Sou uma espécie de cancioneiro da corrida. Não faço relatos, transmito os sonhos que vivo nas minhas aventuras. Vou fazendo das tripas motivação.
segunda-feira, maio 30, 2011
REALidade
A nossa realidade é magnifica. Transforma-nos, por instantes, em crianças que quisemos deixar de ser, e a que recorrentemente tornamos.
Conseguimos com gestos de satisfação transformar qualquer momento numa realidade que nos fica gravada na memória. Em tudo. Não me recordo de quase nenhum dia na praia em especial. Lembro-me em geral de dias intermináveis passados no areal ocupados com brincadeiras de crianças ou de adolescentes a recrearem-se. Mas das idas à praia em dias de chuva lembro quase todos como dias marcantes e incrivelmente satisfatórios.
Curioso como a diferença na nossa realidade nos revela o fantástico de um momento diferente, que nos transporta para uma idade diferente, e que sabe lindamente. É nestas alturas que nos apercebemos que a nossa real idade é quase sempre adequada ao nosso contentamento. Quanto maior o prazer do momento, mais novos nos sentimos!
sexta-feira, maio 27, 2011
Mudança é vida
A vida passa ao lado de muitos dos que nascem.
A evolução trouxe-nos aqui, a este mundo estranho de conveniências e de bem-estar.
O ser-humano vive com uma insatisfação decorrente de querer tudo e de não conseguir quase nada.
Enquanto novos queremos independência, não queremos estudar, não nos apetece obedecer e, na ânsia sôfrega de pular do “ninho”, damos passos atrás, à frente, muitos para o lado, até chegarmos à desejada estabilidade, profissional e pessoal. Com tanta vontade de encontrar essa estabilidade, muitos colam-se na mais conveniente, na que foi mais trabalhada por uma das partes intervenientes no processo de construção da dita relação, seja pessoal ou profissional.
E quando achamos que já tudo encarreirou, vem a vontade de mudar. Nunca estamos satisfeitos. E depois, é um corrupio de emoções e de impulsos, que dominámos com a maturidade, mas que levam muitos à depressão ou à desistência por KO. Ninguém, ou poucos são os que ensinam a contornar as desilusões. Dominados pelas circunstâncias e vicissitudes da vida deixámo-nos levar, não pelos Pais, mas pelo bom-senso. Que nunca bate certo com a vontade.
Mas a essa vontade chama-se viver. As histórias que mais nos fascinam enquanto crianças são as do final “e viveram felizes para sempre”. Mas, à medida que vamos acumulando vida e vivências, o que nos fascina, a mim seguramente, é a capacidade de todos aqueles que buscam a felicidade ou a realização pessoal, de mudar, de correr riscos, de partir em busca do que tanto desejam. E esses, mesmo quando fracassam, ao chegar ao fim da linha, sentem-se preenchidos pela vida, pelo sal que lhe deram.
O que fica na memória nunca são os fracassos, são os passos que se dão para fracassar.
terça-feira, maio 24, 2011
Preço justo
Nesta vida tudo se paga.
Já todos ouvimos tal expressão.
Há expressões que espelham a nossa realidade com uma exactidão violenta.
Alguém me dizia há uns tempos que, sempre que queremos alguma coisa, sempre que almejamos uma meta, um objectivo, um sonho, se houver outra pessoa implicada, tudo se torna mais difícil, porque nem sempre o que nos convém, convirá ao(s) outro(s).
Há sonhos que inevitavelmente implicam mais alguém. Seja por participação directa, seja pela influência que têm nas nossas vidas. Esses são os mais difíceis, porque, normalmente, são os que têm tantos efeitos colaterais que transcendem o próprio, logo, estão sempre na dependência da bondade, vontade ou aceitação de alguém.
Passamos, egoisticamente, as nossas vidas a desejar muito, muitas coisas, criámos expectativas, defraudamos algumas, somos correspondidos no amor, no trabalho, nas amizades, na vida em geral… Ou não.
Em miúdo nunca sabia onde acabava o respeito e começava a ousadia excessiva até levar um estalo. Nunca conseguia decifrar o ponto em que “podia”… Ou não. Nalgumas situações era demasiado ousado, noutras demasiado respeitador? Não entendia. O preço? Levar ou não uma chapada. Enfim, havia sempre quem tentasse.
Um sinal que achamos que damos, mas que quem pretendemos que o entenda, nem se apercebe de tal. Um acontecimento que desejamos, que está prestes a desenrolar-se e, um contratempo atira para o lote dos “never happened”.
Enfim, passámos as nossas vidas em apalpadelas de sinais, de consensos, de encaixes de vontades. Somos correspondidos, às vezes fingidos, nunca sabemos se sim se não.
Que raio, tinha tudo isto de ser tão complicado?
Tinha quem nos programou de nos dar uma consciência que tanto nos trava os impulsos?
No trabalho, na vida pessoal, na família, na roda de amigos, no desporto…
Há sempre um “…e se eu…?”
Não há fórmulas perfeitas. A vida é o que é, somos nós que a fazemos, somos nós os condutores do nosso “carro”.
Mas há um preço para as interrogações e para as hesitações. Normalmente são as frustrações.
quinta-feira, maio 19, 2011
História
A história vai sendo feita do sumo dos dias. Apesar da muita parra e da, consequente, pouca uva, temos vivido dias históricos.
Tenho a sensação que a história que vai ser escrita pelos cancioneiros dos nossos dias, incluirá umas páginas sobre um indivíduo que, apesar de bom tribuno, não passa de um charlatão.
Como somos um País pequenino, não temos originalidade na criação ou no pensamento de novos ou diferentes sistemas políticos, mas fomos o País que despoletou uma nova forma de fazer barulho, de protestar, de fazer política sem ser político. Foi aqui, neste cantinho a sudoeste da Europa que começaram os protestos da sociedade civil contra a chamada classe política, na qual poucos se revêm.
Ontem em Madrid, capital do Reino de Castela, um movimento semelhante, protestou em força contra os políticos lá do sitio, e como Madrid tem mais algum impacto no resto da Europa, os protestos contagiaram outros pontos do velho continente.
A diferença é que, em Espanha, Zapatero levou em consideração os ditos contestatários e, num assomo de bom-senso, disse que aqueles deveriam ser ouvidos e respeitados.
Por cá, ou melhor, nós por cá, achamos que o protesto que por cá decorreu, não foi mais do que uma marchazita de uns putos “à rasca”, que entretanto se afogaram numas bejecas servidas numa barraquita académica da queima das fitas.
O Zapatero cá do sítio chora em pré-campanha. Se lhe tiram a mama nem sabe o que fazer. O outro canta. Os outros assobiam. Todos se acham sociais e todos prometem não tirar a mama aos que vivem da “teta” do estado.
O mentiroso primeiro continua a tratar os portugueses como um bando de ignorantes, que certifica qualificados, com uma redação onde descrevam aceitavelmente o percurso de vida, e a quem pede que o voltem a por no poleiro. A ver pela quantidade de gente que continua a dar dezenas de milhar de euros a desconhecidos, para trocar por “novas notas”, qualquer licenciado em Engenharia, mesmo que ao Domingo, os engana bem. É mete-los num autocarro, e, por uma bifana e uma bandeira, eles apoiam e votam.
Os da esquerda prometem o impossível. Com esses ia-mos rapidamente à falência, não sem antes haver prisões políticas e uma debandada do capital e dos empresários.
O Portas acena à esquerda e à direita, num populismo tal que até sobe nas sondagens. Quanto mais se mente em Portugal, melhor se fica na fotografia. Mesmo a comunicação social se sente na obrigação de enaltecer o “excelente comunicador, e excelente táctica eleitoral”, ou seja, o vazio de ideias e a vulgaridade nas intenções, é para esta gente, sinónimo de boa intervenção política.
O cantor, é criticado por ter um programa. Toda a gente o critica por ter criado, com a ajuda do homem dos pentelhos que chefiou uma equipa criada para o efeito, um verdadeiro guia de liberalização do estado, uma revolução, considerada por muitos meritória e que deveria ser discutida. Mas não agora, dizem eles. Agora é altura de fazer campanha, de mentir ao povinho, como é tradição.
E depois admiram-se de ninguém acreditar nos políticos. Eu pessoalmente não acredito é nos jornalistas, esses é que fazem passar o que lhes apetece, o que choca. O que deve ser discutido é muito maçador. As notícias em Portugal só são notícia quando puderem ser esmiuçadas nas “tardes da Júlia”, ou no “Goucha”, caso contrário são muito maçadoras.
Está-se a fazer história.
