terça-feira, abril 12, 2011

Maratona de Milão 2011

4H 14M 49S Tempo oficial.

Não foi a pensar neste tempo final que, no Sábado, cedinho, bem cedo, fui para o Aeroporto.

Depois da minha primeira experiência na distância rainha do atletismo, no Porto, em Novembro último, e desafiado pelos meus companheiros do Porto Runners, inscrevi-me na Maratona de Milão.

O facto de ser no exterior, de ser uma prova numa cidade com um clima ameno, mesmo fresco na Primavera, levou-me a pensar que, com treino, poderia baixar das 4 horas de tempo final.

Cheguei ao Aeroporto, encontro o grupo da equipa Douro Azul, animados com é apanágio. Passo pela segurança, chego à porta de embarque e, já sentados à espera da hora de saída, o Mesquita e o Carlos Rocha. Saudações, conversas futebolísticas e eis que chega o grosso do nosso pelotão. Todos animados saltamos para o laranja voador.

Conversas animadas, troca de experiências, expectativas e, acima de tudo, boa disposição de todos.

Chegados a Milão, depois de uma viagem de autocarro de 50 kms, o nosso maior obstáculo mostrava toda a sua imponência: 33º!

Uma semana antes, todos comentávamos que, os esperados 22º eram um exagero, que a baixa humidade relativa, combinada com o calor, levaria a que o esforço despendido tivesse que ser superior, etc. e tal, e eis que se confirmavam os nossos temores.

Sem deixar de passar pela fantástica nave principal da Estação Central de Milão, fomos em busca de um sítio para almoçar. Distribuídos pelas mesas disponíveis, rapidamente devorámos massa e pizza para repor energia, recarregar e voltar ao caminho.

Enquanto alguns foram de metro para o hotel, eu e mais os Jotas (de João: Meixedo, Morais, Freitas e Vieira) acompanhados de um outro companheiro de viagem português que conhecêramos no avião, fomos a caminhar debaixo daquele calor de matar. Guiados por uma bússola de um Iphone, lá fomos caminhando pelas ruas e avenidas de Milão até ao nosso destino. Pelo meio, uma incursão por uma das imensas gelatarias de Milão, onde encontrámos iguarias suficientes para nos baixar a temperatura.

Chegados ao hotel, surpresa: Algumas reservas não existiam. Confusão instalada. Telefonemas, mais telefonemas, boa vontade e lá se arranjou solução.

Entretanto, eram quase 18h. Tínhamos ainda que ir levantar os dorsais e eu, que estava ainda a 4 estações de metro de distância do meu hotel, ainda tinha que ir fazer o check-in. O Vasco Batista lá se disponibilizou para levantar o meu kit da maratona, e assim, fiz-me ao caminho, prometendo regressar às 20h, depois de uma refrescadela.

Depois de um agradável jantar na Via Dante, lá fomos todos descansar o esqueleto de um estafante dia, que já ia bem longo.  

6h. Saltei com o ti-ri-ri-ri do Nokia, sempre irritante. Saltei ainda mais com ten-ten-ten do Blackberry. É curioso como, quando queremos muito estar a horas em qualquer lugar, até levamos mais que um despertador…

Primeira contrariedade, o pequeno-almoço só seria servido depois das 7h30. Impossível esperar. Era arriscado, não dava para ir ter com o resto do pessoal, como combinado, e estar a horas na partida, que era um pouco distante.

Cheguei ao Genius hotel, para deixar a minha bagagem, já que, como regressava ao Porto nessa noite, fiz o check-out do meu hotel, às 7h15. O João Meixedo disponibilizou o quarto para o banho depois da prova e para ali deixar a mala, mas quando bati à porta, já lá não estava. Desci e deixei-a na recepção, na esperança que ali estivesse quando regressasse.

Entretanto acumulava erros e lapsos. Não tinha tomado pequeno-almoço, tinha bebido pouca água na véspera, caminhado sob um sol abrasador, e descansado pouco devido ao excessivo calor.

Enquanto esperava pelo metro que me levaria a Rho para a partida, comi o que tinha: 3 barras de cereais e um gel que vinha no kit da maratona e dizia ser indicado para esforços prolongados, desde que consumido entre 1 a 2 horas antes. Enfim…

Chegado à partida, primeira alegria: água! Bebi 2 garrafas e levei outra na mão. Primeira preocupação: Tinha deixado os protectores dos mamilos no hotel. Toca a procurar, junto com a malta do Douro Azul, que me acompanhara na viagem até ali, alguém com vaselina ou pensos. Nada! Só latas e boiões de vaselina vazios. Já imaginava o quanto iria sofrer com o tecido a roçar, começar a sangrar, e com a água… Ufff! O peito a arder é horrível. Acho que é pior que uma cãibra. Enfim, em busca de alguém que me salvasse, encontro, finalmente, o Carlos Rocha. Com o ar mais desesperado do mundo enquanto o via deixar o saco com os seus pertences, no camião que os recolhe e leva para a chegada, ouvi-o dizer que não tinha nem pensos nem qualquer creme protector. Espera, diz-me. O Pedro é capaz de ter. E tinha. Uns milagrosos pensos para calos da compeed (merecem a publicidade) doados pelo Pedro Viana.

Fiz-me à partida. Com um tempo de maratona fraco, fui colocado na parte de trás do pelotão. Demorei uns 3 minutos até cruzar a partida.

Mais um erro: Depois de arrancar, vejo uns tipos com uns balões na cabeça que diziam 4h45. Nem pensar, disse para mim mesmo, tenho que ir em busca do das 4h. Vi mais balões à frente, fui passando balões, 4h30, 4h15… Não vi mais nenhum. Vou muito lento, pensei. Ali vou eu a acelerar (palerma), cruzo-me com o João Vieira (excelente estreia) e o João Mota Freitas que o acompanhava, pergunto para que tempo correm, dizem-me sem expectativas de tempo, que queriam apenas chegar ao fim, o tempo final é o corolário dessa vontade. Ok, pensei. Ou ficas e tens companhia, ou então fazes o que já te disseram muitas vezes, vai no teu passo, não exageres, nem fiques, nem aceleres, mantém um passo. Olho para o Garmin, vejo que estava mais próximo dos 6/Km, decidi ir atrás dos balões das 4h. Disse-lhes, prevendo um desfecho fatal, que ia indo e eles apanhavam-me mais à frente.

