segunda-feira, março 19, 2012

Dia do gajo porreiro

Há pessoas que conhecemos há anos e que se fartam de nos surpreender, pela negativa. Outras há que, apesar do pouco que sabemos delas, temos a sensação que somos como almas gémeas.
Infelizmente tenho vários casos da primeira espécie descrita. São casos perdidos, de gente que julgava com emenda, mas que nunca me deixaram a expectativa da surpresa. Das almas gémeas, tenho a sensação que são as primeiras antes de as conhecermos.
Aqui há uns anos num primeiro dia de trabalho numa determinada empresa, um colega, ao contrário do normal, que seria dar-me as boas vindas e mostrar-me o bom, que logo o mal se encarregaria de se revelar, optou por me alertar para os perigos. Não que o trabalho fosse de risco, nada disso. Tinha era colegas de trabalho. Disse-me: "Cuidado, que o Mundo está cheio de filhos da puta. No início todos sorriem para ti, dão-te palmadinhas nas costas e sorrisos de orelha a orelha, mas quando chega a hora da verdade estão-se a cagar para os princípios ou para o que quer que seja que te tenham dito. Gajo porreiro foi o teu velhote, que te deu de comer e sustentou-te até poderes andar por ti. O resto são abutres à espera que te distraias para te comerem a carne."
Confirmo. Na hora da verdade, a grande maioria olha para o seu umbigo. E burro sou eu que ainda acredito que há gente que não é assim.
No dia do Pai, esta é mais uma homenagem ao que ele me ensinou e ensina. A acreditar que há sempre alguém que, como nós, tem prazer em ser altruísta neste mundo de egocêntricos e invejosos.
Espero que continuem a aparecer as excepções que referi, e que, apesar de tudo, ainda existem.

domingo, março 04, 2012

Conselho de amigo: Aprender a ouvir o corpo!

 

Ontem, enquanto me decidia pelo trajecto a fazer, e já com as sapatilhas calçadas, ouch! Uma dor no fundo das costas, ligeiramente acima do cóccix, impedia-me de me mover sem dor. Melhor, quase me impedia de me mexer. Estava refém de um grupo muscular, que ao que parece, segundo me diz o Paulo Pimentel, o homem da arte de tratar e recuperar lesões, às vezes, com um espasmo contraem e provocam dor e sensação de perda de força na locomoção, ou mesmo impedimento de o fazer. Enfim, não podia correr. E quase não conseguia andar.

Dia inteiro com repetições de colocação de gelo e acima de tudo, descanso. À noite, uma chamada para o Paulo só para confirmar se a terapia era a correcta, e se correr hoje seria ou não uma boa ideia. Sem dor, confirmava que o gelo tinha resolvido o problema, mas o Paulo achava melhor não correr. “Nem pensar”, foi a expressão. Dei-lhe razão e pensei que, finalmente, estava na hora de descansar um fim-de-semana inteiro. Já não me lembrava de estar Sábado e Domingo sem calçar as sapatilhas e sair por umas horas. Ia ser este.

Hoje, já convencido do descanso aconselhado, fiz o que faz qualquer domingueiro sedentário. Fui tomar café e ler o jornal, na esperança que o dia passasse mais rápido. Quando nos abstemos de um vício, tudo nos faz lembrar o dito. E a corrida faz-nos falta, especialmente quando não podemos correr.

Quando saio do café vejo um grupo de gente conhecida, colegas do Porto Runners, a correr contra a chuva miudinha que caía com intensidade e os fustigava directamente e de frente. Atravessei rapidamente a rua e cumprimento duas atletas que iam mais atrás. Claro que não me contive e fui logo calçar as sapatilhas. Nada de água nem isotónico, nem gel, nem impermeável. Apenas uns calções e um corta-vento e fiz-me à marginal, na esperança de que as costas não cedessem. Saí em direcção a Sul, em busca dos meus companheiros de equipa. Pensei em manter um ritmo baixo até encontrar a Marlene ou o Miguel Santos, e depois ajuda-los a regressar ao ponto de onde tinham partido. Sei o quão bem sabe encontrar uma “lebre”, alguém mais fresco que nos possa ajudar a quebrar a rotina de um treino longo, e que nos “imponha” um ritmo, que não nos deixe quebrar. Lá fui eu à procura.

8 quilómetros a Sul, já depois da Granja, decidi regressar. Não tinha visto ninguém, tinha já 45 minutos de treino e algum receio de claudicar, perder o apoio lombar e ter de regressar a passo. Tinha passado, logo no quilómetro inicial pela Fabienne, que regressava a caminhar por estar lesionada, que me dissera que o grupo ia uma hora para Sul e regressava. Ora, entre vestir e arrancar e a conversa com ela, já deviam estar de regresso. Não vi ninguém, fiz inversão de marcha, não literalmente, porque tinha feito uma incursão pelo passadiço e agora voltava para Norte pela estrada junto à linha férrea. Ao chegar à estação da Granja vejo a esposa do Geraldino que me diz que ainda não tinha passado nenhum dos atletas. Olho para trás e vejo a Marlene e o Miguel. Abastecem, comem, bebem e arrancámos. Fui com eles até ao final do treino que tinham programado, 3 horas e cerca de 35 quilómetros. É obra.

