domingo, janeiro 30, 2011

Anda tudo doido!

O Cavaco ganhou. Foi reeleito (surpresa) PR e nós, como bons democratas, comemos e calámos. Eu ainda refilo um pouquito, já que fui um dos vinte e tal % dos tugas que se deu ao trabalho de trocar um passeio no Shopping, por uma ida à velhinha Alexandre Herculano, para colocar um papelito numa caixa preta. Já agora, não sei porque é que os palermas que lá estão, por detrás da urna, nunca me deixam a mim colocar o voto.

Os alunos, professores e pais dos estudantes das escolas com contrato de associação (é assim que se chamam, eu informei-me) fazem manifestações de SOS. Até parece que, de repente, há mais alunos no privado do que no publico. O que me espanta é que parece que Fátima, Freguesia do Concelho de Ourém, tem tantas criancinhas como clérigos. Isto numa terra onde não há maternidade, nem casais de sexo oposto suficientes para procriar em tão elevado nº.

O FMI ainda não chegou, mas parece estar à espera de voo.

A Floribela e o Djaló deram um nome a uma criança que nasceu fruto do casamento entre ambos, esquisito parece, e anda tudo a Lyoncificar o próprio nome.

Para cúmulo o Elton John e o marido(!) também tiveram um filho.

Anda tudo doidinho da cabeça…

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Democracia e capitalismo

Estamos a uns dias de mais uma eleição.

Quanto à democracia, estamos entendidos. Com Socialistas ou sociais-democratas ficamos na mesma. Nada mudará, nem convém.

A democracia é sem duvida o sistema mais justo de vida em sociedade. Mesmo os que perdem têm voz. Temos por cá partidos que sempre perderam e, em atitudes constantes de inimputabilidade democrática, passam as legislaturas a actuar como vencedores e mesmo com moralidade superior aos que efectivamente ganham.

No capitalismo é igual. Todos têm a oportunidade de ganhar. Ganham muitos, mesmo que ganhem alguns que não merecem, mas, sejamos justos, ganhar muito dinheiro dá sempre algum trabalho. E ganhar pouco ou ser remediado dá muito trabalho também.

Na terra da democracia, apesar dos milhões de pobres, há muita gente que conseguiu o “american dream”, outros houve que ficaram pelo caminho, mas todos tiveram acesso às ferramentas do sucesso.

Não sei as percentagens de pobres nos países absolutistas ou com ditadores ao leme, mas serão seguramente superiores às dos países democráticos.

O capitalismo é, para mim sem duvida, o sistema financeiro que melhor pode garantir, com a democracia bem orientada, uma razoável e justa distribuição de riqueza.

Não há sistema político nem financeiro que actue com mais transparência, nem com maior justiça.

É nossa obrigação, com a arma que todos eles temem, o voto, fazer com que as coisas funcionem com justiça.

No panorama político português não há muitas oportunidades de, em consciência, e dentro do padrão de costumes e na defesa de um estado livre e democrático, europeu e social, de votar em alguém que, estando fora da esfera dos partidos, seja suficientemente “normal” para nos representar.

Assim, e como sou liberal, defendo um estado laico mas com respeito pelas tradições, que defenda o capital e proteja quem trabalha, vou votar em alguém que acabe esta dança de uma espécie de senadores que se acham donos da democracia lusitana, e a que todos fazem uma vénia e consideram figuras paternalistas.

Vou votar Fernando Nobre.

domingo, janeiro 09, 2011

Alguém explica?

Alguém me explica como se pode andar uma vida à procura de coisas efémeras?

A idade dá-nos algum juízo e discernimento em relação a tudo o que nos rodeia. Faz-nos ponderar no que é realmente importante e relativizar os insucessos. Contudo, há muita gente que ainda relativiza demais e outros que dão pouca importância ao que o é na realidade.

Importante mesmo, acho eu, é  tentar gozar o “bilhete” com tudo o que está incluído.

Esta vida não deixa de ser uma grande oportunidade de sentir e poder fazer sentir o que de melhor temos nós e o Mundo.

Ninguém consegue ter argumentos fortes contra a determinação e teimosia de muitos, mas contra a arrogância, avareza, cobardia, hipocrisia e estupidez, acho que se deve responder apenas com um olhar em frente determinado e seguro de que a viagem continua.

Ninguém explica a alguém que perde seja o que for, que o que é melhor para outros pode ser o pior para nós e que, apesar de todas as injustiças de uma sociedade como aquela em que vivemos, pior seria se tivéssemos que viver isolados do mundo e da gente que nos rodeia.

Porque apesar de às vezes ser inexplicável, a gente parva também tem direito à vida.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

O dia-a-dia

Eu, continuo a mudança. Corro, trabalho, descanso e escrevo quando me apetece.

O País continua a assobiar para o lado.

Um sem-abrigo nos EUA, graças a uma filmagem de um transeunte colocada no Youtube, ganhou um novo rumo para a vida e realizou um sonho de menino, que, apesar dos estudos e das várias tentativas, não tinha atingido sem as novas tecnologias.

Em Inglaterra uma mulher anunciou o suicídio no dia de natal, e apesar dos mais de 1000 amigos, ninguém a demoveu de tal intenção, que infelizmente concretizou.

