terça-feira, outubro 26, 2010

A Mudança continua...

Poderia chamar-lhe a mudança contínua. Sim porque um acento gráfico muda completamente o sentido da palavra e da própria frase, ou fase.
Continua porque, 3 anos depois, continuo em luta contra o excesso de peso. Excesso que já vem, dizem os cardápios e diz aqui , de um grau de obesidade 2. Tinha a ideia de que engordar e manter-me assim seria inevitável. Na família havia antecedentes de excesso de peso, a minha actividade profissional era demasiado propícia a abusos e ao sedentarismo, e o tempo, esse bem raro para todos nós que achamos ter qualidade de vida, não sobrava para o exercício físico.
A rotina dos dias transformara-se em comer, conduzir, almoços e jantares de trabalho e descanso que a vida de comercial é muito desgastante.
Um belo dia, depois de comprar umas calças com o número 54 (!) decidi que chegava. Tinha 134 kgs. Comecei a controlar o que comia, a abdicar dos excessos e a tentar emagrecer.
No ano seguinte deixei de fumar. Um farmacêutico caído do Céu, qual anjo disfarçado que nunca mais vi (e continuo a ir à mesma Farmácia), vendeu-me (literalmente) um medicamento, dizia, "milagroso e revolucionário", que me levou a deixar de fumar.
Como tinha perdido até aí, com a dieta, cerca de 9 kg, fiquei com receio de vir a recuperar o que menos desejava, os quilos a mais. Comecei então a correr. Melhor, a andar depressa. Fazia inicialmente 4 Kms entre caminhada e corrida, sendo que a corrida se ficava pelos cerca de 400 mts. Durante todo o Inverno resisti à tentação de ficar em casa, no quentinho, e mesmo no estrangeiro corria todos os dias. Pouco a pouco fui ganhando o gosto à corrida e aos resultados que eram visíveis.
Em Setembro de 2009 fiz uma primeira corrida, já aqui relatada, e em Outubro a 1ª corrida com distância significativa. 2 horas e 20 minutos de um sacrificado mas glorioso caminho com 21 km e 97 metros. Hoje, ao recordar aquela corrida solitária em direcção ao meu objectivo, arrepio-me de tamanha determinação. E admiro a determinação do homem. Com um enorme arrepio de emoção cortei a meta e reparei que já eram poucos os que faltavam chegar, como eram poucos os que por ali ainda estavam. Com o dorsal ensanguentado e os pés em papa, olhei para o céu e recordei todos os passos que me tinham levado até ali. Tinha valido a pena.
Este ano, e depois de muitos Kms que já se transformaram em prazer, fiz a mesma prova em menos 22 minutos. Acabei ainda com muita gente na meta, com os merecidos aplausos que vieram um ano depois. Fiquei para aplaudir os que vinham, como eu um ano antes, sem público e com esforço redobrado.
Agora, quase a chegar ao peso ideal, estou a uma semana e meia de um desafio que abracei em Novembro do ano passado, a Maratona. A distância mítica de 42,195 Kms que medeia entre Atenas e aquela cidade Grega.
Continuo na evolução contínua de um plano de treino tirado da internet, com a duração de 20, já longas, semanas. Não dispenso a consulta do site de um amigo de pelotão, o Vitor Dias, que não conheço pessoalmente, mas que tem sido incansável na ajuda que me tem proporcionado. Incentiva, dá dicas de treino, de descanso e de nutrição. Mesmo com as imensas tarefas e ocupações que tem e para as que é solicitado e não enjeita, tem sempre uma palavra ou um gesto simpático que muito me ajuda a ultrapassar as dificuldades.
Continuo a progredir. Espero não parar.
A vida continua e o esforço é contínuo.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Crise da minha dívida

Eu, chegado ao ponto em que os especuladores da praça fizeram subir a taxa de juro que me exigem para me emprestar algum dinheirito, a um ponto tal que acho que não vou poder pagar, decidi, enquanto não me aumentarem o ordenado, não pagar nem uma mensalidade de qualquer empréstimo. Caso queiram receber o que já vos devo, terão de aumentar os montantes em dívida até à cifra necessária para vos pagar os juros. Prometo que deposito o que me emprestarem nos vossos bancos, contraio novos empréstimos nesses mesmos bancos e adiro a tudo o que são cartões bancários.

Para que acreditem que serei mesmo capaz de pagar vou reduzir os ordenados de todos os que para mim trabalham em 10%. As despesas que até aqui pagava aos meus funcionários passarão a ser suportadas pelos próprios. Os meus fornecedores terão de se contentar com metade das compras, sendo que os meus clientes serão penalizados com uma sobretaxa sobre tudo o que já compraram de 20%.

Se, mesmo assim, estas medidas não forem suficientes, os meus credores terão de me devolver 20% da taxa de juro cobrada.

Espero com estas medidas acalmar os vossos ímpetos de cobrança e baixar a taxa de esforço praticada em qualquer operação bancária.

Tudo o que fiz até aqui foi bem feito, por isso, gostava que me explicassem porque decidiram atacar-me na minha reputação enquanto bom cliente e provável pagador integral das minhas dividas.

