sexta-feira, agosto 26, 2011

Humildade

Não sou muito, mas há gente que o devia ser exactamente à medida do ego que tem.

Há por aí tanto palerminha enfiado no alter ego, que de tanta arrogância exalar por quantos poros tem, mete asco do tamanho de um dia. E um dia com asco…

Enfim. O Mundo está tão bem feito, que até na paciência encontrou forma de nos acalmar, para que não desatemos todos à chapada a cada filho da…, bem a mãe deles não tem culpa. Portanto, digamos antes, a cada imbecil que se revela.
A humildade é tanto menor, quanto maior é a esperteza saloia. Infelizmente, neste burgo, os espertos, os cabrões e as vacas são os que melhor se sentem com eles próprios, e por consequência, sentem-se sempre superiores ao mundo que os rodeia.

Vem este texto a propósito de várias reflexões que não me apetece divulgar, mas que seguramente será familiar a quem não se revê no desenfreado abalroamento, que quem não quer saber dos outros, aplica no dia-a-dia, só para sentir o seu próprio mundo a “rolar”.

São tão hipócritas, que advogam para os outros aquilo que não conseguem/não querem ser/fazer.

Sem mais.

Continuem em frente, arrogantes e hipócritas deste mundo. Pode ser que a parede se levante e vocês choquem de frente contra aquilo que constroem diariamente.

quinta-feira, agosto 25, 2011

Iscas de bacalhau e cerveja fresca

O Porto é uma cidade bela. Mais bela do que conseguimos vislumbrar pelos trajectos normais, pelas vias principais desta nobre cidade. Temos a fabulosa cascata sanjoanina, exemplarmente cantada pelo Rui Veloso e demasiado inclinada para correr, pese embora haver quem o faça.

Hoje, dia de treino de rampas, fomos, eu o Vítor Dias, o João Meixedo, o Luís Pires e o Paulo Rodrigues, marginal fora, num percurso já por eles imensas vezes calcorreado e que fizeram o favor de me levar a ver as vistas. Confesso que estive inclinado (também nas subidas, e de que maneira) a dirigir-me a uma esquadra e denuncia-los por tentativa de homicídio, contudo, e após uma queda de um dos parceiros de treino, achei que seria abusivo da minha parte. Eu que até ando a baixar o ritmo cardíaco na corrida, eu que até já corro com regularidade médias distâncias, que me propus a fazer uma série de provas, sendo duas de distância superior a 40 km, não podia acusar o toque e virar as costas ao serpentear fantástico pelas vielas e escadarias que partem de e para a marginal.

Fui em passo adequado e acompanhei aqueles quatro motores afinados até ao fim. Mesmo na maior provação do treino: Um “desmoer” aconselhado por uma habitante da Ribeira, que na dúvida, decidimos acatar. 

A ex-Escola Primária nº1, que foi a do Paulo Rodrigues, e cuja localização muito deve ter contribuído para ele correr como corre.

 

Alguns dos caminhos que fazem parte do percurso e que estão integrados nos famosos Caminhos do Romântico da Cidade do Porto.

E assim vou revisitando lugares que de outra forma ia esquecendo.

 

Acreditem que estes 290 degraus custam a subir, principalmente depois de 10 km de sobe e desce constante.

domingo, agosto 21, 2011

Corridas, salmão e esparguete

Hoje, como faço quase todos os dias, fui correr.
Nada de especial, um treino longo com mais alguns colegas dos Porto Runners, com partida e chegada do Parque da Cidade do Porto.

Era suposto ter sido algo leve, apesar dos cerca de 30 kms planeados pelo Brandão, com ritmos adequados a cada um dos participantes, como é habitual. Tive azar. Aparecemos apenas 6, eu, o Vitor Dias, o Mário Carreira, o Luis Serra, o já referido Eduardo Brandão e outro colega, que nos era desconhecido.

Cheirou-me de imediato a esturro, mas, como não sou de desistir nem tão pouco de virar as costas às dificuldades, lá fui, esperançado que, pelo menos o elemento que foi e nenhum de nós conhecia, fosse semelhante a mim no ritmo. Nada disso aconteceu, como está bom de ver. Fomos, marginal fora, lançados a pouco mais de 5’/Km, tempo rápido para o que eu valho.

Ali pelas bandas da Ponte do Freixo, decidi virar para trás e fazer o resto do trajecto ao meu ritmo, na ordem dos 5’30/5’40 por Km percorrido. Acabei os 25 que fiz, bem, sem dores nem cansaço exagerado, e hidratado, já que fiz questão de parar em todos os pontos de abastecimento existentes no percurso, 2. Podem ver aqui o treino completo.

Entretanto, enquanto escrevia este post, fui ver o meu treino de há um ano, enquanto treinava para a minha 1ª Maratona.

Treino 22 Agosto

Que evolução. E que prazer me dá olhar para trás e ver os quilos que fui deixando e a transformação em algo parecido com um atleta.

Até já na alimentação pareço um atleta. Hoje fiz esparguete com salmão grelhado (estava a ver que não consegui meter isto no texto). Um prato incomodativo, pelo cheiro intenso que deixa espalhado pela casa.

sexta-feira, agosto 19, 2011

Tiro de partida

O ano passado, enquanto preparava a minha primeira maratona, li este artigo, escrito pelo meu amigo Vítor Dias, autor do excelente site sobre corrida, Correr por prazer, que sugeria como leitura de Verão o best-seller, Nascidos para correr.

nascidos para correr

O livro surpreende. Pela excelente e cativante narrativa, e pela motivação que nos incute para a corrida. E não, não é nada convencional, não nos maça com todas as teorias médicas e fisiológicas/psicológicas acerca dos benefícios da corrida, não ´pela vertente técnica ou teórica, é pela forma díspar e completamente fora do normal em que decorre a preparação e prova, de um grupo de atletas de eleição, que não deveriam ser. E são-no apenas por um motivo: Nasceram para correr. Eles como qualquer um de nós.