Por cá uma jovem descontente com o tratamento recebido numa loja de equipamentos informáticos e de telecomunicações, e depois de ter perdido num centro de arbitragem a causa que defendia, fez um autêntico furacão que se dirigiu contra a dita companhia que, com a força que foi atingida, teve de recuar e retirar uma ação por difamação que havia intentado contra a cliente, por esta ter publicado uns posts num blogue a dizer o que lhe ia na alma.

As novas tecnologias põem-nos em contacto mais frequente com quem está mais longe, mas coloca-nos mais longe de quem deveria estar muito perto.

Com o devido balanço feito, acho contudo que são mais os benefícios do que os malefícios.

No meu dia-a-dia já não prescindo da tecnologia, mas consigo viver sem ela. Afinal, foi a tecnologia que me fez despertar para a mudança, que me fez conhecer algumas pessoas fantásticas e que me fez ganhar este hábito da escrita e de mais informação e leitura.

Não há coisas boas sem senãos.

É uma questão de equilíbrio, como em tudo na vida e no nosso dia-a-dia.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Vira o disco e toca o mesmo…

Mudou o ano, a merda continua a mesma.

Continuo a ver gente rica a dar lições de poupança ao comum dos tesos em tudo o que é programa de TV.

As novas “Conversas em família” são uma espécie de ping-pong entre os economistas que dizem que deveríamos poupar mais (!!!!) e os inimputáveis de esquerda a achar que tudo se consegue à custa do patrão, dos bancos e dos especuladores.

Uns exigem poupança aos que não conseguem sequer poupar para férias na Caparica ou na Bola de Nivea de Matosinhos, os outros acham que podem mandar no dinheiro dos outros. Aludem ambos, para o que lhes convém, aos variadíssimos estudos dos múltiplos organismos nacionais e internacionais.

Não tenham ilusões. Isto não vai lá com poesia de esquerda e política de direita. Ou se assume o capitalismo puro e duro e se aplica como nos EUA, ou o socialismo e isto vira uma nova URSS. É ver a que subsistiu. Pobres e desgraças existem em todos os modelos económicos, mas existem sempre mais pobres quando estes são pagos como profissionais da pobreza.

Ontem vi num qualquer programa de TV americano o recém-eleito presidente, acho, da Câmara dos Representantes. Era tão só um ex empregado de limpeza da mesma. Como se tal fosse possível nesta sociedade de peneiras em que só as cunhas, ou a corrupção e as burlas são free-pass para os lugares políticos.

Este modelo de País em que o Estado rouba constantemente quem não tem para poder dar a alguns que não fizeram nada para ter, em que o Estado vende por tuta-e-meia as mais-valias futuras de todos os recursos públicos e subsidia, com o dinheiro do consumidor, os défices de exploração privados, não tem futuro.

Os mentirosos não podem continuar a ganhar com a mentira.

O Ano que aí vem vai dar tanta merda que o ar vai ser irrespirável.

Ah! Já agora, acabem lá com essa espécie de claques organizadas em que se tornaram os sindicatos, verdadeiros trampolins para os governos socialistas, a ver pela ultima aquisição do Ministério da Educação. E pela Ministra do Emprego. E outros…

Bom ano….

domingo, dezembro 19, 2010

Ainda a Justiça

Ouvi um destes dias o Ministro da Justiça queixar-se da falta de recursos da Justiça portuguesa.

Pudera.

Senão vejam:

Uma Sra. em litígio com um inquilino manda retirar o contador da água, para poder, uma vez mais, ao arrepio da justiça dos tribunais, fazer pressão para o levar a abandonar o apartamento que lhe tinha arrendado.

O inquilino pede ao funcionário encarregue da dita missão que aguarde enquanto contacta o advogado, para poder impedir o corte visto ter o contador em seu nome e com as contas em dia.

Ao ser confrontado com a chegada da proprietária, que tentava forçar a entrada do dito Sr., segura a porta do prédio, da entrada que partilham, impedindo a dita Sra. de levar a sua avante.

Com a indicação do Advogado, deixa o funcionário retirar o contador. Entretanto a senhoria deu-lhe acesso por outra porta, impondo a sua vontade de “proprietária”, como fez questão de vincar.

Uns minutos depois chega a Polícia. Bate à porta do inquilino, identifica-o e aconselha (como se alguém lhe tivesse pedido) um procedimento judicial.

Uns meses mais tarde o inquilino é chamado a depor em sede de inquérito. Vai à PSP e relata o que aconteceu. Todos são chamados a depor.

Mais uns meses e recebe a notificação do Tribunal. Acusação de agressão e injúrias à dita senhoria. A dita ofendida pede indemnização. Ficou ferida no braço por ter sido agredida com a porta!

Julgamento: 1ª sessão. Todos são ouvidos, excepto o Sr. que tinha ido fazer o corte. Incongruências da queixosa e das suas testemunhas em relação à porta e sua posição em relação à mesma. Espanto por só se ter deslocado ao Instituto de Medicina Legal 12!! dias depois da agressão, e espanto de todos por a principal testemunha de todo o ocorrido, apesar de ter sido ouvida em sede de inquérito, não ter sido chamada a depor pelo Ministério Publico.

