has been employing rope-a-dope tactics.

72 min: A subfest. Porto exchange Rodriguez for Varela, while Villarreal make two swaps: Nilmar and Cani depart, Ruben and Matilla arrive.

74 min: Catala is booked for a ludicrous lunge on Hulk. He'll miss the second leg of this. Meanwhile here's Oliver Lewis with The Gag Someone Had To Make regarding the first Villarreal substitution: "So that's where that Egyptian dictator went! Do they have room in the squad for Gadaffi?" That's that out of the way, then.

75 min: GOAL!!! Porto 4-1 Villarreal. From the resulting free kick, the ball's whipped into the Villarreal box from the right. With the away defence static, Falcao completes his hat-trick by Keith Houchening a spectacular diving header, guiding the ball deliberately into the top-right corner. That's such a lovely finish, even if the defence was all over the shop.

77 min: Porto have been simply outstanding in this half. Mind you, Villarreal appear to have totally fallen apart.

79 min: Guarin is replaced by Souza.

81 min: This stadium was almost silent for the majority of the first half. It's buzzing now, though.

83 min: Helton is booked for steaming out of his area and deliberately handling the ball under pressure from Rossi. Presumably he's not sent off because the tussle is out by the corner flag, the ball is bouncing and spinning in the cricket style, and he's falling over, thus making it look accidental. Saucy Helton, because Rossi was looking to nick away with that ball, and send it into a packed goalkeeper-free area.

85 min: James Rodriguez is Porto's final substitute, and it's Hulk he's replacing.

87 min: On Channel 5, commentary team Dave Woods and Pat Nevin are cracking gags about Fyodor Dostoyevsky. You don't get this on Soccer AM.

90 min: GOAL!!! AND FOUR FOR THE FANTASTIC FALCAO. Porto 5-1 Villarreal. From a corner on the left, Falcao meets the ball 12 yards out, level with the right-hand post, and guides the ball into the top-left corner. That's another beautifully placed header. This is some performance by the striker, and by Porto. After an opening 45 minutes of the purest tosh, too!

FULL TIME: Porto 5-1 Villarreal. On the back of this match, I think we can safely say that football is a game of two halves. There's a maxim we should look to popularise; pass it on. Anyway, that 45 minutes of outstanding attacking football should have booked Porto's berth in the Dublin final, ensuring an all Portuguese affair. As for the Spanish side, well, the best that can be said is that Riquelme's penalty miss is no longer Villarreal's biggest European semi-final choke. "The wee genius of Mr. Boas seems to have turned that round reasonably well," concedes Ben Dunn. "Looks like the pre-game plaudits were earned." They certainly were, Ben. All hail the power of André's secador de cabelo!

segunda-feira, abril 25, 2011

Reflexão de 25 de Abril

 

Já viram que ninguém invoca um poeta, um cantor intervencionista, ou um Capitão de Abril actual? Só há palavras de quem já partiu e não vê que este País se tornou num País de direitos e não de Direito. Agora torturam-nos sem nos prender. Um País onde todos acham que os deveres são para os demais.

Os condecorados na tradicional cerimónia, que este ano se realizou em Belém, são, como sempre, burgueses e nobres dos nossos dias.

As manifestações, que deveriam ser comemorações, são mais invocativas de 1917 do que de 1974. Portugal é um País carregado de ideólogos utópicos em busca de um ideal irreal.

Crescem as vozes contra a democracia e contra os políticos, alavancadas pelos aldrabões que nos governam, que em tempo de crise, e num dia simbólico, correm a inaugurar obra, fazendo campanha à custa do País. Provavelmente o dinheiro que gastam no aluguer de uma tenda e no combustível dos carros de todos nós que os trazem de Lisboa a Sto Tirso (Sócrates e a Ministra da Educação inauguram ali, hoje, a remodelação de uma escola), serviria para cobrir algumas despesas mais urgentes, que não são poucas.

Enquanto os políticos se acharem donos da democracia, enquanto se acharem no direito de esbanjar só porque o que esbanjam não tem impacto significativo nas contas públicas, não há verdadeira democracia em Portugal. Enquanto uns senhores acharem que, ao roubar os ricos, ou a economia, para dar a alguns que não querem fazer pela vida, ou enquanto alguns ricos acharem que não têm o dever de proporcionar oportunidades a outros, não há verdadeira liberdade.