Um pouco antes da incursão pelo centro histórico da cidade, onde nos cruzávamos com atletas que tinham, seguramente, mais 3 ou 4 kms que nós, cruzo-me com muitos colegas de equipa, com um cumprimento especial ao Meixedo. Ia bem, como sempre. Mais um grupo de runners, entre eles o nosso presidente, todos em excelente ritmo.

Junto à Catedral de Milão, a nossa claque. Nunca falham no apoio. Que bem que soube aquele banho de reconhecimento, a nossa camisola é uma responsabilidade, que nos é recompensada pelo carinho e força transmitido por todos.

Até ao Km 30 corri num ritmo consistente entre os 5 minutos e 20/Km e os 5’45. Mesmo a parar momentaneamente em todos os abastecimentos para beber isostar e carregar uma garrafa de água, consegui, até ao km 30 manter um ritmo consistente. Nos 5 kms seguintes oscilei entre os 6’ e os 6’30, já depois de ter enjoado completamente ao gel, fruta e isostar. Antes, no abastecimento dos 30 kms o João Vieira e o João Freitas passaram por mim, deram-me força, e eu tentei, mas as pernas…

Abrandei, andei a passo, pensei em tudo e mais alguma coisa. Vejo um espanhol cheio de cãibras, todo esticado, fico com ele uns instantes, estico-lhe os pés, dou-lhe uma esponja com água e digo-lhe que aquilo não é lugar para desistir. Lembro-me de repente da Jangada de Pedra do Saramago, agarro no Jimenez e ali fomos os dois amparados nas fraquezas de um e do outro. Foram uns arrastados 5 kms a 7, 7’30. O espanhol definitivamente ficou no chão, agarrado à perna, ao km 40. Eu segui com duas garrafas de água nas mãos. Fui passando gente, ganhando forças sei lá onde, e acabei debaixo daquele sol escaldante com um sprint de 1 km a 6’11, o 42º, e mais 600 metros a 5’32. Foi um final à Porto Runner.

Melhorei o meu tempo nos 42,195 km em 14 minutos, não conseguindo, contudo, baixar das desejadas 4h. Mas 4 anos apenas depois dos 134kg, correr uma maratona com uma média de 5’58/Km, não deixa de ser motivo de orgulho.

Dos 4025 atletas que iniciaram a prova, 3403 chegaram à meta. Fiquei em 2372º lugar da geral, acham mau?

Um obrigado a todos os que me ajudaram na preparação para esta empreitada. Não fico por aqui. Vou continuar, porque a corrida já faz parte da minha vida.

O Porto Runners é já o meu clube. A todos vós um muito obrigado por me terem recebido de braços abertos. 

sexta-feira, abril 08, 2011

Desafios

Todos nós temos desafios que colocámos a nós próprios. Desafios de mudança, ou de conquista, desafios que nos levam em busca de realização pessoal.
Há uns anos atrás, não sonhava sequer em conseguir fazer um jogo de futsal sem cair para o lado no fim, mas, depois de muita luta e sacrifício lá cheguei ao fim numa distância que não é fácil de concluir, nem para os profissionais.
Amanhã, mais uma vez, parto em busca da realização de mais uma empreitada de 42,195 km. Vou, com um alargado grupo de atletas do clube onde corro (Porto Runners), participar na Maratona de Milão. Espero apenas acabar.
Entretanto, aqui fica um artigo referente aos meus, digámos, miseros kapabites de fama.

Rui Pinho- Já pesou 134 Kgs, hoje corre maratonas

quarta-feira, abril 06, 2011

Dia D

Agora que o homem pediu apoio financeiro à União Europeia, admitiu que a situação era insustentável, será que agora vai, finalmente, admitir que as políticas seguidas foram erradas? Não me parece.

Os banqueiros vieram gritar vivas, não ao FMI, mas ao alívio.

Infelizmente o Zé povinho, enganado por um esquizofrénico da imagem, acha e está convencido, que, se não viesse o FMI, o Sócrates podia continuar o regabofe, e que, com um esforcito, a malta tinha aumentos e dinheiro para gastar já ao virar da esquina.

Os partidos mais à esquerda continuam a falar de um mundo que já acabou na década de 80, depois da queda do muro.

Entretanto, enquanto aguardava que as Tv’s entrassem em directo, o Primeiro Ministro demissionário fazia uma figura triste, transmitida pela TVI por acidente, mas que demonstra bem o político preocupado com o País que é José Sócrates. Os grandes estadistas têm este tipo de atitudes. Infelizmente, os exemplos de grandes estadistas para este Sr. são o Berlusconi e o Sarkozy…

Enfim, um dia decisivo para o nosso futuro, e o peneirento, a pedir a um colaborador para ver qual o melhor ângulo para o show…

terça-feira, abril 05, 2011

Este País não é para moinas!

Vejo um Sr. muito bem vestido, com botões de punho reluzentes, a dizer que Portugal precisa de um empréstimo urgente, que estanque a subida das taxas de juro da dívida pública.

Espanta-me esta onda dos banqueiros. Agora que acabou a concessão de créditos e negócios chorudos a 50 e 60 anos, as famosas parcerias público privadas (PPP’s), que nos vão levar grande parte dos recursos nas próximas décadas, hipotecando assim o País, choram lágrimas de crocodilo, como se não tivessem culpas no cartório.

Sempre votei desde que tenho cartão de eleitor. Não sou daqueles que acha que os Bancos não passam de associações de índole criminosa, com cobertura do estado. Parece-me que são essenciais ao desenvolvimento económico, que podem e devem alavancar as economias, fazendo apostas sãs, que promovam aquele investimento que traz riqueza. Não se devem envolver em negócios de especulação, como não se envolveram em demasia, caso contrário teriam tido o mesmo fim dos bancos irlandeses.

