sexta-feira, outubro 21, 2011

Sport Zone

Isto é um dos exemplos do quão mal se trabalha em Portugal. Aconteceu agora mesmo comigo, e acabei de deixar esta mensagem no mural do Facebook da Sport Zone. Espero que não me metam em Tribunal...

"Como ser enganado numa loja Sport Zone: Entrar, ver um produto no catálogo Berg Outdoor 2011 (catálogo na loja), mais concretamente uma mísera bolsa impermeável, cujo preço é de 1,5€. Vais procurar no expositor respectivo e vês uma bolsa RIGOROSAMENTE igual, com as mesmas medidas, mas que custa o dobro, ou quase (2,99€). Depois de questionada, uma das colaboradoras da loja diz-me que as bolsas constantes do catálogo são antigas e estão esgotadas (!). Apesar de compreender a minha questão e indignação por estarmos a olhar para o mesmo produto, apenas com códigos diferentes, nada mais tinha para me dizer. As bolsas a 1,50 estavam esgotadas. Têm lá a mesma, mas com mais lucro. É a crise. Eu, que não gosto que façam de mim otário, e apesar da insignificância material da questão, vou embora, provavelmente comprar a mesma bolsa, muito provavelmente pelo mesmo preço ou mais, mas à concorrência. Porque quem trabalha assim não me merece como cliente."

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Porra, estamos a falar de uma insignificância, mas é por estas e por outras que as lojas em Portugal estão sempre a definhar de mofo. Nas promoções e tempo de saldos é que têm preços normais. No resto do ano parece que andam a gamar...

De referir que isto se passou na Sport Zone do Norte Shopping, mas curiosamente, a falta de formação do pessoal é extensiva às demais.

Droga

Acabo de ouvir o Presidente do IDT, Instituto da Droga e Toxicodependência em declarações a uma rádio, mostrar a sua preocupação com a anunciada extinção do dito. Parece que o trabalho até assegurado nos CAT será feito pelos Centros de Saúde.
O mais preocupante é que, alguns anos depois da criação e expansão da rede de CAT's não só aumentou o consumo, como aumentaram as doenças relacionadas com o vicio e seus riscos. Os jovens iniciam mais cedo o contacto com drogas (as chamadas leves) e vê-se gente a consumir droga por todo o lado, como se fosse algo normal. A descriminilização do consumo, e a deficiente aplicação da legislação que obriga a tratamento a quem é apanhado a consumir droga, levou a que, o acto de consumir droga, passasse a ser ignorado pela restante população, autoridade incluídas.
Esta velha teoria de esquerda de encontrar nos dinheiros públicos respostas para todos os males da sociedade, trouxe-nos a isto. Muitos milhões gastos em tratamentos de gente que não quer ser tratada, antes quer evitar a ressaca. E muitos mais em apoios que só servem para tapar o sol com a peneira, já que não é com um quarto pago pela segurança social, o passe da STCP e o rendimento social de inserção que se tira alguém da droga. Como me dizia um conhecido que dela saiu sem ir a nenhum CAT, a metadona é uma heroína que não bate.
Prevenção é o caminho.

domingo, outubro 16, 2011

Despenteado

Não, não estou a falar de mim. Estou a falar do texto que a seguir transcrevo e que acho fantástico. Desconheço o autor(a).

DEIXA QUE A VIDA TE DESPENTEIE
“Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie,
por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade…
O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é gostoso, engorda.
O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto enruga.
E o que é realmente bom dessa vida, despenteia…
- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar a pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa ideia colocar aqueles
saltos gigantes essa noite, deixa o teu cabelo irreconhecível…
Então, como sempre, cada vez que nos vejamos
eu espero estar com o meu cabelo bem bagunçado…
E se estiver, pode ter certeza
que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.
E quero encontrar você com o teu mais bagunçado ainda!
É a lei da vida:
sempre vai estar mais despenteado
quem decide ir no primeiro carrinho da montanha russa,
que aquele que decide não subir.
Pode ser que te sintas tentado a ser
um homem ou uma mulher impecável,
todo arrumado por dentro e por fora.
O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:
Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça,
coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria…
e talvez deveria seguir as instruções, mas
quando vão me dar a ordem de ser feliz?
Por acaso não se dão conta que para ficar bonito
eu tenho que me sentir bonito?…
A pessoa mais bonita que posso ser!
O que realmente importa é que ao nos olharmos no espelho,
vejamos aquele que devemos SER.
Por isso, a minha recomendação a todos que amo é:
Entreguem-se, comam coisas gostosas, beijem, abracem,
dancem, apaixonem-se, relaxem, orem, viajem, pulem,
durmam tarde, acordem cedo, corram, voem, cantem,
meditem, arrumem-se para ficar lindos,
arrumem-se para ficar confortáveis!
Admirem a paisagem, aproveitem, e, acima de tudo,
deixem a vida despentear vocês!
O pior que pode acontecer é que, rindo frente ao espelho,
vocês precisem se pentear de novo…
Aproveitem cada dia.

domingo, setembro 25, 2011

Free Running na Serra d’Arga com Carlos Sá

 

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Todos temos amigos, familiares ou apenas conhecidos, que nos dizem achar espantoso, o facto de termos tempo para treinar, correr, ter vida profissional e familiar e não nos queixarmos. É realmente admirável.