2ª Sessão, imposta pela necessidade de ouvir o “Sr. da Água”. Diz a citada testemunha que não viu nenhuma agressão, o Sr. foi muito educado, a Sra. também, todos algo enervados mas nada de exageros nem agressões. Repetiu, segundo o próprio, “tudo o que havia dito em sede de inquérito”. Como havia dito coisas sem sentido, deve ter pensado o Polícia, não é importante. Então se os colegas foram registar uma queixa de agressão, o homem não a tinha visto? É porque se tinha ausentado…

3ª Sessão e última: Leitura da sentença. Até o Ministério Publico se retirou da acusação. “Vá à sua vida…”

É este o estado da justiça:

Um julgamento com muitas horas de “trabalho”, muita incompetência, muito show-off (que esta gente fala toda muito alto dentro das salas de tribunal, parecem educadores de indigentes. Só lhes falta dizer “qu’horror” no fim de cada frase). Andou uma dezena de pessoas a correr para um Tribunal para ouvir no fim aquilo que era evidente. Ninguém no seu perfeito juízo levaria a julgamento tal caso em nenhuma parte do mundo civilizado.

Excepto em Portugal.

Assim uma Juíza, uma Procuradora e dois advogados puderam amealhar, as duas primeiras pontos para a carreira e os causídicos uns euros para as prendinhas de Natal.

Os incompetentes esgotam os recursos deste País.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Advogados, Juizes e afins...

Não gosto desta classe.
Não que tenha alguma espécie de reparo em particular a quem quer que seja, até porque tenho amigos, familiares e conhecidos, que respeito, na profissão.
Acho é que, ao contrário do que apregoam e deveriam fazer, se tornaram numa classe aburguesada, que entre si, trabalhadores da justiça e administradores da dita, se protegem numa espécie de mundo à parte.
Em primeiro lugar são raros os casos em que apresentam um nome próprio. Intitulam-se todos Dr.s, tratam-se todos por Exª, Eminência, meretísssimo, e sabe-se lá o que mais. Não conheço muitos (excepto os meus amigos) que se apresentem com o nome próprio. Ele é Martins da Rocha, Soares de Oliveira, Santana Lopes, Marinho Pinto, Azevedo Matos, Oliveira de Sousa, Santos de Oliveira... Já as S.ras Dr.as são tipo Sandra de Rocha Matos, Etelvina Sousa Mendes, Joaquina de Monteiro Pacheco... Aburguesaram-se de tal maneira que, quem se der ao trabalho de assistir a um julgamento banal e vulgar de alguém que se queixou de outrem, de uma eventual agressão ou difamação, pode ver o/a Procuradora, numa orquestra afinada com Juiz/Juiza e assistente, a tentar encontrar culpa numa acusação por muito espatafurdia que pareça. Chega-se ao cúmulo de os advogados fazerem uma espécie de gritaria acusatória e de arrogante censura do arguido, sem que o mesmo seja defendido pelo tribunal que deveria manter a presunção de inocência do acusado e não o contrário. Passam os julgamentos num ping-pong de argumentos, tentam contornar a lei ou aplicá-la, como quem enche sacos de gomas. No fim cumprimentam-se, depois de uns se acusarem aos outros e de tentarem derrotar o "colega" fulano de baltrano. O réu, se for do povo e não burguês, é tratado pelo nome próprio, não vá achar-se alguém daquele meio de elite.
Trabalham pouco os advogados. Têm azar quanto aos julgamentos. São definidos prazos.
Em cada chamada que atendem, justificam o facto de ainda não terem feito nada com os prazos: "Ainda temos 12 dias... Só termina no próximo Mês...". O cliente, que normalmente paga adiantado, é sujeito às vontades do prestador do serviço.
Os advogados, que abrangem todos os que andam nas barras dos tribunais, não passam de contornadores de leis. Por cada parecer juridico que se arranje, com mais algum dinheirinho se encontra um que diga o contrário. São uma classe que pouco produz a favor da sociedade, que se remeteu a uma espécie de classe mafiosa, que cobra os honorários que bem entende, se o cliente se distrair e não pedir antecipadamente um orçamento discriminado. Dão-se ao luxo de cobrar tudo e mais alguma coisa. Ganham nome nas Tv's e política para depois poderem passear a fama nos tribunais, que, com juízes e procuradores tenrinhos, lhes vão fazendo o favor de ajudar no que podem. Julgam-se uns aos outros e cumprimentam-se no fim, e acham-nos todos pouco dignos do esforço das mentes brilhantes que procuram criar e explorar os buracos das leis.
Sem querer com isto generalizar, acho que lhes fazia bem um estágio na vida real. Deviam ir para a rua trabalhar, apanhar frio, sofrer na vida real e serem tratados por Zé, Joana, Pedro ou Maria.
Talvez assim caíssem na real e reparassem que quem lhes dá de comer somos todos nós que andámos há anos a alimentar uma máquina de justiça que, qual canibal, come todos aqueles que deveria servir. Absolvições e condenações incríveis são seladas com apertos de mão dos homens e mulheres de vestes pretas, que não passam de um conjunto de servidores, mas que se acham e tornaram num grupo digno de vassalagem.
Só espero que com este texto não vá parar a tribunal...

terça-feira, dezembro 07, 2010

Cá se vai andando...

