domingo, março 07, 2010

A raça do alentejano

 

Recebi este texto por e-mail, de um alentejano puro.

Se a definição for errada, eu encaminho as reclamações.

Não sei quem é o autor do texto, mas é digno de divulgação.

“A raça do alentejano?
É, assim, a modos que atravessado.
Nem é bem branco, nem preto, nem castanho, nem amarelo, nem vermelho....
E também não é bem judeu, nem bem cigano.
Como é que hei-de explicar?
É uma mistura disto tudo com uma pinga de azeite e uma côdea de pão.
Dos amarelos, herdámos a filosofia oriental, a paciência de chinês e aquela paz interior do tipo "não há nada que me chateie"; 
Dos negros, o gosto pela savana, por não fazer nada e pelos prazeres da vida;                                                                       Dos judeus, o humor cáustico e refinado.
As anedotas curtas e autobiográficas;
Dos árabes, a pele curtida pelo sol do deserto e esse jeito especial de nos escarrancharmos nos camelos;
Dos ciganos, a esperteza de enganar os outros, convencendo-os de que são eles que nos estão a enganar a nós;
Dos brancos, o olhar intelectual de carneiro mal morto;
E… dos vermelhos, essa grande maluqueira de sermos todos iguais.
O alentejano, como se vê, mais do que uma raça pura, é uma raça apurada.
Ou melhor, uma caldeirada feita com os melhores ingredientes de cada uma das raças. Não é fácil fazer um alentejano.
Por isso, há tão poucos.
É certo que os judeus são o povo eleito de Deus.
Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus:
Nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor certificado da sua qualidade.                                                                     Conhecem, por acaso, alguém que preste que já tenha sido eleito para alguma coisa?
Até o próprio Milton Friedman reconhece isso quando afirma que «as qualidades necessárias para ser eleito são quase sempre o contrário das que se exigem para bem governar».
E já imaginaram o que seria o mundo governado por um alentejano?
Era um descanso.”

sexta-feira, março 05, 2010

Sinais dos tempos

Tenho reflectido sobre os acontecimentos dos últimos dias, mesmo semanas.

Reflectir é uma capacidade que nos atrapalha as ideias, muitas vezes faz-nos pensar no melhor para alguém que não nós próprios, o que, diga-se, não é muito inteligente.

O mundo anda numa agitação constante há milhares de anos, mas agora que somos muitos, as consequências dos abanões são sempre mais devastadoras. Mesmo no plano pessoal, e com a evolução constante da humanidade e dos meios ao dispor das sociedades desenvolvidas, as decepções e conquistas são mais suadas e difíceis.

O homem, numa ânsia de comodidade, tudo atropela. Natureza, tempo, outros seres humanos, sentimentos, vontades, tendências, enfim, todo um conjunto de imperativos que passaram para segundo plano, quando comparados com o nosso bem estar.

A comodidade leva-nos a olvidar os princípios básicos de uma sociedade.

O respeito faz parte da minha concepção de sociedade. Não me vejo a viver com a indiferença com que se apreciam casos de bullying, sejam eles numa escola ou na sociedade em geral.

Todos nós tivemos arrufos com colegas de escola, ou noutra qualquer circunstância, sendo que quem tinha a obrigação de nos orientar, fosse professor, superior, familiar ou alguém mais velho, normalmente se impunha sobre os nossos ímpetos, fazendo com que o bom senso de alguém mais maduro imperasse.

A anormal sensação de falta de respeito generalizada, pelos professores, autoridades de polícia ou justiça e mesmo pela família, demonstra que o sonho de muitos, que pensaram uma sociedade livre e justa, esbarrou no medo da autoridade.

O respeito pelos outros não deve ser abolido desta sociedade, mesmo correndo o risco de excesso de autoridade, ou corremos o risco de a convivência ser insuportável.

Como será possível que um miúdo de 14 anos, detido depois da 1ª violação e depois de 3 tentativas, dependa da bondade da mãe para que as autoridades pensem em o colocar em internamento compulsivo, de onde, muito provavelmente, vai fugir?

Como é possível que um miúdo de 12 anos chegue à conclusão que a única saída para os abusos que sofre é o suicídio?

Que sociedade será esta em que o estado não pode penalizar, em nome de um colectivo, alguém que não respeita os valores comuns?

Já ninguém respeita ninguém.

E continuamos a assobiar para o lado.