As minhas contas são sãs. As dos meus netos e bisnetos é que podem, eventualmente, e caso continuem a especular, derrapar. Tenham pena dos que hão-de vir…

sábado, outubro 16, 2010

Um ano depois

Foi há um ano que houve eleições nesta espécie de País.

Há um ano, o palhaço do Ministro das Finanças, que hoje se diz cheio de experiência (só se for de fazer merda atrás de merda), aumentou, porque dizia ter margem, os funcionários públicos em 2,9% e diminuiu o Iva. Inclusive o da Coca-Cola.

Agora corta a torto e a direito. PALHAÇOS! GATUNOS! INCOMPETENTES!

Eu, como pessoa de bom senso, quero aqui o FMI JÁ!

O Estado dito social está a ser o reflexo do que é o Socialismo. Roubar à economia para manter o sonho de não fazer nada e ganhar algum à custa dos que pagam e fazem muito.

Há um ano, uma senhora dizia que não havia dinheiro para as anunciadas loucuras. Ninguém a levou a sério. No tempo dos programas voyeuristas que tanto entretêm o Zé Povinho, os parolos achavam que ter uma “velha feia” como 1ª Ministra, não era muito agradável. Vai daí elegeram um pseudo Engenheiro com ar de Pinóquio, que é tão mentiroso como aquele que dizia salvar o Boavista com dinheiro dos Árabes.

Agora tudo sofre.

O Estado Social está moribundo. Esta ideia que o tuga tem de que o Estado é o Pai que nos protege e governa, sem ter a ideia que tudo pagamos, levou-nos a ser geridos por uma corja de sonhadores, autênticos burlões bem vestidos, que nos venderam o sonho do “Tudo à Borla”, sem explicarem que a factura vinha depois.

E eu que acreditava na Senhora…

segunda-feira, setembro 20, 2010

Revisão

Por todos os meios disponíveis, fazem-nos chegar aos ouvidos notícias e relatos de gente, da esquerda à direita, mais ou menos indignados, uns porque sim, os outros porque não.

O PSD, sem medo, avança com um projecto que escarrapache na Constituição aquilo que nós já temos, o pagamento da saúde e da educação. Não há quem não se queixe dos preços dos livros, das taxas moderadoras, dos “mitras” que não pagam mas que não saem do balcão do café, etc., etc., etc…

O PS, que todos os dias procura nos bolsos do contribuinte o dinheiro necessário para silenciar quem mama do orçamento, diz que não, que não pode ser, nem pensar em mexer no Estado Social (?), mas que sim, vamos lá ver o que se pode fazer.

O PCP, partido mais ou menos inimputável do nosso sistema constitucional, que apresenta um candidato partidário, o que, à luz da constituição que ajudaram a redigir e aprovar em 1976, é inconstitucional. Mas no PCP, tudo o que tem o crivo do Comité Central, é como o que emana de um Concílio do Vaticano: Dogmas incontestáveis. Os camaradas são a representação fidedigna do povo trabalhador e tal…

O BE, partido que nem é nem deixa ser, continua a achar mais importante a discussão sobre os casamentos gay e adopções dos ditos casais, do que a própria Constituição. Não os condeno. Com este PS tudo o que for de esquerda e não necessite de fundos, desde que sirva para abandalhar, eles aprovam

O PP, bem o PP…

É compreensível. É uma espécie de sogra. A filha, ou filho, muito queridos, defendidos mas sempre sobre alerta, sobre pressão, de não deixarem o par sem apoio e sem o amor incondicional. Não venha a filha, ou filho, devolvido. Elas preferem sempre ir lá a casa mandar, mudar e manobrar. É como o PP. Nunca propõe mas faz. Ou diz como fazer. E depois diz que avisou.

Enquanto isto, a malta casa, divorcia-se, junta-se, separa-se. Uns cuidam dos filhos, outros fogem dos ditos e fazem outros.

Freud dizia que os homens não buscam a felicidade com medo de provocar infelicidade nas relações que vão, ingloriamente, mantendo. O pavor da mágoa que sempre fica de uma relação que termina, é superior à desconhecida mesura de felicidade que deixa de se procurar.

Talvez tenham os homens transportado tudo isto para a política e, ingloriamente, continuem a procurar felicidade e caminho para o que já não dá fruto.

Revisões precisam-se.

domingo, setembro 12, 2010

Nortada

 

Acho que nunca escrevi aqui sobre futebol. Sabem os que me conhecem melhor que, enquanto adepto benfiquista, abstenho-me de fazer comentários jocosos ou depreciativos em relação aos outros clubes do panorama desportivo nacional.

Enquanto miúdo, filho de uma benfiquista ferrenha e de um ex-portista convertido à força (o poder feminino não tem fronteiras), tornei-me alvo de vários tios que, com vontade de por uma lança em território inimigo, me levavam ao Estádio do Porto, equipado a rigor (na altura havia o hábito da bandeira, as camisolas são mais modernas), a ver se me encaminhavam para o rol de adeptos do clube azul e branco.

O meu Pai, como gostava de futebol e não querendo contrariar a esposa, filiou-se num outro histórico do Porto, o Salgueiros. Por influência de um amigo da família que era dirigente do velhinho e simpático clube, que na altura militava nas divisões secundárias, tendo mesmo, por um ano, jogado na 3ª divisão nacional, seguia a equipa de perto, estando presente em quase todos os jogos.