Fazendo das tripas coração, como diz o povo, vamos-nos preparando para o que aí vem.
Não bastava o prometido aumento de impostos para 2011, a baixa de salários para alguns, e a depressão generalizada, ainda temos o Natal e o 1º dia do novo ano a um Sábado.
Para o ano, até a Sexta-Feira Santa vai ser a um Sábado.
Os patrões acham que tudo não passa de má vontade dos trabalhadores, batem palmas quando ouvem falar em baixa de salários devido à fraca produtividade, os trabalhadores acham sempre que alguém fica com a melhor e maior parte do proveito. Achamos sempre que é o patrão, mas não. É o Estado. O nosso buraco principal.
O Estado, não os funcionários públicos, que esses fazem das tripas coração e da indiferença vontade.
O buraco, para além dos recursos, vai agora, parece, levar-nos os feriados. Sim porque festas, só ao Sábado. E se possível, passam a taxar os Sábados.
Não sei como um funcionário publico consegue fazer uma carreira inteira sem matar um qualquer responsável político. Tenho a firme certeza que todas as revoluções mais importantes foram impulsionadas e lideradas por funcionários publicos. Sim porque não existe patrão mais endinheirado e com recursos tão abundantes como o estado.
E que raio de patrão. Muda as regras como bem entende, impõe quebras de vencimentos, altera a idade da reforma e não existe um empregado que o sequestre e lhe aperte os colarinhos?
Já imaginaram se um qualquer dono de fábrica, a espelho do que o estado português vai fazer no próximo ano, aumentasse as receitas e simultaneamente baixasse ordenados?
E, já agora, comprasse novos carros e barcos, continuasse a passear pelo mundo fora, esbanjasse literalmente dinheiro em festas e recepções milionárias para os amigos e conhecidos?
Agora ponham-se no lugar dos funcionários públicos.
Não se acham capazes de torcer o pescoço a alguém?

terça-feira, novembro 30, 2010

Trabalho, Inverno e Feriados

Ontem alguém me perguntava que raio de feriado era o de amanhã.
Ainda há muita ignorância neste País, pensei. Mas, o mais assustador era que esse alguém é licenciado numa das "nouvelles" engenharias, com tiques de licenciado mas com cultura de analfabeto.
As conversas de café resumem-se a casas com segredos e vidas alheias, ninguém se dá ao trabalho de perguntar o ano de implantação da republica, nem da independência, nem sequer da restauração da dita.
A malta gosta é de nevões para ficar retido nas estradas e serem entrevistados pelos ávidos reportéres da desgraça, que enchem telejornais com tanta palha, que promovem a falta de instrução geral.
A informação económica, cultural e histórica fica para os canais de cabo, pouco acessiveis ao zé povinho. Deixam para os generalistas todo o lixo com que se possa encher a pouca dedicação intelectual do tuga.
As televisões, como o País, estão rendidas à fast-food mental. A obesidade intelectual é o caminho mais fácil. Como no trabalho, ou na educação, assim como na alimentação, o importante é encher de entulho.
Um povo informado e formado pode ser um empecilho para o lucro fácil. Pelo menos para o imediato. Contudo transforma-se num corpo obeso e pouco móvel, que dificilmente se adaptará a novos desafios e constantes mudanças.
O segredo está na história. E a nossa está repleta de sucessos nos tempos em que nem havia feriados, nem segurança social. A malta dedicava-se ao trabalho. Que é o que faz falta.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Inimputáveis

Há-os por cá aos magotes. São muitos.

Ontem fui a uma Missa de 7º dia. Já não ia há algum tempo a uma celebração tão prepotente, tão cheia de mensagens de humildade e tão inócua de significado se dali tirar a homenagem a quem tinha morrido.

Sou uma espécie de católico informado. Os católicos, como os comunistas e outras religiões, quando tomam conhecimento mais aprofundado da realidade, chegam rapidamente à conclusão que acreditam numa verdade piedosa. Dizem-nos maravilhas de um mundo que não somos capazes de mostrar, mas que fielmente tentamos apregoar.

A Igreja, ou melhor, o edifício onde foi celebrada a dita eucaristia, não tem acessos para pessoas portadoras de deficiência. Física, entenda-se.

O Padre, mostrando-se como um igual, apenas pastor do rebanho (nesta fase senti-me com frio, estranhando a ausência de lã), senta-se numa cadeira imponente e elevada em relação aos seus 10! acólitos. No exterior grandes cartazes anunciam que as obras da igreja ainda não foram pagas; esqueci-me de perguntar se tinham sido ali colocados pelos credores se pelo dito padre. Padre que tinha ar de poupado. Apresenta uma farta cabeleira com calvície frontal a espelhar os seguramente mais de 60 anos. Com dificuldade de locomoção devido à obesidade aparente, orava com acentuação grave de duas em duas palavras na tentativa de mostrar a seriedade da mensagem.

Há pouco, vi na televisão as várias mensagens de esquerda, inimputável como a igreja, que apela à greve com o mesmo sentido sério e crente de quem se sente capaz de mudar porque sim.

Todos por cá se vangloriam da cimeira que organizaram. As festas correm sempre bem em Portugal. Faltaram foi os cartazes a anunciar que ainda nada estava pago, podia ser que assim nos ajudassem com alguma coisinha.

Portugal parece a casa de um qualquer bom vivant que, apesar de descapitalizado, continua a fazer festas e viagens lúdicas.

Continuam os nossos governantes a dizer que não precisamos da ajuda de ninguém, muito menos dos especuladores, outrora investidores informados do nosso radiante futuro.