Chateia-me ouvir tudo o que é militante de extrema esquerda, que vive à custa do capitalismo, marchar contra este, como se fosse a fonte de todos os males. Não é.

Deveríamos ter em Portugal um partido de esquerda, entre o PS e o PC. Um partido que assumisse como normal este sistema (europeísta, a favor da moeda única) mas que lutasse contra os lobbies instituídos. Há sempre esperança quando se perfila uma nova liderança ao centro, mas os partidos do arco governativo deixam-se envolver pelos poderosos lobbies, distribuindo pelos que não têm as poucas migalhas que caem dos bolos que devoram.

Somos um País de moinas. Gravita tudo à volta do Estado.

Mal aparece alguém a lutar contra esses lobbies, há uma autêntica guerra de informação e contra-informação, alimentada por quem tem o poder neste País, como aconteceu nas últimas legislativas entre o Publico e o DN.

Por muito que queiram os partidos mais à esquerda, Portugal não sobrevive sem bancos, nem pode, de forma alguma, continuar a alimentar de subsídios quase tudo o que não é rentável nem quase todos os moinas deste País.

Desde que, no “reinado” de Guterres, o famoso diálogo começou a distribuir subsídios, tendo-se multiplicado as associações de tudo e todos bem como as fundações (chamadas S.A.) em busca de benefícios, proliferaram os moinas.

Temos que os mandar às malvas, é o que os bancos estão a fazer.

Mas moinas maiores que eles…

Foram os únicos que tiveram recursos para se segurarem. Pagaram a grandes escritórios de advogados (moinas!) para blindar tudo o que contratualizaram com o Estado.

Agora, das duas uma. Ou vota tudo à esquerda e eles estouram com o que ainda há cá de capital e nos albanizamos, ou quem ganhar as próximas eleições tem túbaros suficientes para lhes dizer que esperem ou então que renegoceiem. É a minha esperança.

Ide moinar ao caraças!

sexta-feira, abril 01, 2011

FMI

F de feitos num oito. De fo****s. De fomos enganados, completamente enganados. Fomos levados a crer que, se o Estado gastasse muito, se se desdobrassem as empresas publicas em várias empresas mais pequenas integradas em grupos empresariais, que teriam cargos para distribuir e divida para dividir.

F de famintos pelo poder. Tudo ao pote. Uns agora outros lá metidos. Os ex-presidentes de câmaras municipais foram metidos em cargos de chefia da administração publica, em institutos públicos e outros promovidos a Governadores civis.

F de falidos. Nós. O futuro.

F de formados. Uns ao Domingo, ou com imensas cadeiras que julgam, somadas, serem equivalentes a um curso superior, outros arduamente, com esforço, dos próprios, dos pais.

F de foras da lei. Todos os que foram ao pote.

M de merda. Que foi como deixaram o País. Nunca as finanças publicas estiveram tão mal.

M de marginais de colarinho branco. Que só se distinguem dos outros pelo poder económico, que de recurso em recurso, pago com o nosso dinheiro, voam até às absolvições escandalosas.

M de maçonaria. Maçonaria que está representada em larga escala no bloco central, principalmente no PS, e que em nome de ideais de alguns, destroem o País de todos. Maçonaria das Fundações, que cabia perfeitamente na letra anterior, mas que não passam de Fundações S.A., fachadas de lavagem de dinheiro com fins nebulosos.

I de insucesso. O caminho do bom aluno da Europa foi afinal um caminho Inglório.

I de inveja, de invejosos, de gente irritada com o facto tão humano de outros pensarem diferente.

I de insegurança. Portugal está a saque. A criminalidade aumenta a olhos vistos. Homens que sequestram e espancam a mulher têm como medida de coação uma distância mínima da vitima de 150 metros! Podem quase morar na mesma casa…

I de irresponsabilidade. Ninguém é responsável, ninguém quer responsabilidade por nada, nem ninguém está disponível a assumir quota de participação no caminho que foi seguido.

I de idiotas. Porque todos somos responsáveis pelo caminho que seguimos, uns por participação, outros por omissão.

I de imperativo. É imperativo mudar, e é imperativo injectar capital e capital de confiança neste País. E se os únicos que nos derem tempo forem os Sr.s do FMI, acho que é melhor do que o cobrador do fraque. Porque o default é semelhante ao Incómodo de ter um cobrador “à perna”: Vergonhoso.

segunda-feira, março 28, 2011

Crise

O Príncipe herdeiro da coroa inglesa e sua esposa, Camila Parker bolas, iniciaram hoje uma visita de 3 dias a Portugal. Parece que já foram recebidos pelo casal representante da monarquia pasteleira deste País, os Silva, que na pessoa do homem lá da casa, muito honra o bolo que por cá homenageia os reis.

Diz a comunicação social, que o dito par vai oferecer um banquete ao Sr. que veste saias e joga polo, e à sua esposa pecadora, oriunda da nobreza, mas que parece que é mais galdéria, aos olhos do povo, do que era a falecida esposa do Carlos. É melhor dizerem que quem oferece o banquete somos nós, os contribuintes, porque se o Sr. Silva tivesse de pagar, iam seguramente comer o prato do dia na cantina do Campus Universitário.

O governo demitiu-se.

Com muita tristeza da malta, o Socras, como carinhosamente é tratado, vai recandidatar-se pelo seu partido, como figura maior de um novo governo. Ganhou as eleições internas com mais de 90% dos votos, sinal da pluralidade socialista, caso contrário teria 99.

Esta semana, o Lula e a herdeira, Dilma, vêm também a Portugal. Não se sabe ainda quem vai pagar o tacho, mas não sou seguramente eu, e o PCP diz que não cabem todos na cantina da Soeiro Pereira Gomes. Contudo, disponibilizou a Quinta da Atalaia para os brasucas montarem acampamento, se quiserem ocupar o lugar do Kadhafi na liderança dos escuteiros socialistas maçónicos.

Entretanto, o líder da oposição, Marce…, desculpem, Pedro Passos Coelho, encheu-se de coragem e pôs à prova o seu inglês em Bruxelas para garantir que tudo correrá pelo melhor para os Bancos a quem devemos dinheiro.