Já com a fadiga estampada no rosto e com vontade de parar, a Marlene, depois de eu comentar, “são lixadas as endorfinas”, sorriu. Com um sorriso dócil, apesar do cansaço, e revelador de satisfação por mais um passo concluído, num longo caminho que é a preparação de uma maratona. Estava a terminar o treino longo com Barcelona no horizonte, mas estava, acima de tudo, a concluir mais um enorme desafio, como revelam ser todos os treinos com tamanha exigência física.

São estes treinos que nos ensinam a ouvir e sentir o corpo. Mas são também estes treinos que nos mostram o formidável que é o corpo humano. Apesar de todos os receios, de todos os cuidados que possamos ter e que o corpo nos possa exigir, é a nossa cabeça que o comanda e que faz com que, apesar de tudo, vamos até ao infinito. O prazer de correr, dá razão à nossa insanidade de ouvir o corpo e não lhe ligar nenhum. Nascemos mesmo para correr, é um gesto tão natural como respirar, mas curiosamente são poucos os que experimentam esta sensação de prazer depois de um esforço intenso. A grande maioria é sedentária porque, como eu fiz durante anos, ouve o corpo e dá-lhe razão.

Acabei por fazer 20 km em pouco mais de 1h50. Não me dói nada.

http://connect.garmin.com/activity/154787514

É sempre desafiante ter estes diálogos com o meu corpo. Ele diz: “Não vás!”, eu vou. Ele diz-me “Para!”, eu acelero. Ele acaba por me entender quando as endorfinas libertadas no cérebro o fazem levitar e surpreendentemente ajustar ao movimento, parando a dor e promovendo o prazer.

Só posso concluir que o devo ouvir, mas não lhe posso dar sempre razão.     

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Atletas? Atletas são os amadores!

Ouvi hoje na televisão, um comentador de um programa semanal sobre futebol, dizer que o Benfica tinha perdido com o Guimarães porque os atletas (?) estavam cansados. Isto porque 4 dias antes tinham jogado na Rússia para outra competição. Diz ele que as 6 horas de avião (em primeira classe, coitados) para cada sentido, em apenas 2 dias, o jogo e suas vicissitudes, fizeram com que os jogadores acusassem tal fadiga acumulada, no jogo com o Vitória.
Tenho que lhe escrever, para que saiba que, no último fim-de-semana, muitos malucos fizeram mais de 12 horas de automóvel ou autocarro, para correr 42 km por puro prazer. Todos foram gastar dinheiro do seu bolso, todos foram sofrer umas horas, todos foram representar Portugal sem nada ganhar em troca, senão a alegria de terminar uma maratona. Uns com vitórias pessoais, outros menos realizados. Todos amadores, ninguém se queixou das viagens. Atletas somos nós, esses são meninos mimados.

28ª Maratona de Sevilha

 

Pézinhos de Coentrada e Migas alentejanas.

Esta foi a ementa (do almoço de Sábado) da grande descoberta de um bom fim-de-semana, o Restaurante Faisão em Campo Maior. Regado com Monte Mayor 2009.

Com o grande objectivo de completar mais uma Maratona, a 5ª em pouco mais de um ano (6ª com quilometragem superior a 42 km), partimos, eu e o Miguel Santos, rumo à capital da Andaluzia, Sevilha, pouco depois das 9h do último Sábado. Tinha decidido há pouco mais de duas semanas, ir experimentar a prova que alguns dizem ser uma prova muito propícia a recordes e bastante agradável, com público a incentivar e com uma excelente organização, que tratava bem os atletas. Fui ver, como dizia o poeta…

Tendo feito há menos de um mês a minha 1ª Ultra, sabia ser demasiado ambicioso tentar um bom tempo numa maratona. Em consciência, e se tivesse algum juízo, seguia o conselho dos especialistas (???) e não fazia mais de 2 maratonas por ano, muito menos 6 em pouco mais de 14 meses. Mas nós, maratonistas, gente doida que gosta de calçar as sapatilhas e correr apenas e só porque pode e gosta, não somos pessoas muito comuns, somos uma espécie de turma de repetentes crónicos, sem vergonha de falhar e sem vergonha de continuar a insistir no anormal. Qualquer comum mortal prefere o sossego de um sofá do que uma aventura de 4 horas no meio de mais de 5.000 pessoas, onde o único objectivo é não ter uma síncope cardíaca ou uma ruptura de um qualquer músculo que nos impeça de fazer aquilo que mais gostamos, correr. E se somarmos a esta vontade pouco senil de correr porque podemos, o facto de para tal, fazermos mais de 1300 quilómetros em dois dias, chegamos à conclusão que saímos mesmo um pouco do conceito de pessoas normais. Ainda por cima, nada ganhámos. Mas achamos todos que somos uns valentes, com os balsamos, os géis e marmeladas para os abastecimentos, as meias de meia-perna para melhorar o rendimento e… Ficámos todos na humilde parte da classificação onde, para nos encontrarmos, precisamos de aumentar o zoom do PDF, quais formigas no carreiro, ou Wallys no meio da multidão. Mas sabem que mais? Se não fossemos nós não havia maratonas. Somos os mais importantes, e honra seja feita à organização da Maratona de Sevilha, o atleta é o foco principal de todos os que nela colaboram. Inexcedíveis no apoio.