A democracia não se apregoa contra ninguém. É por isso que me faz sempre imensa confusão esta data e as comemorações com ela relacionadas. Enquanto uns se acham donos da liberdade, outros há que parece terem medo de se mostrar neste dia. E esses outros somos muitos de nós, que apesar das muitas dificuldades, somos conotados como ricos e fascistas por muitos discursos.

Ainda há umas semanas, depois de uma viagem a Milão para aí correr a Maratona, vi num site de um amigo comentários de alguns que nos intitulavam de “…clube dos ricos que, apesar da crise, se passeia por provas internacionais”. No meu clube, Porto Runners, há advogados, médicos e engenheiros, mas também há operários fabris, empregados de mesa e funcionários autárquicos. Portugal está a tornar-se um País de inveja, onde qualquer forma de lazer se conota com desafogo financeiro, onde quem tem um carro de gama média ou mora numa zona mais nobre é imediatamente intitulado de “queque”. O sentimento de posse do português não permite que parta em busca de sonhos, faz antes com que se torne num revolucionário por inveja. Ainda há muita gente que acha que o 25 de Abril se fez para, numa directa relação e equilíbrio de forças, tirar a uns para dar a todos, como se tal fosse possível. Enquanto não disserem às pessoas que o trabalho e o esforço são a forma mais directa e justa de conseguir o que quer que seja em democracia, e não o “sacar” enquanto há distraídos, não evoluiremos como País, nem como sociedade.

Este Portugal de Abril é um amontoado de tipos barrigudos, que ao longo dos anos se bateram e continuam a bater por privilégios corporativistas e que, na esperança de manterem o discurso actual, se penduram numa geração que, deitada sobre o regaço de uma licenciatura, achava que, como antes da revolução, um canudo já dava futuro.  

Sobram aqueles que trabalharam sob promessas que se sabiam impossíveis de cumprir, e que agora, acossados pelas circunstâncias, se mantêm calados, não vá fugir o pouco que ainda nos garantem.

Acham que as oportunidades são as mesmas para todos?

Acham que todos agarram as oportunidades que se lhes deparam na vida?

Acham que todos estão dispostos ao sacrifício?

É de mim ou nos últimos 15 anos se cultivou uma sensação de que “andar ao alto” compensa?

É de mim ou é mais fácil ser apoiado para deixar a droga (o que não é criticável) do que para uma vítima de violência doméstica deixar a casa do agressor?

É de mim ou é mais fácil viver do rendimento mínimo do que do trabalho pesado?

É de mim ou as pessoas associam democracia a direitos?

Serei só eu que não acho normal que o passe social, em qualquer empresa de transportes públicos, seja ao mesmo preço para mim e para um mendigo? Ou para o Belmiro de Azevedo?

Serei só eu que não ache normal que as taxas de justiça sejam as mesmas para mim e para o Sr. Américo Amorim?

Serei só eu que não acha normal que os professores não tenham autoridade? Ou os Policias (excepto no trânsito)?

Haverá mais alguém que, como eu, ache perfeitamente normal haver ricos numa sociedade democrática? Ou que ache estranho políticos enriquecerem?

Esta sociedade que foi criada com a revolução, levou-nos a este ponto de viragem em que, ou aparece alguém com coragem suficiente para explicar que não somos todos iguais, ou então vamos seguir em queda livre, enquanto abanámos na mão o nº de beneficiário da Segurança Social.

domingo, abril 17, 2011

Narrativa de Medina Carreira

O tal “Velho do Restelo”, ou “Profeta da Desgraça”, afinal tinha razão. E desmonta por completo os argumentos do Pinócrates.

É só ler e avaliar.

Bom, dado o que está em causa é tão só o futuro dos nossos filhos e a própria sobrevivência da democracia em Portugal, não me parece exagerado perder algum tempo a desmontar a máquina de propaganda dos bandidos que se apoderaram do nosso país. Já sei que alguns de vós estão fartos de ouvir falar disto e não querem saber, que sou deprimente, etc, mas é importante perceberem que o que nos vai acontecer é, sobretudo, nossa responsabilidade porque não quisemos saber durante demasiado tempo e agora estamos com um pé dentro do abismo e já não há possibilidade de escapar.