A mim, que sou imputável, ainda me vão chamar infame pagão. E logo eu, outrora futuro pastor de um qualquer rebanho de reformados e incautos em busca de uma salvação que este mundo já não pode garantir.

E os inimputáveis continuam em alta, porque quando a crise aperta, tanto no tempo que parece restar como no dinheiro que aparenta faltar, qualquer vendedor de sonhos ganha áurea de salvador.

 

P.S.: Honra seja feita aos padres da Diocese de Braga que, a pedido do Bispo, acederam a doar um vencimento para ajudar os que mais precisam. Quero também afirmar que nem todos os padres são assim, nem todos os de esquerda são também assim. Mas que a floresta encobre as boas árvores…

quinta-feira, novembro 18, 2010

Sasha–1999/2010

 

17022009509

 

Morreu hoje.

Uma companheira de quase 12 anos que parte. Não é relevante se comparado com o facto de todos os dias alguém perder gente demasiado importante na sua vida.

Não deixa de ser é curioso o facto de sentirmos um nó na garganta, pelo menos eu sinto, cada vez que falamos de uma animal de estimação tão dedicado como o cão.

Acompanhou-me, sem reclamar, sem compreender muitas vezes as más disposições dos humanos, sem sequer ignorar fosse quem fosse que com ela se cruzasse num qualquer passeio matinal ou vespertino.

Morreu como viveu, calmamente deitada.

E é mais uma estrela que brilha no meu céu.

domingo, novembro 14, 2010

Porto Runner

 

Já me sinto aliviado da tensão que criei a mim próprio nos últimos 4 meses.

No dia 7 de Novembro de 2010 atingi um dos objectivos a que me propus.

Nada de especial. Tão só deixar-me embalar num rotineiro trote pelas ruas do Porto, cidade que me viu nascer e que sempre me surpreende pela beleza que espalha.

Na companhia de mais uns quantos apaixonados, que têm como passatempo, sempre que podem, experimentar as sensações que a endorfina nos provoca.

Quando embalei ruas da invicta fora, com a chuva que ainda caía naquela manhã de Domingo, senti a verdadeira liberdade. Senti que apesar do sofrimento que vinha, valia a pena estar ali.

Comecei em Julho a preparação. Durou todo o Verão, custou-me alguns petiscos, muitas unhas negras e horas de descanso. Mas não trocava nenhuma hora de treino por outra qualquer coisa.

Concentrado em ver no que me tinha tornado, curioso com as descobertas que faria, lancei-me ao desafio. É curioso como, depois de tanto treinarmos, sabermos que aquele pode ser um dos maus dias, um de pouca disposição para o sofrimento. Treinei afincadamente o sofrimento. E rapidamente me apercebi que o dito era a única companhia que tinha assegurada para aquela manhã.

Sem enumerar etapas, sem sequer as prever, achei que a banda que tocava junto à Alfandega do Porto estava já mais cansada com a hora e meia de atuação, do que eu e o Pedro com o alcatrão já calcorreado.

Impressionante a frescura que apresentavam os primeiros da prova, como se as endorfinas deles fossem mais puras que as minhas. Ou então nem dão por elas, entretidos com os tempos e os mínimos e os prémios. Sim que isto de correr é como sexo: Não deixa de o ser quando é pago, mas sabe melhor conquistado, desejado, suado e por prazer.

O Porto visto de Gaia é formidável. Enche-nos a alma dizer aos que cá vieram apenas sofrer que aquela é a nossa cidade, e que aquele quadro pintado em socalcos urbanizados é elixir suficiente para inebriar os músculos e levitar mais um pouco.

Já ia longo o caminho, decalcado por tantos Domingos a contar a sombra das pontes, a saltar entre canas de pesca e sacos de isco, e a cidade só para mim.

Vale a pena tanto andar para desfrutar da cidade só para nós. Não faço uso da música para me entreter nas horas que passo enfiado nas sapatilhas. A cidade é a melodia ideal. De noite a melodia é de luz, naquele Domingo a melodia era o Rio, a paisagem e o vento.

O vento, esse companheiro de sempre. Quando saio para treinar escolho o trajeto pela sua direção; nesse dia não me deu escolha. Depois de tanto esperar que eu passasse teve de soprar. E apanhou-me em cheio. Lá fui empurrando como consegui, sangrando da inexperiência latente na t-shirt, só pensava que estava ali para aquilo. Para sofrer. Ninguém me tinha dito que as endorfinas não são eternas. Somos nós que temos de enfrentar todo aquele emaranhado de sensações.

Não há como fugir. É um encontro com o nosso interior.

Buscamos forças onde já não as há. E choramos sem lágrimas deitar.

A emoção maior, a mais esperada, a meta.

Adornada por amigos que como eu sofreram e que deram o bálsamo para amenizar tudo aquilo que estava espalhado pelas ruas da minha cidade.

Felicitado, medalhado, fotografado e já com o descanso de ter terminado, senti-me finalmente um PORTO RUNNER! 

Porto Runner

terça-feira, outubro 26, 2010

A Mudança continua...