Voltando ao normal desenrolar da viagem e prova, embora eu pense que o mais importante já escrevi (motivação e aspectos positivos), e como um texto destes tem de ter, obrigatoriamente cronologia, foi assim:

18h, chegada à fraquíssima Expo-Maratona. Equipamento oferta para todos os participantes, mas com tamanhos apenas e só para quenianos e etíopes. M?, perguntaram eles a olhar para mim e para o Miguel. A alternativa era o S…

20h15, chegada à Plaza Mayor em Sevilha, local combinado com o Luís Pires para nos encontramos para jantar com mais alguns colegas dos Porto Runners e outros maratonistas. Como eu já deveria saber, o Luís dá-se mal com a Geografia, afinal era na Plaza de Armas, do outro lado da cidade, mais precisamente a 17 kms. Lá demos com a dita, e conseguimos ainda, quais penetras, jantar umas massas muito manhosas, num Restaurante italiano que nem mereceria destaque não fosse pela companhia de alguns grandes maratonistas: Rui Pedras, Domitília Santos (168 maratonas!!), Tiago Dionísio e o Luís Pires, o nosso inspirador atleta, que ali no meio fazia com que a soma de maratonas destes ATLETAS subisse acima dos 21 mil quilómetros. Impressionante. Pagava muito mais que os 15€ que custou o jantar para os ouvir durante aquelas horas. São estas coisas que nos fazem querer fazer mais e mais, e que nos fazem sentir tão pequeninos quando achamos que somos maratonistas, mas que eles nos fazem sentir campeões quando dão valor ao pouco que conseguimos. Fantástica companhia.

23h45, já no hotel, rumo ao descanso, com vontade de ter ali à mão um batuque, que fizesse num toque mágico o tempo voar sem perder o descanso.

8h30 no Estádio Olímpico, lugar à porta para estacionar. O dia começara gelado, mas depois de uma noite bem dormida e de um tranquilo pequeno-almoço, sentia-me preparado para a prova. O Miguel, entre pós, pomadas e poções, estava pronto para um treino rápido para a maratona de Barcelona. Tanga, sentia eu, porque ninguém, principalmente ninguém competitivo como ele, vai a uma prova fazer um treino, muito menos numa maratona. Saiu-lhe mais uma grande conquista, um excelente record pessoal na sua segunda maratona, numa prova que fez com imensa cabeça, de trás para a frente, e ainda bem. A ele e ao Vítor Ferreira, companheiro dos Porto Runners, a quem eu, antes da partida disse que iria baixar das 3 horas, apesar de ele achar que duas semanas com pouco treino não deixariam. O descanso é um treino excelente, e para alguns tem de ser forçado pelo corpo.

9h30. Com o início, com tamanho cerimonial, acaba a cronologia. Como qualquer momento importante, este também muda o curso desta crónica, porque, por muitos defeitos que tenha visto nesta maratona, este momento é sempre especial. Eu, das maratonas que já fiz, só me recordo na perfeição de dois momentos: O início e fim de todas (dispensava a música do Michel Teló no fim…). É impressionante a passagem naquele túnel de saída do estádio, com milhares a gritar, quais gladiadores rumo à arena (expressão feliz do meu amigo Vasco Batista). Assim como foi emocionante o regresso, pelo mesmo túnel, 42 quilómetros depois. Com 4 horas e 1 minuto de prova, e apesar de muitas considerações poder fazer acerca do tempo, acho que é inigualável o terminar de mais uma prova de fogo, onde finalmente corri a ouvir o corpo, e ele me “pôs” num ritmo que deu para chegar ao fim no mesmo registo do início.
Parabéns a todos os meus companheiros da equipa Porto Runners, o meu muito obrigado pelas palavras de incentivo e pela força que transmitem. É óptimo poder correr com a força de um equipa.

A prova tem um trajecto plano, muitas rectas e é exclusivamente na distância de maratona. O público, não sendo muito, é bastante entusiasta, dá ânimo, bem como todos os voluntários. Os abastecimentos são muitos, embora pobres, apenas água, isotónico e laranjas. Acho que a marmelada e as bananas não esgotariam o plafond… A assistência médica, pelo que pude ver, é exemplar.
Mais um reparo: Não classificaram nenhum atleta acima das 5 horas, o que me pareceu demasiado curto. Ouvi histórias de atletas perdidos pela cidade à procura do caminho do Estádio Olímpico, porque se recusaram a serem desclassificados, tendo ficado abandonados às suas sortes…

Banho tomado, retorno a Portugal com a bela da medalha ao peito, desta vez sem parar para um belo repasto.

Fica a vontade de sempre de voltar à Andaluzia, a pátria da alegria.

Aconselho a prova. Mas percebo agora porque é que nunca tinha visto ninguém usar a camisola de participação.

