quarta-feira, junho 24, 2009

The Return to innocence

“Thats not the beginning of the end, thats the return to yourself: The return to innocence”

Sucesso da década de 90, que ainda hoje nos faz pensar que ser alguém ligado ao esoterismo ou perito em meditação transcendental, seria mais fácil com musicas assim.

Há na musica em geral algo de mágico, algo que nos faz ser gente simples, simpática, carinhosa e mesmo bastante mais desinibida que o habitual. Existe em muitas o cariz transformador, que normalmente nos leva para o que mais desejávamos ser; um encantador de almas, gente bonita que vagueia pelo mundo distribuindo o que mais queríamos para nós próprios.

Quem olhava para os movimentos libertadores e carregados de amor e paz que grassavam nos anos 70, podia antever um mundo livre de armas, onde as pessoas faziam amor onde lhes desse na real gana, nunca ferindo ou atropelando a vontade dos outros, dando a todos a liberdade de decidir sem pressão de qualquer espécie.

E depois há o lado da revolta, revolta pelo que não têm os que a cantam, pelas bandeiras que empunham levando nas gargantas o sentimento de comunidades oprimidas e insatisfeitas com a vida que lhes proporcionam os seus líderes.

A música liberta-nos a mente, faz-nos viajar por um infindável mar de vidas, de experiências, de sentimentos em que, existe sempre uma ou outra, nos revemos ou nos imaginamos. Faz-nos sonhar.

É mesmo: The return to innocence.

segunda-feira, junho 22, 2009

Também e principalmente

Após algumas transcrições de textos, e porque a principal virtude de alguém que tem um espaço como este é a capacidade de partilha, decidi publicar uma excelente escolha.

Como aprecio as tuas, diga-se, excelentes opções musicais, aqui fica uma música da minha vida, que provavelmente também é da tua.

Se houver quem não goste, que aprecie o silêncio…

domingo, junho 21, 2009

O maior piquenique do mundo!

Portugal no seu melhor.

Quando recebo um e-mail com este título, já sei que vem lá galhofa com o que de mais parolinho por cá se faz. Este dia deve ter dado para recolher assunto para um ano de correio electrónico humorístico. É triste, mas é a verdade. O Sr. Belmiro tinha lá uns chouriços e broa quase fora de prazo, e em vez de matar a fome a quem precisa, promove um ajuntamento de fans do Tony Carreira (este é que devia ir para o Guiness) e acha, a julgar pelo discurso do seu director de marketing, que a sua fantástica rede de supermercados é que provocou tudo aquilo.

Parece que até o aplauso foi o maior do mundo.  E então os milhares que se juntam por esses estádios de futebol fora, muitas vezes em numero superior aos ditos 30.000, quando aplaudirem, a partir de agora, entram para o guiness?

Entretanto em Lisboa, uma câmara do serviço publico de televisão seguia o CR7, tentando arrancar umas palavras do menino de oiro, arrancando este a grande velocidade ao volante de um dos seus bólides. Fica a notícia da visita à loja da irmã, parece que na companhia do irmão e do cunhado.

Triste serviço publico que transforma o país num gigantesco piquenique, em que nem o director se safa, ao dar um tamanho pontapé na gramática com a frase: “há aqui pessoas que vieram de todo o país”. Devem ter dado a volta ao território no autocarro do Modelo…

Futebol e piqueniques, é esta a nossa triste realidade…

sábado, junho 20, 2009

Cabras

“Por mais delicadas que sejamos o mundo acaba sempre por nos transformar numas cabras, de modo que, mais vale nem sequer tentarmos ser excessivamente simpáticas.” R.A.

Esta citação é o cabeçalho de um blogue. Parece que serve para passar a mensagem de sexo forte e dominador (as cabras são guerreiras e teimosas), mas, quanto a mim, não é mais que uma acertada definição que as mesmas arranjaram para se designarem.