Com o beneplácito de todos está-se a enterrar o período em que a Europa mais cresceu, melhor viveu e mais esperança de vida deu aos seus habitantes, e por consequência ao Mundo.
Com esta forma de vida democrática, em que todos mentem durante as campanhas, para depois darem as machadadas nas legítimas ambições das pessoas, tornam-se coveiros do sistema.
Vai chegar o dia em que a revolta contra o sistema político e o capitalismo que o suporta, será imparável. E tudo porque acham anormal falar verdade e claro às pessoas, que são o que mais importa.
Tenham juízo. Mudem a história enquanto é tempo.
sábado, maio 14, 2011
Vítor Dias
E porque este também é um blogue sobre corridas, aqui fica a apresentação em vídeo de um dos grandes responsáveis por este modo de vida que adoptei, a corrida.
O Vítor é o mentor do site que mais uso como “muleta” da minha preparação, e o site, bem como o livro, que me levaram à aventura de saltar da mera recriação para a distância mítica, a Maratona.
Considero-o como amigo e intitulo-o como meu Padrinho na corrida. Agradeço-lhe a paciência de me aturar sempre que o chateio com alguma dúvida que me assola.
http://tv.cm-porto.pt/arquivo/zoom-camara/depois-das-seis-prog-3
Obrigado Vítor!
sexta-feira, maio 13, 2011
Pentelhos
Enquanto alguns os discutem, como disse Eduardo Catroga, outros analisam o programa que o PSD apresenta ao País.
Francisco Assis acha que o dito programa tem um mérito, diz ao que vai. Refere que é contra, que agora até pode parecer muito correcto, mas que o problema não é o facto do Estado ter domínio sobre todas estas questões, que o problema só se coloca porque há uma crise de financiamento externo. Financiamento externo? Pergunto eu. Financiamento! Não tem de ser externo. Só tem que ser assim porque a economia não consegue gerar recursos suficientes para pagar todos os serviços que o Estado acha que mais ninguém é capaz de prestar.
E o que diz o dito programa?
Diz claramente que o Estado deve sair da posição predominante em tudo o que mexe com a vida das pessoas.
Diz que os serviços de saúde não têm que ser prestados no estado para serem comparticipados, coisa que os sindicatos não admitem que seja alterado nos benificiários da ADSE, por exemplo.
Diz que os pais podem escolher a escola para os filhos, pagando o Estado o mesmo valor, seja pública ou privada.
Diz que acabará com os Governos Civis. Eu gostava de saber porque é que ainda não acabaram. Será que foi só para “albergar” alguns candidatos autárquicos derrotados, como o Governador Civil de Aveiro, José Mota, derrotado surpreendentemente em Espinho?
Diz que terá menos Ministros que qualquer outro governo, não mais do que 10. Diz ainda que reduzirá drasticamente o nº de Secretarias de Estado, bem como o nº de assessores.
Diz ainda que vai privatizar o que resta das já privadas EDP, PT, GALP, REN, CP e mais, muitas mais. Acham mal? Eu não. Evita casos como o de Rui Pedro Soares, que enriqueceu na PT só porque era amigo de Sócrates, ou casos como o de Fernando Gomes, actualmente na Galp, ou como o de José Penedos da REN, ou ainda como o caso de muitos outros ligados ao PSD e que também por lá pululam.
E diz muito mais. É só ler.
Nada me choca nestas medidas, aliás, acho que finalmente apareceu alguém que está disposto a acabar com muita da mama que por aí há, e a malta da comunicação social discute pentelhos.
A definição de pentelho está aqui, para quem a desconheça e refere precisamente aquilo que Catroga quis dizer: Coisa mínima ou de pouca importância.
sexta-feira, maio 06, 2011
Patriótico ou nacionalista?
De esquerda ou de direita?
Se é de esquerda é patriótico, de direita é nacionalista.
Se é de extrema-esquerda é irresponsável, ou romântico; da direita já se torna perigoso.
Esta máxima criada no período pós-revolução é tão levada a sério e tão temida que, até o PP e o seu líder, se vêm na obrigação de fazer uma colagem aos ideais comunistas de emergência com os desfavorecidos.
Temos por onde escolher? Pouco. Quem como eu quer menos Estado, treme sempre que surge uma proposta nesse sentido, com o titubear constante de quem, à direita, deveria saber explicar as vantagens de tirar o Estado da economia e dos serviços que os privados conseguem assegurar com mais qualidade e melhor gestão dos recursos disponíveis.
Ainda não houve ninguém suficientemente convincente nessa missão. E é urgente que alguém tome esse lugar sem medo da chamada “opinião pública”, que, na minha modesta opinião é mais publicada que publica.
sexta-feira, abril 29, 2011
Relato
Embora não seja este o objecto do Tripas e Nortadas, acho que é aqui que devo registar esta humilde opinião.
Este Porto é, seguramente, Vintage, ao contrário do de Mourinho, que me parecia mais uma equipa feita para ganhar. André Vilas Boas fez uma equipa espectáculo. Cada jogo é um hino ao futebol.
Apreciem o relato, realmente neutro, de um jogo de futebol. É o minuto a minuto descrito pelo repórter do The Guardian enviado ontem ao Dragão, para descrever aos leitores o desenrolar da partida referente às meias-finais da Liga Europa.
With the manager of Real Madrid testing out elaborate methods of being banned from football sine die, football could soon be on the lookout for a new Jose Mourinho. Oh look! Here comes one now!
Yes, it's André Villas-Boas. He's just won the Portuguese league with Mourinho's alma mater, Porto, their current record being P27, W25, D2, L0, F64, A13. His side are in the Portuguese Cup final too, as well as the semi-finals of this, having lost only two cup ties all season. He's 33 years old. He's got matinee-idol looks. He's not designed to make you feel better about yourself.
He's not that great at playing football, is about all you can pin on him. He never played professionally, only getting into the game after pestering Bobby Robson for a job at Porto in the mid 1990s.
And we're off! Porto start full of confidence, as you'd expect. Cristian Rodriguez heads a long ball on for himself down the left and hoicks a cross to the far post for Falcao. Diego Lopez hooks the ball away from the striker's head. Ten seconds had elapsed when that had happened.
2 min: Villarreal have hardly touched the ball yet.
5 min: Nilmar looks to scoot down the right wing. Alvaro finds himself in the book for a late lunge, flipping the Villarreal man high into the air.
7 min: Nilmar misses a golden opportunity to give the away side the lead. He's offside by half a yard, but nevertheless allowed to scamper free down the inside-right channel after Valero's pass. He romps into the box and decides to aim for the bottom-right corner, but Helton is wise to his game and parries the ball wide of the post. The corner is wasted. This is a very open start.
10 min: Hulk attempts to swing a free kick into the box from near the right-hand corner flag. His effort doesn't clear the first man. "Ever since the group stages last year, I've sent an email to MBM-ers in every round of the Europa League telling them that that they were all wasting their time, as Andre Villas Boas would lead Porto through a succession of effective performances to the final in Dublin," writes Declan Johnston. "Everytime I was ignored and my email not published. So tonight, I don't know what I want. If you publish this email, I stand to finally get recognition for my foresight, or I will inevitably bring a jinx on myself and Porto will lose 5-0 and I'll look very silly. I think I'll leave my fate in your hands." It's a no-win situation, though, because even if Porto win 5-0, anyone reading this will simply assume that the unpublished emails are a figment of your fecund imagination. These are cynical times. I believe you, though.
14 min: So much for that fast start. This is pretty dull all of a sudden.
17 min: The Yellow Submarine make another couple of sorties down the right through the exciting Nilmar, who both times very nearly breaks clear along his wing. Porto have enjoyed most of the ball, but created very little. Villarreal are carrying more threat of the two, the home side asking for trouble with a very high offside trap.
20 min: You're all out getting gaddered on booze tonight, aren't you. The damage Will and Kate are doing to the nation's collective liver.
23 min: Hulk takes a free kick from 30 yards out. Three rugby points.
25 min: For the nth time in this match already, Nilmar zips free down the right. He gets to the byline and cuts the ball back into the centre past Helton, but Rossi can't convert from close range, bundled out of it by three blue-and-white shirts.
27 min: Hulk is booked for simulation. Do people still use the word simulation? No. He's dived. Anyway, he was chasing a ball into the Villarreal area down the inside-left channel alongside Musacchio, who goes to slide in, then thinks better of it. Hulk doesn't notice the defender's withdrawn his leg, though, and falls over an imaginary challenge. That's a brilliant decision by the referee.