Tempo Final: 4h01m15 (Record pessoal)
4349 atletas concluíram a prova (a organização só publica tempos até às 5h)

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Pieguices

Bem me parecia que a história de o Pedro Passos Coelho ter chamado piegas aos portugueses, não era mai que uma daquelas brilhantes interpretações da comunicação social. A mesma comunicação social que tanto gosta da polémica, como substituto da falta de inteligência para cativar público.
Para quem não sabe do que estou a falar, ou para os que acham que o Primeiro-Ministro chamou piegas, literalmente, aos portugueses, aqui fica o link para o vídeo do discurso, completo. Aos 22 minutos vem o sound byte.

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/article1288615.ece

segunda-feira, janeiro 30, 2012

II Edição dos Trilhos dos Abutres

Empeno Abutrico.

O subtítulo serve como definição perfeita para o estado do meu corpo no “day after” à prova que decorreu ontem, nos belíssimos trilhos que circundam Miranda do Corvo e a Lousã, com base no ninho da Associação que organiza o evento, sita na primeira destas localidades.

 

Fomos brindados pela Natureza com um dia belíssimo, embora frio, para percorrermos aqueles 45 km de subidas e descidas. A esfregar as mãos e a bater o dente, fomos chegando ao Pavilhão Municipal de Miranda do Corvo, onde decorriam as verificações de material obrigatório para os participantes da Ultra. No centro do ringue o ambicionado alvo para todos os que partiam, o insuflável pórtico com a inscrição que todos queremos ver: META.

A partida foi dada depois de um aquecimento sui generis ao som de uma gaita de foles e bombos que encorajou os que ainda se resguardavam do frio.

Não tenho a mínima noção do desenrolar da prova para vos poder descrever as vicissitudes que levaram às classificações finais. Posso no entanto testemunhar, enquanto finalizador, a imensa alegria que nos invade quando regressamos ao Pavilhão. Aquela última subida, já dentro da Vila…

Fiz o primeiro terço da prova sempre na espectativa de começar a descer. Está bem. Os abutres acharam que descer não se desce no início e só nos deram pouco mais de 2 km de descida nos primeiros 20, com muita subida e mais lama ainda! Até aí, no máximo da altitude que atingimos (935 mts), acompanhei o passo do João Meixedo (ou ele o meu), junto com o Luis Rodrigues, também dos Porto Runners e de um companheiro de jornada que conhecemos na Serra, o Bruno Domingos, homem do BTT e que se estreava, como nós, numa ultra de montanha. Na subida para o alto da Serra o Meixedo “meteu” a tracção às 4 e lá foi ele no seu passo rumo a uma brilhante participação. Ainda o vi, depois de passar a íngreme descida do “Revoltado” (nome atribuído por mim a um corta-fogo com uma inclinação tal que parecia o tecto de Miranda do Corvo, onde um atleta reclamava e dizia que aquilo era de loucos e que só saía dali de helicóptero) mas não consegui ir tão rápido quanto ele. Juntámo-nos, eu e o Bruno, com a Carla Monteiro, que vinha desde a partida com o Fran, e nos tinham alcançado no 1º abastecimento.

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Seguimos monte abaixo, (com 1 km em que subimos mais de 130 mts e me fartei de praguejar), e que culminou com uma descida de uma pista de Downhill com inclinações superiores a 30%, e onde as quedas, sem gravidade, foram uma constante. Foi uma desagradável incursão ao “sku”, vulgo desporto de quem não se consegue manter em pé, e que durou praticamente até ao km 28, onde estava o segundo abastecimento. Sabíamos que ainda vinha muita subida, embora tivéssemos já um assinalável desnível positivo acumulado, sendo essencial e muito importante um rápido restabelecimento das forças. Comemos uma sande de presunto e um creme de cenoura, enchemos os reservatórios de isotónico, e lá fomos nós para o trilho. Até aos 33 km, num trilho muito técnico, junto a belíssimas quedas de água, fartei-me de insultar a geografia do terreno, na esperança que o calão e os impropérios servissem de alavanca em cada obstáculo que tinha de transpor. Subimos 5 km em pouco mais de 1h30, e demorámos 2 horas para completar os restantes 12 km até à meta, num trilho muito bonito e extremamente técnico, semelhante à parte inicial da prova, onde abundavam as passagens por pontes de madeira e troncos de árvores sobre o rio, onde nós optávamos por refrescar os pés e limpar a lama das sapatilhas. Os últimos 5 km, já depois do abastecimento foram em corrida, ligeira que já não havia forças, para tentar chegar o mais rápido possível ao fim.

Depois de uma paragem técnica para retirar duas pedras da sapatilha, lá fomos nós em busca da meta. 9 horas depois de sair daquele Pavilhão, no crepúsculo do dia, algures no meio da Vila de Miranda, oiço umas vozes ao alto a gritarem “força, são só mais 100 metros”; olho e vejo uma parede verde com um carreiro ao meio desenhado por passadas firmes dos mais de 300 atletas que por ali tinham escalado o último obstáculo, rumo à glória de terminar aquele fabulosos desafio. Ao olhar para aquele autêntico muro, confesso que me foi impossível conter o insulto, que verbalizei para os meus pés, transformando nas últimas forças o último nome que chamei àquele último trilho abutrico.