O Armando Vara, depois de ir buscar um atestado ao Médico de Família, foi ao BCP buscar a indeminização pela quebra de contrato. Recebeu uma pipa de massa e a Standard & Poor’s desceu, quase de imediato, o rating desse banco para quase lixo. Eu já achava o mesmo do dito banco e não sou analista económico.

Entre todos estes assuntos há um denominador comum, a crise.

As crises são janelas de oportunidade. Para todos.

Por cá, crise, só para alguns.

Sabem o que mais me irrita? Toda esta gente se serve do País. Falam muito do antigo regime, mas, pelo que dizem os antigos, sabiam todos com o que podiam contar.

Estes gajos baixaram a política a um nível tal, a bandalheira é tanta, que já ninguém sabe com o que contar. Não há a mais ínfima esperança no futuro. As pessoas olham para o para os diversos partidos e não vislumbram esperança. Acham, porque lhes vendem essa ideia, que são todos farinha do mesmo saco. Não são, nem podem ser considerados como tal.

As crises são recorrentes, sempre existiram, preocupante é a falta de esperança no futuro e um rumo para esta gente.

E decoro nos gastos, porque mesmo insignificantes, esses gastos são um insulto para quem anda com as calças na mão.

terça-feira, março 15, 2011

Mentira

Já não escrevo há algum tempo, mas passo os dias a pensar, matutar e a teorizar sobre tudo e mais alguma coisa.

Hoje, vimos uma entrevista inimaginável de um político à portuguesa, que enche de “papo” tudo o que é comentador político, quais Zandingas que podem adivinhar o próximo passo. Fazem um jogo absolutamente lamentável enganando a opinião pública menos informada, com um constante bate-papo sobre qualidades políticas de um Primeiro-Ministro, que mais não é, na minha modesta opinião, do que um malabarista.

Tem discurso de malabarista, afunda o País e, não tarda muito, leva o BE aos 20%, com este constante zoar dos comentadores que espelham o PS ao PSD. Não há mais nenhum País na Europa que não tenha um verdadeiro partido de direita como opção de governo.

Tem que haver alternativa a uma política do “tudo publico”.

É mentira que seja inevitável esta política cega de cortes a tudo o que é justo.

Deixem de lado as isenções, subsídios e benesses a todos os grupos capazes de reivindicação e olhem mais para quem precisa.

Acabem com os Governos Civis e demais institutos públicos, que mais não são do que poleiros de boys.

Acabem com o regabofe de gastos dos que (se) servem (d)o Estado.

Deixem de lado a ideia dos passes sociais, das habitações sociais, do estado social, da saúde publica ou da escola publica igual para todos.

O meu passe mensal de transporte publico não tem que custar tanto como o de um reformado com a pensão mínima. O meu pai, reformado, não precisa, como o Belmiro de Azevedo também não, de desconto nas viagens de comboio em lazer. Há gente que precisa de uma casa e não tem, porque mesmo que saia o euro milhões a quem já tenha uma, ninguém o pode tirar de lá. Porque raio é que há gente a fazer cirurgias no SNS ao preço da chuva, quando tem possibilidade de pagar mais alguma coisa, e outros que não deveriam pagar nada e mesmo assim pagam? Porque é que quem tem não pode pagar mais um pouco, para os que menos têm não pagarem?

E não me venham dizer que não, que a diferença já está espelhada no IRS, porque todos sabemos que não é verdade.

Este País está a saque. O Estado ROUBA literalmente os recursos, que deveriam servir para dinamizar a economia, para sustentar um Estado insustentável.

Estamos num beco sem saída. Tudo à rasca.

No ultimo Sábado o País mostrou ao poder político, que mesmo assim ignora, que todo o caminho traçado até aqui está errado.

Mas também andavam lá muitos que, nas últimas eleições ficaram em casa. E depois queixam-se. É sempre melhor protestar porque sim.

Como dizia um cartaz na baixa do Porto: “Ó Sócrates beija-me, que já estou farta de ser fodida!”

domingo, março 06, 2011

E o País, pah?

Este Portugal sempre foi mais de ser levado do que de levar.

Somos historicamente um país pouco revoltoso. Há boa maneira lusitana fomos de revolução em revolução, de revolta em revolta, a reboque de acontecimentos internacionais, de modas, de esperanças fundadas em movimentos começados por outros. Mesmo na ditadura fomos a reboque do resto do mundo, ou acham que as ditaduras foram por cá inventadas?

No seguimento do desnorte, do regabofe, da bandalheira a que o País tinha chegado nos primeiros anos da república, chegou-se à conclusão que só uma ditadura poria o país na linha. E sabem porquê? Precisamente porque o país que nos prometeram com a república, tinha chegado apenas a alguns privilegiados, enquanto que outros, com mais educação que os demais, ou com menos perícia para o gamanço, se limitavam a sobreviver.

Os anos de Salazar, apesar de todos os defeitos conhecidos, foram (como os do Marquês de Pombal) anos de reposição da ordem e de recuperação das finanças publicas. Foram anos de resgate. Resgatar o que poucos tinham gamado e devolver ao país o que era seu por direito. Salazar levou ao extremo essa máxima, fazendo pobre o povo para enriquecer o país. Esqueceu-se de, depois das contas em dia, olhar para os que mais necessitavam, daqueles que, por muito que quisessem, não conseguiam.

Agora, depois do 25 de Abril, o povo nem sabe muito bem o que deve querer. Não sabe nem quer saber.

Passamos de uma alta percentagem de analfabetos para uma alta percentagem de licenciados em áreas sem futuro. Os analfabetos trabalhavam, os licenciados dos nossos dias desesperam por um emprego. Ou então são caixas de supermercados, com vencimentos inferiores aos especializados cortadores de carnes ou dos padeiros.

Portugal passou de um país em que era difícil estudar, para um país onde é difícil encontrar quem saiba fazer. Acabaram as chamadas profissões de arte. Já ninguém quer passar anos a aprender pacientemente com um mestre. Os jovens licenciados acham que, como licenciados, já sabem muito. É mais fácil encontrar um Engenheiro Civil do que um bom encarregado de obra.