Estou convencido que aquilo a que assistimos nos últimos dias é uma verdadeira operação militar e um crime contra a pátria (mais um). Como sabem há muito que ando nos mercados (quantos dos analistas que dizem disparates nas TVs alguma vez estiveram nos ditos mercados?) e acompanho com especial preocupação (o meu Pai diria obsessão) a situação portuguesa há vários anos. Algumas verdades inconvenientes não batem certo com a "narrativa" socialista há muito preparada e agora posta em marcha pela comunicação social como uma verdadeira operação de PsyOps, montada pelo círculo íntimo do bandido e executada pelos jornalistas e comentadores "amigos" e dependentes das prebendas do poder (quase todos infelizmente, dado o estado do "jornalismo" que temos).

Ora acredito que o plano de operações desta gente não deve andar muito longe disto:

1. Narrativa: Se Portugal aprovasse o PEC IV não haveria nenhum resgate.

Verdade: Portugal já está ligado à máquina há mais de 1 ano (O BCE todos os dias salva a banca nacional de ter que fechar as portas dando-lhe liquidez e compra obrigações Portuguesas que mais ninguém quer - senão já teriamos taxas de juro nos 20% ou mais). Ora esta situação não se podia continuar a arrastar, como é óbvio. Portugal tem que fazer o rollover de muitos milhares de milhões em dívida já daqui a umas semanas só para poder pagar salários! Sócrates sabe perfeitamente que isso é impossível e que estávamos no fim da corda. O resto é calculismo político e teatro. Como sempre fez.

2. Narrativa: Sócrates estava a defender Portugal e com ele não entrava cá o FMI.

Verdade: Portugal é que tem de se defender deste criminoso louco que levou o país para a ruína (há muito antecipada como todos sabem). A diabolização do FMI é mais uma táctica dos spin doctors de Sócrates. O FMI fará sempre parte de qualquer resgate, seja o do mecanismo do EFSF (que é o que está em vigor e foi usado pela Irlanda e pela Grécia), seja o do ESM (que está ainda em discussão entre os 27 e não se sabe quando, nem se, nem como irá ser aprovado).

3. Narrativa: Estava tudo a correr tão bem e Portugal estava fora de perigo mas vieram estes "irresponsáveis" estragar tudo.

Verdade: Perguntem aos contabilistas do BCE e da Comissão que cá estiveram a ver as contas quanto é que é o real buraco nas contas do Estado e vão cair para o lado (a seu tempo isto tudo se saberá). Alguém sinceramente fica surpreendido por descobrir que as finanças públicas estão todas marteladas e que os papéis que os socráticos enviam para Bruxelas para mostrar que são bons alunos não têm credibilidade nenhuma? E acham que lá em Bruxelas são todos parvos e não começam a desconfiar de tanto óasis em Portugal? Recordo que uma das razões pela qual a Grécia não contou com muita solidariedade alemã foi por ter martelado as contas sistematicamente, minando toda a confiança. Acham que a Goldman Sachs só fez swaps contabilísticos com Atenas? E todos sabemos que o engº relativo é um tipo rigoroso, estudioso e duma ética e honestidade à prova de bala, certo?

4. Narrativa: Os mercados castigaram Portugal devido à crise política desencadeada pela oposição. Agora, com muita pena do incansável patriota Sócrates, vem aí o resgate que seria desnecessário.