Sinais dos tempos…

terça-feira, março 02, 2010

Assim, não!

Acho sempre difícil alguém fazer sacrifícios, sejam eles quais forem.

Admiro todos aqueles que vão ao Mc Donald’s e bebem Coca-cola zero, os que vão ao café e tomam o dito com adoçante a acompanhar o belo do croissant, que pedem sempre salada para acompanhar os rojões, etc.

Mas quem admiro bastante mais são os que, à medida que crescem os dias, começam a luta contra os quilinhos acumulados, numa guerra com o tempo ou com a falta dele.

Admiro quem luta contra o tempo, contra as tentações e contra os erros. Ou quem os tenta emendar.

Admiro quem atravessa na passadeira, quem espera pelo sinal verde para os peões, quem sempre acha que o bem comum está à frente do individual.

Admiro-me quando vejo alguém dizer que não tem problemas, todos temos.

Admiro mesmo muito quem reconhece os seus erros, quem vê em si próprio o mal que, cristalinamente, vislumbra nos outros.

Admiro quem consegue lutar contra ventos e marés, quem rema para o lado em que acredita, apesar dos que teimam em soprar ao contrário, fazendo crer aos próprios que a brisa é contrária.

Admiro os cientistas que nos ajudam na busca de qualidade de vida, que nos “decifram” e que nos mostram os caminhos.

Admiro o gajo que inventou o Facebook.

Admiro os Filósofos que, na antiguidade, descobriram tanto sobre nós.

Admiro os homens.

Não admiro de forma nenhuma é que se vá gastar a quantia exorbitante de 200.000€ num palco para apenas uma celebração do Papa.

Não é admirável de forma nenhuma que, os seguidores do Homem que correu com os vendilhões do Templo, que praticou a simplicidade entre nós, ostentem tanta riqueza e esbanjem tanto.

Não é um bom exemplo. Tornam-se pouco admiráveis.

Ao menos corrijam o erro. Só pode ter sido…

domingo, fevereiro 21, 2010

Mundo cão virado ao contrário

Um destes dias dizia-me um amigo que o mundo era uma merda. Não concordo. Às vezes a vida é madrasta, mas o mundo não é assim tão mau, pelo menos, não tenho uma classificação tão redutora.

Há alturas em que a vida parece não fazer sentido absolutamente nenhum e acenderem-se luzes que nos guiam.

Há sempre sinais que nos chegam nas formas mais estranhas, que nos mostram caminhos, alternativas para uma vida que é única.

É agora. É este o nosso tempo. É agora que temos de fazer com que o tempo que aqui passarmos faça sentido.

Não podemos, não posso, não podes fazer do mundo o mundo de todos. O mundo é teu, e quando te alheias do teu mundo levas para um lugar obscuro e sombrio todos os que tentas agradar.

A vida, por muito que nos magoe, é quase sempre um desafio à altura de heróis. Por isso é que a grande maioria de nós se sente deslocado do seu mundo ideal.

Mas pode alguém abstrair-se do mundo que o rodeia e fazer sem olhar a quem magoa?

É a pergunta que se nos depara em enumeras situações, naquelas alturas em que não fazemos porque achamos que vamos magoar alguém, ou desiludir.

Enquanto assim pensarmos somos apenas mais um no meio de muitos que não vivem. Passamos o tempo a lamentar o que nos estava destinado. O destino somos nós que escolhemos.

Dizem os crentes que Deus deu ao homem o livre arbítrio. É nosso o direito de escolha, é nosso o nosso íntimo desejo. Mas esta sociedade que sempre se dispõe a avaliar e classificar comportamentos e vontades, é má companheira de vida.

É esta sociedade que nos proporciona os sonhos, paixões e desejos que depois nos leva a questionar o que achamos que é ideal para a nossa vida. E ata-nos as mãos, tolhe-nos os pensamentos e mata-nos os sonhos.

Mundo de merda? Não.

Mas ladrões de sonhos construíram uma sociedade que não nos liberta para a vida.

Poesia

Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes
que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu que reunias pedaços
do meu poema reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me
qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer

Mia Couto

domingo, fevereiro 07, 2010

Tributar os bancos já!

O presidente da associação de bancos defende um aumento de impostos para que Portugal recupere a credibilidade.

Para darem o exemplo, diz que vão subir os spreads, devido à subida dos juros na fonte.