O parque automóvel é agora enorme. Há famílias com um verdadeiro stand à porta. Telemóveis aos magotes.

Mudar de sistema? Ninguém quer. O que se avizinha são manifestações utópicas que vão levar uns milhares a reclamar por mais direitos e por menos deveres.

O partido que está no poder ganhará de novo se voltar a mentir em época de campanha, se voltar aos aumentos em tempos que deveriam ser de poupança, se mantiver os discursos ditos de esquerda, porque não se vislumbra, apesar dos licenciados produzidos, uma mudança de mentalidade.

Nas últimas presidenciais um candidato idiota, sem o mínimo de cultura, uma espécie de Tiririca luso, que se destacou pelas atoardas que dizia todos os dias, teve os votos que teve. Ontem um grupo de intervenção ganhou o festival da canção, graças aos votos do público. A RTP, que supostamente faz serviço público, quis pagar aquela espécie de chuva de estrelas, com as chamadas que o público (que apesar da crise, tem sempre mais algum para gastar no que não interessa) faz para votar. Apesar dos maestros, músicos e outros entendidos espalhados pelo país, que não escolheram aquela vergonha, acharam que o povo deveria decidir. E decidiu. Como o povo gosta é de folclore, carnaval e futebol, deu a vitória aos que melhor representam o nosso cantinho.

Neste país de licenciados, letrados, chefes e directores (sem esquecer os empresários), onde a malta se amansa com umas palavras "de esquerda", contra os ricos, esses bandidos que tudo sugam, onde o que queremos é fazer nenhum, onde o Estado subsidia a preguiça e penaliza o trabalho, onde quem não paga uma multa vai preso e quem não cumpre promessas eleitorais é reeleito ou mesmo condecorado, já nada é de espantar.

Os mentirosos vingam sempre neste país. É mais admirado o Alves dos Reis do que Vasco da Gama. A malta gosta é de chicos-espertos. Se tivessem feito um referendo para escolher o nome do Centro comercial em frente ao estádio da luz, teriam escolhido Eusébio. Assim como no Porto, escolheriam Pinto da Costa para nome do estádio do clube. Porque se há coisa em que os tugas não perdoam, é na bola. Amansam com tudo, mas se veem um grupo de adeptos do clube rival: Pedrada e porrada neles.

sábado, fevereiro 26, 2011

À rasca?

Confesso que estou farto deste país. Desde que sou gente que sempre ouvi tudo e todos a queixarem-se de tudo, da vida, da falta de trabalho condigno, da crise, do dinheiro que é pouco, dos preços que são altos, etc. Quem dos que nasceram e cresceram nas décadas de 60, 70 e 80, não se lembra dos avós falarem dos preços baixos de tudo e mais alguma coisa, no tempo deles?

Esta geração nascida já em tempos europeus, que agora se diz à rasca, não deixa de ter razões para protestar, mas, os do meu tempo, não tinham nem carro para andar por aí à conta dos papás, nem net paga pelos papás. Não havia meios de protesto para além do voto, dos comícios, das manifestações ou da simples tertúlia à mesa de cafés rodeados de uns finos.

A minha geração lutou contra a falta de condições financeiras dos nossos pais para nos pagarem a faculdade. Lutamos por direitos que foram tomados como adquiridos pelas novas gerações e entretanto gastos pelas gerações mais velhas. Somos os que nos maravilhamos com a Europa e que perdemos a ilusão na mesma. Subimos ao Éden e rapidamente caímos na real.

Brincamos nas ruas das nossas terras, sem wireless ou redes móveis. A polícia conseguia assustar-nos e impunha respeito. Se fossemos apanhados pela justiça íamos parar à tutoria. As nossas loucuras passavam por campismo selvagem e um festival de música não passava de umas festas de garagem, ou de uns concertos nuns pavilhões desportivos.

O preço do petróleo não era discutido todos os dias, já que, os poucos que tinham carro, não o usavam todos os dias. Íamos a pé para a escola. Não havia sms, nem mms, nem e-mails. Mesmo assim, os velhos não apodreciam sozinhos em casa. Os partidos pequenos, tipo BE, não tinham audiência de milhões através das Tv’s, tinham que cativar audiência para os comícios, senão esfumavam-se.

Os políticos temiam o povo. Tudo era espontâneo.

Fazíamos RGA’s (Reunião geral de alunos) nas escolas. Havia conselhos de turma, em que os delegados estavam presentes, para castigar eventuais abusos de algum aluno. Agora nem sei, mas devem ter pedo-psiquiatras, pedagogos, sociólogos e  psicólogos.

A malta andava sempre à rasca. Dinheiro só nas férias. Trabalhávamos. Havia OTL (Ocupação de tempos livres), empregos em serviços públicos, essencialmente durante as férias, que  davam para ganhar uns cobres. Ou então, optava-se por outras ocupações, em bares, cafés ou discotecas. Havia quem fizesse festas de garagem para angariar dinheiro para as férias. Eu, com mais alguns amigos, cheguei a pintar umas casas para ir umas semanas para longe.

Ninguém imagina, principalmente os que não andaram por lá.

Ir para o Algarve era uma aventura de um dia. E longo.

Ir a Vila Real demorava 5 longas horas por estrada sinuosa.

Os piqueniques eram usuais a meio das viagens e nos dia de verão.

A TV era o nosso luxo, a nossa tecnologia. A missa, catequese e a Religião e Moral obrigatórias.

Somos uma geração que trabalha, que tem ordenados iguais há 10 ou mais anos e que abraça o futuro sem sol. As reformas já foram.

Os nossos pais não têm rendimentos para nos sustentar, nem querem. Foram educados no tempo em que, aos 19/20 os filhos iam para a tropa e, quando voltavam, saíam rapidamente de casa em busca de futuro.

Ficamos à rasca com a vida e o futuro nas mãos.