Verdade: É óbvio que os mercados não gostaram de ver o PEC chumbado (e que não tinha que ser votado, muito menos agora, mas isso leva-nos a outro ponto), mas o que eles querem saber é se a oposição vai ou não cumprir as metas acordadas à socapa por Sócrates em Bruxelas (deliberadamente feito como se fosse uma operação secreta porque esse aspecto era peça essencial da sua encenação). E já todos cá dentro e lá fora sabem que o PSD e CDS vão viabilizar as medidas de austeridade e muito mais. É impressionante como a máquina do governo conseguiu passar a mensagem lá para fora que a oposição não aceitava mais austeridade. Essa desinformação deliberada é que prejudica o país lá fora porque cria inquietação artificial sobre as metas da austeridade. Mesmo assim os mercados não tiveram nenhuma reacção intempestiva porque o que os preocupa é apenas as metas. Mais nada. O resto é folclore para consumo interno. E, tal como a queda do governo e o resgate iminente não foram surpresa para mim, também não o foram para os mercados, que já contavam com isto há muito (basta ver um gráfico dos CDS sobre Portugal nos últimos 2 anos, e especialmente nos últimos meses). Porque é que os media não dizem que a bolsa lisboeta subiu mais de 1% no dia a seguir à queda? Simples, porque não convém para a narrativa que querem vender ao nosso povo facilmente manipulável (julgam eles depois de 6 anos a fazê-lo impunemente).

Bom, há sempre mais pontos da narrativa para desmascarar mas não sei se isto é útil para alguém ou se é já óbvio para todos. E como é 5ª feira e estou a ficar irritado só a escrever sobre este assunto termino por aqui. Se quiserem que eu vá escrevendo mais digam, porque isto dá muito trabalho.

Henrique Medina Carreira.

terça-feira, abril 12, 2011

Maratona de Milão 2011

4H 14M 49S Tempo oficial.

Não foi a pensar neste tempo final que, no Sábado, cedinho, bem cedo, fui para o Aeroporto.

Depois da minha primeira experiência na distância rainha do atletismo, no Porto, em Novembro último, e desafiado pelos meus companheiros do Porto Runners, inscrevi-me na Maratona de Milão.

O facto de ser no exterior, de ser uma prova numa cidade com um clima ameno, mesmo fresco na Primavera, levou-me a pensar que, com treino, poderia baixar das 4 horas de tempo final.

Cheguei ao Aeroporto, encontro o grupo da equipa Douro Azul, animados com é apanágio. Passo pela segurança, chego à porta de embarque e, já sentados à espera da hora de saída, o Mesquita e o Carlos Rocha. Saudações, conversas futebolísticas e eis que chega o grosso do nosso pelotão. Todos animados saltamos para o laranja voador.

Conversas animadas, troca de experiências, expectativas e, acima de tudo, boa disposição de todos.

Chegados a Milão, depois de uma viagem de autocarro de 50 kms, o nosso maior obstáculo mostrava toda a sua imponência: 33º!

Uma semana antes, todos comentávamos que, os esperados 22º eram um exagero, que a baixa humidade relativa, combinada com o calor, levaria a que o esforço despendido tivesse que ser superior, etc. e tal, e eis que se confirmavam os nossos temores.

Sem deixar de passar pela fantástica nave principal da Estação Central de Milão, fomos em busca de um sítio para almoçar. Distribuídos pelas mesas disponíveis, rapidamente devorámos massa e pizza para repor energia, recarregar e voltar ao caminho.

Enquanto alguns foram de metro para o hotel, eu e mais os Jotas (de João: Meixedo, Morais, Freitas e Vieira) acompanhados de um outro companheiro de viagem português que conhecêramos no avião, fomos a caminhar debaixo daquele calor de matar. Guiados por uma bússola de um Iphone, lá fomos caminhando pelas ruas e avenidas de Milão até ao nosso destino. Pelo meio, uma incursão por uma das imensas gelatarias de Milão, onde encontrámos iguarias suficientes para nos baixar a temperatura.

Chegados ao hotel, surpresa: Algumas reservas não existiam. Confusão instalada. Telefonemas, mais telefonemas, boa vontade e lá se arranjou solução.

Entretanto, eram quase 18h. Tínhamos ainda que ir levantar os dorsais e eu, que estava ainda a 4 estações de metro de distância do meu hotel, ainda tinha que ir fazer o check-in. O Vasco Batista lá se disponibilizou para levantar o meu kit da maratona, e assim, fiz-me ao caminho, prometendo regressar às 20h, depois de uma refrescadela.

Depois de um agradável jantar na Via Dante, lá fomos todos descansar o esqueleto de um estafante dia, que já ia bem longo.  