Mais admirável ainda, é o facto de cada vez mais pessoas fazerem parte deste enorme pelotão em que se está a transformar a corrida recreativa em Portugal.

Muita dessa evolução deve-se, na minha opinião, ao facto de haver heróis com histórias de vida pelas quais nos apaixonámos e nos revemos.

Qualquer um de nós, quando quer, tem tempo para fazer as coisas que lhe proporcionam mais prazer e em que melhor partido tira do tempo aplicado para o fazer. É a qualidade da ocupação que nos permite concluir se temos ou não tempo.

Ontem, pouco depois das 6h, nutridos e preparados, mais de 40 pessoas, com um único elo de ligação entre todas elas, o prazer de correr e a vontade de conhecer pormenores de uma prova que se avizinha, dirigiram-se, mais ou menos organizadas em pequenos grupos, para um Free Running na Serra de Arga.

O objectivo deste encontro, era, intenção do seu organizador, Carlos Sá, o de proporcionar uma ambientação ao terreno e às exigências que daí advêm, a quem se quer iniciar na prática da corrida em montanha e por trilhos na natureza. Como organizador do Grande Trail Serra d’Arga, o Carlos quis que alguns dos inscritos na prova tivessem uma primeira abordagem ao terreno, para que se inteirassem das exigências do mesmo e da diferença para as corridas de estrada e/ou pista visto muitos não terem sequer uma única experiência em trail.

Houve de facto lugar para alguns se aperceberem da dureza do desafio de subir uma encosta com 600 mts de desnível, em pouco mais de 2 ou 3 quilómetros.

Enfim, tudo contornado com a compreensão e ajuda de todos para com todos.

Chegados bem cedo a Dem, localidade do Concelho de Caminha que servirá de base à prova, começamos por ouvir, num pequeno briefing, os conselhos e advertências do nosso anfitrião, que, surpreendido pelo nº de participantes (44, quando tinham comunicado a presença apenas 33), pediu para que todos fossem colaborantes.

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Iniciamos logo de imediato com uma autêntica escalada de 4 quilómetros, com um desnível de 500 mts. Para quem desconhece a sensação, equivale a subir à Torre dos Clérigos. 7 vezes. Continuamente. Um quebra pernas à partida de uma prova de montanha é mesmo isso. Um quebra pernas, uma forma de selecionar logo no início e refrear os mais apressados. No nosso “estágio” foi a forma de descobrir quem estava habituado a correr e quem não estava em condições de subir à Torre dos Clérigos uma única vez.

Em vez de seleção, visto ser um convívio, um treino onde ninguém ficava para trás, houve celebração. Ali chegados, contemplamos deliciados a fabulosa vista proporcionada pela morfologia do terreno e pelas condições atmosféricas que permitiam, como se pode ver pela foto, ver até à foz do Rio Minho, junto a Caminha.

Foto de conjunto, toca a descer rumo ao Pincho. A meio caminho um primeiro abastecimento junto a uma das abundantes bicas de água, onde alguns se deliciaram com as castanhas que já se notam caídas pelos caminhos.

A figura da prova revela-se aqui. Enquanto me preparava para  “assaltar” a mochila do Vítor Dias para comer um indispensável abastecimento em forma de gel, aparece o já baptizado Brecas. O homem, com pouco mais de 6 quilómetros percorridos, já gemia de dores. Queixava-se de cãibras, esticava a perna, massajava os gémeos, mas nada o curaria daquele martírio. Achava que comendo, eventualmente uma coisa daqueles que os atletas comem, se tornaria um atleta. Não, o gel não traz resistência aos músculos, nem serve para os regenerar. Lá por se chamar gel não serve para modelar, como o do cabelo, nem para enrijecer. Não. É gel, porque é mais fácil de transportar e digerir, e porque concentra o essencial para manter a energia necessária para o continuo esforço físico. Mas o Brecas achava que não, que era a poção dos druidas. O Barbosa lá lhe deu um.

Chegados ao Pincho por uma encosta desnivelada, deparasse-nos  uma imagem fabulosa, linda. A natureza característica do Minho: Um verde a envolver formações rochosas com quedas de água esplendorosas. Quase por instinto, por celebração do momento, todos ficamos ali por alguns minutos a contemplar o fantástico quadro.

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E lá seguimos nós junto ao Rio Âncora numa parte do percurso muito técnica e que ainda não estava limpa da vegetação própria de um ambiente selvagem. Dali trouxe (eu e provavelmente mais alguns) uns picos nos dedos e bastante lama nas meias. Houve tempo para experimentar equipamento, de concluir que os bastões, nesta fase, atrapalhariam e de pedir a S.Pedro que nos dê um dia como o de ontem, nada de chuva ou nevoeiro, pouco sol e temperatura amena, a rondar os 18º. Obrigado.

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Rio fora, percurso partilhado com praticantes de canyoning, alguns curiosamente conhecidos de um ou outro corredor (há surpresas em todo o lado, Portugal é mesmo pequenino), lá fomos em direcção a S.Lourenço da Montaria, onde irá terminar a prova de 20 quilómetros.

Ali chegados, antes de iniciarmos a subida à Sra. do Minho, a mais de 800 metros de altitude, alguns dos participantes menos preparados, ou mesmo sem vontade, ou com cãibras, como o Brecas, regressaram a Dem numa carrinha que ali nos esperava precisamente para isso.