29 min: Porto are being ripped apart at will down the right. Now it's Rossi who tears clear and sees his shot-cum-cross bundled out. From the corner, Marchena attempts a shot from the edge of the area; it's fielded easily by Helton.
31 min: From a central position 25 yards out, Hulk drops a shoulder, edges to the left, then whips a low shot inches wide of Diego Lopez's right-hand post. The closest Porto have come so far, though the keeper had it covered.
34 min: Are you drinking beer? Are you drinking gin? Drinking from a glass? Or swilling from a tin? OK, I'll level with you, I'm bored. This is dismal.
36 min: This is getting old. Two more attacks for Villarreal down the right, one ending with Rossi dinking over the bar from eight yards out in the middle, another clanking off Nilmar's shin. I assume the heralded Villas-Boas is doing nothing about the glaring hole in his defence because Villarreal seem to be on a mission to cock up every chance in as many different ways as possible.
40 min: The Pedro Mendes lookalike Sapunaru cuts inside from the right and shoots wide left.
43 min: God help us.
45 min: GOD HAS HELPED US!!! Porto 0-1 Villarreal. It's been a terrible half of football, but if one team deserved to score, it was the visitors. Predictably, it's come down the right, Nilmar sauntering down the wing in acres before clipping a cross towards the near post, where Cani heads home with the greatest of ease. No defenders in this description, you'll notice.
HALF TIME: Porto 0-1 Villarreal. That Porto defence. Dear me.
And we're off again. You lucky people. "What a dull game!" cries Christoph Wagner. "Villareal deserved the goal but what was the Porto keeper doing? Awful. Yesterday wasn't particularly enjoyable to watch but this game is almost torture to watch."
46 min: Guarin has a lash from distance. The effort just about stays in the stadium. "If he is as good as many say in the intelectual interpretation of an ongoing game then Mr Boas might want to have a look at why on earth he hasn't bothered to change anything so far," writes Ben Dunn. "I'm unaware of the Portuguese for hairdryer, but he needs to avoid a Fergie bollocking and go straight for a Pleat-like analysis of why they are being over-run."
48 min: A ball's rolled straight down the inside-left channel to release Cazorla. He's free into the area, but pulls an aimless cross into the centre instead of shooting. That should have been 2-0, and Porto haven't learned a thing from the first half.
49 min: PENALTY!!! AND GOAL!!! Porto 1-1 Villarreal. Falcao chases after a ball down the inside-left channel into the away area. Diego Lopez comes out at his feet, and though he withdraws his arms, he's too late to stop the striker clattering into him. The keeper is booked - and the next thing he does is pick the ball from the net, Falcao getting up and hammering home an unstoppable effort.
51 min: Cazorla wants to hang his head in shame for missing that chance.
52 min: Nilmar races clear down the right for the umpteenth time. He Cazorlas a low cross that's bundled away by a defender, when it was surely easier to find one of three team-mates in the centre for a tap-in. Villarreal have been outstandingly profligate this evening.
54 min: It's a much better spectacle now, though. Moutinho sends a free kick from the right towards the near post, allowing Rodriguez to head powerfully wide right. That wasn't far away, and a very good effort.
58 min: Hulk takes the worst free kick in the history of All Football. With the box loaded with team-mates, he rolls a pass down the right wing where there are no blue-and-white shirts. The ball turns through 360 degrees about four or five times before being intercepted by a yellow shirt, the player half-surprised at being on the end of such a ridiculous pass.
61 min: Guarin tries to chip Diego Lopez in the Villarreal goal from 35 yards. It's not a bad effort, only just floating over the bar, but even so.
62 min: GOAL!!! Porto 2-1 Villarreal. Guarin gets his goal. He tears down the inside-right channel and into the box. He reaches the byline, checks back, and hammers a shot towards the bottom-right corner. Diego Lopez isn't gettting beaten at his near post, and parries brilliantly, but Guarin is the first to the bouncing loose ball and stoops to head home from close range. What a turnaround. To repeat Ben Dunn's question: what's the Portuguese for hairdryer?
64 min: Porto so nearly score their third straight from the restart, Rossi bundling an effort wide right. Only just wide right, too. Porto were appalling in the first half, but they're now showing the confidence of a team that's only lost twice all season. Villarreal look stunned at the way this half has developed.
67 min: A change for the Yellow Submarine: Valero is replaced by Mubarak.
67 min and a bit: GOAL!!! Porto 3-1 Villarreal. This is beginning to look like a rout. What an odd turnaround. Hulk breaks clear down the right, enters the box, and skelps a crisp cross into the centre, past the drawn Diego Lopez, for Falcao to tap into an empty net.
70 min: The difference between Porto's first-half performance and their second-half display is so marked, you'd be forgiven for wondering if Villas-Boas has been employing rope-a-dope tactics.
72 min: A subfest. Porto exchange Rodriguez for Varela, while Villarreal make two swaps: Nilmar and Cani depart, Ruben and Matilla arrive.
74 min: Catala is booked for a ludicrous lunge on Hulk. He'll miss the second leg of this. Meanwhile here's Oliver Lewis with The Gag Someone Had To Make regarding the first Villarreal substitution: "So that's where that Egyptian dictator went! Do they have room in the squad for Gadaffi?" That's that out of the way, then.
75 min: GOAL!!! Porto 4-1 Villarreal. From the resulting free kick, the ball's whipped into the Villarreal box from the right. With the away defence static, Falcao completes his hat-trick by Keith Houchening a spectacular diving header, guiding the ball deliberately into the top-right corner. That's such a lovely finish, even if the defence was all over the shop.
77 min: Porto have been simply outstanding in this half. Mind you, Villarreal appear to have totally fallen apart.
79 min: Guarin is replaced by Souza.
81 min: This stadium was almost silent for the majority of the first half. It's buzzing now, though.
83 min: Helton is booked for steaming out of his area and deliberately handling the ball under pressure from Rossi. Presumably he's not sent off because the tussle is out by the corner flag, the ball is bouncing and spinning in the cricket style, and he's falling over, thus making it look accidental. Saucy Helton, because Rossi was looking to nick away with that ball, and send it into a packed goalkeeper-free area.
85 min: James Rodriguez is Porto's final substitute, and it's Hulk he's replacing.
87 min: On Channel 5, commentary team Dave Woods and Pat Nevin are cracking gags about Fyodor Dostoyevsky. You don't get this on Soccer AM.
90 min: GOAL!!! AND FOUR FOR THE FANTASTIC FALCAO. Porto 5-1 Villarreal. From a corner on the left, Falcao meets the ball 12 yards out, level with the right-hand post, and guides the ball into the top-left corner. That's another beautifully placed header. This is some performance by the striker, and by Porto. After an opening 45 minutes of the purest tosh, too!
FULL TIME: Porto 5-1 Villarreal. On the back of this match, I think we can safely say that football is a game of two halves. There's a maxim we should look to popularise; pass it on. Anyway, that 45 minutes of outstanding attacking football should have booked Porto's berth in the Dublin final, ensuring an all Portuguese affair. As for the Spanish side, well, the best that can be said is that Riquelme's penalty miss is no longer Villarreal's biggest European semi-final choke. "The wee genius of Mr. Boas seems to have turned that round reasonably well," concedes Ben Dunn. "Looks like the pre-game plaudits were earned." They certainly were, Ben. All hail the power of André's secador de cabelo!
segunda-feira, abril 25, 2011
Reflexão de 25 de Abril
Já viram que ninguém invoca um poeta, um cantor intervencionista, ou um Capitão de Abril actual? Só há palavras de quem já partiu e não vê que este País se tornou num País de direitos e não de Direito. Agora torturam-nos sem nos prender. Um País onde todos acham que os deveres são para os demais.
Os condecorados na tradicional cerimónia, que este ano se realizou em Belém, são, como sempre, burgueses e nobres dos nossos dias.
As manifestações, que deveriam ser comemorações, são mais invocativas de 1917 do que de 1974. Portugal é um País carregado de ideólogos utópicos em busca de um ideal irreal.
Crescem as vozes contra a democracia e contra os políticos, alavancadas pelos aldrabões que nos governam, que em tempo de crise, e num dia simbólico, correm a inaugurar obra, fazendo campanha à custa do País. Provavelmente o dinheiro que gastam no aluguer de uma tenda e no combustível dos carros de todos nós que os trazem de Lisboa a Sto Tirso (Sócrates e a Ministra da Educação inauguram ali, hoje, a remodelação de uma escola), serviria para cobrir algumas despesas mais urgentes, que não são poucas.