6h. Saltei com o ti-ri-ri-ri do Nokia, sempre irritante. Saltei ainda mais com ten-ten-ten do Blackberry. É curioso como, quando queremos muito estar a horas em qualquer lugar, até levamos mais que um despertador…

Primeira contrariedade, o pequeno-almoço só seria servido depois das 7h30. Impossível esperar. Era arriscado, não dava para ir ter com o resto do pessoal, como combinado, e estar a horas na partida, que era um pouco distante.

Cheguei ao Genius hotel, para deixar a minha bagagem, já que, como regressava ao Porto nessa noite, fiz o check-out do meu hotel, às 7h15. O João Meixedo disponibilizou o quarto para o banho depois da prova e para ali deixar a mala, mas quando bati à porta, já lá não estava. Desci e deixei-a na recepção, na esperança que ali estivesse quando regressasse.

Entretanto acumulava erros e lapsos. Não tinha tomado pequeno-almoço, tinha bebido pouca água na véspera, caminhado sob um sol abrasador, e descansado pouco devido ao excessivo calor.

Enquanto esperava pelo metro que me levaria a Rho para a partida, comi o que tinha: 3 barras de cereais e um gel que vinha no kit da maratona e dizia ser indicado para esforços prolongados, desde que consumido entre 1 a 2 horas antes. Enfim…

Chegado à partida, primeira alegria: água! Bebi 2 garrafas e levei outra na mão. Primeira preocupação: Tinha deixado os protectores dos mamilos no hotel. Toca a procurar, junto com a malta do Douro Azul, que me acompanhara na viagem até ali, alguém com vaselina ou pensos. Nada! Só latas e boiões de vaselina vazios. Já imaginava o quanto iria sofrer com o tecido a roçar, começar a sangrar, e com a água… Ufff! O peito a arder é horrível. Acho que é pior que uma cãibra. Enfim, em busca de alguém que me salvasse, encontro, finalmente, o Carlos Rocha. Com o ar mais desesperado do mundo enquanto o via deixar o saco com os seus pertences, no camião que os recolhe e leva para a chegada, ouvi-o dizer que não tinha nem pensos nem qualquer creme protector. Espera, diz-me. O Pedro é capaz de ter. E tinha. Uns milagrosos pensos para calos da compeed (merecem a publicidade) doados pelo Pedro Viana.

Fiz-me à partida. Com um tempo de maratona fraco, fui colocado na parte de trás do pelotão. Demorei uns 3 minutos até cruzar a partida.

Mais um erro: Depois de arrancar, vejo uns tipos com uns balões na cabeça que diziam 4h45. Nem pensar, disse para mim mesmo, tenho que ir em busca do das 4h. Vi mais balões à frente, fui passando balões, 4h30, 4h15… Não vi mais nenhum. Vou muito lento, pensei. Ali vou eu a acelerar (palerma), cruzo-me com o João Vieira (excelente estreia) e o João Mota Freitas que o acompanhava, pergunto para que tempo correm, dizem-me sem expectativas de tempo, que queriam apenas chegar ao fim, o tempo final é o corolário dessa vontade. Ok, pensei. Ou ficas e tens companhia, ou então fazes o que já te disseram muitas vezes, vai no teu passo, não exageres, nem fiques, nem aceleres, mantém um passo. Olho para o Garmin, vejo que estava mais próximo dos 6/Km, decidi ir atrás dos balões das 4h. Disse-lhes, prevendo um desfecho fatal, que ia indo e eles apanhavam-me mais à frente.

Um pouco antes da incursão pelo centro histórico da cidade, onde nos cruzávamos com atletas que tinham, seguramente, mais 3 ou 4 kms que nós, cruzo-me com muitos colegas de equipa, com um cumprimento especial ao Meixedo. Ia bem, como sempre. Mais um grupo de runners, entre eles o nosso presidente, todos em excelente ritmo.

Junto à Catedral de Milão, a nossa claque. Nunca falham no apoio. Que bem que soube aquele banho de reconhecimento, a nossa camisola é uma responsabilidade, que nos é recompensada pelo carinho e força transmitido por todos.