Mostra-nos porque corremos, porque gostamos de correr, e, principalmente, porque devemos correr.

E acreditem que nos ensina a correr. Sem stress, sem preocupações exageradas, sem a rigidez dos planos de treino e dietas rigorosas. Não, nada disso. Ensina-nos que, mesmo sem tudo isso, qualquer um de nós é capaz de correr mais e melhor, e assim, tirar maior partido do prazer da corrida.

Aconselho vivamente. Reli-o esta semana e inscrevi-me para isto e isto e ainda isto!

Está dado o tiro de partida para mais um período de provas e treinos.

Tudo por e com prazer.

domingo, agosto 14, 2011

Percebas

Não, não estou a falar do crustáceo, a que erradamente chamam assim (é percebe, ou perceve), estou mesmo a referir-me ao facto de entender ou perceber algo.

Não entendo esta sociedade. Conheço, aos magotes, gente hipócrita e falsa como Judas, alguns infinitamente pior do que os seus próprios fantasmas, gente que apregoa alguns princípios, que concorda com quase todos aqueles que são básicos numa sociedade decente, mas que vivem completamente à revelia de (quase) todos, desde que, ao viola-los mantenham o melhor para elas próprias.

Se perguntar a quem quer que seja, o significado de felicidade, advogam todos que a mesma terá obrigatoriamente de abranger quem os rodeia, mesmo que isso não seja verdade.

Há por aí quem consiga viver mentiras anos a fio, com o desejo supremo de se manter cómodo, mesmo que pouco ou nada feliz. Vivem mentiras, mentindo amiúde. Condenam a mentira e mentem em quase tudo o que fazem. Criticam os pobres que se mantêm ao abrigo de prestações sociais, ou os arrumadores que chateiam para amealhar o suficiente para a “dose”, mas mantêm-se em empregos onde não trabalham, onde se limitam a não produzir, ou onde enganam o suficiente para poder manter o cheque ao final de cada mês. Ou então, à boa maneira de quem “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”, sugam a Segurança Social até ao limite.

Há-os também que mantêm relações por conveniência. Seja pelos filhos, pelo dinheiro, pelo estatuto, pela sogra, pelo cão, pelo sexo, pelo padre, enfim, por todos menos pelo que apregoam. Acham que são fiéis, mas sabem que não são. Vivem com infiéis que sabem que o são, mas mantêm-se assim porque sim. Porque há sempre motivos para não mudar, e a mudança dói.

Há os que mudam porque são mudados à força, há os que mudam e não queriam e há os que mudam sem saber.

Fico sem perceber é onde é que raio mete esta gente toda a palavra coerência. São todos opinadores, todos muito sérios, fiéis e dedicados, gratos, trabalhadores e honestos, mas na minha modesta opinião, não passam de falsos vestidos de gente.

O mal, para todos eles, é que não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe, e não se pode ter sol na eira e chuva no nabal eternamente. Há-de chegar o dia em que provarão do veneno que destilam pelos poros em atitudes de escárnio, inveja e maledicência. E aí, quando virem que entretanto o tempo passou e viveram como viveram, talvez percebam que não é olhando para o próprio umbigo, que se conseguem alcançar metas mais facilmente.

Vejam se percebem, o Mundo não é só vosso, nem a vida dos outros tem de ser como a vossa.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Artur