Os meus irmãos mais velhos jogavam no Salgueiros (Basquetebol 1º e futebol mais tarde), eram dois deles benfiquistas e um sportinguista, e eu, não querendo, por estratégia, contraria-los e por ambicionar jogar também no salgueiral, rendi-me à Alma salgueirista. Lembro-me que a minha prenda do 6º aniversário foi o cartão de sócio do Salgueiros, do qual ainda sou associado.

Sei bem o que aquele clube sofreu no tempo da ditadura, depois de apoiar o candidato Humberto Delgado ao ceder as instalações desportivas para um comício, quando não houve mais quem se disponibilizasse para tamanha afronta ao regime de então.

Com a ajuda e trabalho pós-laboral(!) dos sócios e amigos do clube, construiu-se na década de 70 uma bancada nova. Cada um trazia o que podia, desde sacos de cimento até ao tijolo. Pedra a pedra cresceu um sonho.

No norte estamos todos habituados a sofrer para conseguir seja o que for. Não faltarão exemplos por este País fora de casos parecidos, mas, como os tripeiros, é difícil. De ser e de explicar.

Já quando nos limitámos às tripas dos porcos para dar a carne às tropas exaustas e com fome, mostramos ao País que poderia contar com o Porto para o ajudar a crescer e a ser um País mais justo.

Nunca por cá se é mal recebido.

Tudo isto para vos dizer que, embora não sendo portista, tenho a perfeita consciência que o que para cá vem, sai daqui valorizado. Porque no Porto, seja no futebol seja noutro sector qualquer da sociedade, as pessoas contagiam-se e esforçam-se por fazer mais e melhor com muito menos que os outros.

Esta semana, um ex jogador portista, dizia que o Benfica era uma brincadeira e o Porto uma família. Não sendo o sujeito uma grande exemplo, diga-se que, por cá, as pessoas superam-se e transformam-se para melhor.

Na política é igual.

Sempre que um bom quadro vai para Lisboa, estraga-se. Veja-se o Ministro Teixeira dos Santos, ou Augusto Santos Silva. Dão, enquanto governantes, cobertura ao saque às regiões mais desfavorecidas, sendo a principal, por ser uma das que mais contribui e que menos recebe, a Região Norte.

O desperdício continua em Lisboa. É um autêntico triângulo das bermudas dos recursos do País. Veja-se a quantidade de institutos públicos, de chefias militares e civis, de escritórios vários, de direcções gerais, de secretarias de estado, ministérios e tudo o que os faz, ou melhor, que não os faz, mexer. Recursos que se perdem na burocrata e burguesa Lisboa, com o seu Terreiro do Paço como expoente máximo do desperdício Luso.

E diz o Presidente da Republica que Portugal tem de “favorecer o aumento da produção de bens e serviços transaccionáveis, em detrimento daqueles que não são transaccionados nos mercados internacionais”.

Ao contrário do que defendem, sacam recursos das regiões mais desprotegidas para alimentar a obesa máquina estatal e os Escritórios de Advogados e de Estudos que a ela se colam, quais carraças.

Resta-nos a esperança de um dia algum queira ficar por cá numa espécie de e-governo, e, na ânsia de melhorar o País, se lembre de regionalizar. Porque esta região com autonomia, poderia transformar-se num motor catalisador do resto da Nação.

Agora, continuarem a comer a carne e a deixarem-nos as tripas é que não.

Pode ser que o povo acorde…

1 Ano depois…

 

E 6 dias, para ser absolutamente preciso nas datas.

http://tripasenortadas.blogspot.com/2009/09/00h48m03s.html

Hoje, para fazer uma pequena comparação com a prova de há um ano, fui à mesma corridinha.

Fui sozinho. A companhia cingiu-se aos muitos milhares de atletas e candidatos a tal.

Esperava fazer o mesmo trajecto do ano anterior, mas o dito foi alterado. Foi menos interessante, mas muito recompensador, atendendo ao facto de, este ano, ter sido um dos que acabou a prova com a sensação de que era pouco. Fiz outros tantos Km’s e assim satisfiz a minha vontade de calcorrear alcatrão.

Uma prova engraçada para iniciar. Fica a curiosidade de, no final, o meu GPS marcar menos 1,5 Km que a distância anunciada.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Acordo sem tempo

Acho que anda tudo ao contrário. O acordo ortográfico leva-me a achar que tudo muda. É quase como se, de repente, mudassem o lado da condução. Passava a ser tudo à direita, com a prioridade à esquerda, circular à esquerda (o que já muitos fazem, e que passariam a fazer à direita), ultrapassar pela direita, etc.

Além do mais estou a chegar à idade em que tudo o que foi há 20 anos me parece ter sido ontem. Cheguei ao tempo em que os anos parecem meses, quando antes, os meses pareciam anos. Excepto nas férias. Esses meses nunca foram grandes.