Até ao Km 30 corri num ritmo consistente entre os 5 minutos e 20/Km e os 5’45. Mesmo a parar momentaneamente em todos os abastecimentos para beber isostar e carregar uma garrafa de água, consegui, até ao km 30 manter um ritmo consistente. Nos 5 kms seguintes oscilei entre os 6’ e os 6’30, já depois de ter enjoado completamente ao gel, fruta e isostar. Antes, no abastecimento dos 30 kms o João Vieira e o João Freitas passaram por mim, deram-me força, e eu tentei, mas as pernas…

Abrandei, andei a passo, pensei em tudo e mais alguma coisa. Vejo um espanhol cheio de cãibras, todo esticado, fico com ele uns instantes, estico-lhe os pés, dou-lhe uma esponja com água e digo-lhe que aquilo não é lugar para desistir. Lembro-me de repente da Jangada de Pedra do Saramago, agarro no Jimenez e ali fomos os dois amparados nas fraquezas de um e do outro. Foram uns arrastados 5 kms a 7, 7’30. O espanhol definitivamente ficou no chão, agarrado à perna, ao km 40. Eu segui com duas garrafas de água nas mãos. Fui passando gente, ganhando forças sei lá onde, e acabei debaixo daquele sol escaldante com um sprint de 1 km a 6’11, o 42º, e mais 600 metros a 5’32. Foi um final à Porto Runner.

Melhorei o meu tempo nos 42,195 km em 14 minutos, não conseguindo, contudo, baixar das desejadas 4h. Mas 4 anos apenas depois dos 134kg, correr uma maratona com uma média de 5’58/Km, não deixa de ser motivo de orgulho.

Dos 4025 atletas que iniciaram a prova, 3403 chegaram à meta. Fiquei em 2372º lugar da geral, acham mau?

Um obrigado a todos os que me ajudaram na preparação para esta empreitada. Não fico por aqui. Vou continuar, porque a corrida já faz parte da minha vida.

O Porto Runners é já o meu clube. A todos vós um muito obrigado por me terem recebido de braços abertos. 

sexta-feira, abril 08, 2011

Desafios

Todos nós temos desafios que colocámos a nós próprios. Desafios de mudança, ou de conquista, desafios que nos levam em busca de realização pessoal.
Há uns anos atrás, não sonhava sequer em conseguir fazer um jogo de futsal sem cair para o lado no fim, mas, depois de muita luta e sacrifício lá cheguei ao fim numa distância que não é fácil de concluir, nem para os profissionais.
Amanhã, mais uma vez, parto em busca da realização de mais uma empreitada de 42,195 km. Vou, com um alargado grupo de atletas do clube onde corro (Porto Runners), participar na Maratona de Milão. Espero apenas acabar.
Entretanto, aqui fica um artigo referente aos meus, digámos, miseros kapabites de fama.

Rui Pinho- Já pesou 134 Kgs, hoje corre maratonas

quarta-feira, abril 06, 2011

Dia D

Agora que o homem pediu apoio financeiro à União Europeia, admitiu que a situação era insustentável, será que agora vai, finalmente, admitir que as políticas seguidas foram erradas? Não me parece.

Os banqueiros vieram gritar vivas, não ao FMI, mas ao alívio.

Infelizmente o Zé povinho, enganado por um esquizofrénico da imagem, acha e está convencido, que, se não viesse o FMI, o Sócrates podia continuar o regabofe, e que, com um esforcito, a malta tinha aumentos e dinheiro para gastar já ao virar da esquina.

Os partidos mais à esquerda continuam a falar de um mundo que já acabou na década de 80, depois da queda do muro.

Entretanto, enquanto aguardava que as Tv’s entrassem em directo, o Primeiro Ministro demissionário fazia uma figura triste, transmitida pela TVI por acidente, mas que demonstra bem o político preocupado com o País que é José Sócrates. Os grandes estadistas têm este tipo de atitudes. Infelizmente, os exemplos de grandes estadistas para este Sr. são o Berlusconi e o Sarkozy…

Enfim, um dia decisivo para o nosso futuro, e o peneirento, a pedir a um colaborador para ver qual o melhor ângulo para o show…

terça-feira, abril 05, 2011

Este País não é para moinas!