A frase é delas…

sexta-feira, junho 19, 2009

No caminho

Um amigo dizia-me para, em função da vida, gozar e viver como se todos os dias fossem o último.

Não creio. Em primeiro lugar, ninguém o faz no seu perfeito juízo. Não vá haver outro e outro consecutivamente, ou simplesmente porque não se querem transformar em alcoólicos.

Os dias devem, na minha modesta opinião, viver-se da melhor maneira possível. Devemos é, e acima de tudo, ser leais para com o nosso Eu. Somos nós, em primeiro lugar, que temos que estar de bem para connosco e com o mundo à nossa volta. Caso contrário, e como facilmente se nota quando assim não é, piorámos a nossa qualidade de vida e a daqueles que mais nos preocupam, ou  a quem mais queremos bem.

Acho que estou no caminho. Não, não acho que atingi o meu zen existencial, mas acho que o rumo que tracei e que tento percorrer é o que mais me agrada.

Agora, há gente que vive mesmo com essa máxima. Atropelam tudo e todos, pensam apenas e só em si próprios e no que mais lhes convém, não sabendo eles que tudo o que fazem ou desejam aos outros a vida lhes devolve, e por vezes em dobro.

Pois é…

quinta-feira, junho 18, 2009

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...Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...
Pablo Neruda

Desculpa Pablo, mas não concordo. O texto, além de confuso, demonstra que este sentimento é tão português, que outros não o conseguem descrever como nós o sentimos.

Pois é…

quarta-feira, junho 17, 2009

Pois é…

A vida gira ao ritmo, às vezes alucinante, de 24 horas por dia, 365, ou 366 dias por ano. A idade avança, o tempo passa e nós, quase sem darmos conta de que a contagem, ao contrário do que muitos pensam, é decrescente. O tempo, valioso crédito que nos é concedido, que vamos gastando como queremos, às vezes como podemos.

Passamos anos a estudar, a brincar, a descobrir, por vezes a experimentar. Acumulamos tudo num espaço virtual, embora físico, a que chamamos memória. Somos memória, somos passado e caminhamos para o futuro incerto.

Amadurecemos, ganhamos mais consciência do que somos, vamos continuando a perder o que tínhamos e a acumular bagagem. Vem a saudade. De tudo o que ficou, de tudo o que queríamos e não tivemos, de tudo o que passámos e vivemos.

Ficam as memórias. Muitas.

E o que somos e nos acompanhará para sempre, a alma. Conjunto de vivências, experiências e estados de espírito.

Li ontem num dos blogues que sigo, da ilustre Helena Sacadura Cabral um texto fabuloso, como quase todos da autora, que a seguir transcrevo e que define um estado de alma tão comum a todos que têm afectos e que, ao amadurecerem, tomam consciência da única certeza do futuro: a perda. Que gera:

Saudade

“Saudade é nunca sabermos de quem amamos, e muitas vezes, até, não sabermos porque as temos. Mas saudade da mãe que se perdeu, do homem que se amou, do filho que partiu, é um sentimento sem tradução, é a mais dolorosa das nossas nostalgias.
Inexplicavelmente, hoje, só hoje, tenho saudades não daquilo que perdi, mas sim de mim, na época em que não sabia o que eram perdas.” http://hsacaduracabral.blogspot.com/2009/06/saudade.html

Pois é…

domingo, junho 14, 2009

Meditação

Se consultarem um dicionário vão descobrir que, no fundo, a meditação, não passa de um acto de contemplar. Sim o sinónimo de meditação é mesmo contemplação. Que não passa de um acto de olhar muito tempo e com atenção.