Nasceu no verão de 1937, segundo filho de um casal agricultores, onde hoje tocam os dormitórios da grande urbe invicta. Mouriz, terra do famoso Zé do Telhado, no Concelho de Paredes era então uma pequena freguesia rural.
Em tempos de guerra, período em que tudo era racionado, em que o que se colhia da terra era confiscado, quando as necessidades eram mais que muitas e os filhos ainda mais.
Foi criado pelo Padrinho, dono de terras, agricultor remediado. Os seis que lhe seguiram foram sendo distribuídos pela ajuda na lavoura dos Pais, ou seleccionados por outros Padrinhos e Madrinhas que os vestiam, cuidavam e iniciavam nas lides agrícolas.
Por lá ficou até ir para a tropa. De menino teve a Escola, numa infância expresso, que cedo terminou e trocou pelo "Escritório", como lhe chama, em que a caneta era a enxada.
Depois de cumprido o serviço militar, entre poucas viagens a casa que o dinheiro não se via e as boleias eram proibidas, trabalhou num bananeiro, de onde fugiu depois de uma noite em que partilhou esteira com alguns percevejos. Conseguiu lugar numa Fábrica e rapidamente chegou a encarregado. Desistiu por troca com o sonho de carreira na Policia, podia ter sido agente da PIVDE mas ser bufo não era opção. Um processo complicado o de entrada na Policia de Viação e Trânsito, que incluía recomendações do Pároco e atestados de boa conduta.
Curso feito, Policia extinta. Nada de grave, passou para a PSP e inaugurou a Divisão de Trânsito do Porto, onde esteve 11 anos, e que aproveitou para enriquecer a formação académica.
5 filhos entretanto nascidos, o que, em pouco mais de uma década perfaz um currículo apreciável e regular, ingressou na carreira de bancário onde passou os restantes 26 anos de actividade profissional, em paralelo com uma preenchida família que foi acrescida de mais dois descendentes.
Vida complicada de uma pessoa simples, que tanto gramou e palmilhou. Irmão de sete, Pai de sete, criou-nos a todos com as dificuldades próprias da época, sem nunca sentirmos necessidade alguma. Fomos educados para respeitar tudo e todos, o que acaba por evidenciar toda uma filosofia de vida abrangente, onde mesmo o respeito pelos bens materiais, ou pelo esforço necessário para os ter, nos fez dividir uma espécie de partilha austera em que ter era quase sempre um período de posse limitada, à espera do que seguia na hierarquia. Nunca nos criou expectativas, mas sempre nos ensinou a não vivermos na ilusão.
Homem muitas vezes surpreendente, afável e pouco dado a quezílias, era conhecido entre os colegas do Banco como "Irmão Pinho" pela forma cordial com que dava sem esperar retribuição, espelhado no sempre presente "Se Deus quiser" que ainda hoje o caracteriza. Incapaz de guerrear, ensinou-nos que cumprir com o dever de cada um, era a obrigação de cada individuo enquanto integrante de uma comunidade, fosse familiar ou enquanto sociedade.
Recordo-me, ainda petiz, de, um dia, ao ir com o meu Pai ao dentista, às então instalações do SAMS (Serviço de Assistência Médica dos bancários) na Rua da Picaria, enfrentar um momento aflitivo, ainda no final da década conturbada de 70. Saímos do autocarro na Praça D. João I e, pouco depois do Rivoli, vemo-nos de repente no meio de uma carga do Corpo de Intervenção da PSP sobre manifestantes integrantes de um protesto não autorizado. Eu, cheio de medo agarrado ao meu Pai, fui tranquilizado pela sua atitude, quando calmamente me disse: "Se não fugires ninguém te bate. Quem não deve não teme." E lá atravessamos a Avenida dos Aliados incólumes. Foi sempre esta a sua postura. Foi e é.
Fomos todos criados num ambiente familiar calmo, onde todos colaborávamos, havia distribuição e responsabilização de tarefas, igualdade entre rapazes e raparigas (5 para duas, se assim não fosse seriam umas escravas) e organização. Não se falava alto naquela casa, quando o meu Pai lá estava. Sossego e respeito, resultaram em 7 adultos que, tenho a certeza, respeitam o outro.
Fica aqui a homenagem ao meu Pai, que fez ontem 74 primaveras. E apesar de ser pouco extrovertido, tendo sido sempre um Pai à antiga (a figura de chefe de família assenta-lhe na perfeição), é o meu herói de sempre, como demonstrou e demonstra tantas vezes pela vida fora, e que se tornou enorme naquele final de tarde na Av. Dos Aliados.
Parabéns Pai!

quarta-feira, agosto 03, 2011

Os otários pagam sempre e continuam otários!

Ilucidem os portugueses nos blogues, já que a comunicação social tuga, gosta mais de Noticias de gordos que emagrecem ou de doidas que se tentam suicidar. Tudo o resto, se não der para "gozar" ou para fazer umas peças jornalísticas de profissionalismo duvidoso, tipo anedota caseira, não é importante.
O contribuinte, vulgo otário, paga sempre, já que continua a ignorar os contornos das decisões políticas, papando como real aquilo que vê nos telejornais de desinformação diária.

In Blasfémias,

Coisas simples

Até à sua nacionalização, o prejuízo, as dívidas e as fraudes relativas ao BPN eram uma responsabilidade directa e exclusiva dos sócios do banco e do seu património.
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O governo socialista de Sócrates ao nacionalizar o banco passou essas dívidas para os contribuintes.
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Os credores privados do banco agradecem muito a Teixeira dos Santos terem recuperado 2500 milhões de euros do seu património privado que de outra forma teriam perdido.
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Os contribuintes portugueses foram mais uma vez generosos, à força é certo, por terem contribuído para a felicidade de um pequeno grupo de seus concidadãos.
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Quem tomou estas decisões de delapidação do dinheiro dos portugueses voltou a ser professor de …economia. Qualquer dia é comentador encartado na tv.

segunda-feira, julho 25, 2011

escritor

O titulo está em letra minúscula propositadamente.
Eu, que não sou Escritor nem me atrevo a pensar ser, faço uso do prazer de escrever.
Vou escrevendo pensamentos, estados de espírito, sentimentos e considerações.
Tenho dias bons e maus, actos bons e menos certos e opiniões sobre tudo isto e, essencialmente sobre a vida.
Há sempre quem se sinta pior do que tu, mas nunca há quem sinta por ti. O prazer, a angustia, a vontade e a conquista, não sendo as maiores ou as mais fortes entre todos, serão sempre as maiores para ti.
Colocas no que vives o peso do Mundo, mas o Mundo é grande demais para ti. Tens um Mundo só teu que pesa tanto como o real, mas que é mais imperfeito que o ideal. Parece que quando algo vai correr mal, corre mesmo, e que quando alguma coisa vais conquistar, fica sempre um pouco por ganhar. Nunca, mas nunca estamos satisfeitos com o que conseguimos alcançar, nem conformados com o que vamos perdendo. Mas na vida saímos sempre a perder, quando não a aceitamos como ela é: Egoísta umas vezes e altruísta outras. E se não reclamamos quando ganhamos, aprendamos então a aceitar as vicissitudes da vida com a complacência que ela merece.
O castigo de escrever enquanto aluno, enquanto miúdo que queria muito brincar e pouco estudar, deu-me a prática e despertou-me a criatividade.
A vida é como uma Mãe. Da-nos o que queremos e o que achamos que não precisamos, a todos por igual.
Afinal, somos seus filhos.
Escrever, para mim, é viver.

sábado, julho 23, 2011

Corredores todo o terreno

Eu, que achara a Corrida da Freita dura, mas que me tinha deixado um gosto especial pelo trail, acho agora que toda a corrida de montanha é dura mas deve ser apreciada. Foi o que fizemos hoje.