Encosta acima, pelo trilho que nos levaria ao final do nosso treino, fomos sentindo a temperatura a descer e a brisa, ligeira, a soprar. O silêncio da montanha a acompanhar-nos e os cavalos garranos ali ao lado, a pastar em grupos pequenos e a olharem-nos com alguma indiferença. No planalto, finalmente terreno para correr em ligeira subida, num esponjoso chão com erva encharcada.

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Chegados à Sra. do Minho, tempo para contemplar as vistas, Ponte de Lima ao fundo, Lanheses um pouco mais a Oeste. E ali ficamos a saber que vamos subir e descer aquela autêntica parede. Parede para nós, pista de séries para o Carlos Sá. Não é à toa que é um dos melhores do Mundo no trail. Um atleta fantástico, não me canso de o dizer, com uma humildade e simpatia única dos que nada têm a provar, mas que não se cansam de o fazer. Um campeão!

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Começamos ali a parte pior do treino, a que nos pôs pior do que os 1200 metros de desnível positivo acumulado. Preferíamos ter regressado a Dem a correr, do que transportados por um local, numa carrinha de transporte escolar que mais parecia a moto do poço da morte. Eu e o Vitor Dias sentados no chão, completamente enjoados, os demais agarrados como podiam aos bancos, e o motorista a garantir à mulher, via telemóvel, que estava a chegar para o almoço. Enfim, esperemos que as crianças tenham horários compatíveis com os hábitos gastronómicos do dito senhor, senão…

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Já com o banho tomado, e depois de uns alongamentos num parque infantil, em ambiente de agradável convivência, iniciamos a terceira parte do free-running. O piquenique correu lindamente, com os já poucos resistentes. Café tomado regresso a casa.

Ficamos todos com a sensação que o Grande Trail Serra D’Arga vai ser uma prova com excelentes condições. O Carlos Sá merece-o e tem feito um trabalho excelente na divulgação de uma modalidade de que tanto gosta e que tão bem nos tem representado por esse mundo fora.

Fica o agradecimento à disponibilidade demonstrada pelo Carlos, e a quem o ajudou a preparar este treino.
Dia 23 de Outubro lá estaremos.

Ficam as imagens recolhidas e compiladas pelo Carlos Sá e pelo Vítor Dias.

www.correrporprazer.com

quinta-feira, setembro 22, 2011

Gente que me faz confusão

Faz-me sempre imensa confusão que alguém se lembre de tudo o que lhe passou pela vida. Tudo e todos os que por ela passaram. É que simulam uma memória tão boa, tão eficiente, tão fotográfica, que se lembram mais facilmente da infância dos Pais, do que da vida adulta dos próprios.
Hipocrisia e caldos de galinha, cada um toma a que quer. Sim, eu sei que o ditado diz outra coisa, mas deu-me mais jeito assim.
Detesto hipócritas e cínicos.
E não gosto mesmo nada quando acham que me tomam por lorpa.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Irritações

Detesto semáforos de controlo de velocidade!
Se são accionados a mais de 30 e eu vou a 20, porque raio passam para amarelo e logo vermelho?
Se for a 50? É igual! Mas de for a 100, já nem detectam. Vá lá alguém entender isto...
Entretanto, o verão voltou em força. Para irritar mais um pouquinho...

domingo, setembro 04, 2011

José Teixeira

Hoje, dia de treino longo, fiz-me ao caminho sozinho, manhã bem cedo, para uma volta à cidade.

Fiz os mais de 30 km's com o Sr. Teixeira, colega dos Porto Runners, no pensamento. O Sr. José Teixeira faleceu ontem, na marginal do Porto, onde tantas provas fez e onde tantas vezes treinou. Faleceu a fazer o que tanto gostava, correr.

A minha primeira maratona, coincidiu com a sua ultima. Terminou à minha frente uns segundos, e festejamos ali mesmo, com a tradicional  cerveja na mão.

Inscreveu-se para a Maratona de Milão, mas não a correu, disse, por não ter treinado o suficiente. Não deixou, contudo, de lá ir e, com a família, de nos apoiar e felicitar junto à meta.

Hei-de recorda-lo sempre como um simpático atleta de pelotão que todos gostaríamos de ser um dia.

Podem ler aqui um artigo escrito pelo Vítor Dias ainda antes da Maratona do Porto 2010.

Até sempre Sr. Teixeira!

sábado, setembro 03, 2011

Anúncios parvos

"Olá! Sou a Ana e tenho 40 anos. Hoje vim à praia com a família, depois de beber um iogurte que fez com que me desfizesse em bosta logo pela manhã. Assim pude fazer mais um dia feliz de veraneio com a barriga menos inchada!"
Digam-me que isto é tudo normal...

sexta-feira, setembro 02, 2011

Irritante criatividade

Irrita-me a criatividade de muita gente.

Do humorista/argumentista que encontra uma piada em todos os temas da actualidade e os transforma em riso.

Do escritor/pensador que encontra um tema e o desenvolve numa harmonia fantástica com a narrativa que nos cativa como um filme.