Enquanto os políticos se acharem donos da democracia, enquanto se acharem no direito de esbanjar só porque o que esbanjam não tem impacto significativo nas contas públicas, não há verdadeira democracia em Portugal. Enquanto uns senhores acharem que, ao roubar os ricos, ou a economia, para dar a alguns que não querem fazer pela vida, ou enquanto alguns ricos acharem que não têm o dever de proporcionar oportunidades a outros, não há verdadeira liberdade.
A democracia não se apregoa contra ninguém. É por isso que me faz sempre imensa confusão esta data e as comemorações com ela relacionadas. Enquanto uns se acham donos da liberdade, outros há que parece terem medo de se mostrar neste dia. E esses outros somos muitos de nós, que apesar das muitas dificuldades, somos conotados como ricos e fascistas por muitos discursos.
Ainda há umas semanas, depois de uma viagem a Milão para aí correr a Maratona, vi num site de um amigo comentários de alguns que nos intitulavam de “…clube dos ricos que, apesar da crise, se passeia por provas internacionais”. No meu clube, Porto Runners, há advogados, médicos e engenheiros, mas também há operários fabris, empregados de mesa e funcionários autárquicos. Portugal está a tornar-se um País de inveja, onde qualquer forma de lazer se conota com desafogo financeiro, onde quem tem um carro de gama média ou mora numa zona mais nobre é imediatamente intitulado de “queque”. O sentimento de posse do português não permite que parta em busca de sonhos, faz antes com que se torne num revolucionário por inveja. Ainda há muita gente que acha que o 25 de Abril se fez para, numa directa relação e equilíbrio de forças, tirar a uns para dar a todos, como se tal fosse possível. Enquanto não disserem às pessoas que o trabalho e o esforço são a forma mais directa e justa de conseguir o que quer que seja em democracia, e não o “sacar” enquanto há distraídos, não evoluiremos como País, nem como sociedade.
Este Portugal de Abril é um amontoado de tipos barrigudos, que ao longo dos anos se bateram e continuam a bater por privilégios corporativistas e que, na esperança de manterem o discurso actual, se penduram numa geração que, deitada sobre o regaço de uma licenciatura, achava que, como antes da revolução, um canudo já dava futuro.
Sobram aqueles que trabalharam sob promessas que se sabiam impossíveis de cumprir, e que agora, acossados pelas circunstâncias, se mantêm calados, não vá fugir o pouco que ainda nos garantem.
Acham que as oportunidades são as mesmas para todos?
Acham que todos agarram as oportunidades que se lhes deparam na vida?
Acham que todos estão dispostos ao sacrifício?
É de mim ou nos últimos 15 anos se cultivou uma sensação de que “andar ao alto” compensa?
É de mim ou é mais fácil ser apoiado para deixar a droga (o que não é criticável) do que para uma vítima de violência doméstica deixar a casa do agressor?
É de mim ou é mais fácil viver do rendimento mínimo do que do trabalho pesado?
É de mim ou as pessoas associam democracia a direitos?
Serei só eu que não acho normal que o passe social, em qualquer empresa de transportes públicos, seja ao mesmo preço para mim e para um mendigo? Ou para o Belmiro de Azevedo?
Serei só eu que não ache normal que as taxas de justiça sejam as mesmas para mim e para o Sr. Américo Amorim?
Serei só eu que não acha normal que os professores não tenham autoridade? Ou os Policias (excepto no trânsito)?
Haverá mais alguém que, como eu, ache perfeitamente normal haver ricos numa sociedade democrática? Ou que ache estranho políticos enriquecerem?
Esta sociedade que foi criada com a revolução, levou-nos a este ponto de viragem em que, ou aparece alguém com coragem suficiente para explicar que não somos todos iguais, ou então vamos seguir em queda livre, enquanto abanámos na mão o nº de beneficiário da Segurança Social.
domingo, abril 17, 2011
Narrativa de Medina Carreira
O tal “Velho do Restelo”, ou “Profeta da Desgraça”, afinal tinha razão. E desmonta por completo os argumentos do Pinócrates.
É só ler e avaliar.
Bom, dado o que está em causa é tão só o futuro dos nossos filhos e a própria sobrevivência da democracia em Portugal, não me parece exagerado perder algum tempo a desmontar a máquina de propaganda dos bandidos que se apoderaram do nosso país. Já sei que alguns de vós estão fartos de ouvir falar disto e não querem saber, que sou deprimente, etc, mas é importante perceberem que o que nos vai acontecer é, sobretudo, nossa responsabilidade porque não quisemos saber durante demasiado tempo e agora estamos com um pé dentro do abismo e já não há possibilidade de escapar.
Estou convencido que aquilo a que assistimos nos últimos dias é uma verdadeira operação militar e um crime contra a pátria (mais um). Como sabem há muito que ando nos mercados (quantos dos analistas que dizem disparates nas TVs alguma vez estiveram nos ditos mercados?) e acompanho com especial preocupação (o meu Pai diria obsessão) a situação portuguesa há vários anos. Algumas verdades inconvenientes não batem certo com a "narrativa" socialista há muito preparada e agora posta em marcha pela comunicação social como uma verdadeira operação de PsyOps, montada pelo círculo íntimo do bandido e executada pelos jornalistas e comentadores "amigos" e dependentes das prebendas do poder (quase todos infelizmente, dado o estado do "jornalismo" que temos).
Ora acredito que o plano de operações desta gente não deve andar muito longe disto:
1. Narrativa: Se Portugal aprovasse o PEC IV não haveria nenhum resgate.
Verdade: Portugal já está ligado à máquina há mais de 1 ano (O BCE todos os dias salva a banca nacional de ter que fechar as portas dando-lhe liquidez e compra obrigações Portuguesas que mais ninguém quer - senão já teriamos taxas de juro nos 20% ou mais). Ora esta situação não se podia continuar a arrastar, como é óbvio. Portugal tem que fazer o rollover de muitos milhares de milhões em dívida já daqui a umas semanas só para poder pagar salários! Sócrates sabe perfeitamente que isso é impossível e que estávamos no fim da corda. O resto é calculismo político e teatro. Como sempre fez.
2. Narrativa: Sócrates estava a defender Portugal e com ele não entrava cá o FMI.
Verdade: Portugal é que tem de se defender deste criminoso louco que levou o país para a ruína (há muito antecipada como todos sabem). A diabolização do FMI é mais uma táctica dos spin doctors de Sócrates. O FMI fará sempre parte de qualquer resgate, seja o do mecanismo do EFSF (que é o que está em vigor e foi usado pela Irlanda e pela Grécia), seja o do ESM (que está ainda em discussão entre os 27 e não se sabe quando, nem se, nem como irá ser aprovado).
3. Narrativa: Estava tudo a correr tão bem e Portugal estava fora de perigo mas vieram estes "irresponsáveis" estragar tudo.
Verdade: Perguntem aos contabilistas do BCE e da Comissão que cá estiveram a ver as contas quanto é que é o real buraco nas contas do Estado e vão cair para o lado (a seu tempo isto tudo se saberá). Alguém sinceramente fica surpreendido por descobrir que as finanças públicas estão todas marteladas e que os papéis que os socráticos enviam para Bruxelas para mostrar que são bons alunos não têm credibilidade nenhuma? E acham que lá em Bruxelas são todos parvos e não começam a desconfiar de tanto óasis em Portugal? Recordo que uma das razões pela qual a Grécia não contou com muita solidariedade alemã foi por ter martelado as contas sistematicamente, minando toda a confiança. Acham que a Goldman Sachs só fez swaps contabilísticos com Atenas? E todos sabemos que o engº relativo é um tipo rigoroso, estudioso e duma ética e honestidade à prova de bala, certo?
4. Narrativa: Os mercados castigaram Portugal devido à crise política desencadeada pela oposição. Agora, com muita pena do incansável patriota Sócrates, vem aí o resgate que seria desnecessário.
Verdade: É óbvio que os mercados não gostaram de ver o PEC chumbado (e que não tinha que ser votado, muito menos agora, mas isso leva-nos a outro ponto), mas o que eles querem saber é se a oposição vai ou não cumprir as metas acordadas à socapa por Sócrates em Bruxelas (deliberadamente feito como se fosse uma operação secreta porque esse aspecto era peça essencial da sua encenação). E já todos cá dentro e lá fora sabem que o PSD e CDS vão viabilizar as medidas de austeridade e muito mais. É impressionante como a máquina do governo conseguiu passar a mensagem lá para fora que a oposição não aceitava mais austeridade. Essa desinformação deliberada é que prejudica o país lá fora porque cria inquietação artificial sobre as metas da austeridade. Mesmo assim os mercados não tiveram nenhuma reacção intempestiva porque o que os preocupa é apenas as metas. Mais nada. O resto é folclore para consumo interno. E, tal como a queda do governo e o resgate iminente não foram surpresa para mim, também não o foram para os mercados, que já contavam com isto há muito (basta ver um gráfico dos CDS sobre Portugal nos últimos 2 anos, e especialmente nos últimos meses). Porque é que os media não dizem que a bolsa lisboeta subiu mais de 1% no dia a seguir à queda? Simples, porque não convém para a narrativa que querem vender ao nosso povo facilmente manipulável (julgam eles depois de 6 anos a fazê-lo impunemente).