Há uns dias, quando fui informado da realização de um treino Free-Running na companhia do José Moutinho, grande impulsionador do trail em Portugal e um apaixonado pela Freita em particular, onde organiza a mais dura Ultra de montanha em Portugal, decidi na hora ir.

Organizados e distribuídos pelo menor número de carros possível, lá fomos chegando bem cedo ao Merujal. 9h da manhã, equipados a rigor, fomos em direcção ao Concelho vizinho de S.Pedro do Sul, rumo ao Parque de Campismo Retiro da Fraguinha, donde haveríamos de iniciar o treino Free Running, como o nome indica, sem competição, com liberdade de andamentos, mas, como referido pelo José Moutinho no briefing, onde todos se preocupam com todos.

Lá partimos, rumo à aventura, sem a pressão de uma prova, mas com andamento vivo.

Os primeiros dois quilómetros, em subida ligeira até aos 1026 m (tínhamos começado nos 920), fez-se por um terreno bastante acidentado e com muitos tojos, que nos picavam as pernas e atrasavam o andamento, já que as ultrapassagens não se verificavam. Os mais astutos tiveram de esperar mais uns quilómetros para dar asas à destreza. Já no alto, na garra, onde emborcam vários trilhos (cinco no total dão acesso àquele local, daí o nome), novo briefing do Moutinho para nos mostrar alguns dos locais de passagem da Ultra, num ponto magnífico, de onde se pode apreciar uma grande parte do Maciço da Gralheira.

Iniciámos então a descida rumo à aldeia da Póvoa das Leiras pelo famoso Trilho dos Incas, que, ao que parece, ligava originalmente à aldeia de Covelo de Paivô, em Arouca. O nosso guia, Moutinho, que tinha como intenção dar-nos algumas dicas sobre técnica de trail, inicia a dita descida com uma simples explicação sobre como colocar os pés para manter o equilíbrio e evitar entorses, o grande inimigo dos corredores de montanha e que viria, mais à frente, a vitimar o próprio Moutinho. Quando demos conta, ninguém! Nem Moutinho, nem os que o conseguiram acompanhar, não víamos ninguém abaixo de nós. Lá seguimos, com um novo guia, o Manuel Veloso, de um pequeno grupo que se havia formado e que, atentos ao chão que pisávamos, não nos preocupamos com direcção diferente da que levávamos enquanto houvesse trilho. E o dito acabou mesmo, junto a uns postes de alta tensão, e sem sinais do resto do grupo. Num topo de mais uma montanha, ao fundo uma antiga mina de exploração de volfrâmio, um rio, uma estrada em terra, mas corredores nem vê-los. Toca a fazer soar o apito, que alguns levavam e que serve para chamar os atletas e sinalizar a localização de uns e outros. Com silêncio, aguardamos resposta, mas sem sucesso. Chega entretanto o Carlos Rocha e orienta-nos. Tínhamos falhado uma viragem à esquerda nos Três Pinheiros, uma espécie de cruzamento em montanha, que divide trajectos, e que o próprio já falhara, dois anos antes na Ultra da Freita. Lá recuamos os dois quilómetros que já havíamos descido desde as ditas árvores, que alinhadas e únicas num raio de umas centenas largas de metros, faziam de sinal de trânsito, junto com umas mariolas (pedras sobrepostas, colocadas por pastores, que servem como marcos) que assinalavam o local para encarreirarmos, literalmente, de novo no grupo. 

Reagrupados, seguimos em passo tão acelerado quanto possível, rumo à Povoa das Leiras, onde nos abastecemos de água, fresquíssima,em simpática convivência com os (poucos) habitantes locais com que nos fomos cruzando, inclusive com algumas vacas arouquesas que serviram de modelos aos fotógrafos de ocasião. Alguns dos que já sofriam da dureza do percurso e suas vicissitudes (quedas), atalharam caminho rumo ao ponto de partida, os demais, seguimos empedrado abaixo, rumo à aldeia do Candal. Com a grande maioria sedenta de corrida, o ritmo aí acelerou, até demais face ao percurso, com muitas pedras soltas, mas onde os mais experientes nos passavam com uma velocidade que assustava os menos avisados. O Moutinho, conhecido pela sua destreza, ao colocar um dos pés sobre uma pedra solta, torceu-o, ficando com uma pequena lesão, que, contudo, não o impediu de continuar. Já no Candal, começa a cruz. Quatro quilómetros em subida, com percentagens grandes no início, um desnível de mais de 400 metros, e um sol implacável sobre nós, que fez da subida da Mizarela uma bela recordação. Encosta acima, atrás do Jorge Azevedo, que se iniciou na corrida em Janeiro, mas, a fazer jus ao ano em que nasceu (1967, ano da Cabra no horóscopo chinês), já tem um enorme à vontade naqueles terrenos, seguimos em fila e com pouca vontade de fazer comentários. Olhávamos para cima e parecia que vinha sempre uma subida ainda mais inclinada. Uff!!! Dura, muito dura, atendendo ao calor que se fazia sentir àquela hora do dia (12h) e já com mais de 2 de treino. Vou ficando para trás, passa-me o Fernando Leite, a Conceição Grare, o João Vieira, todos com poucas falas, (excepto a Conceição, que é atleta de outro nível, e que vinha calmamente a falar ao telemóvel), apenas a preocupação de saberem se eu estava bem. Eu lá dizia que sim enquanto bebia mais um pouco de água, não fosse desidratar, mas a “penar”. Chegado a pouco mais de meia subida, passa o Manuel Veloso. “Mau”, penso, “parece que, não tarda, rebolo até ao Candal outra vez”. Não foi preciso. Como diz o Freitas (um dos atletas que acompanhou o Moutinho e que ajudou a guiar-nos) no trail, começamos a matar e acabamos a morrer. É mesmo isso, penso. E mesmo assim gostámos!