Da mulher que transforma um trapo em roupa, que faz de um olhar sedução, de um andar fascinação. Estas, em tudo o que é arte, são as que mais me irritam. Vejam que até provocaram o aumento do parágrafo, interrompendo um desfilar de artes facilmente elogiáveis e que tornariam este, num post realmente digno de crónica semanal de uma qualquer revista.

Mas como me irritam seduzem. Fascinam-me. Adoro-as. Gosto tanto de as apreciar que até tenho medo de o mostrar. E não, não é pelo lado sexual, sempre detestei o sexo como negócio e/ou choque visual, é mesmo pelo que insinuam, todos os jogos de sedução que mantêm no dia-a-dia, em tudo, ou quase tudo, o que fazem.

E são tão criativas… Que até irritam.

quarta-feira, agosto 31, 2011

Tempo e vontade

Há tempos assim, em que o tempo e a vontade não se conjugam.

Tudo seria perfeito se, quando nos dá jeito, os outros tivessem a mesma vontade que nós temos. Mesmo a meteorologia, que por estes dias nos trai com beleza cinzenta.

Tenho tido tempo, todo o tempo do mundo, mas faltou-me a vontade.

Mas está prometido, e em breve dou novidades.

Até fervilho com a ansiedade do momento.

Espero que não me falte o tempo agora que tenho a vontade!

sexta-feira, agosto 26, 2011

Humildade

Não sou muito, mas há gente que o devia ser exactamente à medida do ego que tem.

Há por aí tanto palerminha enfiado no alter ego, que de tanta arrogância exalar por quantos poros tem, mete asco do tamanho de um dia. E um dia com asco…

Enfim. O Mundo está tão bem feito, que até na paciência encontrou forma de nos acalmar, para que não desatemos todos à chapada a cada filho da…, bem a mãe deles não tem culpa. Portanto, digamos antes, a cada imbecil que se revela.
A humildade é tanto menor, quanto maior é a esperteza saloia. Infelizmente, neste burgo, os espertos, os cabrões e as vacas são os que melhor se sentem com eles próprios, e por consequência, sentem-se sempre superiores ao mundo que os rodeia.

Vem este texto a propósito de várias reflexões que não me apetece divulgar, mas que seguramente será familiar a quem não se revê no desenfreado abalroamento, que quem não quer saber dos outros, aplica no dia-a-dia, só para sentir o seu próprio mundo a “rolar”.

São tão hipócritas, que advogam para os outros aquilo que não conseguem/não querem ser/fazer.

Sem mais.

Continuem em frente, arrogantes e hipócritas deste mundo. Pode ser que a parede se levante e vocês choquem de frente contra aquilo que constroem diariamente.

quinta-feira, agosto 25, 2011

Iscas de bacalhau e cerveja fresca

O Porto é uma cidade bela. Mais bela do que conseguimos vislumbrar pelos trajectos normais, pelas vias principais desta nobre cidade. Temos a fabulosa cascata sanjoanina, exemplarmente cantada pelo Rui Veloso e demasiado inclinada para correr, pese embora haver quem o faça.

Hoje, dia de treino de rampas, fomos, eu o Vítor Dias, o João Meixedo, o Luís Pires e o Paulo Rodrigues, marginal fora, num percurso já por eles imensas vezes calcorreado e que fizeram o favor de me levar a ver as vistas. Confesso que estive inclinado (também nas subidas, e de que maneira) a dirigir-me a uma esquadra e denuncia-los por tentativa de homicídio, contudo, e após uma queda de um dos parceiros de treino, achei que seria abusivo da minha parte. Eu que até ando a baixar o ritmo cardíaco na corrida, eu que até já corro com regularidade médias distâncias, que me propus a fazer uma série de provas, sendo duas de distância superior a 40 km, não podia acusar o toque e virar as costas ao serpentear fantástico pelas vielas e escadarias que partem de e para a marginal.

Fui em passo adequado e acompanhei aqueles quatro motores afinados até ao fim. Mesmo na maior provação do treino: Um “desmoer” aconselhado por uma habitante da Ribeira, que na dúvida, decidimos acatar. 

A ex-Escola Primária nº1, que foi a do Paulo Rodrigues, e cuja localização muito deve ter contribuído para ele correr como corre.

 

Alguns dos caminhos que fazem parte do percurso e que estão integrados nos famosos Caminhos do Romântico da Cidade do Porto.

E assim vou revisitando lugares que de outra forma ia esquecendo.

 

Acreditem que estes 290 degraus custam a subir, principalmente depois de 10 km de sobe e desce constante.

domingo, agosto 21, 2011

Corridas, salmão e esparguete

Hoje, como faço quase todos os dias, fui correr.
Nada de especial, um treino longo com mais alguns colegas dos Porto Runners, com partida e chegada do Parque da Cidade do Porto.

Era suposto ter sido algo leve, apesar dos cerca de 30 kms planeados pelo Brandão, com ritmos adequados a cada um dos participantes, como é habitual. Tive azar. Aparecemos apenas 6, eu, o Vitor Dias, o Mário Carreira, o Luis Serra, o já referido Eduardo Brandão e outro colega, que nos era desconhecido.

Cheirou-me de imediato a esturro, mas, como não sou de desistir nem tão pouco de virar as costas às dificuldades, lá fui, esperançado que, pelo menos o elemento que foi e nenhum de nós conhecia, fosse semelhante a mim no ritmo. Nada disso aconteceu, como está bom de ver. Fomos, marginal fora, lançados a pouco mais de 5’/Km, tempo rápido para o que eu valho.