Bom, há sempre mais pontos da narrativa para desmascarar mas não sei se isto é útil para alguém ou se é já óbvio para todos. E como é 5ª feira e estou a ficar irritado só a escrever sobre este assunto termino por aqui. Se quiserem que eu vá escrevendo mais digam, porque isto dá muito trabalho.
Henrique Medina Carreira.
terça-feira, abril 12, 2011
Maratona de Milão 2011
4H 14M 49S Tempo oficial.
Não foi a pensar neste tempo final que, no Sábado, cedinho, bem cedo, fui para o Aeroporto.
Depois da minha primeira experiência na distância rainha do atletismo, no Porto, em Novembro último, e desafiado pelos meus companheiros do Porto Runners, inscrevi-me na Maratona de Milão.
O facto de ser no exterior, de ser uma prova numa cidade com um clima ameno, mesmo fresco na Primavera, levou-me a pensar que, com treino, poderia baixar das 4 horas de tempo final.
Cheguei ao Aeroporto, encontro o grupo da equipa Douro Azul, animados com é apanágio. Passo pela segurança, chego à porta de embarque e, já sentados à espera da hora de saída, o Mesquita e o Carlos Rocha. Saudações, conversas futebolísticas e eis que chega o grosso do nosso pelotão. Todos animados saltamos para o laranja voador.
Conversas animadas, troca de experiências, expectativas e, acima de tudo, boa disposição de todos.
Chegados a Milão, depois de uma viagem de autocarro de 50 kms, o nosso maior obstáculo mostrava toda a sua imponência: 33º!
Uma semana antes, todos comentávamos que, os esperados 22º eram um exagero, que a baixa humidade relativa, combinada com o calor, levaria a que o esforço despendido tivesse que ser superior, etc. e tal, e eis que se confirmavam os nossos temores.
Sem deixar de passar pela fantástica nave principal da Estação Central de Milão, fomos em busca de um sítio para almoçar. Distribuídos pelas mesas disponíveis, rapidamente devorámos massa e pizza para repor energia, recarregar e voltar ao caminho.
Enquanto alguns foram de metro para o hotel, eu e mais os Jotas (de João: Meixedo, Morais, Freitas e Vieira) acompanhados de um outro companheiro de viagem português que conhecêramos no avião, fomos a caminhar debaixo daquele calor de matar. Guiados por uma bússola de um Iphone, lá fomos caminhando pelas ruas e avenidas de Milão até ao nosso destino. Pelo meio, uma incursão por uma das imensas gelatarias de Milão, onde encontrámos iguarias suficientes para nos baixar a temperatura.
Chegados ao hotel, surpresa: Algumas reservas não existiam. Confusão instalada. Telefonemas, mais telefonemas, boa vontade e lá se arranjou solução.
Entretanto, eram quase 18h. Tínhamos ainda que ir levantar os dorsais e eu, que estava ainda a 4 estações de metro de distância do meu hotel, ainda tinha que ir fazer o check-in. O Vasco Batista lá se disponibilizou para levantar o meu kit da maratona, e assim, fiz-me ao caminho, prometendo regressar às 20h, depois de uma refrescadela.
Depois de um agradável jantar na Via Dante, lá fomos todos descansar o esqueleto de um estafante dia, que já ia bem longo.
6h. Saltei com o ti-ri-ri-ri do Nokia, sempre irritante. Saltei ainda mais com ten-ten-ten do Blackberry. É curioso como, quando queremos muito estar a horas em qualquer lugar, até levamos mais que um despertador…
Primeira contrariedade, o pequeno-almoço só seria servido depois das 7h30. Impossível esperar. Era arriscado, não dava para ir ter com o resto do pessoal, como combinado, e estar a horas na partida, que era um pouco distante.
Cheguei ao Genius hotel, para deixar a minha bagagem, já que, como regressava ao Porto nessa noite, fiz o check-out do meu hotel, às 7h15. O João Meixedo disponibilizou o quarto para o banho depois da prova e para ali deixar a mala, mas quando bati à porta, já lá não estava. Desci e deixei-a na recepção, na esperança que ali estivesse quando regressasse.
Entretanto acumulava erros e lapsos. Não tinha tomado pequeno-almoço, tinha bebido pouca água na véspera, caminhado sob um sol abrasador, e descansado pouco devido ao excessivo calor.
Enquanto esperava pelo metro que me levaria a Rho para a partida, comi o que tinha: 3 barras de cereais e um gel que vinha no kit da maratona e dizia ser indicado para esforços prolongados, desde que consumido entre 1 a 2 horas antes. Enfim…
Chegado à partida, primeira alegria: água! Bebi 2 garrafas e levei outra na mão. Primeira preocupação: Tinha deixado os protectores dos mamilos no hotel. Toca a procurar, junto com a malta do Douro Azul, que me acompanhara na viagem até ali, alguém com vaselina ou pensos. Nada! Só latas e boiões de vaselina vazios. Já imaginava o quanto iria sofrer com o tecido a roçar, começar a sangrar, e com a água… Ufff! O peito a arder é horrível. Acho que é pior que uma cãibra. Enfim, em busca de alguém que me salvasse, encontro, finalmente, o Carlos Rocha. Com o ar mais desesperado do mundo enquanto o via deixar o saco com os seus pertences, no camião que os recolhe e leva para a chegada, ouvi-o dizer que não tinha nem pensos nem qualquer creme protector. Espera, diz-me. O Pedro é capaz de ter. E tinha. Uns milagrosos pensos para calos da compeed (merecem a publicidade) doados pelo Pedro Viana.
Fiz-me à partida. Com um tempo de maratona fraco, fui colocado na parte de trás do pelotão. Demorei uns 3 minutos até cruzar a partida.
Mais um erro: Depois de arrancar, vejo uns tipos com uns balões na cabeça que diziam 4h45. Nem pensar, disse para mim mesmo, tenho que ir em busca do das 4h. Vi mais balões à frente, fui passando balões, 4h30, 4h15… Não vi mais nenhum. Vou muito lento, pensei. Ali vou eu a acelerar (palerma), cruzo-me com o João Vieira (excelente estreia) e o João Mota Freitas que o acompanhava, pergunto para que tempo correm, dizem-me sem expectativas de tempo, que queriam apenas chegar ao fim, o tempo final é o corolário dessa vontade. Ok, pensei. Ou ficas e tens companhia, ou então fazes o que já te disseram muitas vezes, vai no teu passo, não exageres, nem fiques, nem aceleres, mantém um passo. Olho para o Garmin, vejo que estava mais próximo dos 6/Km, decidi ir atrás dos balões das 4h. Disse-lhes, prevendo um desfecho fatal, que ia indo e eles apanhavam-me mais à frente.
Um pouco antes da incursão pelo centro histórico da cidade, onde nos cruzávamos com atletas que tinham, seguramente, mais 3 ou 4 kms que nós, cruzo-me com muitos colegas de equipa, com um cumprimento especial ao Meixedo. Ia bem, como sempre. Mais um grupo de runners, entre eles o nosso presidente, todos em excelente ritmo.
Junto à Catedral de Milão, a nossa claque. Nunca falham no apoio. Que bem que soube aquele banho de reconhecimento, a nossa camisola é uma responsabilidade, que nos é recompensada pelo carinho e força transmitido por todos.
Até ao Km 30 corri num ritmo consistente entre os 5 minutos e 20/Km e os 5’45. Mesmo a parar momentaneamente em todos os abastecimentos para beber isostar e carregar uma garrafa de água, consegui, até ao km 30 manter um ritmo consistente. Nos 5 kms seguintes oscilei entre os 6’ e os 6’30, já depois de ter enjoado completamente ao gel, fruta e isostar. Antes, no abastecimento dos 30 kms o João Vieira e o João Freitas passaram por mim, deram-me força, e eu tentei, mas as pernas…
Abrandei, andei a passo, pensei em tudo e mais alguma coisa. Vejo um espanhol cheio de cãibras, todo esticado, fico com ele uns instantes, estico-lhe os pés, dou-lhe uma esponja com água e digo-lhe que aquilo não é lugar para desistir. Lembro-me de repente da Jangada de Pedra do Saramago, agarro no Jimenez e ali fomos os dois amparados nas fraquezas de um e do outro. Foram uns arrastados 5 kms a 7, 7’30. O espanhol definitivamente ficou no chão, agarrado à perna, ao km 40. Eu segui com duas garrafas de água nas mãos. Fui passando gente, ganhando forças sei lá onde, e acabei debaixo daquele sol escaldante com um sprint de 1 km a 6’11, o 42º, e mais 600 metros a 5’32. Foi um final à Porto Runner.