Chego, a transpirar em bica, ao alto, onde já o grosso do grupo aguardava à sombra de algumas árvores que ainda restam, já que os incêndios têm destruído, também ali, quase toda a floresta, sento-me por momentos, poucos, já que, a malta toda se preparava para atacar a parte final do troço, rumo ao Parque da Fraguinha. Uma outra hesitação no início da descida, mas, já no rumo certo, lá fomos trilho abaixo, a correr e a pular de pedra em pedra, por uma descida para destemidos, que acabava no ponto de onde partíramos e de onde regressaríamos ao Merujal.

Já depois de tomado o retemperador e refrescante banho, iniciámos a prova principal. Sopa da Pedra, Vitela estufada, acompanhada de arroz e salada. Vinho e cerveja para repor líquidos, que nem só de pó vive um runner.

Parabéns cantados ao Rui Vilar, que discursou eloquentemente e agradecimentos do nosso Presidente, em nome de todos, ao José Moutinho, que os retribuiu, lá regressámos ao rebuliço da Cidade que nos dá o nome, com mais uma experiência agradável na montanha.

Obrigado a todos pela companhia num excelente dia (mais um) de corrida.

Somos mesmo todo-o-terreno!   

sexta-feira, julho 22, 2011

Cruel ingenuidade

Moro numa praia onde são descarregadas, literalmente, milhares de crianças e idosos, para ali poderem gozar a época balnear juntos com os demais utentes de escolas, atl's e lares de terceira idade ou centros de dia.
Hoje pela manhã, quando um grupo de idosos se cruzavam com uns miúdos que aguardavam instruções das educadoras, os petizes desataram a chamar "velhotes" aos... Velhinhos.
Não gostei da passividade dos monitores das crianças, mas adorei a reacção dos idosos; com ar jovial, soltaram umas caretas engraçadíssimas, como se fosse um duelo entre jardins escola. Os miúdos, pasmados, quedaram-se incrédulos.
A ingenuidade pode ser cruel. Mas só mesmo para quem vê, porque para aqueles anciãos, com muitos anos de "bagagem", não passa de uma oportunidade de continuar a viver o dia-a-dia, como se fosse o primeiro dos últimos, enquanto os outros se sentem com o Mundo inteiro só para eles.

quinta-feira, julho 21, 2011

Oportunidade perdida

Não, não foi um golo falhado. Mas só porque não foi num jogo de futebol.

Foi como se uma janela se abrisse, e eu, enquanto prisioneiro de uma cela sem porta, não a tivesse visto. A nortada que vai soprando nestes dias de verão (?) fez com que não sentisse a corrente de ar, que provocou quando escancaradas as portadas.

A vida na maioria dos dias parece um jogo de espera, uma espécie de montaria de caça grossa em que o caçador, silencioso, aguarda numa porta sorteada a passagem das peças. E há com cada peça…

Surpreendo-me muitas vezes com feitios, com o efeito que as pessoas acham que ainda me provocam. E não sendo fácil provocar-me, não deixa de ser muitas vezes oportuno incomodarem-me com a mesquinhez, inveja e egoísmo que caracteriza muitos dos imbecis que por aí pululam.

É no entanto nestas altura, que sinto que a oportunidade que a alguns foi dada, não passou de uma balda, uma oportunidade perdida na esperança que sempre ponho em todos os relacionamentos que inicio.

E depois, há aquelas oportunidades que tanto esperamos, e que quando chegam, algo nos fez desviar a atenção, olhamos para outro lugar e quando voltámos a procurar, já passou.

Estas, às vezes doem. As outras, dou de barato.

terça-feira, julho 19, 2011

O País das sete colinas

Sempre que leio uma notícia relativa a assaltos, distúrbios ou agressões no Portugal rural, reparo nos lamentos de população, autoridades e políticos locais, relativamente à falta de efectivos das forças de segurança, normalmente da GNR.

Espanto-me quando leio que, só em Lisboa, esta força de segurança tem cerca de 6.000 (!) efectivos. Compreendo. Pode haver alguma invasão do Terreiro do Paço, como em Abril de 1974, e não estar por lá a força civil necessária à manutenção da ordem. É a chamada segurança de proximidade… Do poder, claro. Estão ali para, como em tudo neste País, coordenar a Guarda desde a Capital.

Lisboa tornou-se uma espécie de capital de império, de onde devem partir as colunas em conquista, e sem território ou povos para conquistar. Limitam-se a engordar os arquivos centrais com papéis e mais papéis, enquanto o resto do burgo está a saque.

Entretanto, também lá pela capital, o Reitor da Universidade Católica, anunciou a aprovação de um conjunto de recomendações, quanto à indumentária que deve ser usada por todos os que frequentam o conceituado campus académico. Assim, e como se pode ler aqui, Manuel Braga da Cruz, que preside ao Conselho Académico, deu como exemplo um conjunto pitoresco, “chanatos e camisola do Benfica”, que atesta bem das preocupações a que já chegou a reflexão do dito Conselho.