Poderia chamar-lhe a mudança contínua. Sim porque um acento gráfico muda completamente o sentido da palavra e da própria frase, ou fase.
Continua porque, 3 anos depois, continuo em luta contra o excesso de peso. Excesso que já vem, dizem os cardápios e diz aqui , de um grau de obesidade 2. Tinha a ideia de que engordar e manter-me assim seria inevitável. Na família havia antecedentes de excesso de peso, a minha actividade profissional era demasiado propícia a abusos e ao sedentarismo, e o tempo, esse bem raro para todos nós que achamos ter qualidade de vida, não sobrava para o exercício físico.
A rotina dos dias transformara-se em comer, conduzir, almoços e jantares de trabalho e descanso que a vida de comercial é muito desgastante.
Um belo dia, depois de comprar umas calças com o número 54 (!) decidi que chegava. Tinha 134 kgs. Comecei a controlar o que comia, a abdicar dos excessos e a tentar emagrecer.
No ano seguinte deixei de fumar. Um farmacêutico caído do Céu, qual anjo disfarçado que nunca mais vi (e continuo a ir à mesma Farmácia), vendeu-me (literalmente) um medicamento, dizia, "milagroso e revolucionário", que me levou a deixar de fumar.
Como tinha perdido até aí, com a dieta, cerca de 9 kg, fiquei com receio de vir a recuperar o que menos desejava, os quilos a mais. Comecei então a correr. Melhor, a andar depressa. Fazia inicialmente 4 Kms entre caminhada e corrida, sendo que a corrida se ficava pelos cerca de 400 mts. Durante todo o Inverno resisti à tentação de ficar em casa, no quentinho, e mesmo no estrangeiro corria todos os dias. Pouco a pouco fui ganhando o gosto à corrida e aos resultados que eram visíveis.
Em Setembro de 2009 fiz uma primeira corrida, já aqui relatada, e em Outubro a 1ª corrida com distância significativa. 2 horas e 20 minutos de um sacrificado mas glorioso caminho com 21 km e 97 metros. Hoje, ao recordar aquela corrida solitária em direcção ao meu objectivo, arrepio-me de tamanha determinação. E admiro a determinação do homem. Com um enorme arrepio de emoção cortei a meta e reparei que já eram poucos os que faltavam chegar, como eram poucos os que por ali ainda estavam. Com o dorsal ensanguentado e os pés em papa, olhei para o céu e recordei todos os passos que me tinham levado até ali. Tinha valido a pena.
Este ano, e depois de muitos Kms que já se transformaram em prazer, fiz a mesma prova em menos 22 minutos. Acabei ainda com muita gente na meta, com os merecidos aplausos que vieram um ano depois. Fiquei para aplaudir os que vinham, como eu um ano antes, sem público e com esforço redobrado.
Agora, quase a chegar ao peso ideal, estou a uma semana e meia de um desafio que abracei em Novembro do ano passado, a Maratona. A distância mítica de 42,195 Kms que medeia entre Atenas e aquela cidade Grega.
Continuo na evolução contínua de um plano de treino tirado da internet, com a duração de 20, já longas, semanas. Não dispenso a consulta do site de um amigo de pelotão, o Vitor Dias, que não conheço pessoalmente, mas que tem sido incansável na ajuda que me tem proporcionado. Incentiva, dá dicas de treino, de descanso e de nutrição. Mesmo com as imensas tarefas e ocupações que tem e para as que é solicitado e não enjeita, tem sempre uma palavra ou um gesto simpático que muito me ajuda a ultrapassar as dificuldades.
Continuo a progredir. Espero não parar.
A vida continua e o esforço é contínuo.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Crise da minha dívida

Eu, chegado ao ponto em que os especuladores da praça fizeram subir a taxa de juro que me exigem para me emprestar algum dinheirito, a um ponto tal que acho que não vou poder pagar, decidi, enquanto não me aumentarem o ordenado, não pagar nem uma mensalidade de qualquer empréstimo. Caso queiram receber o que já vos devo, terão de aumentar os montantes em dívida até à cifra necessária para vos pagar os juros. Prometo que deposito o que me emprestarem nos vossos bancos, contraio novos empréstimos nesses mesmos bancos e adiro a tudo o que são cartões bancários.

Para que acreditem que serei mesmo capaz de pagar vou reduzir os ordenados de todos os que para mim trabalham em 10%. As despesas que até aqui pagava aos meus funcionários passarão a ser suportadas pelos próprios. Os meus fornecedores terão de se contentar com metade das compras, sendo que os meus clientes serão penalizados com uma sobretaxa sobre tudo o que já compraram de 20%.

Se, mesmo assim, estas medidas não forem suficientes, os meus credores terão de me devolver 20% da taxa de juro cobrada.

Espero com estas medidas acalmar os vossos ímpetos de cobrança e baixar a taxa de esforço praticada em qualquer operação bancária.

Tudo o que fiz até aqui foi bem feito, por isso, gostava que me explicassem porque decidiram atacar-me na minha reputação enquanto bom cliente e provável pagador integral das minhas dividas.

As minhas contas são sãs. As dos meus netos e bisnetos é que podem, eventualmente, e caso continuem a especular, derrapar. Tenham pena dos que hão-de vir…

sábado, outubro 16, 2010

Um ano depois

Foi há um ano que houve eleições nesta espécie de País.

Há um ano, o palhaço do Ministro das Finanças, que hoje se diz cheio de experiência (só se for de fazer merda atrás de merda), aumentou, porque dizia ter margem, os funcionários públicos em 2,9% e diminuiu o Iva. Inclusive o da Coca-Cola.