Defende-se dizendo que a rentabilidade dos bancos desce continuamente, à medida que cresce a taxa de juro que pagam aos financiadores estrangeiros.

Eu, como contra-medida, acho que se deve aplicar aos bancos, com efeito retroactivo e imediato, um taxa excepcional de 40% sobre os lucros do último ano. Acho que não se deve tributar mais os lucros de 2008, visto que foram anormalmente baixos.

Com a lata destes senhores aplicada no Ministério das Finanças, faziam-se actos de gestão do tipo: Partir o porquinho das poupanças das prendas de Natal, para pagar ao merceeiro.

Porque raio é que esta gente acha que deve continuar a assobiar para o ar, a mandar bitaites para a comunicação social, e anunciar reiteradamente lucros que nos fazem corar de vergonha, quando confrontados com a miséria crescente em Portugal?

Quem me conhece sabe que não sou propriamente defensor de radicais medidas de ataque ao capital. Talvez por medo do desconhecido, por sentir que o capitalismo em que vivemos é o melhor sistema, que permite uma razoável humanização da sociedade, que faz com que as pessoas possam sonhar sem achar que os sonhos são inatingíveis. Mas assim, com quem se aproveita de um sistema que deveria servir a todos, para, cegamente, buscar forma de agradar a alguns, temo que a democracia esteja em risco.

Pena é que tudo aqui seja importado, até as revoluções. Devíamos ficar pelo dinheiro…

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Faits divers

São fatos desconectados de historicidade jornalística, ou seja, referem-se apenas ao seu carácter interno e seu interesse como fato inusitado, pitoresco.

É este o significado da expressão francesa.

Enquanto navegava pelas páginas do ciberespaço, dei com vários. O que mais me espantou foi o facto de as reportagens mais lidas no site de um dos jornais lideres em audiência no nosso País, serem as referentes aos assuntos mais parvos e pitorescos de uma sociedade que já se alheou completamente da realidade que a possa afectar.

Com larga vantagem, estava a noticia que dava conta do incêndio que devorou o carro do marido de uma conhecida apresentadora.

Em segundo vinha (com pouca vantagem sobre a notícia de uma prostituta querer mudar de vida) a notícia de uma actriz internada compulsivamente numa ala psiquiátrica por ter atacado a avó à facada.

Por fim, em quarto lugar, destacava-se uma peça que narrava a vingança de uma amante ofendida, que ao saber que o “moço” que frequentava a sua cama era casado, atraiu-o para um Motel e, à boa maneira de Hollywood, colou-lhe o pénis à barriga. Chamou outras três ex-enganadas e celebrou a vingança.

Ninguém se preocupou com o País, a política que temos ou o orçamento que nos vai governar. Nada.

Continuamos como até aqui.

Assobiamos todos muito bem e queremos saber o que vai em casa da vizinha.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Periférico? O Porto não!

Entre outros assuntos, está em análise a rentabilidade das linhas de alta de velocidade.

Diz um estudo feito vá-se lá saber por quem, que o Aeroporto de Lisboa, o novo, se paga a ele próprio. Diz ainda que a linha Porto-Lisboa e Porto-Vigo serão deficitárias e não gerarão o suficiente para se pagarem a si próprias. Parece que rentável só é a linha Poceirão-Caia (!). A malta de Lisboa tem mais hábito de ir comprar caramelos à fronteira.

Mas porque raio é que acham que uma linha de TGV nos dá centralidade? Mas será que Málaga ou Sevilha cresceram com o TGV? Dizem que sim, nas férias da Páscoa. Mas se o Zé povinho gosta tanto do bólide e é tão bem servido de Auto-Estradas, porquê mais uns milhões numas linhas de comboio?

Não seria mais rentável a expansão da rede do metro?

Não seria mais rentável o incremento das verbas a distribuir pelas autarquias por onde vai passar o TGV, para que estas se desenvolvam e evitem a excessiva centralidade de Lisboa?

Será que os nossos governantes ainda não repararam que o que evita o desenvolvimento do País é o excessivo protagonismo da capital em relação ao resto do território?

Periférica está Lisboa de tanto chamar a si o centro do que não consegue controlar: A geografia.

Não vai ser o TGV que os vai aproximar do resto da Europa. A única cidade que o TGV vai tirar da periferia ibérica será Vigo.