Melhorei o meu tempo nos 42,195 km em 14 minutos, não conseguindo, contudo, baixar das desejadas 4h. Mas 4 anos apenas depois dos 134kg, correr uma maratona com uma média de 5’58/Km, não deixa de ser motivo de orgulho.
Dos 4025 atletas que iniciaram a prova, 3403 chegaram à meta. Fiquei em 2372º lugar da geral, acham mau?
Um obrigado a todos os que me ajudaram na preparação para esta empreitada. Não fico por aqui. Vou continuar, porque a corrida já faz parte da minha vida.
O Porto Runners é já o meu clube. A todos vós um muito obrigado por me terem recebido de braços abertos.
sexta-feira, abril 08, 2011
Desafios
Há uns anos atrás, não sonhava sequer em conseguir fazer um jogo de futsal sem cair para o lado no fim, mas, depois de muita luta e sacrifício lá cheguei ao fim numa distância que não é fácil de concluir, nem para os profissionais.
Amanhã, mais uma vez, parto em busca da realização de mais uma empreitada de 42,195 km. Vou, com um alargado grupo de atletas do clube onde corro (Porto Runners), participar na Maratona de Milão. Espero apenas acabar.
Entretanto, aqui fica um artigo referente aos meus, digámos, miseros kapabites de fama.
Rui Pinho- Já pesou 134 Kgs, hoje corre maratonas
quarta-feira, abril 06, 2011
Dia D
Agora que o homem pediu apoio financeiro à União Europeia, admitiu que a situação era insustentável, será que agora vai, finalmente, admitir que as políticas seguidas foram erradas? Não me parece.
Os banqueiros vieram gritar vivas, não ao FMI, mas ao alívio.
Infelizmente o Zé povinho, enganado por um esquizofrénico da imagem, acha e está convencido, que, se não viesse o FMI, o Sócrates podia continuar o regabofe, e que, com um esforcito, a malta tinha aumentos e dinheiro para gastar já ao virar da esquina.
Os partidos mais à esquerda continuam a falar de um mundo que já acabou na década de 80, depois da queda do muro.
Entretanto, enquanto aguardava que as Tv’s entrassem em directo, o Primeiro Ministro demissionário fazia uma figura triste, transmitida pela TVI por acidente, mas que demonstra bem o político preocupado com o País que é José Sócrates. Os grandes estadistas têm este tipo de atitudes. Infelizmente, os exemplos de grandes estadistas para este Sr. são o Berlusconi e o Sarkozy…
Enfim, um dia decisivo para o nosso futuro, e o peneirento, a pedir a um colaborador para ver qual o melhor ângulo para o show…
terça-feira, abril 05, 2011
Este País não é para moinas!
Vejo um Sr. muito bem vestido, com botões de punho reluzentes, a dizer que Portugal precisa de um empréstimo urgente, que estanque a subida das taxas de juro da dívida pública.
Espanta-me esta onda dos banqueiros. Agora que acabou a concessão de créditos e negócios chorudos a 50 e 60 anos, as famosas parcerias público privadas (PPP’s), que nos vão levar grande parte dos recursos nas próximas décadas, hipotecando assim o País, choram lágrimas de crocodilo, como se não tivessem culpas no cartório.
Sempre votei desde que tenho cartão de eleitor. Não sou daqueles que acha que os Bancos não passam de associações de índole criminosa, com cobertura do estado. Parece-me que são essenciais ao desenvolvimento económico, que podem e devem alavancar as economias, fazendo apostas sãs, que promovam aquele investimento que traz riqueza. Não se devem envolver em negócios de especulação, como não se envolveram em demasia, caso contrário teriam tido o mesmo fim dos bancos irlandeses.
Chateia-me ouvir tudo o que é militante de extrema esquerda, que vive à custa do capitalismo, marchar contra este, como se fosse a fonte de todos os males. Não é.
Deveríamos ter em Portugal um partido de esquerda, entre o PS e o PC. Um partido que assumisse como normal este sistema (europeísta, a favor da moeda única) mas que lutasse contra os lobbies instituídos. Há sempre esperança quando se perfila uma nova liderança ao centro, mas os partidos do arco governativo deixam-se envolver pelos poderosos lobbies, distribuindo pelos que não têm as poucas migalhas que caem dos bolos que devoram.
Somos um País de moinas. Gravita tudo à volta do Estado.
Mal aparece alguém a lutar contra esses lobbies, há uma autêntica guerra de informação e contra-informação, alimentada por quem tem o poder neste País, como aconteceu nas últimas legislativas entre o Publico e o DN.
Por muito que queiram os partidos mais à esquerda, Portugal não sobrevive sem bancos, nem pode, de forma alguma, continuar a alimentar de subsídios quase tudo o que não é rentável nem quase todos os moinas deste País.
Desde que, no “reinado” de Guterres, o famoso diálogo começou a distribuir subsídios, tendo-se multiplicado as associações de tudo e todos bem como as fundações (chamadas S.A.) em busca de benefícios, proliferaram os moinas.
Temos que os mandar às malvas, é o que os bancos estão a fazer.
Mas moinas maiores que eles…
Foram os únicos que tiveram recursos para se segurarem. Pagaram a grandes escritórios de advogados (moinas!) para blindar tudo o que contratualizaram com o Estado.
Agora, das duas uma. Ou vota tudo à esquerda e eles estouram com o que ainda há cá de capital e nos albanizamos, ou quem ganhar as próximas eleições tem túbaros suficientes para lhes dizer que esperem ou então que renegoceiem. É a minha esperança.
Ide moinar ao caraças!
sexta-feira, abril 01, 2011
FMI
F de feitos num oito. De fo****s. De fomos enganados, completamente enganados. Fomos levados a crer que, se o Estado gastasse muito, se se desdobrassem as empresas publicas em várias empresas mais pequenas integradas em grupos empresariais, que teriam cargos para distribuir e divida para dividir.
F de famintos pelo poder. Tudo ao pote. Uns agora outros lá metidos. Os ex-presidentes de câmaras municipais foram metidos em cargos de chefia da administração publica, em institutos públicos e outros promovidos a Governadores civis.
F de falidos. Nós. O futuro.
F de formados. Uns ao Domingo, ou com imensas cadeiras que julgam, somadas, serem equivalentes a um curso superior, outros arduamente, com esforço, dos próprios, dos pais.
F de foras da lei. Todos os que foram ao pote.
M de merda. Que foi como deixaram o País. Nunca as finanças publicas estiveram tão mal.
M de marginais de colarinho branco. Que só se distinguem dos outros pelo poder económico, que de recurso em recurso, pago com o nosso dinheiro, voam até às absolvições escandalosas.
M de maçonaria. Maçonaria que está representada em larga escala no bloco central, principalmente no PS, e que em nome de ideais de alguns, destroem o País de todos. Maçonaria das Fundações, que cabia perfeitamente na letra anterior, mas que não passam de Fundações S.A., fachadas de lavagem de dinheiro com fins nebulosos.
I de insucesso. O caminho do bom aluno da Europa foi afinal um caminho Inglório.
I de inveja, de invejosos, de gente irritada com o facto tão humano de outros pensarem diferente.
I de insegurança. Portugal está a saque. A criminalidade aumenta a olhos vistos. Homens que sequestram e espancam a mulher têm como medida de coação uma distância mínima da vitima de 150 metros! Podem quase morar na mesma casa…
I de irresponsabilidade. Ninguém é responsável, ninguém quer responsabilidade por nada, nem ninguém está disponível a assumir quota de participação no caminho que foi seguido.
I de idiotas. Porque todos somos responsáveis pelo caminho que seguimos, uns por participação, outros por omissão.
I de imperativo. É imperativo mudar, e é imperativo injectar capital e capital de confiança neste País. E se os únicos que nos derem tempo forem os Sr.s do FMI, acho que é melhor do que o cobrador do fraque. Porque o default é semelhante ao Incómodo de ter um cobrador “à perna”: Vergonhoso.
segunda-feira, março 28, 2011
Crise
O Príncipe herdeiro da coroa inglesa e sua esposa, Camila Parker bolas, iniciaram hoje uma visita de 3 dias a Portugal. Parece que já foram recebidos pelo casal representante da monarquia pasteleira deste País, os Silva, que na pessoa do homem lá da casa, muito honra o bolo que por cá homenageia os reis.