Ora. olhando eu para a actualidade só vislumbro merda. Perdoem-me a sinceridade mas isto, e isto é o estado a que ISTO chegou, está pelas ruas da amargura. Contudo, se nos dermos ao trabalho de meditar, ou melhor, de olhar com muita atenção, vemos que nem tudo é assim tão mau. Não fossemos nós craques em ver coisas boas no meio de tanta coisa má, bem como perfeitamente capazes do contrário. Afinal, o jogador mais caro do mundo é tuga. E o gajo anda pelos States a engatar a solteira mais cobiçada do planeta. Até já temos enviados especiais em Madrid e Los Angels para cobrirem a chegada do craque sabe-se lá onde…

É isto que me faz pensar que, (lá estou eu a meditar), estou no país certo para ser famoso sendo banal. As banalidades, que não passam de futilidades, são sempre motivo de grande debate neste País. Não há cidadão que não opine sobre tudo e mais alguma coisa, não gostam é de ter de se deslocar seja onde for para terem voz em algo que seja verdadeiramente importante, como votar. Só se a assembleia de voto for no Algarve. Hoje a fila de regresso tinha, pasme-se, cerca de 20km de extensão. E os pacientes integrantes da dita, diziam que eram os ossos da carne que haviam comido toda a semana. Pois. Os nossos políticos são como as filas de fim de férias. Não os desejámos, nem sequer votamos, mas temos que levar com eles. E como com as filas, limitámo-nos a dizer mal, sem nada fazer-mos para alterar seja o que for.

Quem me manda a mim meditar…

segunda-feira, junho 08, 2009

O gajo dos botões de punho

Não tenho por ambição fazer deste blogue um espaço de reflexão política, mas, atendendo à conjuntura, vou fazer uma breve análise (completamente leiga, se bem que todo o homem é político) aos resultados de ontem.

Assim, e como dizia o Ricardo Araújo Pereira, parece que todos ganharam. Uns porque não desapareceram, outros porque aumentaram a percentagem de votantes, outros mesmo porque ultrapassaram a linha de água e estão já no pódio. Mesmo o grande derrotado venceu, porque a crise é que foi derrotada.

Afinal ganhou mesmo o tipo dos botões de punho, com ar de beto que dá aulas de etiqueta. Os partidos da extrema-esquerda subiram exponencialmente as respectivas votações, fruto da governação à direita do único partido democrático de esquerda. E ainda se admiram! Então a malta, em 2005, já fartinha do rigor da direita, que faz o favor de tentar manter as contas em dia (de tentar) e de distribuir tachos, vira à esquerda, e a única coisa de esquerda que obtém é a despenalização do aborto????  

E se ganham as próximas legislativas vem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ora, sendo assim, o eleitorado de esquerda virou à esquerda. Querem mais esquerda e já viram que do Eng.º só mesmo amostra de esquerda.

Quanto a mim, que quero para a economia e sociedade em geral, menos estado, logo, menos lugares dos políticos, mais economia, mais empreendedores,  melhor regulação, sem acção, este é um péssimo sinal. Daqui por uns anos, temos revisores de contas do estado nas empresas. Acho que não é o caminho.

Acima de todos, perdeu a comunicação social. Acham, com a arrogância de quem acha que sabe medir o sentimento geral, que só eles sabem o que é melhor para todos nós. Dão-se ao luxo inclusive de decidir sobre quem é melhor ou pior para liderar um partido. Fazem sondagens, ou encomendam, com resultados direccionados, que falham redondamente. E caem no ridículo de revelarem nova sondagem com 2110 chamadas telefónicas validadas, quando se revelam resultados com mais de 3 milhões de votantes. RIDÍCULO!

A SIC, televisão de gente queque da esquerda moderna, dá-se ao cúmulo do ridículo. E depois pedem opinião sobre coisa ridícula. É este o triste contributo de uma televisão que se diz rigorosa. E ainda falam da Manuela Moura Guedes…

Deram-se ainda ao ridículo de andar durante toda a campanha a ridicularizar a dos partidos com menos organização mediática. Ora porque tinham pouca assistência nos comícios, ora porque retardavam as acções de campanha para terem mais gente presente. A do PS era um espectáculo todos os dias, “organização, comunicação e mesmo mobilização à Obama”. Tristeza a deles quando olhavam ontem para o espaço vazio do Altis. Como dizia o Ricardo Araújo Pereira, a crise chegou ao Altis. Como se as agências de comunicação ganhassem eleições. Se assim fosse, e atendendo à excelente assessoria, Avelino Ferreira Torres teria ganho a Câmara de Amarante.