Ali pelas bandas da Ponte do Freixo, decidi virar para trás e fazer o resto do trajecto ao meu ritmo, na ordem dos 5’30/5’40 por Km percorrido. Acabei os 25 que fiz, bem, sem dores nem cansaço exagerado, e hidratado, já que fiz questão de parar em todos os pontos de abastecimento existentes no percurso, 2. Podem ver aqui o treino completo.

Entretanto, enquanto escrevia este post, fui ver o meu treino de há um ano, enquanto treinava para a minha 1ª Maratona.

Treino 22 Agosto

Que evolução. E que prazer me dá olhar para trás e ver os quilos que fui deixando e a transformação em algo parecido com um atleta.

Até já na alimentação pareço um atleta. Hoje fiz esparguete com salmão grelhado (estava a ver que não consegui meter isto no texto). Um prato incomodativo, pelo cheiro intenso que deixa espalhado pela casa.

sexta-feira, agosto 19, 2011

Tiro de partida

O ano passado, enquanto preparava a minha primeira maratona, li este artigo, escrito pelo meu amigo Vítor Dias, autor do excelente site sobre corrida, Correr por prazer, que sugeria como leitura de Verão o best-seller, Nascidos para correr.

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O livro surpreende. Pela excelente e cativante narrativa, e pela motivação que nos incute para a corrida. E não, não é nada convencional, não nos maça com todas as teorias médicas e fisiológicas/psicológicas acerca dos benefícios da corrida, não ´pela vertente técnica ou teórica, é pela forma díspar e completamente fora do normal em que decorre a preparação e prova, de um grupo de atletas de eleição, que não deveriam ser. E são-no apenas por um motivo: Nasceram para correr. Eles como qualquer um de nós.

Mostra-nos porque corremos, porque gostamos de correr, e, principalmente, porque devemos correr.

E acreditem que nos ensina a correr. Sem stress, sem preocupações exageradas, sem a rigidez dos planos de treino e dietas rigorosas. Não, nada disso. Ensina-nos que, mesmo sem tudo isso, qualquer um de nós é capaz de correr mais e melhor, e assim, tirar maior partido do prazer da corrida.

Aconselho vivamente. Reli-o esta semana e inscrevi-me para isto e isto e ainda isto!

Está dado o tiro de partida para mais um período de provas e treinos.

Tudo por e com prazer.

domingo, agosto 14, 2011

Percebas

Não, não estou a falar do crustáceo, a que erradamente chamam assim (é percebe, ou perceve), estou mesmo a referir-me ao facto de entender ou perceber algo.

Não entendo esta sociedade. Conheço, aos magotes, gente hipócrita e falsa como Judas, alguns infinitamente pior do que os seus próprios fantasmas, gente que apregoa alguns princípios, que concorda com quase todos aqueles que são básicos numa sociedade decente, mas que vivem completamente à revelia de (quase) todos, desde que, ao viola-los mantenham o melhor para elas próprias.

Se perguntar a quem quer que seja, o significado de felicidade, advogam todos que a mesma terá obrigatoriamente de abranger quem os rodeia, mesmo que isso não seja verdade.

Há por aí quem consiga viver mentiras anos a fio, com o desejo supremo de se manter cómodo, mesmo que pouco ou nada feliz. Vivem mentiras, mentindo amiúde. Condenam a mentira e mentem em quase tudo o que fazem. Criticam os pobres que se mantêm ao abrigo de prestações sociais, ou os arrumadores que chateiam para amealhar o suficiente para a “dose”, mas mantêm-se em empregos onde não trabalham, onde se limitam a não produzir, ou onde enganam o suficiente para poder manter o cheque ao final de cada mês. Ou então, à boa maneira de quem “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”, sugam a Segurança Social até ao limite.

Há-os também que mantêm relações por conveniência. Seja pelos filhos, pelo dinheiro, pelo estatuto, pela sogra, pelo cão, pelo sexo, pelo padre, enfim, por todos menos pelo que apregoam. Acham que são fiéis, mas sabem que não são. Vivem com infiéis que sabem que o são, mas mantêm-se assim porque sim. Porque há sempre motivos para não mudar, e a mudança dói.

Há os que mudam porque são mudados à força, há os que mudam e não queriam e há os que mudam sem saber.

Fico sem perceber é onde é que raio mete esta gente toda a palavra coerência. São todos opinadores, todos muito sérios, fiéis e dedicados, gratos, trabalhadores e honestos, mas na minha modesta opinião, não passam de falsos vestidos de gente.

O mal, para todos eles, é que não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe, e não se pode ter sol na eira e chuva no nabal eternamente. Há-de chegar o dia em que provarão do veneno que destilam pelos poros em atitudes de escárnio, inveja e maledicência. E aí, quando virem que entretanto o tempo passou e viveram como viveram, talvez percebam que não é olhando para o próprio umbigo, que se conseguem alcançar metas mais facilmente.