Dois exemplos de desperdício de tempo: O dos efectivos da GNR que deveriam estar pelo País fora a fazer aquilo para que foram formados, que é garantir a ordem e a segurança publica, em vez de se dedicarem a burocracia, e o do Conselho Académico da Católica, que se deveria preocupar mais com a pedagogia, a fim de evitar que um estudante universitário desconhecesse qual a indumentária adequada para frequentar um espaço público de ensino.

segunda-feira, julho 18, 2011

E o que fazer enquanto esperas?

Enquanto esperas que a vida te dê o que tu esperas dela, vai fazendo coisas que possam coincidir com aquilo que precisas que aconteça.
Se esperas mudança, não esperes sem a provocar, porque quem espera nem sempre alcança, porque para alcançar é preciso lutar.

Vícios sociais

Há quem ache o simples acto de ir beber um café um vício. Eu, enquanto adicto de cafeína, não tenho tal ideia. Acho que o dedo no nariz substituiu definitivamente a bica e o queque.
Não sei qual dos dois vícios será pior, mas andar pela rua fora a escarafunchar orifícios que não o devem ser em público, não me parece nada social. Ao contrário da cafeína, as bolas que fazemos dos macaquinhos que extraímos dos orifícios nasais, não nos fazem despertar, nem tão pouco nos proporcionam conversas de circunstância. Tentem observar o gesto mais repetido pelas pessoas enquanto esperam que o semáforo passe a verde e vão ver que uma grande percentagem limpa a "penca". Em período estival, usa-se muito o tirar o macaco e, com o braço bem de fora, formar a bola até que caia.
Caso se desloquem em transportes públicos, o acto mais repetido deverá ser o de coçar partes íntimas, ritual tido como obrigatório para não se ser assaltado. Ou então, deverá pôr de parte o uso de qualquer desodorizante, viajar de pé e agarrar-se a um varão bem alto.
Nos autocarros, caso encontre alguém conhecido, fale bem alto, para que todos possam ficar a conhecer um pouco mais de si.
Como estamos em época balnear e há pouco disto na rotina normal, como qualquer "socialite", desloque-se a uma praia, que os hábitos sociais se mantêm por lá.
Tirar macacos do nariz, coçar os tomates, mijar na água e mandar os meninos fazer o mesmo (se for necessidade sólida, fazem num balde de brincar com a areia e depois enterram), depois de esvaziar a geleira, são os vícios mais vistos pela orla costeira.

sábado, julho 16, 2011

O Grupo Impresa e o jornalismo sério

Acho imensa piada a estes jornaleiros que se acham grandes investigadores, e que lançam notícias como a de hoje do Espesso.

Apesar de todos os desmentidos, mantêm a notícia e noticiam-na de hora a hora no canal de notícias do grupo, verbalizando-a como uma história e não como uma alegada história.

O director do jornal, acha que tem toda a razão e não retira uma vírgula. O, presumido, investigado é entrevistado em horário nobre, como se o caso fosse a prioridade do País. Eu, livre, mudo de canal.

Estes jornalistas, que advogam para si mesmos a inocência, quando em causa, até provado o contrário em Tribunal, investigam e noticiam com a certeza dos carrascos quando executam sentenças.

Não gosto do estilo bate no grupo ao lado, antes que batam em ti.

Desarrumado e saudoso

Sabem, aqueles sapatos que não queremos deitar fora?

Aquele momento que queremos prolongar, que por nada desejámos que acabe?

Aquele dia perfeito de praia, que nos faz prolongar até ao limite o recolher da toalha, o sacudir a areia dos pés e voltar para casa?

Aquele dia de final de férias, que curiosamente se torna perfeito, em que tudo corre tão bem, que a ultima coisa que desejámos é fazer-mo-nos à estrada e voltar?

Aquele beijo, aquele momento, aquele abraço, aquela palavra, aquela frase que nunca mais saía e que quando a dizemos não queremos que não a ouçam?

Sabem quando olhamos para ali, para o que queremos e conseguimos, e de repente termina? Sabem?

Esta música faz-me lembrar esses momentos, leva-me para aquele tempo em que não havia tempo, em que o limite era o inimaginável, em que o Mundo não me conseguia parar, em que tudo era perfeito quando visto daqui, deste tempo. No fundo não seria, mas a juventude deixa-nos esta memória de imortais e grandiosos dias e feitos.

Eram os tempos em que os dias pareciam semanas, as semanas meses e os meses anos.

Agora os anos parecem meses. A vida passa-nos ao lado, leva-nos tudo, somos marionetas do stress e da rotina. Não devíamos. Eu, sinceramente tento não ser, e sofro as amarguras daí resultantes, mas não trocaria esta forma de viver por outra.

Sinto o sal da vida todos os dias. É assim que deve ser!

 

segunda-feira, julho 11, 2011

(O)Pinar

Anda tudo numa de opinar. Toda a gente tem opinião sobre tudo e mais alguma coisa. Até eu opino.

Uma agência de rating, coisa que nada nos dizia até há algum tempo atrás, analisou a situação… blá, blá, blá, blá, blá…

Pois.

E agora somos lixo. Basicamente foi isso que passou para o grande publico.

O Angélico levava cinto, mas cortaram-no para o tirar do carro. A julgar pela opinião do bombeiro. A GNR diz que… blá, blá, blá, blá, blá, blá…

Pois.

O homem morreu. Temos pena. Era giríssimo e namorava com uma tipa de olhos trocados, mas que desfila sorridente uma semana depois. Os outros? Esses não interessam, não são “Morangos”.