Ora, como a resistência à mudança aumenta com os anos, estou com uma séria dificuldade em me adaptar ao dito. Mas anda para aí malta que até já se adaptou aos vícios linguísticos da juventude dos nossos dias. O “brutal”, o “rsrsrsrs”, o “xd” ou o “babe” já fazem parte do vernáculo que usam em tudo o que são redes sociais e mesmo na troca de sms’s, muito em voga nos dias que correm, ganhando ao escândalo do meu tempo que se limitou ao “fixe”. E mesmo este foi roubado para uma campanha eleitoral. Não estou a ver nenhum slogan do género: “Passos Coelho o Brutal Candidato, lol”…

Não concordo com o acordo e é-me difícil ter tempo para o entender. Fui “formatado” com outro software e já não estou a tempo de um reset.

Este blogue vai manter-se fiel ao português antigo.

domingo, agosto 22, 2010

Portugal Seguro

 

Numa espécie de trabalho árduo, as autoridades nacionais andam atentas aos factores de risco que podem gerar insegurança em Portugal.

As polícias, GNR e PSP, têm um departamento, ou umas equipas, que circulam com uns carritos que dizem “Escola Segura”. Mas à porta das escolas ninguém se sente inseguro à hora do lanche ou da pausa da manhã. Seria melhor se estivessem por ali à hora de saída, mas a essa hora os Srs agentes já saíram do emprego.

Passamos o ano a ler nos jornais, notícias que relatam acidentes mortais em tudo o que é estrada nacional, mas no entanto, eu que faço uns 70 a 80 mil km’s por ano, só vejo radares montados em Auto-estradas e Itinerários principais. Ou nas cidades durante o dia. Deve ser por isso que morre mais gente de noite e nas estradas nacionais: Pela falta de radares.

Para passarem à população um sentimento de segurança, as polícias, fazem operações com grande nº de efectivos, à noite, nas grandes cidades e acessos às médias. Só que os Srs Agentes saem às 7h. Os frequentadores das discotecas que se mantêm abertas para lá dessa hora têm menos probabilidade de serem fiscalizados.

Ora, ali para os lados de Celorico da Beira, um Sr. que, como eu, achava tudo isto, conduzia uma carroça puxada por uma burra, alcoolizado. Depois de uma perseguição, imagino, emocionante, foi detido para ser julgado.

A Juíza deu-lhe uma valente reprimenda. Alertou-o do perigo de conduzir alcoolizado, e disse-lhe que, se a burra fosse uma tentação, a vendesse. Multou o homem em 409 €. Três ou quatro dias depois da infracção. Célere justiça a dos tesos. Se tivesse sido um Ministro, ou um jogador da bola, tinha que ir à escola mais próxima, onde a PSP ou GNR poria um carro da “Escola Segura” para a fotografia. Pagar ninguém pagava nada e a Juíza mandava o infractor contratar um motorista.

Entretanto, com estas vicissitudes todas, criminosos apanhados em flagrante a violar mulheres indefesas, ou a roubar empregados dos CTT, são mandados esperar por julgamento. É preciso um inquérito, apresentação de testemunhas, peritos, avaliadores psicológicos, assistentes sociais, etc.

Muito mau mesmo é conduzir carroças alcoolizado.

Ainda por cima puxada por uma burra. Que tentação. Se o homem vender a burra, como sugeriu a Juíza, provavelmente vai ter que a puxar ele, e caso esteja alcoolizado, é multado na mesma.

Pobre é sempre pobre. E o País, pelo menos dos pobres, ainda está seguro.

sábado, agosto 14, 2010

Literalismo e paradoxo

“ - Porque será que uma coisa que nos mata pode também fazer-nos sentir mais vivos?

Villada suspirou.

- Isso é o que os filósofos chamam de paradoxo. Quando Deus nos criou, decidiu que o literalismo seria a ruína do mundo. Por isso, inventou o paradoxo para o contrariar.

- Mas como contrariamos o paradoxo?

- Interpretando-o literalmente.”

in As Profecias de Nostradamus, de Mario Reading

 

Acabado de apresentar um dos meus livros de férias, vamos à interpretação, literal, das ditas.

Quem quer sossego não tira férias em Agosto. Deixa-se estar a trabalhar, contagiado por um ambiente morno onde nem todos estão “a banhos”. O trânsito nas cidades fica facilitado, os dias são suficientemente grandes para dar um pulinho à praia, mas, paradoxalmente, é muito pior conduzir nas estradas do resto do País.

Todo o mundo se dirige ao litoral. Uns ficam-se por lá, outros, literalmente, fazem “piscinas” diárias pelas estradas de acesso às praias e zonas turísticas do burgo.

Paradoxalmente, o sossego do tempo de descanso, torna-se numa busca, literal, de um melhor lugar para estacionar, de um melhor lugar para a toalha, ou, para quem está pelo Algarve, de uma praia que ainda tenha lugares vagos.

Ou seja, o tempo que deveria servir para quebrar rotinas, esquecer horários, relaxar, não é mais do que a troca de stress por outro stress. Literalmente. Paradoxalmente é um stress, para a grande maioria, agradável.

Eu, como não gosto nem de uma coisa nem de outra, tiro férias apenas e só para ficar quieto e sossegado, em casa, sem ter de me deslocar por entre quem nem se maça, nem se rala, com quem anda por aí a fazer pela vida.