Vejo um Sr. muito bem vestido, com botões de punho reluzentes, a dizer que Portugal precisa de um empréstimo urgente, que estanque a subida das taxas de juro da dívida pública.

Espanta-me esta onda dos banqueiros. Agora que acabou a concessão de créditos e negócios chorudos a 50 e 60 anos, as famosas parcerias público privadas (PPP’s), que nos vão levar grande parte dos recursos nas próximas décadas, hipotecando assim o País, choram lágrimas de crocodilo, como se não tivessem culpas no cartório.

Sempre votei desde que tenho cartão de eleitor. Não sou daqueles que acha que os Bancos não passam de associações de índole criminosa, com cobertura do estado. Parece-me que são essenciais ao desenvolvimento económico, que podem e devem alavancar as economias, fazendo apostas sãs, que promovam aquele investimento que traz riqueza. Não se devem envolver em negócios de especulação, como não se envolveram em demasia, caso contrário teriam tido o mesmo fim dos bancos irlandeses.

Chateia-me ouvir tudo o que é militante de extrema esquerda, que vive à custa do capitalismo, marchar contra este, como se fosse a fonte de todos os males. Não é.

Deveríamos ter em Portugal um partido de esquerda, entre o PS e o PC. Um partido que assumisse como normal este sistema (europeísta, a favor da moeda única) mas que lutasse contra os lobbies instituídos. Há sempre esperança quando se perfila uma nova liderança ao centro, mas os partidos do arco governativo deixam-se envolver pelos poderosos lobbies, distribuindo pelos que não têm as poucas migalhas que caem dos bolos que devoram.

Somos um País de moinas. Gravita tudo à volta do Estado.

Mal aparece alguém a lutar contra esses lobbies, há uma autêntica guerra de informação e contra-informação, alimentada por quem tem o poder neste País, como aconteceu nas últimas legislativas entre o Publico e o DN.

Por muito que queiram os partidos mais à esquerda, Portugal não sobrevive sem bancos, nem pode, de forma alguma, continuar a alimentar de subsídios quase tudo o que não é rentável nem quase todos os moinas deste País.

Desde que, no “reinado” de Guterres, o famoso diálogo começou a distribuir subsídios, tendo-se multiplicado as associações de tudo e todos bem como as fundações (chamadas S.A.) em busca de benefícios, proliferaram os moinas.

Temos que os mandar às malvas, é o que os bancos estão a fazer.

Mas moinas maiores que eles…

Foram os únicos que tiveram recursos para se segurarem. Pagaram a grandes escritórios de advogados (moinas!) para blindar tudo o que contratualizaram com o Estado.

Agora, das duas uma. Ou vota tudo à esquerda e eles estouram com o que ainda há cá de capital e nos albanizamos, ou quem ganhar as próximas eleições tem túbaros suficientes para lhes dizer que esperem ou então que renegoceiem. É a minha esperança.

Ide moinar ao caraças!

sexta-feira, abril 01, 2011

FMI

F de feitos num oito. De fo****s. De fomos enganados, completamente enganados. Fomos levados a crer que, se o Estado gastasse muito, se se desdobrassem as empresas publicas em várias empresas mais pequenas integradas em grupos empresariais, que teriam cargos para distribuir e divida para dividir.

F de famintos pelo poder. Tudo ao pote. Uns agora outros lá metidos. Os ex-presidentes de câmaras municipais foram metidos em cargos de chefia da administração publica, em institutos públicos e outros promovidos a Governadores civis.

F de falidos. Nós. O futuro.

F de formados. Uns ao Domingo, ou com imensas cadeiras que julgam, somadas, serem equivalentes a um curso superior, outros arduamente, com esforço, dos próprios, dos pais.

F de foras da lei. Todos os que foram ao pote.

M de merda. Que foi como deixaram o País. Nunca as finanças publicas estiveram tão mal.

M de marginais de colarinho branco. Que só se distinguem dos outros pelo poder económico, que de recurso em recurso, pago com o nosso dinheiro, voam até às absolvições escandalosas.

M de maçonaria. Maçonaria que está representada em larga escala no bloco central, principalmente no PS, e que em nome de ideais de alguns, destroem o País de todos. Maçonaria das Fundações, que cabia perfeitamente na letra anterior, mas que não passam de Fundações S.A., fachadas de lavagem de dinheiro com fins nebulosos.