O Tony Carreira não se queixa da crise, tem o apoio do Continente, que assume os riscos dos concertos, que são zero. As sopeiras vão todas aos concertos patrocinados pela marca do Shôr Engenheiro Belmiro, depois vão lá à loja comprar cachecóis para levar aos concertos, com o respectivo desconto em cartão. Que é para acumular e continuar a gastar. Entretanto sai um talão para o Tone ir à Galp abastecer, preferencialmente ao Domingo, e vai daí sai na bomba de gasolina outro talão para descontar no hipermercado.
Crise? Qual crise? Vai tudo em família aí pela estrada fora, uns aos concertos ou piqueniques e outros beber umas minis enquanto a mulher solta a libido no meio da multidão e sonha com o dia em que sai o novo CD do homem do capachinho.

Agora até na compra de seguros, telecomunicações e manjericos, há descontos para acumular em cartão. Consta que até a Rozete, dona do bordel cá da terra, vai fazer uma parceria com o Shôr Engenheiro, a ver se as massagens dadas pela Delmia, que veio de Minas Gerais, contem para acumulado de compras.

O Goucha há-de ser o escolhido para a campanha publicitária.

Crise económica? Só se a malta não puder (o)pinar.

Eu opino.

O Zé povinho? Esse “pina” a paciência de quem não a tem, enquanto que, os que a têm, vão fazendo negócio à custa de suas cabeças que estão mais abaixo do nível com que a Moodys avaliou a nossa dívida pública.

Pinem então, que é o que nos resta.

terça-feira, julho 05, 2011

Ultra Trail da Serra da Freita 2011

Hoje, dia seguinte ao da prova, já recuperado da Frecha da Mizarela, ainda me doíam todos os músculos responsáveis por nos prestar suporte para subir um obstáculo. Não que tenha sido uma prova daquelas para que tenha treinado afincadamente, das que nos obrigam a longas semanas de planos com séries, rolamentos e técnicas de corrida, nada disso. Na Freita nada suplanta o querer.

8h da manhã, nevoeiro serrado, frio (o termómetro do carro indicava 12º) e eu a chegar ao ponto de onde já tinham partido os participantes da prova rainha, os 70 km que dão nome à dita, 4 horas antes. Saio do carro e rapidamente regresso. Chiça, faz frio! Em baixo, no meio do parque de campismo que serve de base à corrida, alguém se move com um saco-cama enrolado às costas, e eu ali, de t-shirt e calções, arrependido de não ter levado uma camisola térmica. Enfim, 2 horas de espera depois, junto-me ao João Meixedo, ao Vítor Dias e ao Vasco Batista, englobados no grosso do pelotão, juntos com os demais Porto Runners presentes,  depois da foto da praxe, e do tiro de partida, arrancámos para a dita.

A minha mania de me juntar a gente rápida, leva-me rapidamente a ponderar e regressar ao ritmo normal de quem nunca tinha andado em nenhum trilho sem ter às costas uma mochila bem pesada, umas botas calçadas e uma G3 ao ombro. Como flechas disparadas rumo aos mais de 1000 metros de altitude da Freita, vejo ao longe os que comigo partiram, e, como se não fosse a subir, o grupo do nosso Presidente passa também com excelente ritmo.

“Há-de haver por aí uma descida para os apanhar e acompanhar”, pensei. De nariz no ar num qualquer ponto mais alto, a tentar decifrar quem seriam os corredores que estavam a atravessar uma pequena ponte(?) e pumba! Resvalei com o pé numa pedra solta. Resultado: Grande tombo. Por sorte foi num trilho que tinha mais terra e lama do que pedras, e, “apenas” rasguei as meias que me protegiam as pernocas, com uns consequentes arranhões nas mãos e pernas. Lama já tinha com fartura com apenas 3 kms de prova e a lição mais importante a retirar desta façanha: Um trail faz-se a olhar para o chão, nunca a olhar para outros pontos onde não se vão colocar os pés.

A correr, que ainda se podia, rumo ao 1º ponto de abastecimento, no 5º km. Paro para beber e aparece a Joana Leite com um lanço, que só deu para arrancar e tentar acompanhar aquele ritmo louco com que ela e a amiga Teresa saltavam de pedra em pedra em cada descida, por mais inclinada que fosse. Em estilo cabra montês, lá fomos até ao 2º abastecimento, ao km 11.

Até aqui nada de assustador. Conseguimos correr a pouco mais de 7’ de média por km, o que, a julgar pelo que me tinham já falado da Freita, me parecia um feito digno de registo. Ainda mais impressionante seria o ritmo dos da frente, já não via ninguém no horizonte. De repente, quase parado no meio de um trilho, o Vasco, com quebra de forças provocada por uma indisposição gástrica. Tento ficar por ali, não me parecia um local muito aconselhável para deixar alguém naquele estado, muito menos um amigo. Fico. O Vasco não queria que parasse, quase que me batia, enquanto praguejava com o tempo médio por km. “Nunca tinha corrido tão devagar”, dizia. Mandou-me embora, mas fui ficando. Começamos a descida para o Rio Caima, que vindo da frecha, proporciona uma imagem deslumbrante. Descíamos enquanto uns caminheiros ocasionais subiam. Fantástica imagem, linda paisagem, fabuloso País que temos. Embevecido por tudo aquilo, preocupado em não cair, “empurrado” por mais uns quantos concorrentes que nos tinham apanhado, adiantei-me ao Vasco. Ao chegar ao rio, 300 m de altitude menos em relação ao início da descida, vejo-o em cima, junto com outros corredores. Como não vinha só, segui trilho fora. De repente vejo-me a trepar literalmente de gatas, uma parede. À  minha esquerda a famosa corrente cravada na rocha, que se ali não estivesse o equilíbrio seria quase impossível. Um grupo de três atletas, habituados àquelas andanças, seguiam-me trilho acima, animados e a animar-me. As pernas não me doíam, mas já não via muito bem… “Ainda aí vem pior”, diziam-me. Cada vez que achava que estava a acabar aquela tortura, erguia-se mais uma parede na nossa frente. Foram 2 km em pouco mais de 40 minutos. Agora percebo quando o Mark Macedo diz que não percebe como é possível fazer subidas daquelas rápido. Há quem faça. E por incrível que pareça, os concorrentes da Ultra, fazem aquela subida depois de 65 km de prova, e alguns não a acham a mais dura, mas já houve alguns que ali chegaram e desistiram.