Termino, com a firme convicção que, afinal, perdemos todos. Isto hoje continua na mesma. Não tenhamos ilusões, já não somos governados por cá, e ontem, 62% dos eleitores perderam a oportunidade de se pronunciarem acerca da Europa e do rumo que segue. Perdeu-se mais uma oportunidade de dizer basta a este estado de coisas em que nos atolámos.

Só ganhou o gajo dos botões de punho…

Pessoas

Gosto muito de conhecer gente interessante, inteligente de preferência, que me faça somar conhecimento e vida à minha.

O meu trabalho obriga-me a lidar com gente mais ou menos interessante, mais ou menos inteligente, mas faz-me conviver todos os dias com pessoas.

A minha vida pessoal, leva-me sempre atrás das pessoas. Tenho ânsia de conhecimento, não sei que bicho me mordeu em pequenino que não há onde não busque. Parece que agora, com as novas tecnologias, o meu desiderato se tornou mais complicado. Nunca sei quem será de confiança.

Num destes dias, um amigo, com vontade de se vingar de uma amiga colorida, pediu-me que adicionasse como amigo numa daquelas páginas mais ou menos pessoais, uma figura masculina. Essa figura não era senão ele, mas melhorado. Era um plágio de uma foto de um moço musculado, cuja cara não é visível.

O caso fez-me reflectir. Afinal, o que temos hoje nessas páginas no separador que diz “amigos”, será apenas um grupo de gente incógnita. Os melhores amigos (não tenham ilusões, isso não se decreta) os que realmente conhecemos, e, na busca de um número engraçado que seja o reflexo da nossa popularidade, um monte de gente sugerida pelo programa,  que adicionámos. Assim, mesmo virtualmente, somos uns gajos interessantes.

O perigo é mesmo esse. Se somos interessantes, viramos duvidosos.

quarta-feira, junho 03, 2009

Há coisas enervantes. A política cada vez mais, a crise cada vez menos, a hipocrisia sempre.
Acho incrível a memória curta das pessoas, qual mentira com a mesma medida de perna.
Isto, devido à época eleitoral que atravessámos. Já não tenho pachorra para os candidatos, que, à imagem do que nos têm habituado, não passam de "betinhos" à procura de um bom resultado para satisfazerem os líderes, ou, no caso do Sr. de cabelo branco, para provarem o sabor de tudo contra o que lutaram durante anos.
Vou votar. Acho que a abstenção não é solução, é apenas o deixar para esses cromos a responsabilidade das opções que deveriam adoptar por aquilo que apregoam.
Vital, como ex-comunista, nunca teria o meu voto. Não por ser ex-PC, mas antes porque se tornou um pasquim. É arrogante, e goza com o povo quando diz que a crise é mais mediática que real. Rangel, não. Não gosto da figura que quase rebenta pelas costuras de tão gordo e os botões de punho irritam-me.
Nuno Melo, talvez. Apenas porque é de Braga, cidade que me é muito querida. Mas quando vejo o Sr. Colgate white ao seu lado, mudo de ideias.
Mais à esquerda, sentia-me contrariar tudo aquilo em que acredito, menos Estado na economia, mais regulação, mas iniciativa privada sempre. Este estado de coisas a que chegou Portugal, onde quem tem muito dinheiro tudo atrasa (obras, falências, julgamentos, leis, segurança, etc.), onde a subsídio-dependência atingíu o ridículo, onde os Réus gozam com os Juízes e estes com os Polícias, onde ser cumpridor da Lei e das regras da sociedade é ser uma espécie de "otário", é o culminar de longos anos de políticas de facilitismo. Desde a criação de subsídios para "escolarizar" quem não quer ir à escola, até subsídios para deixar a toxicodependência, todos estes e mais alguns sempre superiores aos atríbuidos a quem realmente precisa, esta mania do Estado socialista querer dar liberdade para a libertinagem, onde uma miúda de 15 anos não pode fazer um piercing sem a autorização dos Pais, mas pode abortar sem estes saberem, leva-me à triste conclusão que o que deveria ser normal, está a tornar-se raro. A ausência de valores existente na vida política nacional, sem alternativas de valor à vista, leva-me a pensar que se calhar, vou dar o meu voto a um desses movimentos criados recentemente e que, graças à Lei Eleitoral, recebem os 30€ correspondentes. Pelo menos não o vão gastar em bandeiras e bonés para dar aos estoicos resistentes que ainda vão aos comícios.
O SONHO