I de insucesso. O caminho do bom aluno da Europa foi afinal um caminho Inglório.

I de inveja, de invejosos, de gente irritada com o facto tão humano de outros pensarem diferente.

I de insegurança. Portugal está a saque. A criminalidade aumenta a olhos vistos. Homens que sequestram e espancam a mulher têm como medida de coação uma distância mínima da vitima de 150 metros! Podem quase morar na mesma casa…

I de irresponsabilidade. Ninguém é responsável, ninguém quer responsabilidade por nada, nem ninguém está disponível a assumir quota de participação no caminho que foi seguido.

I de idiotas. Porque todos somos responsáveis pelo caminho que seguimos, uns por participação, outros por omissão.

I de imperativo. É imperativo mudar, e é imperativo injectar capital e capital de confiança neste País. E se os únicos que nos derem tempo forem os Sr.s do FMI, acho que é melhor do que o cobrador do fraque. Porque o default é semelhante ao Incómodo de ter um cobrador “à perna”: Vergonhoso.

segunda-feira, março 28, 2011

Crise

O Príncipe herdeiro da coroa inglesa e sua esposa, Camila Parker bolas, iniciaram hoje uma visita de 3 dias a Portugal. Parece que já foram recebidos pelo casal representante da monarquia pasteleira deste País, os Silva, que na pessoa do homem lá da casa, muito honra o bolo que por cá homenageia os reis.

Diz a comunicação social, que o dito par vai oferecer um banquete ao Sr. que veste saias e joga polo, e à sua esposa pecadora, oriunda da nobreza, mas que parece que é mais galdéria, aos olhos do povo, do que era a falecida esposa do Carlos. É melhor dizerem que quem oferece o banquete somos nós, os contribuintes, porque se o Sr. Silva tivesse de pagar, iam seguramente comer o prato do dia na cantina do Campus Universitário.

O governo demitiu-se.

Com muita tristeza da malta, o Socras, como carinhosamente é tratado, vai recandidatar-se pelo seu partido, como figura maior de um novo governo. Ganhou as eleições internas com mais de 90% dos votos, sinal da pluralidade socialista, caso contrário teria 99.

Esta semana, o Lula e a herdeira, Dilma, vêm também a Portugal. Não se sabe ainda quem vai pagar o tacho, mas não sou seguramente eu, e o PCP diz que não cabem todos na cantina da Soeiro Pereira Gomes. Contudo, disponibilizou a Quinta da Atalaia para os brasucas montarem acampamento, se quiserem ocupar o lugar do Kadhafi na liderança dos escuteiros socialistas maçónicos.

Entretanto, o líder da oposição, Marce…, desculpem, Pedro Passos Coelho, encheu-se de coragem e pôs à prova o seu inglês em Bruxelas para garantir que tudo correrá pelo melhor para os Bancos a quem devemos dinheiro.

O Armando Vara, depois de ir buscar um atestado ao Médico de Família, foi ao BCP buscar a indeminização pela quebra de contrato. Recebeu uma pipa de massa e a Standard & Poor’s desceu, quase de imediato, o rating desse banco para quase lixo. Eu já achava o mesmo do dito banco e não sou analista económico.

Entre todos estes assuntos há um denominador comum, a crise.

As crises são janelas de oportunidade. Para todos.

Por cá, crise, só para alguns.

Sabem o que mais me irrita? Toda esta gente se serve do País. Falam muito do antigo regime, mas, pelo que dizem os antigos, sabiam todos com o que podiam contar.

Estes gajos baixaram a política a um nível tal, a bandalheira é tanta, que já ninguém sabe com o que contar. Não há a mais ínfima esperança no futuro. As pessoas olham para o para os diversos partidos e não vislumbram esperança. Acham, porque lhes vendem essa ideia, que são todos farinha do mesmo saco. Não são, nem podem ser considerados como tal.

As crises são recorrentes, sempre existiram, preocupante é a falta de esperança no futuro e um rumo para esta gente.

E decoro nos gastos, porque mesmo insignificantes, esses gastos são um insulto para quem anda com as calças na mão.