Diz a comunicação social, que o dito par vai oferecer um banquete ao Sr. que veste saias e joga polo, e à sua esposa pecadora, oriunda da nobreza, mas que parece que é mais galdéria, aos olhos do povo, do que era a falecida esposa do Carlos. É melhor dizerem que quem oferece o banquete somos nós, os contribuintes, porque se o Sr. Silva tivesse de pagar, iam seguramente comer o prato do dia na cantina do Campus Universitário.
O governo demitiu-se.
Com muita tristeza da malta, o Socras, como carinhosamente é tratado, vai recandidatar-se pelo seu partido, como figura maior de um novo governo. Ganhou as eleições internas com mais de 90% dos votos, sinal da pluralidade socialista, caso contrário teria 99.
Esta semana, o Lula e a herdeira, Dilma, vêm também a Portugal. Não se sabe ainda quem vai pagar o tacho, mas não sou seguramente eu, e o PCP diz que não cabem todos na cantina da Soeiro Pereira Gomes. Contudo, disponibilizou a Quinta da Atalaia para os brasucas montarem acampamento, se quiserem ocupar o lugar do Kadhafi na liderança dos escuteiros socialistas maçónicos.
Entretanto, o líder da oposição, Marce…, desculpem, Pedro Passos Coelho, encheu-se de coragem e pôs à prova o seu inglês em Bruxelas para garantir que tudo correrá pelo melhor para os Bancos a quem devemos dinheiro.
O Armando Vara, depois de ir buscar um atestado ao Médico de Família, foi ao BCP buscar a indeminização pela quebra de contrato. Recebeu uma pipa de massa e a Standard & Poor’s desceu, quase de imediato, o rating desse banco para quase lixo. Eu já achava o mesmo do dito banco e não sou analista económico.
Entre todos estes assuntos há um denominador comum, a crise.
As crises são janelas de oportunidade. Para todos.
Por cá, crise, só para alguns.
Sabem o que mais me irrita? Toda esta gente se serve do País. Falam muito do antigo regime, mas, pelo que dizem os antigos, sabiam todos com o que podiam contar.
Estes gajos baixaram a política a um nível tal, a bandalheira é tanta, que já ninguém sabe com o que contar. Não há a mais ínfima esperança no futuro. As pessoas olham para o para os diversos partidos e não vislumbram esperança. Acham, porque lhes vendem essa ideia, que são todos farinha do mesmo saco. Não são, nem podem ser considerados como tal.
As crises são recorrentes, sempre existiram, preocupante é a falta de esperança no futuro e um rumo para esta gente.
E decoro nos gastos, porque mesmo insignificantes, esses gastos são um insulto para quem anda com as calças na mão.
terça-feira, março 15, 2011
Mentira
Já não escrevo há algum tempo, mas passo os dias a pensar, matutar e a teorizar sobre tudo e mais alguma coisa.
Hoje, vimos uma entrevista inimaginável de um político à portuguesa, que enche de “papo” tudo o que é comentador político, quais Zandingas que podem adivinhar o próximo passo. Fazem um jogo absolutamente lamentável enganando a opinião pública menos informada, com um constante bate-papo sobre qualidades políticas de um Primeiro-Ministro, que mais não é, na minha modesta opinião, do que um malabarista.
Tem discurso de malabarista, afunda o País e, não tarda muito, leva o BE aos 20%, com este constante zoar dos comentadores que espelham o PS ao PSD. Não há mais nenhum País na Europa que não tenha um verdadeiro partido de direita como opção de governo.
Tem que haver alternativa a uma política do “tudo publico”.
É mentira que seja inevitável esta política cega de cortes a tudo o que é justo.
Deixem de lado as isenções, subsídios e benesses a todos os grupos capazes de reivindicação e olhem mais para quem precisa.
Acabem com os Governos Civis e demais institutos públicos, que mais não são do que poleiros de boys.
Acabem com o regabofe de gastos dos que (se) servem (d)o Estado.
Deixem de lado a ideia dos passes sociais, das habitações sociais, do estado social, da saúde publica ou da escola publica igual para todos.
O meu passe mensal de transporte publico não tem que custar tanto como o de um reformado com a pensão mínima. O meu pai, reformado, não precisa, como o Belmiro de Azevedo também não, de desconto nas viagens de comboio em lazer. Há gente que precisa de uma casa e não tem, porque mesmo que saia o euro milhões a quem já tenha uma, ninguém o pode tirar de lá. Porque raio é que há gente a fazer cirurgias no SNS ao preço da chuva, quando tem possibilidade de pagar mais alguma coisa, e outros que não deveriam pagar nada e mesmo assim pagam? Porque é que quem tem não pode pagar mais um pouco, para os que menos têm não pagarem?
E não me venham dizer que não, que a diferença já está espelhada no IRS, porque todos sabemos que não é verdade.
Este País está a saque. O Estado ROUBA literalmente os recursos, que deveriam servir para dinamizar a economia, para sustentar um Estado insustentável.
Estamos num beco sem saída. Tudo à rasca.
No ultimo Sábado o País mostrou ao poder político, que mesmo assim ignora, que todo o caminho traçado até aqui está errado.
Mas também andavam lá muitos que, nas últimas eleições ficaram em casa. E depois queixam-se. É sempre melhor protestar porque sim.
Como dizia um cartaz na baixa do Porto: “Ó Sócrates beija-me, que já estou farta de ser fodida!”
domingo, março 06, 2011
E o País, pah?
Este Portugal sempre foi mais de ser levado do que de levar.
Somos historicamente um país pouco revoltoso. Há boa maneira lusitana fomos de revolução em revolução, de revolta em revolta, a reboque de acontecimentos internacionais, de modas, de esperanças fundadas em movimentos começados por outros. Mesmo na ditadura fomos a reboque do resto do mundo, ou acham que as ditaduras foram por cá inventadas?
No seguimento do desnorte, do regabofe, da bandalheira a que o País tinha chegado nos primeiros anos da república, chegou-se à conclusão que só uma ditadura poria o país na linha. E sabem porquê? Precisamente porque o país que nos prometeram com a república, tinha chegado apenas a alguns privilegiados, enquanto que outros, com mais educação que os demais, ou com menos perícia para o gamanço, se limitavam a sobreviver.
Os anos de Salazar, apesar de todos os defeitos conhecidos, foram (como os do Marquês de Pombal) anos de reposição da ordem e de recuperação das finanças publicas. Foram anos de resgate. Resgatar o que poucos tinham gamado e devolver ao país o que era seu por direito. Salazar levou ao extremo essa máxima, fazendo pobre o povo para enriquecer o país. Esqueceu-se de, depois das contas em dia, olhar para os que mais necessitavam, daqueles que, por muito que quisessem, não conseguiam.
Agora, depois do 25 de Abril, o povo nem sabe muito bem o que deve querer. Não sabe nem quer saber.
Passamos de uma alta percentagem de analfabetos para uma alta percentagem de licenciados em áreas sem futuro. Os analfabetos trabalhavam, os licenciados dos nossos dias desesperam por um emprego. Ou então são caixas de supermercados, com vencimentos inferiores aos especializados cortadores de carnes ou dos padeiros.
Portugal passou de um país em que era difícil estudar, para um país onde é difícil encontrar quem saiba fazer. Acabaram as chamadas profissões de arte. Já ninguém quer passar anos a aprender pacientemente com um mestre. Os jovens licenciados acham que, como licenciados, já sabem muito. É mais fácil encontrar um Engenheiro Civil do que um bom encarregado de obra.
O parque automóvel é agora enorme. Há famílias com um verdadeiro stand à porta. Telemóveis aos magotes.
Mudar de sistema? Ninguém quer. O que se avizinha são manifestações utópicas que vão levar uns milhares a reclamar por mais direitos e por menos deveres.
O partido que está no poder ganhará de novo se voltar a mentir em época de campanha, se voltar aos aumentos em tempos que deveriam ser de poupança, se mantiver os discursos ditos de esquerda, porque não se vislumbra, apesar dos licenciados produzidos, uma mudança de mentalidade.