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Foi a minha primeira Ultra, numa prova que recomendo.

Agradeço a paciência da Carla Monteiro, do Francisco Serrano Cantalejo (Fran) e do Bruno, que me aturaram, e que esperaram por mim quando eu pensava que ia fracassar. É formidável como o corpo humano aguenta tanto antes de quebrar, e como a nossa cabeça faz tanta diferença num momento de fraqueza.

A corrida transformou a minha vida, mas não é mais do que um estado de alma que tão bem nos faz ao corpo. Há quem diga que começamos a morrer quando deixamos de ser crianças, e nós, os que corremos por prazer, encontrámos na corrida a forma perfeita de, enquanto adultos, fazermos uma série de traquinices e maluqueiras que de outra forma não faríamos, e que ninguém nos leva a mal. Mesmo desafiando os nossos limites, num plano de quase inconsciência juvenil, temos a recompensa única de terminar desafios que, ainda há pouco tempo julgávamos impossíveis. É essa a única diferença em relação à infância, a consciência dos desafios. Mas sem desafios, a vida perde sal.

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Resta-me agradecer aos meus companheiros de equipa dos Porto Runners, em especial aos companheiros de jornada Joana Leite e Miguel Santos, dois campeões numa estreia em grande nível; e ainda a todos os envolvidos na organização deste magnífico evento. Todos foram inexcedíveis, sempre com palavras de incentivo e exemplares na colaboração com os atletas.

Parabéns aos Abutres!

Vemo-nos na 3ª Edição!

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Correr com Prazer na Serra da Cuca Macuca

No passado Sábado, com excelente organização da equipa do Correr por Prazer, site que serve como muleta do imenso pelotão de amadores que têm como hobbie este desporto cada vez mais popular, decorreu  nas Serras de Pias e Valongo, um Free Running de Trail.
A empreitada foi apimentada pela participação do alpinista João Garcia, que acedeu ao convite do Vítor Dias, grande dinamizador do evento, que, à imagem do seu projecto cibernético, se revela um exímio promotor destas iniciativas.

Foi agradável ver toda a colaboração do Grupo Dramático e Recreativo da Retorta, que disponibilizou as instalações (balneários e sala de convívio) para servirem de base ao evento, bem como o apoio de uma carrinha para a eventualidade de haver quem fraquejasse ou se lesionasse.

O treino decorreu num agradável ambiente de sã convivência, onde os mais experientes se prontificaram a transmitir as dicas necessárias para melhor nos adaptarmos às condições do trail. Mais de 150 almas serpentearam as subidas e descidas das bonitas serras de Pias e Sta.Justa, durante cerca de três horas, com passagem pela Aldeia de Couce com uma envolvente que nos cativa e prende, num desejo de prolongamento de toda uma ruralidade cada vez mais rara no Grande Porto, e que, por ali, ainda perdura. Só os risos e graçolas dos participantes, e uma ou outra moto, incomodou o sossego de um banal Sábado para as gentes que habitam a Aldeia, e para a fauna e flora que a rodeia. O vento esse, soprava moderado para arrefecer os “motores” que aqueceram com o esforço de empurrar o corpo serra acima e segurá-lo encosta a baixo. Mas não houve frio ou cansaço que esmorecesse a alegria e boa disposição de todos num treino que, para muitos, foi o primeiro de muitos na corrida pela natureza. É uma forma de nos sentirmos parte de um Mundo onde tudo tem o seu lugar, numa harmonia perfeita entre o Homem e a sua envolvente, ao contrário da estrada, onde muitas vezes nos sentimos corpos estranhos a serpentear, ora por pessoas que vagueiam num vai-e-vem de vidas desenfreadas, ora por entre máquinas que todos querem que os levem a todo o lado. Na corrida na natureza, somos nós e o Mundo tal como o nosso corpo o conhece, e de repente, tudo faz sentido. Faz sentido o desafio constante do João Garcia com os cumes mais altos deste planeta e faz sentido que ele nos queira transmitir a fantástica harmonia do Homem com o seu meio ambiente, de nos mostrar que, apesar de todas as agressões que fazemos ao Mundo, ele ainda é nosso aliado nesta luta de sobrevivência que ele tão bem personifica. É, ele é um sobrevivente, um lutador e um brilhante comunicador. E nada melhor que uma serra para tal.

Depois de percorrermos os trilhos escolhidos pelo staff do Correr Por Prazer, dedicamo-nos a outros prazeres, que as máquinas são de carne e osso e precisam de abastecimento. Juntando o que os que puderam ficar trouxeram, deu um repasto digno de mesa Real, acompanhado ao acordeão pelo Luís Pires, homem que se revela um excelente animador de eventos em família, como foi este da família que é o pelotão amador.

As imagens do evento ilustram bem o que eu aqui tentei descrever. Podem consultar as excelentes reportagens fotográficas do Luis Rodrigues e da Lina Batista, aqui.

Obrigado Vítor Dias pelo teu esforço, pelo teu trabalho, pela carolice que aplicas em tudo o que nos dás.