O Porto nunca lá esteve. Daqui nasceu Portugal.

sábado, janeiro 30, 2010

Belmiro de Azevedo em entrevista à Visão

Não que o ache a pessoa mais indicada para reflectir as preocupações da generalidade dos portugueses, mas, para quem não leu, ainda, a entrevista que deu à Visão, aqui ficam alguns tópicos, com alguns comentários que, livremente, acrescentei.

SONAE - "É incorruptível". (Pudera, digo eu. Também seria com 10% do capital…)

INVESTIMENTO - "Acabe-se com o devaneio das grandes obras". (Nesta afirmação revela descrença nas acções da Mota-Engil)

GOVERNAÇÃO - "Bloco central, não. Senão vira ditadura a dois, compadrio. Neste momento, e quase direi por felicidade, não há um Governo de maioria". (E temos tido o quê?)

LÍDER DO PSD - "[Manuela Ferreira Leite] teve muitos anos de trabalho, mas no Estado. Nunca dormiu mal por ter a responsabilidade de saber como pagar salários". (Mulher sem insónias não é mulher. Deve ter dormido mal quando era Ministra da Educação. A imagem da geração rasca de rabinho ao léu era aterradora.)

GOVERNO - "Tenho dificuldade em saber os nomes de metade dos que estão lá" (Também nós.)

PROMESSAS - "Muitas vezes as promessas são feitas sem o Teixeira dos Santos assinar pior baixo". (Ou quase sempre. Mas devem dar-lhe conhecimento, vide a promessa acerca da Red Bull Air Race…)

DEMOCRACIA - "Criou-se um sistema em que o povo vota pelas festas, frigoríficos e passeios". (O povo ainda vota?)

SALÁRIOS - "Os salários são baixos. O pessoal do meio é que ganha de mais. Têm de ser aumentados o último piso e o rés-do-chão". (Ponha em prática a teoria. Comece pelos Modelo e Continente.)

JORNAL "PÚBLICO" - "[José Manuel Fernandes] era acusado - e bem acusado - de não criar climas de consenso no jornal". (Ahhhh! Consenso…. Pluralidade num jornal, parece-lhe mal?)

SÓCRATES / PRESSÕES - "O primeiro-ministro telefona ou manda telefonar com muita frequência" (É um bom cliente da PT.)

MARCELO - "[Marcelo Rebelo de Sousa] é pluri-pluri. Tem dez respostas, todas boas, para a mesma pergunta. Não sofre de pensamento único". (Ou não sofre de falta de criatividade.)

PRESIDENCIAIS - "O Alegre devia ter juízo (...) No final do mandato já terá 80 anos, não é muito sensato". (Não. Mas ir à caça depois dos 70 custa mais.)

CAVACO - "Cavaco é um ditador. Mandou quatro amigos meus, dos melhores ministros, para a rua, assim, 'com vermelho directo'". (Oh Belmiro: Tu já mandaste quantos? Ah! Só com duplo amarelo…)

TGV - "O TGV está desenhado em função dos interesses espanhóis". (Devia ser construído em função dos interesses dos Ruandeses…)

ESPANHA - "Do ponto de vista político, o sistema espanhol é pior do que o nosso". (É. As democracias são assim, diferenciam-se por nacionalidade.)

CONCERTAÇÃO - "Os empresários têm muita força, mas quem tem mesmo força são os trabalhadores". (Não têm é dinheiro. São os do R/C.)

SINDICATOS - "[Sindicatos] terão de se reformular se não quiserem desaparecer rapidamente". (Exacto. Dão demasiada força aos trabalhadores.)

TRABALHADORES - "Para se ter uma sociedade coesa, os trabalhadores têm de ser bem tratados, não se podem explorar". (Desculpe???)

PATRÕES - "Não há nenhum empresário sério que se reveja nas associações patronais". (As associações patronais não são de empresários sérios.)

REGIONALIZAÇÃO - "Podia ser interessante regionalizar a Educação". (Ou educar as regiões. Mas, regionalizar à moda de Espanha?)

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Fábula do Défice

Como estamos em época de crise, ou estivemos, nem sei bem, vou revelar o meu défice: 9% do meu produto. Ao ano.

Nada que uma parceria com um qualquer otário não resolva. Aceito contribuintes líquidos.

Prometo que não compro mais nada a crédito.

No próximo ano baixo este défice para 8,3%. E o meu rendimento este ano subirá 0,7%. Bate certo.