Pelo Sonho é que vamos
comovidos e mudos
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos
com a mesma alegria
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

Partimos. Vamos. Somos.


(Retirado do blogue de uma amiga. Gostei, logo... copy, paste!)
Andei todo o fim-de-semana a pedir um aguaceiro, mas tal desejo não me foi concedido. Parece que o número de pessoas a pedir bom tempo era superior aos incomodados pelo excesso de gente que afluí às praias.
As mamãs a gritar com os meninos, os meninos a ignorar, as mamãs a ameaçar,...
Não há como um dia de calor para recordar que viver na praia se assemelha a uma invasão de propriedade quando há bar aberto. Tudo cá vem ter. Eu até acho muito bem, devia era ter dinheiro para me evaporar ou pagar para a malta fugir para as praias vizinhas. Não que ache que não lhes assista o direito de virem para a praia da Madalena, apenas porque isto perde a piada com a afluência em massa. Fora isso tudo bem.
Um café e um aguaceiro!

terça-feira, maio 26, 2009

Frases que gostei

“A religião não é o ópio do povo, é o placebo.” – Anónimo

“As coincidências são a forma de Deus se manter incógnito.” – Einstein

Como é que é possível de ter gostado tanto de duas frases tão antagónicas? Mas gostei.

Regresso

Após prolongada ausência deste meu espaço dedicado à reflexão (não porque o não quisesse, mas os afazeres profissionais impunham-se), regresso com prazer e com vontade de partilhar algumas frases que me fizeram pensar. Provavelmente, algumas são já conhecidas e todas elas plagiadas. Dou-me ao prazer da escrita, contudo, não me vejo a pensar frases que sejam marcantes e que resumam tão bem alguns dos meus pensamentos.

Um amigo meu tem pendurado na parede da sua empresa o seguinte pensamento:

“É muito melhor lançar-se à luta em busca de triunfo, mesmo expondo-se ao insucesso, do que formar fila com os pobres de espírito, que nem gozam muito, nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota.”

Não podia concordar mais. Aliás, acho que é o resumo da minha vida.

terça-feira, abril 28, 2009

Gripe dos porcos

Vulgarmente conhecida como gripe suína, patologia que se coíbe de vir para este caos em que se encontra Portugal.

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Como andam por cá as pandemias, nem os bichinhos aqui chegam. Mas com este piscar de olho a um novo Bloco Central (como se alguma vez nos tivesse abandonado), ainda vai aquecer o ambiente acima dos prometidos 70º que matam os bichinhos.

Eu aposto, que com o aproximar das altas temperaturas de verão, vão mudar o Terreiro do Paço para a Amareleja, terra conhecida pelos recordes de calor. Assim tão chegadinhos ultrapassam com certeza o limiar de resistência da “influenza”.

segunda-feira, abril 27, 2009

Correio publicitário

Andava há uns dias para publicar um texto acerca deste assunto. É incrível a quantidade de publicidade que nos colocam na caixa de correio. Com a quantidade de eleições que por aí vêem, acho que vou colocar o autocolante da praxe para quem não quer receber nada. O pior é que há coisas que até são interessantes, que ocupam espaço sempre útil no wc lá de casa. Sempre nos entretemos enquanto fazemos coisas pouco entretidas em si mesmas. Pode sempre evitar uma espreitadela à cor do produto expelido (os médicos aconselham…), embora ache inevitável olhar, pelo menos, para o papel (enquanto se dobra), ou conhecem alguém que o não faça?