Agora corta a torto e a direito. PALHAÇOS! GATUNOS! INCOMPETENTES!

Eu, como pessoa de bom senso, quero aqui o FMI JÁ!

O Estado dito social está a ser o reflexo do que é o Socialismo. Roubar à economia para manter o sonho de não fazer nada e ganhar algum à custa dos que pagam e fazem muito.

Há um ano, uma senhora dizia que não havia dinheiro para as anunciadas loucuras. Ninguém a levou a sério. No tempo dos programas voyeuristas que tanto entretêm o Zé Povinho, os parolos achavam que ter uma “velha feia” como 1ª Ministra, não era muito agradável. Vai daí elegeram um pseudo Engenheiro com ar de Pinóquio, que é tão mentiroso como aquele que dizia salvar o Boavista com dinheiro dos Árabes.

Agora tudo sofre.

O Estado Social está moribundo. Esta ideia que o tuga tem de que o Estado é o Pai que nos protege e governa, sem ter a ideia que tudo pagamos, levou-nos a ser geridos por uma corja de sonhadores, autênticos burlões bem vestidos, que nos venderam o sonho do “Tudo à Borla”, sem explicarem que a factura vinha depois.

E eu que acreditava na Senhora…

segunda-feira, setembro 20, 2010

Revisão

Por todos os meios disponíveis, fazem-nos chegar aos ouvidos notícias e relatos de gente, da esquerda à direita, mais ou menos indignados, uns porque sim, os outros porque não.

O PSD, sem medo, avança com um projecto que escarrapache na Constituição aquilo que nós já temos, o pagamento da saúde e da educação. Não há quem não se queixe dos preços dos livros, das taxas moderadoras, dos “mitras” que não pagam mas que não saem do balcão do café, etc., etc., etc…

O PS, que todos os dias procura nos bolsos do contribuinte o dinheiro necessário para silenciar quem mama do orçamento, diz que não, que não pode ser, nem pensar em mexer no Estado Social (?), mas que sim, vamos lá ver o que se pode fazer.

O PCP, partido mais ou menos inimputável do nosso sistema constitucional, que apresenta um candidato partidário, o que, à luz da constituição que ajudaram a redigir e aprovar em 1976, é inconstitucional. Mas no PCP, tudo o que tem o crivo do Comité Central, é como o que emana de um Concílio do Vaticano: Dogmas incontestáveis. Os camaradas são a representação fidedigna do povo trabalhador e tal…

O BE, partido que nem é nem deixa ser, continua a achar mais importante a discussão sobre os casamentos gay e adopções dos ditos casais, do que a própria Constituição. Não os condeno. Com este PS tudo o que for de esquerda e não necessite de fundos, desde que sirva para abandalhar, eles aprovam

O PP, bem o PP…

É compreensível. É uma espécie de sogra. A filha, ou filho, muito queridos, defendidos mas sempre sobre alerta, sobre pressão, de não deixarem o par sem apoio e sem o amor incondicional. Não venha a filha, ou filho, devolvido. Elas preferem sempre ir lá a casa mandar, mudar e manobrar. É como o PP. Nunca propõe mas faz. Ou diz como fazer. E depois diz que avisou.

Enquanto isto, a malta casa, divorcia-se, junta-se, separa-se. Uns cuidam dos filhos, outros fogem dos ditos e fazem outros.

Freud dizia que os homens não buscam a felicidade com medo de provocar infelicidade nas relações que vão, ingloriamente, mantendo. O pavor da mágoa que sempre fica de uma relação que termina, é superior à desconhecida mesura de felicidade que deixa de se procurar.

Talvez tenham os homens transportado tudo isto para a política e, ingloriamente, continuem a procurar felicidade e caminho para o que já não dá fruto.

Revisões precisam-se.

domingo, setembro 12, 2010

Nortada

 

Acho que nunca escrevi aqui sobre futebol. Sabem os que me conhecem melhor que, enquanto adepto benfiquista, abstenho-me de fazer comentários jocosos ou depreciativos em relação aos outros clubes do panorama desportivo nacional.

Enquanto miúdo, filho de uma benfiquista ferrenha e de um ex-portista convertido à força (o poder feminino não tem fronteiras), tornei-me alvo de vários tios que, com vontade de por uma lança em território inimigo, me levavam ao Estádio do Porto, equipado a rigor (na altura havia o hábito da bandeira, as camisolas são mais modernas), a ver se me encaminhavam para o rol de adeptos do clube azul e branco.

O meu Pai, como gostava de futebol e não querendo contrariar a esposa, filiou-se num outro histórico do Porto, o Salgueiros. Por influência de um amigo da família que era dirigente do velhinho e simpático clube, que na altura militava nas divisões secundárias, tendo mesmo, por um ano, jogado na 3ª divisão nacional, seguia a equipa de perto, estando presente em quase todos os jogos.

Os meus irmãos mais velhos jogavam no Salgueiros (Basquetebol 1º e futebol mais tarde), eram dois deles benfiquistas e um sportinguista, e eu, não querendo, por estratégia, contraria-los e por ambicionar jogar também no salgueiral, rendi-me à Alma salgueirista. Lembro-me que a minha prenda do 6º aniversário foi o cartão de sócio do Salgueiros, do qual ainda sou associado.