A melhor forma que tenho de te retribuir é com a única imagem que me veio à cabeça, quando, antes de partirmos rumo à Serra, fizeste alusão aos 50 kgs que eu já perdi desde que comecei a correr. Por Prazer.

uiiii

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Ainda se queixam

Uma família que pediu asilo político ao Canadá, acaba de ser apoiada pelos Governos Regional e Central, tanto no forcing para ficar por lá, como no regresso às origens.
E ainda se queixam...

sexta-feira, outubro 28, 2011

Incongruências

Há por aí gente que fica muito indignada, com o facto de os deputados na Assembleia da Republica fazerem uso dos computadores para acederem às redes sociais.
Por outro lado, indignam-se que apenas os funcionários públicos e pensionistas sejam abrangidos pelos cortes nos próximos anos. Queriam que os cortes, via impostos, fossem também aos privados.
Até aqui nada contra. Mas quando alguém lhes questiona se nunca usaram os computadores no trabalho para aceder a redes sociais, respondem que o computador deles não é publico, nem estão ao serviço do Estado.
É assim a justiça destes supostos comunistas/socialistas. Aplicam a doutrina deles aos outros. Quando toca aos próprios aludem ao lado privado da coisa. Incongruências...

quinta-feira, outubro 27, 2011

Amizades altruístas?

Não, não são quase nunca. E então? Quando descobrimos, normalmente acabámos. Sugestão? Este fantástico texto, que de tão certo bater com a realidade não resisti a publicá-lo.

Saber Terminar uma Amizade Indesejável

Sucede também, como por calamidade, que algumas vezes é necessário romper uma amizade: porque passo agora das amizades dos sábios às ligações vulgares. Muitas vezes quando os vícios se revelam num homem, os seus amigos são as suas vítimas como todos os outros: contudo é sobre eles que recai a vergonha. É preciso, pois, desligar-se de tais amizades —, afrouxando o laço pouco a pouco e, como ouvi dizer a Catão, é necessário descoser antes que despedaçar, a menos que se não haja produzido um escândalo de tal modo intolerável, que não fosse nem justo nem honesto, nem mesmo possível, deixar de romper imediatamente.

Mas se o carácter e os gostos vierem a mudar, o que acontece muitas vezes; se algum dissentimento político separar dois amigos (não falo mais, repito-o, das amizades dos sábios, mas das afeições vulgares), é preciso tomar cuidado em, desfazendo a amizade, não a substituir logo pelo ódio. Nada mais vergonhoso, com efeito, que estar em guerra com aquele que se amou por muito tempo.
(...) Apliquemo-nos, pois, antes de tudo, em afastar toda a causa de ruptura: se contudo, acontecer alguma, que a amizade pareça antes extinta do que estrangulada. Temamos sobretudo que ela não se transforme em ódio violento, que traz sempre consigo as querelas, as injúrias, os ultrajes. Por nós, suportemos esses ultrajes quanto forem suportáveis e prestemos esta homenagem a uma antiga amizade, de modo que a culpa caiba a quem os faz e não àquele que os sofre.
Mas o único meio de evitar e prevenir todos os aborrecimentos é não dar a nossa afeição nem muito depressa, nem a pessoas que não são dignas.

São dignos da nossa amizade aqueles que trazem consigo os meios de se fazer amar. Homens raros! De resto, tudo que é bom é raro e nada é mais difícil do que achar alguma coisa que seja em seu género perfeita em tudo. Mas a maior parte dos homens não conhece nada de bom nas coisas humanas senão o que lhes interessa e tratam seus amigos como aos animais, estimando mais aqueles de quem esperam recolher mais proveito.
Também são eles privados dessa amizade tão bela e tão natural, por si mesma tão desejável; e o seu coração não lhes faz compreender qual é a natureza e a grandeza de tal sentimento. Cada um ama-se a si mesmo, não para exigir prémio da sua própria ternura, mas porque naturalmente a sua própria pessoa lhe é cara. Se não existe alguma coisa de semelhante na amizade, não se achará nunca um verdadeiro amigo; porque um amigo, é um outro nós mesmos.

Se se vê nos animais aprisionados ou selvagens, habitantes do ar, da terra ou das águas, primeiro amarem-se a si mesmos (porque este sentimento é inato em toda a criatura), em seguida desejar e procurar seres da sua espécie, para se unir a eles (e, nessa procura mostram um afã e um ardor que não deixa de ser semelhante ao nosso amor), quanto mais essa dupla inclinação na natureza do homem que se ama a si próprio e que busca um outro homem, cuja alma se confunde de tal modo com a sua que de duas não faça mais de que uma.

Marcus Cícero, in 'Diálogo sobre a Amizade

terça-feira, outubro 25, 2011

1º Grande Trail Serra de Arga

4 horas da manhã do primeiro dia de Outono. Não o do calendário, mas o efectivo, o que trazia os sinais de que a estação do ano tinha mudado.

O despertador cumpre a sua missão e irrita-me surpreendentemente (experimentem gostar de uma música que usam para despertar) ouvir o “Start me Up” dos Stones.