Ao chegar ao fim do trilho, a Lina, esposa do Vasco e nossa fotógrafa de serviço (excelente sempre), junto com o filho Diogo, anima-me e vislumbra com a objectiva da máquina fotográfica, ao longe com um grupo, o marido. Descansado, sigo até ao final, com o trio que me acompanhou naquela terrível subida, cruzando com eles a meta.

Depois de terminar, depois do banho de água fria, do almoço e da roupa seca e lavada, já confortavelmente a almoçar, eis que o speeker da prova anuncia a chegada dos primeiros classificados da ultra. Com 8h e 45 minutos de prova, de mãos dadas, cruzam a meta. Inédito, contudo demonstra o altruísmo de ambos, ao atribuírem a proeza ao companheirismo que, provavelmente, tiveram durante a corrida. O terceiro chegaria mais de 30 minutos depois, os restantes foram chegando, soltando descargas de adrenalina ao passar a meta e ao se abraçarem aos amigos ou família que os esperavam. Ou a descomprimir de tal forma que nem uma palavra conseguiam dizer. É um feito notável, a ver pelos 17 de amostra que tive, fazer 70 km serra acima e abaixo.

Parabéns a todos os que, num Domingo de Julho, às 4 da madrugada saíram do quentinho para desafiar o frio e a serra com todas as armadilhas que ela nos proporciona. Não posso deixar de destacar os atletas da minha equipa, Porto Runners, que participaram na Ultra. Imagino o que todos sofreram, mas sei que, em equipa, como sempre, tudo suplantaram.

Nós os que por lá andámos uma ou duas horas, ficámos com uma ideia do que eles passaram.

Até ao próximo desafio!       

quinta-feira, junho 23, 2011

Elas

Gosto delas, acho-as fantásticas. São, na minha opinião, a melhor criação da natureza. Personificam mesmo, a suprema mestria que Deus teve, ao desenhar os componentes do Mundo.

Gosto muito de ver uma mulher ao volante. O poder fica bem na maioria das mulheres. Gozam de facto, de uma beleza e de uma elegância supremas quando lideram.

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A imagem de Assunção Esteves na cadeira da Presidência da Assembleia da República personifica uma mulher de sucesso, cheia de elegância, bonita, inteligente e sagaz. Não que sejam todas assim, há mulheres mais jovens que se parecem já gastas, e outras mais maduras que se eternizam na juventude, mas a maioria das mulheres de sucesso, conseguem transformar o mundo delas num mundo de elegância e charme.

O homem tem mais dificuldade em conseguir tal proeza, não foi feito para cuidar, para prolongar ou fazer brotar beleza onde ela não existe. Aquela mestria de dar vida e de dela cuidar, missão que a elas foi entregue, é única e facilita-lhes o acto de seduzir o mundo que as rodeia.

Elas têm tanta arte em si mesmas que se invejam mutuamente. Um homem conta o seu maior segredo a um amigo, mesmo que recente, desde que nele sinta alguma confiança, já uma mulher…
Não será fácil encontrar no Mundo a determinação, vontade, beleza e sensualidade de uma mulher.

Agora na casa da democracia portuguesa quem manda, como deve ser em qualquer casa, é também uma mulher.

quarta-feira, junho 15, 2011

Enquanto pensam…

Enquanto pensámos nas formas ideais de vida, no sucesso, na realização pessoal e na felicidade, há quem se vá entretendo com outras coisas que os fazem felizes.

No último Domingo, celebrou-se em Portugal, mais precisamente em Coimbra, o Dia mundial de tricotar em público (??). Um grupo de 20 senhoras exultava com os seus tricots e pontos de cruz. Havia uma jovem que mostrava orgulhosamente umas peúgas de lã que estava quase a acabar. Muito úteis nesta época.

Hoje, deparo-me com uma notícia que fala num estudo americano que anuncia ao mundo que, os homens que lavam a louça, têm uma melhor vida sexual. Será por prémio, digo eu. Ou então será pelo cuidado em não partir a louça. Diz ainda que, quanto mais tarefas domésticas os homens cumprem, mais felizes são as mulheres. É normal, ninguém fica triste com a colaboração e ajuda de alguém que seria suposto estorvar. Afinal, os homens também sabem agradar…

Já as mulheres, segundo um estudo sueco, são geneticamente mais predispostas às depressões, alterações de humor e ansiedade. Não sei se estes dois estudos estão relacionados, mas imagino que uma mulher, ao chegar a casa e ver a cozinha de pernas para o ar, cama por fazer, sanitas com tampas para cima e roupa espalhada pelo chão, não possa fazer um ar propriamente sensual ou mesmo de agrado. Provavelmente amua, faz o que acha que deve fazer (elas normalmente gostam das coisas arrumadas) e, à noite, no sossego do quarto, dedica-se a tricotar em privado, para depois o poder fazer em público.

Enquanto um homem pensa porquê, elas já vão no como…