De referir que o meu rendimento está já empenhado em 82%, o que me dá 18% de margem para comprar pirolitos (deixei de fumar à algum tempo).

De qualquer das formas, espero nos próximos anos comprar uma quinta no Douro, uma moradia de 500 m2 na Foz e, se me agradar o novo modelo, vou comprar dois Ferraris.

Pode ser que rebente um dia.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Desgraças e modernidades

Enquanto que por cá se discute o acesso de casais de pessoas do mesmo sexo a um evento organizado pela, socialista, Câmara de Lisboa, do outro lado do Atlântico poucos serão os casais que resistiram à devastação da natureza.

Port-au-Prince é uma cidade construída à custa de muita desflorestação e de imensas barbaridades cometidas contra a natureza da ilha e a sua biodiversidade. Dizem que o solo, de tão desprotegido, se tornou árido. Nada disto incomodou a comunidade internacional, que, do sofá, apreciou em belos LCD’s, as sucessivas tomadas do poder e os atropelos à vontade de um povo que nada tinha e que de tudo carecia.

A ONU, para o Haiti, o máximo que conseguiu foi um contingente, liderado pelo Brasil, constituído por militares de países tão surpreendentes como nunca mencionados em missões de paz pelo mundo fora. Não que o não possam ou devam fazer, mas porque, em suas próprias nações a dita calma não abunda: Jordanos e paquistaneses.

Depois da desgraça, correu o dito 1º Mundo, em direcção ao País mais pobre das Caraíbas (onde abundam resort’s e cruzeiros de luxo) e um dos mais pobres do Mundo.

Somos sempre mais sensíveis a uma tragédia que envolva 100.000 mortes, do que a 100.000 tragédias que envolvam 1 morto apenas. Mas era isto que acontecia no Haiti, e que continua a acontecer com a falta de distribuição de bens de primeira necessidade.

Apesar dos SMS, das campanhas de solidariedade e de todas as manifestações de pesar e de choque, continuam a existir no Mundo inteiro, milhares de tragédias que não chegam ao nosso conhecimento.

Não podemos mudar o Mundo, mas temos obrigação de mudar um pouco o “nosso” Mundo, para que os demais possam evoluir e, daqui a uns anos, discutam vulgaridades como as que se discutem por cá. 

domingo, janeiro 10, 2010

Regionalizar – Parte x

Ontem li nos jornais que o novo Ministro das Obras Publicas, numa visita ao Grande Porto, e quando questionado sobre os investimentos a fazer no Metro do Porto, falava em racionalização de recursos. Que o dinheiro é pouco e todo o investimento tem que ser muito ponderado e tal, e coiso…

O ex-Ministro Mário Lino, falava, em relação à localização do Aeroporto de Lisboa na margem sul, num território inóspito, numa terra sem gente nem infra-estruturas condizentes com um investimento daqueles. Resumia com um lapidar JAMAIS!

A expansão do Metro do Porto custa aí uns 100 milhões de euros. Hoje ouvi um anuncio de uma obra que ronda os mil milhões de euros, numa região que, chamou o governo, de “Pinhais do Interior”.

Deve ser um investimento Mota, daqueles que se chamam parcerias publico-privadas. São mais ou menos engenharias financeiras que querem dizer que fica muito caro para o erário público e é vantajoso para os concessionários.

Os milhões de habitantes de Oleiros, Proença-a-Nova, Ansião, Sertã e Vila-de-Rei, vão ganhar muita qualidade de vida com a nova estrada. O entusiasmo é tal que estão a mudar-se para aquelas bandas milhares de lisboetas, ávidos de estrada livre.

Nós por cá, como não temos pinhais, continuámos à espera que sobrem 100 milhões dos trocos aplicados. Dava jeito uma expansão da linha do metro, para que as populações fiquem mais próximas das escolas, hospitais e indústrias que por cá existem.

Ficámos à espera.

Como dizia Eça, isto não é um País. É um sitio muito mal frequentado.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Mais um pontapé no Porto

O concurso da terceira fase do Metro do Porto deveria ter sido lançado no passado mês de Outubro. Não foi. Fase essa que está avaliada em menos de 10% das obras já lançadas no Metro de Lisboa, que não pára de se expandir com derrapagens atrás de derrapagens. 

Há comboio para a Amadora? Constrói-se metro. E já agora alarga-se o IC 19.