Paradoxalmente vivo na praia. Literalmente na praia.

Mas evito os banhos de sol e mar neste mês estranho, que mais parece um frenesim de gente que quer corar a ver se não se envergonha com o churrasco que se tornou a santa terrinha.

É que o País está, literalmente, a arder!

E paradoxalmente estamos todos descansados.

Boas férias.

domingo, agosto 08, 2010

Moda lusa

A Procuradora Adjunta rege as suas investigações pelas suas convicções. Vai daí negoceia um relatório que inclua as perguntas que não deixou fazer. Um despacho de arquivamento, a corresponder às suas convicções.

O Ministério Publico em Portugal leva a julgamento as causas mais imbecis que se possam imaginar; desde o roubo de um champô, até ao insulto entre vizinhos que não se gramam.

Sob o beneplácito de uma classe política que tudo tolera desde que se arquivem os casos das malas e dos licenciamentos à ultima hora, este MP continua a atafulhar os tribunais com casos ridículos, que mais parecem reposições foleiras do “Juiz decide”. Quando se trata de gente que não pode gastar dinheiro a entupir os processos com recursos que levem à sua prescrição, os juízes até decidem por convicção. Convictos da culpa do arguido condenam por impulso.

Quem quiser safar-se de um qualquer processo, contrate um defensor que tenha no CV mais prescrições. Ou então, dê uma saltadinha ao Brasil.

À boa moda lusitana, a Fatinha de Felgueiras, mulher de 56 anos, socialista e amiga do povo, diz que sofreu muito no Brasil (provavelmente apanhou um escaldão), e que só sobreviveu à custa da sua, parca, reforma. Aos desempregados a receber subsídio obrigam a apresentações periódicas, esta sujeita foge e ninguém lhe corta a pensão.

À boa moda tuga, o voyeurismo da malta, leva-nos a espreitar tudo o que é incêndio. É o Avatar português. Cinema 3D nas Serras e campos de Portugal.

À boa maneira portuguesa, está tudo de férias. Não se passa nada. Mais imposto, menos imposto, há-de inventar-se algum para cobrar a burrice e a falta de cultura deste povo. Que é feliz assim, porque a ignorância e a ingenuidade são os melhores calmantes do mercado.

Tudo vai ardendo, seja às mãos de quem pode ou pelas mãos de quem não quer saber.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Travestis

Os tempos modernos parecem assim ser.

O jornalismo, que não percebo, não entendo, nem tenho formação para tal, virou uma espécie de programa tipo “As tardes da Júlia”, onde se fala de tudo para encher tempo pré-determinado. É quase um acto heróico encontrar notícias por esse mundo fora para manter a malta entretida enquanto almoça no tradicional tasco, com a TV a debitar decibéis, enquanto se enche o copo de três e se põe mais uma isca no pão.

Lá pelo Algarve um senhor magoou-se ao ser abalroado por um barco, tartarugas deram à costa, e Tavira tem praias acessíveis só de barco, que as senhoras da Linha comparam, deleitadas, com as piscinas lá do condomínio.

Na Guarda há uma praia fluvial, na Zambujeira as miúdas vão ao banho que está muito calor, e, em Lisboa, por causa do calor, não vão os toiros reclamar das condições de trabalho, fechou-se o tecto amovível do Campo Pequeno e ligou-se o ar condicionado. Está quase tudo a postos para a Corrida do Emigrante. Sim, do emigrante, que eles vieram só para ir ao Campo Pequeno acompanhar as tias, que devido aos joanetes, ficaram pela linha.

Foda-se! Que País este! Apetece invocar Millôr Fernandes e desatar a descarregar palavrões que melhor adjectivem esta merda.

Entre um dia de incêndios e outro de acalmia no churrasco em que se transformou o Norte e Centro cá do sítio, ficámos a saber que houve um acidente de trânsito na Austrália e que Moscovo está poluída. Sim, isto deu nas notícias.

Como diz um amigo meu, quando alguém desaparece em terra não chega a ser notícia, se desaparece no mar fica uma multidão a olhar o horizonte a ver se o náufrago caminha sobre as águas. Outra vez entrevistas e mais entrevistas aos expert´s que vagueiam pela costa.

Entretanto a espécie de julgamento em que se transformou o processo Casa Pia parece que está em vias de ser anulado. Se não fosse assim, seria a Justiça travestida de justiça.

Um homem, que andou ao murro na Sexta-Feira, anda desde aí de hospital em hospital, e o pai já pondera processar os hospitais todos por achar que o filho, devido ao adiamento da cirurgia ao queixo, que lhe partiram, possa ficar com a boca à banda.

Eu continuo de férias, mas por cá.

São umas férias travestidas…

quinta-feira, julho 22, 2010

Constituição ou Bíblia Sagrada?

Percebo pouco disto, mas ou é de mim ou nada do que diz a constituição é respeitado.

Ensino gratuito? Onde?

Saúde gratuita? Só se for para os membros do governo e parlamentares.

Trabalho sem despedimento? Se as empresas não falirem…

Andamos há anos a enganar o Zé povinho com retórica. Andamos não, andam a enganar. E tudo porque ninguém teve coragem de mexer nos testemunhos sagrados dos discípulos do conselho da revolução. Da esquerda à direita querem todos continuar como o teso: A fazer de conta que tem a carteira cheia.