Já nem temos a ilusão. Continuaremos a lutar, como sempre, embora já nem os empregos conseguimos segurar. Os putos que se dizem à rasca, vêm já com mestrados, doutoramentos, erasmus e pós-graduações, e cobram metade dos salários que auferimos.

À rasca andámos todos, mas nós nascemos assim. 

Somos uma geração que cedo e sempre aprendeu a desenrascar-se.

Aprendam vocês também. Vão ver que vale a pena. Dá um sabor único à vida!

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Autoridade precisa-se!

Não querendo eu fazer concorrência ao Correio da Manhã, vou voltar ao assunto do meu ultimo post.

Quanto ao tema na prisão de Paços de Ferreira, que tanto comentário idiota, despropositado e mesmo irresponsável gerou, inclusive do Ministro da tutela, tão rápido para criticar quem deve manter a ordem numa prisão, parece-me óbvio que, uma pessoa que passa por 8 estabelecimentos prisionais em todo o País e que sempre teve tal comportamento, desculpa quase todas as medidas possíveis. Devem ter tentado mil e uma formas de dominar uma bisarma com mais de 1,80m e mais de 150 kg. Se fosse fácil e se o dito energúmeno obedecesse a ordens, como parecia que estava a fazer, tinham seguramente domado o auto-intitulado “animal”. Não o fizeram em nenhuma das oito (!) prisões por onde tinha passado, e, o que é certo, é que agora, segundo os relatórios hoje tornados públicos,  passou a ser um preso como os outros. Cumpre desde aquele dia todas as normas instituídas e todas as regras básicas de uma comunidade ou sociedade. Limpa a cela, defeca nos lugares apropriados e trata os demais, guardas incluídos, com civilidade. E ainda há quem diga que a actuação daqueles homens vai dar lugar a processos disciplinares? Onde chegou esta fixação pseudo-humanista que opta sempre por defender os que já estão condenados, por parecerem o elo fraco? Pelo menos averigúem primeiro e falem depois.

Ainda no seguimento desta sociedade e desta justiça que tão forte é contra fracos que nos defendem, fica aqui o meu espanto, quando vejo que, um homem é acusado de homicídio simples (6 a 12 anos de prisão) depois de disparar sobre um outro, desarmado, sendo que três dos tiros que acabariam por o matar, foram disparados com a vítima  de costas e em fuga, e enquanto tinha a neta ao colo. Outro, o tal polícia que, com um tiro, abateu um condutor em fuga, é acusado de homicídio qualificado (12 a 25 anos de prisão). Curiosamente, o 1º, é pai de uma Juíza.

Juíza essa que mantinha um diferendo com o atingido pelos tiros disparados pelo seu progenitor, depois de uma altercação, provocada pela retirada à força da filha menor, alvo de uma disputa de poder paternal, dos braços do Pai, por uma trupe que a acompanhava.

As visitas do Pai eram, por ordem judicial, pasme-se, em locais públicos e supervisionadas pela mãe! A tal Sra.ª Juíza.

Os juízes neste País são todos competentes e sérios à partida. O Curso no SEJ dá imediatamente um atestado de bom em tudo. Não há memória de algum ter sido avaliado negativamente, nem sequer no exercício das funções para as quais lhes pagámos principescamente (tirando aquele desgraçado, que se lembrou de afrontar pedófilos, mas que, depois de tornada pública a classificação e que tinham sido os representantes do partido do Paulo Pedroso, irmão de um outro Juiz, a classificarem-no assim, voltaram atrás).

Não querendo levantar questões de ética ou eventual favorecimento pessoal, às vezes o que parece é.

Que raio de Justiça se promove neste País!

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

É a vida…

O homem que não quer limpar a cela, outros que querem demonstrar aos demais o que acontece quando se desafiam as normas de uma comunidade.

Podiam desatar a disparar taser’s contra os membros do Governo, ou os líderes europeus. Seria uma boa forma de os chamarem à razão.

Aquele homem enfiado num espaço que é seu, que ocupa mais de metade dos seus dias, que devia estar com tudo menos com ar de prisão, transformou-o num autêntico nojo.

Como foi possível chegar a tal ponto?

Enfim, agora que divulgam o vídeo da operação, que decorreu em Setembro, vem tudo em catadupa bater nos homens que têm como missão impor a  ordem nas cadeias quando os demais guardas não conseguem pelos meios normais e habituais.

Confesso que, nestes casos, tenho uma tendência contrária aos demais, de dar o benefício da duvida às autoridades. As pessoas têm em democracia o hábito de desafiar as polícias, como se estivessem a enfrentar quem nos governa. Aquele polícia que está a ser julgado por ter disparado contra uma viatura em fuga, é o símbolo de um Estado que se demite das suas obrigações, porque não é admissível que, um qualquer cidadão desobedeça a uma ordem de paragem de uma autoridade. Não se deve disparar por dá cá aquela palha, mas, colocar miúdos sob uma pressão tremenda, em que se lhes exige eficácia na acção, com uma arma num coldre, e quando este é constantemente desautorizado pelo Estado, que representa, leva-o a tomar decisões de defesa que não passam de imposições do mais forte. Admira-me é que, só após terem visto que o condutor não era portador de nenhuma arma é que o acusaram de homicídio.

Infelizmente neste cantinho da Europa, os poderosos impõem-se aos demais com arrogância e prepotência. Os polícias impõem-se aos que deviam proteger com a lei da bala. Ninguém tolera nada. Nem uns, os que fogem à regra, nem outros, os que a impõem. Mas, mesmo assim, acho que os polícias têm a decisão mais difícil.

Teria sido mais fácil para o condutor que fugiu sem razão aparente, parar, bem como aquele prisioneiro saber acatar as regras que, enquanto foi livre, não quis respeitar, e por isso está preso.

É a vida em sociedade.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Chuva

Ainda que poucos gostem de dias como este, a mim em especial, fazem-me sentir que o tempo, a meteorologia, é um pouco como a vida.
Os momentos que doem, que marcam de negro a beleza do nosso sol, são os que mais nos definem e nos transformam.
Não há memórias abundantes de dias de sol. Temo-lo como adquirido.
Já a chuva, pouco apreciada, pode ter beleza que poucos são capazes de descortinar.
Não há um unico dia de chuva que não mostre a beleza deste sol que deve guiar os nossos dias.
Há momentos para tudo.
Sejam felizes também na nostalgia dos dias cinzentos.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Grande Mundo

Este é um daqueles textos que escrevo sem título e sem rumo.