Vejam se percebem, o Mundo não é só vosso, nem a vida dos outros tem de ser como a vossa.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Artur

Nasceu no verão de 1937, segundo filho de um casal agricultores, onde hoje tocam os dormitórios da grande urbe invicta. Mouriz, terra do famoso Zé do Telhado, no Concelho de Paredes era então uma pequena freguesia rural.
Em tempos de guerra, período em que tudo era racionado, em que o que se colhia da terra era confiscado, quando as necessidades eram mais que muitas e os filhos ainda mais.
Foi criado pelo Padrinho, dono de terras, agricultor remediado. Os seis que lhe seguiram foram sendo distribuídos pela ajuda na lavoura dos Pais, ou seleccionados por outros Padrinhos e Madrinhas que os vestiam, cuidavam e iniciavam nas lides agrícolas.
Por lá ficou até ir para a tropa. De menino teve a Escola, numa infância expresso, que cedo terminou e trocou pelo "Escritório", como lhe chama, em que a caneta era a enxada.
Depois de cumprido o serviço militar, entre poucas viagens a casa que o dinheiro não se via e as boleias eram proibidas, trabalhou num bananeiro, de onde fugiu depois de uma noite em que partilhou esteira com alguns percevejos. Conseguiu lugar numa Fábrica e rapidamente chegou a encarregado. Desistiu por troca com o sonho de carreira na Policia, podia ter sido agente da PIVDE mas ser bufo não era opção. Um processo complicado o de entrada na Policia de Viação e Trânsito, que incluía recomendações do Pároco e atestados de boa conduta.
Curso feito, Policia extinta. Nada de grave, passou para a PSP e inaugurou a Divisão de Trânsito do Porto, onde esteve 11 anos, e que aproveitou para enriquecer a formação académica.
5 filhos entretanto nascidos, o que, em pouco mais de uma década perfaz um currículo apreciável e regular, ingressou na carreira de bancário onde passou os restantes 26 anos de actividade profissional, em paralelo com uma preenchida família que foi acrescida de mais dois descendentes.
Vida complicada de uma pessoa simples, que tanto gramou e palmilhou. Irmão de sete, Pai de sete, criou-nos a todos com as dificuldades próprias da época, sem nunca sentirmos necessidade alguma. Fomos educados para respeitar tudo e todos, o que acaba por evidenciar toda uma filosofia de vida abrangente, onde mesmo o respeito pelos bens materiais, ou pelo esforço necessário para os ter, nos fez dividir uma espécie de partilha austera em que ter era quase sempre um período de posse limitada, à espera do que seguia na hierarquia. Nunca nos criou expectativas, mas sempre nos ensinou a não vivermos na ilusão.
Homem muitas vezes surpreendente, afável e pouco dado a quezílias, era conhecido entre os colegas do Banco como "Irmão Pinho" pela forma cordial com que dava sem esperar retribuição, espelhado no sempre presente "Se Deus quiser" que ainda hoje o caracteriza. Incapaz de guerrear, ensinou-nos que cumprir com o dever de cada um, era a obrigação de cada individuo enquanto integrante de uma comunidade, fosse familiar ou enquanto sociedade.
Recordo-me, ainda petiz, de, um dia, ao ir com o meu Pai ao dentista, às então instalações do SAMS (Serviço de Assistência Médica dos bancários) na Rua da Picaria, enfrentar um momento aflitivo, ainda no final da década conturbada de 70. Saímos do autocarro na Praça D. João I e, pouco depois do Rivoli, vemo-nos de repente no meio de uma carga do Corpo de Intervenção da PSP sobre manifestantes integrantes de um protesto não autorizado. Eu, cheio de medo agarrado ao meu Pai, fui tranquilizado pela sua atitude, quando calmamente me disse: "Se não fugires ninguém te bate. Quem não deve não teme." E lá atravessamos a Avenida dos Aliados incólumes. Foi sempre esta a sua postura. Foi e é.
Fomos todos criados num ambiente familiar calmo, onde todos colaborávamos, havia distribuição e responsabilização de tarefas, igualdade entre rapazes e raparigas (5 para duas, se assim não fosse seriam umas escravas) e organização. Não se falava alto naquela casa, quando o meu Pai lá estava. Sossego e respeito, resultaram em 7 adultos que, tenho a certeza, respeitam o outro.
Fica aqui a homenagem ao meu Pai, que fez ontem 74 primaveras. E apesar de ser pouco extrovertido, tendo sido sempre um Pai à antiga (a figura de chefe de família assenta-lhe na perfeição), é o meu herói de sempre, como demonstrou e demonstra tantas vezes pela vida fora, e que se tornou enorme naquele final de tarde na Av. Dos Aliados.
Parabéns Pai!

quarta-feira, agosto 03, 2011

Os otários pagam sempre e continuam otários!

Ilucidem os portugueses nos blogues, já que a comunicação social tuga, gosta mais de Noticias de gordos que emagrecem ou de doidas que se tentam suicidar. Tudo o resto, se não der para "gozar" ou para fazer umas peças jornalísticas de profissionalismo duvidoso, tipo anedota caseira, não é importante.
O contribuinte, vulgo otário, paga sempre, já que continua a ignorar os contornos das decisões políticas, papando como real aquilo que vê nos telejornais de desinformação diária.