Receitas? Portagens nas SCUT a Norte.

O que mais me incomoda é que ninguém se chateia com tudo isto. O governo que tudo adia a Norte, foi premiado nas ultimas eleições. Continuamos a mendigar o desenvolvimento de uma região que tem todas as condições para liderar o Noroeste peninsular. Em sentido contrário temos um governo centralista, que, cada vez mais, se fortalece em 80 Km’s quadrados, qual condomínio de luxo de um País cada vez mais pobre e desigual.

Como reflexo dessa política, até o vinho de Lisboa é mais apoiado pelo Turismo de Portugal. Se não tivessem construído a Expo ainda nos levavam de cá as Caves. E só não levam o nome porque ele faz parte do nome do País, ou não fosse originado no Condado Portucalense.

Este cantinho peninsular tornou-se numa espécie de carro com um bom motor, mas que não circula por ter os pneus carecas e a carroçaria toda enferrujada por falta de manutenção.

Gamofobia

É palavra que o meu (inteligente corrector ortográfico) considera como erro.

Designa o medo de casar.

É mal de que não padecem os casais do mesmo sexo. Agora que já foi dado o passo principal, até já foram contemplados na Expo noivos.

Fico à espera da legalização da Poligamia.

Há por aí tanta gente a disputar o mesmo, ou mesma, parceiro. Seria uma boa solução e teria muitos adeptos. Não vejo qual seria o problema. É uma liberdade individual que ainda não está contemplada.

Podia era multiplicar os casos de gamofobia…

Avaliação

Qualquer um de nós é capaz de avaliar seja quem for, em qualquer ramo de actividade, a que estejamos directa ou indirectamente ligados.

Eu, consigo avaliar uma série de TV, o padeiro, a empregada do café, o polícia de trânsito, o meu chefe, um ministro, etc., etc., etc.,…

Consigo avaliar muita coisa, e apesar de tentar, não consigo atribuir classificação positiva a tudo o que me rodeia.

Ora, quanto aos cerca de 200.000 professores da nossa praça, dizem-me que muito poucos, uma ínfima percentagem, é classificada como mau ou suficiente. É mais ou menos como com os alunos, podem chumbar, mas raramente chumbam.

Querem os ditos profissionais progredir na carreira sem qualquer entrave. Querem poder subir de escalão (ganhar mais dinheiro, porque a recompensa de ser bom ou mau não implica um pontapé no rabo, como para qualquer um de nós) e deixar poucos (os que não prestam) a ganhar pouco. É uma espécie de vamos todos ser chefes e deixamos dois ou três para disfarçar.

Como acho que avaliações e carreira não podem jogar, deviam manter-se as remunerações por diuturnidades e mandar para a rua os maus professores. Um País que os deixa leccionar não pode progredir. Já agora, deixem uma qualquer empresa auditora externa à classe avalia-los e provavelmente ficam muitas vagas por preencher.

No meu tempo um mau professor levava com uma batata no tubo de escape…

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Desligar a corrente

O Rio Douro produz mais de metade da electricidade proveniente de recursos hídricos em Portugal.

Com a construção das novas barragens nos afluentes, vai aumentar essa capacidade. É no norte que está situada a central que controla as descargas nas barragens nacionais, evitando assim cheias nos grandes rios do País, como o Tejo, Zêzere, Mondego e Guadiana. Só não as consegue evitar no Douro. É uma força incontrolável.

Com a perspectiva da regionalização no horizonte, devemos começar já o apelo ao voto pela reforma das reformas. E começar a cobrar o uso dos nossos recursos para o bem estar de quem nos leva os impostos para desenvolver um País à parte, onde qualquer mini-tornado se transforma numa causa nacional. A preocupação dos jornalistas, na última semana, era a escassez de tomate e alface no MARL (Mercado abastecedor da região de Lisboa), como se o Norte dependesse das estufas do Oeste para ter uma saladinha na mesa.

Não, meus senhores!

Eles é que dependem na nossa bondade para terem luz em casa e nas empresas!

E para não terem água pelos joelhos!

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Dia de S. Envelope

Hoje, véspera de Natal, há uma corrida ao envelope.

Tirando esta quadra, só nos casamentos é que se vê tanta circulação postal.

A malta anda toda a comprar bonequinhos nos 300’s ou nos chineses, na esperança que os familiares mais velhos lhes dêem envelopes bem recheados.