Dizem-nos, quando nos ensinam a escrever textos, que devemos estruturar os ditos. A partir de uma ideia ou de um título desenvolve-se um texto.

Creio que se governa da mesma forma. Um telejornal deverá ser estruturado mais ou menos da mesma maneira. A vida igualmente.

Sem meta criada para o texto, devo no entanto esclarecer que tenho muitas ideias em mente. Gosto desta desafiante tarefa de manter este paciente em que se transformou o meu blogue, num, embora cada vez mais raro, constante debitar de ideias e criticas muito pessoais, fazendo uma distribuição que faz com que tenha meia dúzia de receptores dos textos.

A tecnologia tem encantos vários. Conheço gente que nunca vi, vejo notícias que nunca veria, tenho reações e sentimentos por assuntos que nunca vivi, como agora no Médio Oriente com tanta libertação à imagem do que por cá se passou quando eu era ainda imune ao mundo.

Há uns anos, ter um guarda-chuva com abertura automática era um avanço tecnológico, vidros eléctricos nos carros ou mesmo um auto-rádio era o que de mais revolucionário a industria automóvel desenvolvia. Agora, se nos vêm com um mapa no carro riem-se à gargalhada.

A tecnologia toma-nos e agarra-nos o dia. Mas tem maravilhas que seriam impossíveis, como retomar contactos com quem já os tínhamos perdido e manter muitos com quem eventualmente os perderíamos. 

O que nos afasta de relacionamentos mais próximos dos que estão mais próximos, aproxima-nos dos que estão longe.

Um grande mundo que nos aproxima a todos.

E já tenho título. O texto esse, vai saindo. Como saiu.

domingo, fevereiro 06, 2011

Passeio de Domingo

Escrevo enquanto observo, espantado, a quantidade imensa de carros que circula por esta marginal de Gaia.

As conversas dentro dos carros devem resumir-se ao preço dos combustíveis, à crise que assola o ocidente em geral e a Europa em particular, em que Portugal se destaca.

Sinceramente sinto-me um estranho na minha terra. Em todos os sentidos.

Sinto-me na obrigação de ser um exemplar cidadão. Cumpro os meus deveres cívicos e não deixo nunca de ser civilizado.

Separo o lixo, não caminho por cima das dunas, não destruo mobiliário urbano, paro nas passadeiras, cedo passagem no trânsito, lugares nos transportes públicos e  até sou dador de sangue.

Não compreendo como podem as pessoas em geral viverem sem o sentido de civilidade que nos deve guiar, sem a educação necessária e exigível para se sociabilizarem com os outros e sem a urbanidade de promoverem a sua própria cultura bem como dos que deles dependem.

Este hábito tuga de passear à beira-mar/rio e/ou nos centros comerciais, deixa pouco espaço para se habituarem aos verdadeiros benefícios da cultura. Os museus são espaços desconhecidos para os portugueses em geral.

Este País está tão mal que mais rápido se reconhece um pastor, cromo de um programa de tv, do que o nome de um qualquer navegador.

Os hábitos dos portugueses são apenas e só invejar e gastar.

E queixarem-se da crise ao volante do utilitário com jantes especiais, tecto de abrir e suspensão rebaixada.

Num vai-e-vem lento e panorâmico estouram o dia e o depósito, prontos para mais uma semana em que, o máximo que os vai preocupar, é se o Falcao ou o Cardozo jogam no fim-de-semana.

Parolos somos todos, mas há uns mais que outros…

domingo, janeiro 30, 2011

Anda tudo doido!

O Cavaco ganhou. Foi reeleito (surpresa) PR e nós, como bons democratas, comemos e calámos. Eu ainda refilo um pouquito, já que fui um dos vinte e tal % dos tugas que se deu ao trabalho de trocar um passeio no Shopping, por uma ida à velhinha Alexandre Herculano, para colocar um papelito numa caixa preta. Já agora, não sei porque é que os palermas que lá estão, por detrás da urna, nunca me deixam a mim colocar o voto.

Os alunos, professores e pais dos estudantes das escolas com contrato de associação (é assim que se chamam, eu informei-me) fazem manifestações de SOS. Até parece que, de repente, há mais alunos no privado do que no publico. O que me espanta é que parece que Fátima, Freguesia do Concelho de Ourém, tem tantas criancinhas como clérigos. Isto numa terra onde não há maternidade, nem casais de sexo oposto suficientes para procriar em tão elevado nº.

O FMI ainda não chegou, mas parece estar à espera de voo.

A Floribela e o Djaló deram um nome a uma criança que nasceu fruto do casamento entre ambos, esquisito parece, e anda tudo a Lyoncificar o próprio nome.

Para cúmulo o Elton John e o marido(!) também tiveram um filho.

Anda tudo doidinho da cabeça…

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Democracia e capitalismo

Estamos a uns dias de mais uma eleição.

Quanto à democracia, estamos entendidos. Com Socialistas ou sociais-democratas ficamos na mesma. Nada mudará, nem convém.

A democracia é sem duvida o sistema mais justo de vida em sociedade. Mesmo os que perdem têm voz. Temos por cá partidos que sempre perderam e, em atitudes constantes de inimputabilidade democrática, passam as legislaturas a actuar como vencedores e mesmo com moralidade superior aos que efectivamente ganham.

No capitalismo é igual. Todos têm a oportunidade de ganhar. Ganham muitos, mesmo que ganhem alguns que não merecem, mas, sejamos justos, ganhar muito dinheiro dá sempre algum trabalho. E ganhar pouco ou ser remediado dá muito trabalho também.

Na terra da democracia, apesar dos milhões de pobres, há muita gente que conseguiu o “american dream”, outros houve que ficaram pelo caminho, mas todos tiveram acesso às ferramentas do sucesso.