In Blasfémias,

Coisas simples

Até à sua nacionalização, o prejuízo, as dívidas e as fraudes relativas ao BPN eram uma responsabilidade directa e exclusiva dos sócios do banco e do seu património.
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O governo socialista de Sócrates ao nacionalizar o banco passou essas dívidas para os contribuintes.
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Os credores privados do banco agradecem muito a Teixeira dos Santos terem recuperado 2500 milhões de euros do seu património privado que de outra forma teriam perdido.
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Os contribuintes portugueses foram mais uma vez generosos, à força é certo, por terem contribuído para a felicidade de um pequeno grupo de seus concidadãos.
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Quem tomou estas decisões de delapidação do dinheiro dos portugueses voltou a ser professor de …economia. Qualquer dia é comentador encartado na tv.

segunda-feira, julho 25, 2011

escritor

O titulo está em letra minúscula propositadamente.
Eu, que não sou Escritor nem me atrevo a pensar ser, faço uso do prazer de escrever.
Vou escrevendo pensamentos, estados de espírito, sentimentos e considerações.
Tenho dias bons e maus, actos bons e menos certos e opiniões sobre tudo isto e, essencialmente sobre a vida.
Há sempre quem se sinta pior do que tu, mas nunca há quem sinta por ti. O prazer, a angustia, a vontade e a conquista, não sendo as maiores ou as mais fortes entre todos, serão sempre as maiores para ti.
Colocas no que vives o peso do Mundo, mas o Mundo é grande demais para ti. Tens um Mundo só teu que pesa tanto como o real, mas que é mais imperfeito que o ideal. Parece que quando algo vai correr mal, corre mesmo, e que quando alguma coisa vais conquistar, fica sempre um pouco por ganhar. Nunca, mas nunca estamos satisfeitos com o que conseguimos alcançar, nem conformados com o que vamos perdendo. Mas na vida saímos sempre a perder, quando não a aceitamos como ela é: Egoísta umas vezes e altruísta outras. E se não reclamamos quando ganhamos, aprendamos então a aceitar as vicissitudes da vida com a complacência que ela merece.
O castigo de escrever enquanto aluno, enquanto miúdo que queria muito brincar e pouco estudar, deu-me a prática e despertou-me a criatividade.
A vida é como uma Mãe. Da-nos o que queremos e o que achamos que não precisamos, a todos por igual.
Afinal, somos seus filhos.
Escrever, para mim, é viver.

sábado, julho 23, 2011

Corredores todo o terreno

Eu, que achara a Corrida da Freita dura, mas que me tinha deixado um gosto especial pelo trail, acho agora que toda a corrida de montanha é dura mas deve ser apreciada. Foi o que fizemos hoje.

Há uns dias, quando fui informado da realização de um treino Free-Running na companhia do José Moutinho, grande impulsionador do trail em Portugal e um apaixonado pela Freita em particular, onde organiza a mais dura Ultra de montanha em Portugal, decidi na hora ir.

Organizados e distribuídos pelo menor número de carros possível, lá fomos chegando bem cedo ao Merujal. 9h da manhã, equipados a rigor, fomos em direcção ao Concelho vizinho de S.Pedro do Sul, rumo ao Parque de Campismo Retiro da Fraguinha, donde haveríamos de iniciar o treino Free Running, como o nome indica, sem competição, com liberdade de andamentos, mas, como referido pelo José Moutinho no briefing, onde todos se preocupam com todos.

Lá partimos, rumo à aventura, sem a pressão de uma prova, mas com andamento vivo.

Os primeiros dois quilómetros, em subida ligeira até aos 1026 m (tínhamos começado nos 920), fez-se por um terreno bastante acidentado e com muitos tojos, que nos picavam as pernas e atrasavam o andamento, já que as ultrapassagens não se verificavam. Os mais astutos tiveram de esperar mais uns quilómetros para dar asas à destreza. Já no alto, na garra, onde emborcam vários trilhos (cinco no total dão acesso àquele local, daí o nome), novo briefing do Moutinho para nos mostrar alguns dos locais de passagem da Ultra, num ponto magnífico, de onde se pode apreciar uma grande parte do Maciço da Gralheira.

Iniciámos então a descida rumo à aldeia da Póvoa das Leiras pelo famoso Trilho dos Incas, que, ao que parece, ligava originalmente à aldeia de Covelo de Paivô, em Arouca. O nosso guia, Moutinho, que tinha como intenção dar-nos algumas dicas sobre técnica de trail, inicia a dita descida com uma simples explicação sobre como colocar os pés para manter o equilíbrio e evitar entorses, o grande inimigo dos corredores de montanha e que viria, mais à frente, a vitimar o próprio Moutinho. Quando demos conta, ninguém! Nem Moutinho, nem os que o conseguiram acompanhar, não víamos ninguém abaixo de nós. Lá seguimos, com um novo guia, o Manuel Veloso, de um pequeno grupo que se havia formado e que, atentos ao chão que pisávamos, não nos preocupamos com direcção diferente da que levávamos enquanto houvesse trilho. E o dito acabou mesmo, junto a uns postes de alta tensão, e sem sinais do resto do grupo. Num topo de mais uma montanha, ao fundo uma antiga mina de exploração de volfrâmio, um rio, uma estrada em terra, mas corredores nem vê-los. Toca a fazer soar o apito, que alguns levavam e que serve para chamar os atletas e sinalizar a localização de uns e outros. Com silêncio, aguardamos resposta, mas sem sucesso. Chega entretanto o Carlos Rocha e orienta-nos. Tínhamos falhado uma viragem à esquerda nos Três Pinheiros, uma espécie de cruzamento em montanha, que divide trajectos, e que o próprio já falhara, dois anos antes na Ultra da Freita. Lá recuamos os dois quilómetros que já havíamos descido desde as ditas árvores, que alinhadas e únicas num raio de umas centenas largas de metros, faziam de sinal de trânsito, junto com umas mariolas (pedras sobrepostas, colocadas por pastores, que servem como marcos) que assinalavam o local para encarreirarmos, literalmente, de novo no grupo. 