Não consta que se tenha mudado a Constituição americana para mudar o sistema de saúde.

Nem consta que nos Estados Unidos se pague mais pelos estudos do que em Portugal, antes pelo contrário. As faculdades financiam-se com ditos mestrados que não são mais do que os anos que Bolonha roubou às antigas licenciaturas. Tudo porque temos um ensino obrigatório cada vez menos suficiente para dotar os alunos com bagagem para o ensino superior. Passam a licenciatura a aprender a ler e escrever, passe o exagero.

A justiça, constitucionalmente gratuita, é mais cara do que comprar carro novo. Favorece quem tem possibilidades económicas para pagar as artimanhas legais que levem à prescrição ou amnistia dos delitos.

Somos um País maioritariamente de gente católica.

Assim como esperamos o reino dos céus prometido na Bíblia, ansiámos pelo País que desejámos na Constituição.

Assim seja.

terça-feira, julho 20, 2010

O Amor é…

Não me sinto (nem deveria sentir, a julgar pela falta de experiência que tenho a esse respeito) nenhum expert na matéria, mas penso, logo (não, não vou por aí…) tenho opinião.

Ando arredado desta minha paixão, recente é certo, mas uma paixão é sempre fugaz. Aparece com força de tufão e sai como uma brisa matinal de um dia de Primavera. É uma tempestade tropical. Aquece de tal maneira que acaba em chuva e humidade em excesso. Nem sempre se repara na praga de mosquitos que vem atrás, mas enfim, tem piada a intensidade. Piada não, tem mesmo é o poder de cegar.

A escrita tem destas coisas, necessita de inspiração. É como o amor.

O amor é inspirado na vivência comum. As expectativas que criamos aquando da paixão, são sempre elevadas, e as expectativas “lixam-nos”. São sempre grandes as desilusões advindas de esperanças.

Eu tinha a esperança e ousei pensar em escrever todos os dias. Passei para “de vez em quando” para o semanal. Agora parei por um tempo, embora cheio de vontade de escrever. É uma espécie de paixão adormecida. Que como qualquer relação amorosa digna desse nome, daquelas que se tornam rotineiras, daquelas que nos obrigam a pensar nelas, precisava de um “click”, de algo diferente que quebrasse a rotina. E teve. Uns tempos depois do ultimo artigo, ou “post”, aconteceu o inédito. Despertado por pensamentos que assolam a minha veia criativa enquanto corro, lembrei-me que um bom tema de regresso à escrita era este. O Amor. Que tanto apregoa quem o busca e tão mal o trata quando o tem.

Conheço quem ame sem respeitar, só porque acha que amar é saber o que é melhor para o outro. E amor sem respeito não é amor.

O egoísmo e o egocentrismo dos apaixonados, leva-os a cegarem na luz que pensam emanar de dentro para outros e para todos. Ficam assim como que vidrados na sua razão, que estando ausente, se torna em obsessão deprimida, de ânsia de atenção. É uma espécie de condutor embriagado que acha que os outros não conseguem manter um rumo certo.

Ao invés há-os racionais, que param, pensam, distribuem amor e carinho, atenção e compreensão. Seguram as pontas, mantêm as bases de retorno dos irracionais, quais balões cheios com hélio à espera que alguém lhes segure o fio que os mantém à distância de retorno sem esforço. São os embriagados que apanham os táxis.

Esquecem-se uns e outros que nem todo o racional tem o sucesso que espera, porque amor sem paixão é como chocolate sem açúcar, nem o tonto chega à plenitude da loucura, porque esta não é boa conselheira da estabilidade necessária no amor.

Não sei o que é o Amor, mas gosto muito de escrever.

A escrita é descoberta. O amor só o encontrei nas paixões. E sem paixão nunca vi o amor. Mas amor duradouro…

Nem conheço amor eterno nem mulher que o queira. Nem homem que o deseje.

Nem escrita esporádica nem escrita compulsiva. Vou escrevendo…

quarta-feira, maio 05, 2010

Actualidades

Enquanto me entretenho a tentar dar um rumo a um livro que, há longo tempo, tento escrever, a política portuguesa segue o rumo de uma autêntica comédia, a não parecer quase trágica.

Cavaco, do alto da sua insignificância, diz que a alternativa ao Euro seria ruinosa, se ele não dissesse não acreditávamos. Agora que já se tinha iniciado o cunho das moedas de 50 paus e a estampagem, quais t-shir't’s, das nouvelles notas de “conto”, é que o Sr. Silva vem mandar parar a ansiedade dos cotas, que tinham a legítima esperança de gastar as economias antes de partir para o outro mundo.

O Louçã insiste em sacar a “pasta” a quem a tem para investir por aí, e de preferência com muitos empregos para os, inaptos, tugas na alta velocidade.

O Jerónimo diz que sim, que o investimento tem de ser público, como se o público não tivesse já metido no prego os anéis que sobraram das estradas que por aí grassam.

O Portas, que ninguém leva a sério, foi ao Cavaco fazer queixinhas, enquanto pedia desculpa pela campanha do Independente nos idos anos 90.