Não sei as percentagens de pobres nos países absolutistas ou com ditadores ao leme, mas serão seguramente superiores às dos países democráticos.

O capitalismo é, para mim sem duvida, o sistema financeiro que melhor pode garantir, com a democracia bem orientada, uma razoável e justa distribuição de riqueza.

Não há sistema político nem financeiro que actue com mais transparência, nem com maior justiça.

É nossa obrigação, com a arma que todos eles temem, o voto, fazer com que as coisas funcionem com justiça.

No panorama político português não há muitas oportunidades de, em consciência, e dentro do padrão de costumes e na defesa de um estado livre e democrático, europeu e social, de votar em alguém que, estando fora da esfera dos partidos, seja suficientemente “normal” para nos representar.

Assim, e como sou liberal, defendo um estado laico mas com respeito pelas tradições, que defenda o capital e proteja quem trabalha, vou votar em alguém que acabe esta dança de uma espécie de senadores que se acham donos da democracia lusitana, e a que todos fazem uma vénia e consideram figuras paternalistas.

Vou votar Fernando Nobre.

domingo, janeiro 09, 2011

Alguém explica?

Alguém me explica como se pode andar uma vida à procura de coisas efémeras?

A idade dá-nos algum juízo e discernimento em relação a tudo o que nos rodeia. Faz-nos ponderar no que é realmente importante e relativizar os insucessos. Contudo, há muita gente que ainda relativiza demais e outros que dão pouca importância ao que o é na realidade.

Importante mesmo, acho eu, é  tentar gozar o “bilhete” com tudo o que está incluído.

Esta vida não deixa de ser uma grande oportunidade de sentir e poder fazer sentir o que de melhor temos nós e o Mundo.

Ninguém consegue ter argumentos fortes contra a determinação e teimosia de muitos, mas contra a arrogância, avareza, cobardia, hipocrisia e estupidez, acho que se deve responder apenas com um olhar em frente determinado e seguro de que a viagem continua.

Ninguém explica a alguém que perde seja o que for, que o que é melhor para outros pode ser o pior para nós e que, apesar de todas as injustiças de uma sociedade como aquela em que vivemos, pior seria se tivéssemos que viver isolados do mundo e da gente que nos rodeia.

Porque apesar de às vezes ser inexplicável, a gente parva também tem direito à vida.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

O dia-a-dia

Eu, continuo a mudança. Corro, trabalho, descanso e escrevo quando me apetece.

O País continua a assobiar para o lado.

Um sem-abrigo nos EUA, graças a uma filmagem de um transeunte colocada no Youtube, ganhou um novo rumo para a vida e realizou um sonho de menino, que, apesar dos estudos e das várias tentativas, não tinha atingido sem as novas tecnologias.

Em Inglaterra uma mulher anunciou o suicídio no dia de natal, e apesar dos mais de 1000 amigos, ninguém a demoveu de tal intenção, que infelizmente concretizou.

Por cá uma jovem descontente com o tratamento recebido numa loja de equipamentos informáticos e de telecomunicações, e depois de ter perdido num centro de arbitragem a causa que defendia, fez um autêntico furacão que se dirigiu contra a dita companhia que, com a força que foi atingida, teve de recuar e retirar uma ação por difamação que havia intentado contra a cliente, por esta ter publicado uns posts num blogue a dizer o que lhe ia na alma.

As novas tecnologias põem-nos em contacto mais frequente com quem está mais longe, mas coloca-nos mais longe de quem deveria estar muito perto.

Com o devido balanço feito, acho contudo que são mais os benefícios do que os malefícios.

No meu dia-a-dia já não prescindo da tecnologia, mas consigo viver sem ela. Afinal, foi a tecnologia que me fez despertar para a mudança, que me fez conhecer algumas pessoas fantásticas e que me fez ganhar este hábito da escrita e de mais informação e leitura.

Não há coisas boas sem senãos.

É uma questão de equilíbrio, como em tudo na vida e no nosso dia-a-dia.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Vira o disco e toca o mesmo…

Mudou o ano, a merda continua a mesma.

Continuo a ver gente rica a dar lições de poupança ao comum dos tesos em tudo o que é programa de TV.

As novas “Conversas em família” são uma espécie de ping-pong entre os economistas que dizem que deveríamos poupar mais (!!!!) e os inimputáveis de esquerda a achar que tudo se consegue à custa do patrão, dos bancos e dos especuladores.

Uns exigem poupança aos que não conseguem sequer poupar para férias na Caparica ou na Bola de Nivea de Matosinhos, os outros acham que podem mandar no dinheiro dos outros. Aludem ambos, para o que lhes convém, aos variadíssimos estudos dos múltiplos organismos nacionais e internacionais.

Não tenham ilusões. Isto não vai lá com poesia de esquerda e política de direita. Ou se assume o capitalismo puro e duro e se aplica como nos EUA, ou o socialismo e isto vira uma nova URSS. É ver a que subsistiu. Pobres e desgraças existem em todos os modelos económicos, mas existem sempre mais pobres quando estes são pagos como profissionais da pobreza.

Ontem vi num qualquer programa de TV americano o recém-eleito presidente, acho, da Câmara dos Representantes. Era tão só um ex empregado de limpeza da mesma. Como se tal fosse possível nesta sociedade de peneiras em que só as cunhas, ou a corrupção e as burlas são free-pass para os lugares políticos.

Este modelo de País em que o Estado rouba constantemente quem não tem para poder dar a alguns que não fizeram nada para ter, em que o Estado vende por tuta-e-meia as mais-valias futuras de todos os recursos públicos e subsidia, com o dinheiro do consumidor, os défices de exploração privados, não tem futuro.

Os mentirosos não podem continuar a ganhar com a mentira.

O Ano que aí vem vai dar tanta merda que o ar vai ser irrespirável.

Ah! Já agora, acabem lá com essa espécie de claques organizadas em que se tornaram os sindicatos, verdadeiros trampolins para os governos socialistas, a ver pela ultima aquisição do Ministério da Educação. E pela Ministra do Emprego. E outros…

Bom ano….