Com o País a clamar por chuva, depois de um surpreendente prolongamento do Verão em Outubro, os participantes do GTSA ansiavam que ela chegasse apenas umas horas mais tarde. No relatório meteorológico que a organização da prova nos havia feito chegar, prometida estava, mas com maior intensidade, bem como o vento, para depois das 13h. Saio e sinto que, para meu infortúnio e de quem ia correr, a tempestade estava mais próxima do que anunciara.

Equipado faço-me à estrada rumo a Dem, localidade do Concelho de Caminha que acolheu a base operacional de toda a prova. Ali chegado, pouco passava das 6h, encontro o Carlos Sá a sair do Centro Cultural, abrigo dos atletas que ali pernoitaram. Cumprimento-o e trocamos as primeiras impressões.

- “Está a soprar forte…”, digo olhando o nosso primeiro obstáculo, uma subida às eólicas junto a Dem, a mais de 700 m, que parecia que ia ser feita ao som de trombetas. 
- “É da maneira que vocês se despacham!”, responde-me o campeão. “Só espero que não venha o pior antes da Sra.do Minho. Aí sim, é perigoso. O vento sopra muito mais forte, a encosta é mais exposta, e o piso escorregadio.” O comentário mostrava-me receio pelas dificuldades que nos esperavam, aos participantes, e a ele como dinamizador e responsável máximo da prova.

Levanto o dorsal, preparo-me e aguardo calmamente que o dia alvoreça e com ele venham as emoções de uma aventura longa e, esperava eu, divertida.

Divertidos, já todos junto à Igreja de Dem, aguardamos que tocasse a última badalada do sinal horário das 8 e zarpamos estrada acima. Tínhamos combinado, eu, o Luís Pires, o João Meixedo e o Vítor Dias irmos juntos, se possível com o Pedro Amorim, também dos Porto Runners, toda a prova. O ritmo a seguir seria o dos mais lentos, mas, na montanha, pouco olhámos para trás e, ao 3º Km já só restava eu e o Meixedo, que também rapidamente se adiantou. Eu, que sempre me poupo em subidas, deixei-me ficar no meu passo, sem forçar muito, e a desfrutar da bela paisagem sobre Dem. Chegado ao alto, o vento e a chuva fustigavam-nos forte e impiedosamente. Nunca tinha sentido aquela sensação de marinheiro que quer abrir os olhos e só o consegue se olhar para baixo. Impressionante. Dem abriga-se por detrás daquele gigantesco tapa-vento virado a Sul. Ali sim, a tempestade começara.

Lá em cima reagrupamos e fizemos a descida em ritmo de trote, com cuidado necessário para não cair, por um belíssimo trilho em calçada romana, que nos levou até ao não menos majestoso Mosteiro de S.João de Arga. A tempestade é que parecia não querer dar tréguas, a chuva era intensa e o vento…

Iniciada a segunda subida, rapidamente os meus companheiros de aventura se afastaram, seguindo eu num passo confortável e que não comprometesse o que ainda faltava. Afinal, tínhamos percorrido pouco mais de 9 kms e eu queria acima de tudo terminar bem, sem mazelas. O ritmo teria de o controlar com muito juízo ou estaria a comprometer a Maratona do Porto que se avizinha.

Depois da subida, novo encontro com a tempestade. A chuva era fortíssima, o vento impiedoso impelia-me para trás. Tinha tanta dificuldade em ver que parei para colocar uns óculos de protecção, mas a chuva era tanta que nem com óculos, nem impermeável, nada. Só havia um remédio: Continuar até ao próximo monte ou encosta que me abrigasse. Entretanto, a Dª Analice, figura maior do pelotão nacional, corria a meu lado e tremia de frio. Parei e dei-lhe um impermeável que tinha de reserva para a tal chuva intensa que deveria vir depois das 13h, mas que já chegara. Molhado como estava já não me iria fazer falta. A Dª Analice, simpática e divertidamente agradeceu com um “Brigado cara. Bacano!” 
Lá fomos trilho abaixo. A dificuldade que ela tinha a descer e o cuidado com que colocava os pés nas descidas mais técnicas atrasou-me um pouco, no entanto decidi ir junto com ela. Não era um sitio para deixar ninguém sozinho, muito menos com aquele temporal. Depois do abastecimento dos 15 kms, já na descida para o Rio Âncora, o Pedro Igor, membro do staff da prova, dá-me a notícia da interrupção da prova ao km 20 devido ao mau tempo. Diz-me para fazer a zona do Rio com calma, sem riscos, que só faria mais 4 kms. A subida à Sra. do Minho estava impraticável, o nevoeiro limitava a visibilidade e a acontecer algo, o socorro seria difícil, colocando em causa a segurança dos participantes.

Lá fui eu cheio de cuidados, preocupado em não atrasar os primeiros da prova de trail que tinham partido uma hora depois de nós e que entretanto já nos começavam a ultrapassar.

Terminados os 20 kms, encharcado, meteram-me num autocarro rumo a Dem para um retemperador banho.

Foi uma excelente organização, numa fantástica prova, que tem tudo para ser um sucesso no trail nacional. O Minho merece, o Carlos Sá, seu maior embaixador na modalidade, quis ser mentor e dinamizador deste desafio gigantesco, que é o de organizar um evento de dois dias, com Jornadas Técnicas (o que me parece inédito) com mais de 600 pessoas a participar. Nada falhou. Nada do que dependia de alguém avisado falhou. Foi impressionante a articulação perfeita de todos, inclusive da população.