Sei bem o que aquele clube sofreu no tempo da ditadura, depois de apoiar o candidato Humberto Delgado ao ceder as instalações desportivas para um comício, quando não houve mais quem se disponibilizasse para tamanha afronta ao regime de então.

Com a ajuda e trabalho pós-laboral(!) dos sócios e amigos do clube, construiu-se na década de 70 uma bancada nova. Cada um trazia o que podia, desde sacos de cimento até ao tijolo. Pedra a pedra cresceu um sonho.

No norte estamos todos habituados a sofrer para conseguir seja o que for. Não faltarão exemplos por este País fora de casos parecidos, mas, como os tripeiros, é difícil. De ser e de explicar.

Já quando nos limitámos às tripas dos porcos para dar a carne às tropas exaustas e com fome, mostramos ao País que poderia contar com o Porto para o ajudar a crescer e a ser um País mais justo.

Nunca por cá se é mal recebido.

Tudo isto para vos dizer que, embora não sendo portista, tenho a perfeita consciência que o que para cá vem, sai daqui valorizado. Porque no Porto, seja no futebol seja noutro sector qualquer da sociedade, as pessoas contagiam-se e esforçam-se por fazer mais e melhor com muito menos que os outros.

Esta semana, um ex jogador portista, dizia que o Benfica era uma brincadeira e o Porto uma família. Não sendo o sujeito uma grande exemplo, diga-se que, por cá, as pessoas superam-se e transformam-se para melhor.

Na política é igual.

Sempre que um bom quadro vai para Lisboa, estraga-se. Veja-se o Ministro Teixeira dos Santos, ou Augusto Santos Silva. Dão, enquanto governantes, cobertura ao saque às regiões mais desfavorecidas, sendo a principal, por ser uma das que mais contribui e que menos recebe, a Região Norte.

O desperdício continua em Lisboa. É um autêntico triângulo das bermudas dos recursos do País. Veja-se a quantidade de institutos públicos, de chefias militares e civis, de escritórios vários, de direcções gerais, de secretarias de estado, ministérios e tudo o que os faz, ou melhor, que não os faz, mexer. Recursos que se perdem na burocrata e burguesa Lisboa, com o seu Terreiro do Paço como expoente máximo do desperdício Luso.

E diz o Presidente da Republica que Portugal tem de “favorecer o aumento da produção de bens e serviços transaccionáveis, em detrimento daqueles que não são transaccionados nos mercados internacionais”.

Ao contrário do que defendem, sacam recursos das regiões mais desprotegidas para alimentar a obesa máquina estatal e os Escritórios de Advogados e de Estudos que a ela se colam, quais carraças.

Resta-nos a esperança de um dia algum queira ficar por cá numa espécie de e-governo, e, na ânsia de melhorar o País, se lembre de regionalizar. Porque esta região com autonomia, poderia transformar-se num motor catalisador do resto da Nação.

Agora, continuarem a comer a carne e a deixarem-nos as tripas é que não.

Pode ser que o povo acorde…

1 Ano depois…

 

E 6 dias, para ser absolutamente preciso nas datas.

http://tripasenortadas.blogspot.com/2009/09/00h48m03s.html

Hoje, para fazer uma pequena comparação com a prova de há um ano, fui à mesma corridinha.

Fui sozinho. A companhia cingiu-se aos muitos milhares de atletas e candidatos a tal.

Esperava fazer o mesmo trajecto do ano anterior, mas o dito foi alterado. Foi menos interessante, mas muito recompensador, atendendo ao facto de, este ano, ter sido um dos que acabou a prova com a sensação de que era pouco. Fiz outros tantos Km’s e assim satisfiz a minha vontade de calcorrear alcatrão.

Uma prova engraçada para iniciar. Fica a curiosidade de, no final, o meu GPS marcar menos 1,5 Km que a distância anunciada.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Acordo sem tempo

Acho que anda tudo ao contrário. O acordo ortográfico leva-me a achar que tudo muda. É quase como se, de repente, mudassem o lado da condução. Passava a ser tudo à direita, com a prioridade à esquerda, circular à esquerda (o que já muitos fazem, e que passariam a fazer à direita), ultrapassar pela direita, etc.

Além do mais estou a chegar à idade em que tudo o que foi há 20 anos me parece ter sido ontem. Cheguei ao tempo em que os anos parecem meses, quando antes, os meses pareciam anos. Excepto nas férias. Esses meses nunca foram grandes.

Ora, como a resistência à mudança aumenta com os anos, estou com uma séria dificuldade em me adaptar ao dito. Mas anda para aí malta que até já se adaptou aos vícios linguísticos da juventude dos nossos dias. O “brutal”, o “rsrsrsrs”, o “xd” ou o “babe” já fazem parte do vernáculo que usam em tudo o que são redes sociais e mesmo na troca de sms’s, muito em voga nos dias que correm, ganhando ao escândalo do meu tempo que se limitou ao “fixe”. E mesmo este foi roubado para uma campanha eleitoral. Não estou a ver nenhum slogan do género: “Passos Coelho o Brutal Candidato, lol”…

Não concordo com o acordo e é-me difícil ter tempo para o entender. Fui “formatado” com outro software e já não estou a tempo de um reset.

Este blogue vai manter-se fiel ao português antigo.