Adiante, o certo é que deveria haver outra forma de seleccionar os panfletos e jornais publicitários, em lugar de os distribuirmos pelas caixas de correio dos vizinhos… 

Ou conhecem alguém que não o faça?

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domingo, abril 26, 2009

Liberdade

 

Nasci pouco antes do 25 de Abril, tendo apenas a experiência daí resultante, mas acho que nestes anos todos, em matéria de liberdade, regredimos. E porquê? Porque perdemos o sentido da palavra. Passamos da vontade de sermos livres ao exemplo de libertinagem. Irrita-me o facto de as pessoas acharem que a liberdade individual é superior à colectiva. Já não há o sentido do bem comum, diluiu-se no tempo. As pessoas acham que não têm nada a ver com tudo o que as rodeia. Já ninguém quer saber dos outros, vivemos cada vez mais fechados em nós e nos nossos, no nosso núcleo de família e amigos. Estamos a tornar-nos um povo egoísta. Éramos uma espécie de bairro antigo, uma Alfama gigante, ou uma Ribeira estendida. Todos nos preocupávamos com os nossos mas sem esquecer o comum. Tudo isso se perdeu para cada um, individuo.

O País está transformado num condomínio de luxo, onde todos entram pela garagem e só nos conhecemos pelos carros. As pessoas da manutenção que tratem do resto...

P.S.: Este texto foi publicado no Blogue Fio-de-prumo, como comentário a um post da autora do dito a respeito do tema. Como autor do mesmo tomei a liberdade de o colocar também aqui.

Pão com manteiga

Hoje volto à escrita. Volto às futilidades que aqui descrevo. Futilidades, não às opiniões. Acho que a blogosfera se tornou uma espécie de coluna do leitor, não auditada, o que no fundo é o reflexo de uma liberdade sem limites. Os limites somos nós mesmos, e eu, como nº primo, acabo agora uma semana em que simplesmente não me apeteceu escrever. Não me fez falta, nem a vós, que eu carinhosamente seleccionei para receberem esta crónica.

Ontem, depois do jogging, depois do banho e já depois de uma bela sopinha, deu-me para comer pão. Nada de anormal, não fosse o caso de eu pura e simplesmente, raramente o fazer. Comi 2 pães COM MANTEIGA! Lembrei-me de repente dos tempos em que era uma raridade em casa dos meus pais haver sequer manteiga. Somos 7 irmãos, comíamos uns 50 a 60 pães por dia, e, dizia a minha mãe, se houvesse manteiga, dobrávamos a quantia. Era pão a mais. Mas, de vez em quando, havia marmelada, geleia, doce de abóbora, e todas aquelas doçarias tradicionais que hoje nenhuma mãe sabe fazer. Mas de todas as iguarias, a que melhor me sabia era mesmo a manteiga. As coisas simples sabem sempre bem. Ontem, ao saborear tal petisco, lembrei os tempos em que a Tia Sílvia me fazia as torradinhas antes de ouvirmos o Terço no seu velho rádio (que ainda guardo). Lembrei os tempos em que, estando o pão “guardado” para não marchar todo de empreitada, fritávamos broa e a enchíamos de  margarina (o colesterol não se queixava…). Lembrei os tempos de Seminário, em que a manteiga se comprava na papelaria a 25 escudos o pacote. Soube-me lindamente.

Enfim, as banalidades dão sentido à nossa existência. Nós somos o nosso passado. A nossa tralha, o que trazemos de experiências vividas, de memorias, de afectos, é o que havemos de levar sempre, não podemos fugir delas. Nem mesmo dos hábitos mais banais e aos quais nem ligamos. Um dia mais tarde, ao recorda-los, havemos de lhes dar o devido valor.