Nas últimas presidenciais um candidato idiota, sem o mínimo de cultura, uma espécie de Tiririca luso, que se destacou pelas atoardas que dizia todos os dias, teve os votos que teve. Ontem um grupo de intervenção ganhou o festival da canção, graças aos votos do público. A RTP, que supostamente faz serviço público, quis pagar aquela espécie de chuva de estrelas, com as chamadas que o público (que apesar da crise, tem sempre mais algum para gastar no que não interessa) faz para votar. Apesar dos maestros, músicos e outros entendidos espalhados pelo país, que não escolheram aquela vergonha, acharam que o povo deveria decidir. E decidiu. Como o povo gosta é de folclore, carnaval e futebol, deu a vitória aos que melhor representam o nosso cantinho.
Neste país de licenciados, letrados, chefes e directores (sem esquecer os empresários), onde a malta se amansa com umas palavras "de esquerda", contra os ricos, esses bandidos que tudo sugam, onde o que queremos é fazer nenhum, onde o Estado subsidia a preguiça e penaliza o trabalho, onde quem não paga uma multa vai preso e quem não cumpre promessas eleitorais é reeleito ou mesmo condecorado, já nada é de espantar.
Os mentirosos vingam sempre neste país. É mais admirado o Alves dos Reis do que Vasco da Gama. A malta gosta é de chicos-espertos. Se tivessem feito um referendo para escolher o nome do Centro comercial em frente ao estádio da luz, teriam escolhido Eusébio. Assim como no Porto, escolheriam Pinto da Costa para nome do estádio do clube. Porque se há coisa em que os tugas não perdoam, é na bola. Amansam com tudo, mas se veem um grupo de adeptos do clube rival: Pedrada e porrada neles.
sábado, fevereiro 26, 2011
À rasca?
Confesso que estou farto deste país. Desde que sou gente que sempre ouvi tudo e todos a queixarem-se de tudo, da vida, da falta de trabalho condigno, da crise, do dinheiro que é pouco, dos preços que são altos, etc. Quem dos que nasceram e cresceram nas décadas de 60, 70 e 80, não se lembra dos avós falarem dos preços baixos de tudo e mais alguma coisa, no tempo deles?
Esta geração nascida já em tempos europeus, que agora se diz à rasca, não deixa de ter razões para protestar, mas, os do meu tempo, não tinham nem carro para andar por aí à conta dos papás, nem net paga pelos papás. Não havia meios de protesto para além do voto, dos comícios, das manifestações ou da simples tertúlia à mesa de cafés rodeados de uns finos.
A minha geração lutou contra a falta de condições financeiras dos nossos pais para nos pagarem a faculdade. Lutamos por direitos que foram tomados como adquiridos pelas novas gerações e entretanto gastos pelas gerações mais velhas. Somos os que nos maravilhamos com a Europa e que perdemos a ilusão na mesma. Subimos ao Éden e rapidamente caímos na real.
Brincamos nas ruas das nossas terras, sem wireless ou redes móveis. A polícia conseguia assustar-nos e impunha respeito. Se fossemos apanhados pela justiça íamos parar à tutoria. As nossas loucuras passavam por campismo selvagem e um festival de música não passava de umas festas de garagem, ou de uns concertos nuns pavilhões desportivos.
O preço do petróleo não era discutido todos os dias, já que, os poucos que tinham carro, não o usavam todos os dias. Íamos a pé para a escola. Não havia sms, nem mms, nem e-mails. Mesmo assim, os velhos não apodreciam sozinhos em casa. Os partidos pequenos, tipo BE, não tinham audiência de milhões através das Tv’s, tinham que cativar audiência para os comícios, senão esfumavam-se.
Os políticos temiam o povo. Tudo era espontâneo.
Fazíamos RGA’s (Reunião geral de alunos) nas escolas. Havia conselhos de turma, em que os delegados estavam presentes, para castigar eventuais abusos de algum aluno. Agora nem sei, mas devem ter pedo-psiquiatras, pedagogos, sociólogos e psicólogos.
A malta andava sempre à rasca. Dinheiro só nas férias. Trabalhávamos. Havia OTL (Ocupação de tempos livres), empregos em serviços públicos, essencialmente durante as férias, que davam para ganhar uns cobres. Ou então, optava-se por outras ocupações, em bares, cafés ou discotecas. Havia quem fizesse festas de garagem para angariar dinheiro para as férias. Eu, com mais alguns amigos, cheguei a pintar umas casas para ir umas semanas para longe.
Ninguém imagina, principalmente os que não andaram por lá.
Ir para o Algarve era uma aventura de um dia. E longo.
Ir a Vila Real demorava 5 longas horas por estrada sinuosa.
Os piqueniques eram usuais a meio das viagens e nos dia de verão.
A TV era o nosso luxo, a nossa tecnologia. A missa, catequese e a Religião e Moral obrigatórias.
Somos uma geração que trabalha, que tem ordenados iguais há 10 ou mais anos e que abraça o futuro sem sol. As reformas já foram.
Os nossos pais não têm rendimentos para nos sustentar, nem querem. Foram educados no tempo em que, aos 19/20 os filhos iam para a tropa e, quando voltavam, saíam rapidamente de casa em busca de futuro.
Ficamos à rasca com a vida e o futuro nas mãos.
Já nem temos a ilusão. Continuaremos a lutar, como sempre, embora já nem os empregos conseguimos segurar. Os putos que se dizem à rasca, vêm já com mestrados, doutoramentos, erasmus e pós-graduações, e cobram metade dos salários que auferimos.
À rasca andámos todos, mas nós nascemos assim.
Somos uma geração que cedo e sempre aprendeu a desenrascar-se.
Aprendam vocês também. Vão ver que vale a pena. Dá um sabor único à vida!
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
Autoridade precisa-se!
Não querendo eu fazer concorrência ao Correio da Manhã, vou voltar ao assunto do meu ultimo post.
Quanto ao tema na prisão de Paços de Ferreira, que tanto comentário idiota, despropositado e mesmo irresponsável gerou, inclusive do Ministro da tutela, tão rápido para criticar quem deve manter a ordem numa prisão, parece-me óbvio que, uma pessoa que passa por 8 estabelecimentos prisionais em todo o País e que sempre teve tal comportamento, desculpa quase todas as medidas possíveis. Devem ter tentado mil e uma formas de dominar uma bisarma com mais de 1,80m e mais de 150 kg. Se fosse fácil e se o dito energúmeno obedecesse a ordens, como parecia que estava a fazer, tinham seguramente domado o auto-intitulado “animal”. Não o fizeram em nenhuma das oito (!) prisões por onde tinha passado, e, o que é certo, é que agora, segundo os relatórios hoje tornados públicos, passou a ser um preso como os outros. Cumpre desde aquele dia todas as normas instituídas e todas as regras básicas de uma comunidade ou sociedade. Limpa a cela, defeca nos lugares apropriados e trata os demais, guardas incluídos, com civilidade. E ainda há quem diga que a actuação daqueles homens vai dar lugar a processos disciplinares? Onde chegou esta fixação pseudo-humanista que opta sempre por defender os que já estão condenados, por parecerem o elo fraco? Pelo menos averigúem primeiro e falem depois.
Ainda no seguimento desta sociedade e desta justiça que tão forte é contra fracos que nos defendem, fica aqui o meu espanto, quando vejo que, um homem é acusado de homicídio simples (6 a 12 anos de prisão) depois de disparar sobre um outro, desarmado, sendo que três dos tiros que acabariam por o matar, foram disparados com a vítima de costas e em fuga, e enquanto tinha a neta ao colo. Outro, o tal polícia que, com um tiro, abateu um condutor em fuga, é acusado de homicídio qualificado (12 a 25 anos de prisão). Curiosamente, o 1º, é pai de uma Juíza.
Juíza essa que mantinha um diferendo com o atingido pelos tiros disparados pelo seu progenitor, depois de uma altercação, provocada pela retirada à força da filha menor, alvo de uma disputa de poder paternal, dos braços do Pai, por uma trupe que a acompanhava.
As visitas do Pai eram, por ordem judicial, pasme-se, em locais públicos e supervisionadas pela mãe! A tal Sra.ª Juíza.
Os juízes neste País são todos competentes e sérios à partida. O Curso no SEJ dá imediatamente um atestado de bom em tudo. Não há memória de algum ter sido avaliado negativamente, nem sequer no exercício das funções para as quais lhes pagámos principescamente (tirando aquele desgraçado, que se lembrou de afrontar pedófilos, mas que, depois de tornada pública a classificação e que tinham sido os representantes do partido do Paulo Pedroso, irmão de um outro Juiz, a classificarem-no assim, voltaram atrás).
Não querendo levantar questões de ética ou eventual favorecimento pessoal, às vezes o que parece é.
Que raio de Justiça se promove neste País!