Os ministro correm a dizer que tudo está bem e bem há-de estar.

O Norte continua a assobiar enquanto é posto à parte destes investimentos todos.

E nos Açores tivemos o momento Júlio Isidro. Carlos César assume que há muito viu em Alegre o que parece que o PS vai assumir em breve: O homem ideal para vencer o Sr. Silva dos discursos insignificantes.

Eu, como nem de relações percebo, nem de política quero saber, vou tentar dar rumo ao livro, na esperança de fazer algo de útil, não vá a minha cabeça entrar nesta onda de parvoíce colectiva.

A actualidade é dura, mas em liberdade podemos sempre alhear-nos como se nada fosse.

Até que a água nos chegue aos pés, isto parece ser, embora movediça, areia firme. Sim areia. Porque se tentarmos sentir algo em tudo isto, esvaísse-nos entre os dedos.

quinta-feira, abril 29, 2010

Tânger

Terra de mercadores, primeira conquista portuguesa em África.

Tem todo o ar de cidade virada para o contrabando e para as trocas comerciais com a Europa. Os polícias estão sempre prontos a multar os ocidentais, em busca de um suborno que lhes componha o ordenado que o Rei lhes paga. Eu, como não gosto de subornar, pago e peço talão. Eles não gostam, mas acho que, se todos formos na conversa dos “criminosos”, acabamos por lhes dar razão para agirem como agem.

Tenho por hábito fugir aos “aglomerados” de machos, homens de negócios em busca de proveitos em terras estrangeiras. E um grupo que convivia no bar do hotel veio confirmar os meus temores.

Seis cromos na ordem dos 50, telefonam cheios de ganas, às 6 da tarde, para uma “promotora” de bons momentos. Pedem-lhe que se desloque ao hotel, exigem rapidez, e que se faça acompanhar de 5 amigas.

Ás 18h45 chega o harém solicitado.

Raparigas com bom aspecto, com tez magrebina, vestes ocidentais e perfumes foleiros.

Cá como aí, mulheres de vida.

Não gosto de lhes chamar o que são, prefiro manter-me longe da ideia de comprar os serviços que prestam.

E gosto de me manter longe de homens que negoceiam assim.

terça-feira, abril 27, 2010

Casablanca

Cidade fantástica. Encantadora.

Tem a maior Mesquita do mundo, e, para acompanhar o feito, os condutores mais “apanhados” com quem eu dividi os espaço das ruas por onde tenho conduzido.

Não tenho grande paciência para o trânsito das grandes cidades, e, normalmente, “passo-me” com os autênticos pastores que grassam pelas nossas estradas e ruas citadinas. O português, que normalmente é stressado, conduz como pensa: Muito devagar, de preferência de forma a estorvar o vizinho.

Aqui, onde as pessoas não transmitem stress em nenhuma situação, onde há sempre um sorriso para responder a uma pergunta, por parva que seja, onde o tempo parece prolongar-se de forma a apreciarmos o que de belo por cá se fez, o que de esplendoroso eles mantêm, conduzem como verdadeiros artistas.

Numa espécie de bailado coordenado, num contorcionismo que faz pasmar, aparecem por todos os lados, e cabem sempre onde ninguém acredita ser possível.

Então os “Petit Taxi”, que, como o nome indica são mesmo pequenos, aparecem como mosquitos. Devem bater muito, (embora nestas 24h ainda não tenha visto nenhum acidente), a julgar pelos imensos danos visíveis.

Mas, apesar de tudo, do trânsito constante e dos condutores loucos, é uma cidade a visitar.

Eu estou em trabalho, senão, visitava com certeza.

terça-feira, abril 20, 2010

O poder das pessoas

Uma mulher, que não seja estúpida, cedo ou tarde encontra um farrapo humano e tenta salvá-lo. Às vezes consegue. Porém, uma mulher, que não seja estúpida, cedo ou tarde encontra um homem são e reduze-o a um farrapo. Sempre consegue. (Cesare Pavese, in Il mistiere di vivere.)

Coloquei esta frase no mural do meu facebook. É uma das muitas que li num site bastante agradável, de que uso e abuso, de onde tiro frases, pensamentos, reflexões e onde consulto fabulosos autores das mais variadas épocas.

Esta é uma das cerca de 400 do tema mulher. Podia ser do tema pessoas. Ou do tema amor.

Curiosamente não gerou tanta polémica como uma outra publicada há alguns dias, mas gerou discordância em privado.

Gostava de aqui deixar a minha opinião acerca da dita.

Acho que a vontade de salvar um farrapo humano é comum aos nativos dos dois sexos. Quanto a reduzir a farrapo, é bem possível que a causa não seja a mulher, mas sim a paixão. A paixão, a insegurança, a solidão, a ilusão, as expectativas, são tudo factores que podem fazer de uma mente sã uma espécie de farrapo.

Como me dizia uma amiga, as pessoas não sabem viver sozinhas. Quando se livram de uma relação onde não querem estar, ou de onde são levados a sair, tratam imediatamente de procurar alternativa.

Há quem diga que não. Mas não há quem o faça.

As relações levam sempre uma das partes ao ponto de desespero, seja porque não se sentem nem ali, seja porque não sentem o outro ali.