Há quem invista com o chamado “retorno absoluto”. Ou então, com a esperança que o retorno cubra o investimento.

Não, não é o meu caso, mas conheço muitos.

Afinal, o Natal tornou-se no expoente do consumismo. Antigamente, as pessoas mais velhas compravam o bacalhau e financiavam a festa, mas as prendas não passavam de embrulhos foleiros cujo conteúdo não excedia a cintura. Ficávamos com a gaveta da roupa interior renovada.

Tínhamos uma Tia, que sempre trazia a última novidade em jogos de tabuleiro, com que nos entretínhamos na noite e dia de Natal.

Agora, ficámos a olhar para os miúdos a experimentarem os jogos das PS2 ou 3, das wiii, dos PC’s, etc…

Foi-se o tempo da partilha. Só se for o comando. Ou os mail’s.

Ou no meu caso, este post.

Bom Natal a todos.   

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Anda tudo doido!

Então o Ricardo Araújo Pereira é capa da Playboy?

É quase a mesma coisa que a capa da “Bola” ter a Cinha Jardim com as suas “queridas” filhas!

Há coisas que não se devem desvirtuar. Corre-se o risco de dar um significado não desejado à publicação.

Não que eu seja um leitor dedicado, nem tão pouco ocasional, mas que é estranho, é.

É quase como ver os aviões da Red Bull a sobrevoar o Tejo. Vão perder o efeito que mais atraíam publico no Douro; o risco de sobrevoar um rio com a largura do rio Douro, perde-se na enorme distância entre as duas margens do rio alfacinha.

A Playboy põe-nos à espera da próxima capa normalizada, e nós cá na Invicta passamos a beber Burn!

Eu e a Matemática

Tenho tentado jogar sudoku.

Ok! É mesmo passatempo de quem não tem que fazer, dizem-me.

Talvez. Mas li algures que era uma boa forma de treinar o cérebro, evitar a morte precoce das células, etc. e tal e não sei mais o quê…

O problema é que me falta paciência para raciocinar, o essencial do jogo. A lógica do jogo aplica-se facilmente, mas, se calhar fui concebido com a matemática e as ciências exactas fora de órbita.

Já vi explicações, truques e formas de, facilmente, chegar ao resultado de qualquer jogo, mas não atino com a coisa.

Enfim, pego no jornal enquanto tomo café, começo pelo sudoku e, rapidamente, desisto. É frustrante.

Vou continuar a insistir, pode ser que deixe de ler notícias cá do burgo. São tão más que nem se destacam das piores de outros dias.

Parece que o papa vem a Portugal num avião transformado numa espécie de Hilton voador, não vá estranhar a saída do humilde albergue que é o Vaticano. A minha matemática é tão má que nem consigo chegar à cifra que vão gastar para tal; nem dá para calcular a quantas pessoas mataria a fome tal excentricidade.

Eu e a matemática…

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Se soubesse o que sei hoje…

Hoje, enquanto almoçava (no melhor restaurante italiano que conheço: Caruso, na Póvoa de Varzim), e, como tantas vezes me acontece, estava sozinho, socorri-me da companhia de uma revista. Naquele restaurante, a escolha é habitualmente a Visão.

Aquela datava de Outubro. Entre outros assuntos, dissecava, essencialmente, acerca das, felizmente, passadas eleições autárquicas. Quando estava quase a acabar a Lasanha, dou com o tema de capa: Uma entrevista a António Lobo Antunes.

Há pessoas que até a falar encantam. A transcrição, acredito, é a fiel do que o entrevistado disse.

Deliciei-me com a qualidade de pensamento daquele, fabuloso, contudo simples, homem.

Umas quantas páginas antes, tinha absorvido vorazmente a sua habitual crónica semanal. Falava da sua relação com Deus, das vicissitudes que ultrapassara, dos desentendimentos com Ele, da permanente evolução normal em qualquer relação.

Na entrevista, entre outros assuntos, fala sobre os livros que escreveu, que escreve e dos autores que admira.

Do cancro que venceu, diz que não vale a pena falar muito porque, e cito: “Sobre as coisas grandes não há muito a dizer”.

Mas guardo sobretudo uma frase que marca a sua personalidade:

O homem passa a vida em busca de sabedoria e conhecimento, que, na maioria das vezes, chega tarde de mais.