Reagrupados, seguimos em passo tão acelerado quanto possível, rumo à Povoa das Leiras, onde nos abastecemos de água, fresquíssima,em simpática convivência com os (poucos) habitantes locais com que nos fomos cruzando, inclusive com algumas vacas arouquesas que serviram de modelos aos fotógrafos de ocasião. Alguns dos que já sofriam da dureza do percurso e suas vicissitudes (quedas), atalharam caminho rumo ao ponto de partida, os demais, seguimos empedrado abaixo, rumo à aldeia do Candal. Com a grande maioria sedenta de corrida, o ritmo aí acelerou, até demais face ao percurso, com muitas pedras soltas, mas onde os mais experientes nos passavam com uma velocidade que assustava os menos avisados. O Moutinho, conhecido pela sua destreza, ao colocar um dos pés sobre uma pedra solta, torceu-o, ficando com uma pequena lesão, que, contudo, não o impediu de continuar. Já no Candal, começa a cruz. Quatro quilómetros em subida, com percentagens grandes no início, um desnível de mais de 400 metros, e um sol implacável sobre nós, que fez da subida da Mizarela uma bela recordação. Encosta acima, atrás do Jorge Azevedo, que se iniciou na corrida em Janeiro, mas, a fazer jus ao ano em que nasceu (1967, ano da Cabra no horóscopo chinês), já tem um enorme à vontade naqueles terrenos, seguimos em fila e com pouca vontade de fazer comentários. Olhávamos para cima e parecia que vinha sempre uma subida ainda mais inclinada. Uff!!! Dura, muito dura, atendendo ao calor que se fazia sentir àquela hora do dia (12h) e já com mais de 2 de treino. Vou ficando para trás, passa-me o Fernando Leite, a Conceição Grare, o João Vieira, todos com poucas falas, (excepto a Conceição, que é atleta de outro nível, e que vinha calmamente a falar ao telemóvel), apenas a preocupação de saberem se eu estava bem. Eu lá dizia que sim enquanto bebia mais um pouco de água, não fosse desidratar, mas a “penar”. Chegado a pouco mais de meia subida, passa o Manuel Veloso. “Mau”, penso, “parece que, não tarda, rebolo até ao Candal outra vez”. Não foi preciso. Como diz o Freitas (um dos atletas que acompanhou o Moutinho e que ajudou a guiar-nos) no trail, começamos a matar e acabamos a morrer. É mesmo isso, penso. E mesmo assim gostámos!

Chego, a transpirar em bica, ao alto, onde já o grosso do grupo aguardava à sombra de algumas árvores que ainda restam, já que os incêndios têm destruído, também ali, quase toda a floresta, sento-me por momentos, poucos, já que, a malta toda se preparava para atacar a parte final do troço, rumo ao Parque da Fraguinha. Uma outra hesitação no início da descida, mas, já no rumo certo, lá fomos trilho abaixo, a correr e a pular de pedra em pedra, por uma descida para destemidos, que acabava no ponto de onde partíramos e de onde regressaríamos ao Merujal.

Já depois de tomado o retemperador e refrescante banho, iniciámos a prova principal. Sopa da Pedra, Vitela estufada, acompanhada de arroz e salada. Vinho e cerveja para repor líquidos, que nem só de pó vive um runner.

Parabéns cantados ao Rui Vilar, que discursou eloquentemente e agradecimentos do nosso Presidente, em nome de todos, ao José Moutinho, que os retribuiu, lá regressámos ao rebuliço da Cidade que nos dá o nome, com mais uma experiência agradável na montanha.

Obrigado a todos pela companhia num excelente dia (mais um) de corrida.

Somos mesmo todo-o-terreno!   

sexta-feira, julho 22, 2011

Cruel ingenuidade

Moro numa praia onde são descarregadas, literalmente, milhares de crianças e idosos, para ali poderem gozar a época balnear juntos com os demais utentes de escolas, atl's e lares de terceira idade ou centros de dia.
Hoje pela manhã, quando um grupo de idosos se cruzavam com uns miúdos que aguardavam instruções das educadoras, os petizes desataram a chamar "velhotes" aos... Velhinhos.
Não gostei da passividade dos monitores das crianças, mas adorei a reacção dos idosos; com ar jovial, soltaram umas caretas engraçadíssimas, como se fosse um duelo entre jardins escola. Os miúdos, pasmados, quedaram-se incrédulos.
A ingenuidade pode ser cruel. Mas só mesmo para quem vê, porque para aqueles anciãos, com muitos anos de "bagagem", não passa de uma oportunidade de continuar a viver o dia-a-dia, como se fosse o primeiro dos últimos, enquanto os outros se sentem com o Mundo inteiro só para eles.