Conhecem relações perfeitas? Nem eu.

Mas daí a perceberem que o fim do amor é inevitável vai uma enorme distancia. As relações só são algo parecido com a perfeição quando deixam de importar. Quando se deixa andar só porque o outro não incomoda muito, ou que até dá jeito.

Essas são as relações normais. As que perduram. Que levam e trazem fogachos de respeito e cumplicidade que se confundem com amor. As que geram a confiança entre duas pessoas que se respeitam, amam os filhos e não têm tempo nem coragem de assumir a ruptura.

Depois há os pragmáticos, os chamados homens ou mulheres de uma relação só. Aqueles que se separam antes de se tornarem farrapos, que antecipam o futuro da relação e precipitam o fim. Com determinação saltam de relação em relação até atinarem com a enfermeira, ou com o geriatra que os acompanhará até ao fim dos dias.

Esse é o poder que todos têm, a bomba atómica da relação.

Assim tenham a coragem de carregar no botão.

Senão, passam a vida a viver em guerra-fria…

domingo, abril 18, 2010

O vulcão islandês

Estes islandeses teimam em encrencar os europeus de qualquer forma.

Há alguns meses decidiram não apoiar um acordo com alguns credores (leia-se bancos do centro da Europa), o que levou à irritação de uma série de burocratas que lhes tinha indicado um caminho, impar diziam, para repor no bolso dos especuladores o dinheiro que, repentinamente, desvalorizou a moeda lá do burgo.

Faliram.

Como represália, e numa tentativa de retribuírem os prejuízos, em perfeito conluio com a natureza da ilha, de origem vulcânica num clima gélido, “impelem” uma nuvem de matéria por essa Europa fora.

Com os aviões em terra, a Europa a despender dinheiro, seja a pagar estadias e refeições, seja a alugar transportes alternativos, a Islândia, ironicamente, tem o espaço aéreo aberto. O aeroporto da capital está em pleno funcionamento, só que a população já não dispõe dos meios de que dispunha para viagens lúdicas. 

Sinais dos tempos…

domingo, abril 04, 2010

Notícias à pressão…

Quando vejo um dos jornais televisivos diários, o que, felizmente, é raro, interrogo-me porque têm os ditos que “encontrar” notícias suficientes para preencher o tempo de antena.

É irritante a quantidade de banalidades que brotam das bocas dos apresentadores.

A gripe A era, até há pouco, o “tapa-buracos”, o assunto recorrente até às campanhas eleitorais e às escutas de que já ninguém fala. Agora passámos ao PEC, esse bicho que nos há-de levar por esta crise fora, imposto por uma Europa forte que se una contra os fracos, numa espécie de matilha que, não expulsando quem não quer, o morde continuamente nas patas, para que este ao menos não pense que come e dorme seguro sem dar algo em troca.

Hoje, na ausência de notícias políticas, era o Tivoli, a urgência (?) de Valença, e a Páscoa de Castelo de Vide com a mistura de tradições judaicas e cristãs.

Com jornais tão enfadonhos, seria melhor fazer como o milionário que impõe folclore transmontano ao canal televisivo.

Já imaginaram se a imprensa escrita tivesse que preencher X folhas por dia, houvesse ou não notícias? Provavelmente enchiam-nas com puzzles sudoku, ou banda-desenhada.

Porque as notícias não têm dia e hora marcadas, seria bom que adequassem os horários à quantidade das ditas que têm para dar.

quinta-feira, abril 01, 2010

A morte à espreita

Temos como certo o destino. Ninguém escapa ao fim. Nem nada.

Todos o sabemos, não é nada de novo. O mundo, cheio de vida, é uma dança de cadeiras, ocupadas sequencialmente por nascimentos em lugares deixados vagos por quem parte.

A vida em tudo nos mostra que temos como certo o fim, embora vivamos como se aquele nunca viesse. Há-os que vivem com o epílogo no pensamento, não tirando partido, nem mesmo sentindo, o verdadeiro êxtase da existência.

Não que eu viva como um louco, em busca de diferentes experiências que me façam sentir vivo, nada disso. Acho apenas que, quando não fazemos algo, é uma parte de vida que deixamos de sentir.

Já todos nós perdemos alguém ou algo. Nada de novo.

Ontem, enquanto caminhava em direcção ao Metro, o Toni, amigo de longa data, vizinho mais velho que sempre respeitou os “putos” lá da rua, estava longe de imaginar que seria a sua ultima viagem terrena. Num ápice, num simples segundo, caiu e ali ficou. Apesar de rapidamente socorrido, de terem inclusive suspendido a circulação do Metro em toda a linha, a fim de facilitar a assistência, nada inverteu o destino do António Cunha.

Morreu com 49 anos.

É um amigo que parte, um pai que se perde, um filho que deixa os pais em dor e na angustia de verem partir quem criaram para cá deixar.

Conheci-o muito bem, privávamos conversas banais, ambições trocadas, relações falhadas, enfim, sobre tudo e sobre nada. Agradável no trato, sempre disposto à gargalhada ocasional ou ao conselho banal. Partiu.

Diziam-me hoje que havia um Padre que, nas Missas de Corpo Presente costumava dizer:

Até já!