A meteorologia é incontrolável, a única vertente que não depende do homem. A natureza, que todos nós tanto apreciamos é implacável, e cabe ao homem, em consciência, saber se está à altura de a ultrapassar ou não.

Como me dizia a minha irmã nesse dia, ao telefone, “Ainda bem que havia aí alguém com juízo, senão vocês não paravam”.

O meu muito obrigado ao Carlos Sá por tudo. E acima de tudo o mais que ele é como desportista e homem, a sua ENORME humildade. Porque só desiste quem reconhece as suas próprias fraquezas. Como diz o Dalai Lama, “Se descobrirmos que não podemos ajudar os outros, o mínimo que podemos fazer é desistir de prejudica-los.”

Venha daí o 2º Grande Trail Serra de Arga que eu e quase seguramente os demais, queremos voltar.

sexta-feira, outubro 21, 2011

Sport Zone

Isto é um dos exemplos do quão mal se trabalha em Portugal. Aconteceu agora mesmo comigo, e acabei de deixar esta mensagem no mural do Facebook da Sport Zone. Espero que não me metam em Tribunal...

"Como ser enganado numa loja Sport Zone: Entrar, ver um produto no catálogo Berg Outdoor 2011 (catálogo na loja), mais concretamente uma mísera bolsa impermeável, cujo preço é de 1,5€. Vais procurar no expositor respectivo e vês uma bolsa RIGOROSAMENTE igual, com as mesmas medidas, mas que custa o dobro, ou quase (2,99€). Depois de questionada, uma das colaboradoras da loja diz-me que as bolsas constantes do catálogo são antigas e estão esgotadas (!). Apesar de compreender a minha questão e indignação por estarmos a olhar para o mesmo produto, apenas com códigos diferentes, nada mais tinha para me dizer. As bolsas a 1,50 estavam esgotadas. Têm lá a mesma, mas com mais lucro. É a crise. Eu, que não gosto que façam de mim otário, e apesar da insignificância material da questão, vou embora, provavelmente comprar a mesma bolsa, muito provavelmente pelo mesmo preço ou mais, mas à concorrência. Porque quem trabalha assim não me merece como cliente."

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Porra, estamos a falar de uma insignificância, mas é por estas e por outras que as lojas em Portugal estão sempre a definhar de mofo. Nas promoções e tempo de saldos é que têm preços normais. No resto do ano parece que andam a gamar...

De referir que isto se passou na Sport Zone do Norte Shopping, mas curiosamente, a falta de formação do pessoal é extensiva às demais.

Droga

Acabo de ouvir o Presidente do IDT, Instituto da Droga e Toxicodependência em declarações a uma rádio, mostrar a sua preocupação com a anunciada extinção do dito. Parece que o trabalho até assegurado nos CAT será feito pelos Centros de Saúde.
O mais preocupante é que, alguns anos depois da criação e expansão da rede de CAT's não só aumentou o consumo, como aumentaram as doenças relacionadas com o vicio e seus riscos. Os jovens iniciam mais cedo o contacto com drogas (as chamadas leves) e vê-se gente a consumir droga por todo o lado, como se fosse algo normal. A descriminilização do consumo, e a deficiente aplicação da legislação que obriga a tratamento a quem é apanhado a consumir droga, levou a que, o acto de consumir droga, passasse a ser ignorado pela restante população, autoridade incluídas.
Esta velha teoria de esquerda de encontrar nos dinheiros públicos respostas para todos os males da sociedade, trouxe-nos a isto. Muitos milhões gastos em tratamentos de gente que não quer ser tratada, antes quer evitar a ressaca. E muitos mais em apoios que só servem para tapar o sol com a peneira, já que não é com um quarto pago pela segurança social, o passe da STCP e o rendimento social de inserção que se tira alguém da droga. Como me dizia um conhecido que dela saiu sem ir a nenhum CAT, a metadona é uma heroína que não bate.
Prevenção é o caminho.

domingo, outubro 16, 2011

Despenteado

Não, não estou a falar de mim. Estou a falar do texto que a seguir transcrevo e que acho fantástico. Desconheço o autor(a).

DEIXA QUE A VIDA TE DESPENTEIE
“Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie,
por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade…
O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é gostoso, engorda.
O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto enruga.
E o que é realmente bom dessa vida, despenteia…
- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar a pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa ideia colocar aqueles
saltos gigantes essa noite, deixa o teu cabelo irreconhecível…
Então, como sempre, cada vez que nos vejamos
eu espero estar com o meu cabelo bem bagunçado…
E se estiver, pode ter certeza
que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.
E quero encontrar você com o teu mais bagunçado ainda!
É a lei da vida:
sempre vai estar mais despenteado
quem decide ir no primeiro carrinho da montanha russa,
que aquele que decide não subir.
Pode ser que te sintas tentado a ser
um homem ou uma mulher impecável,
todo arrumado por dentro e por fora.
O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:
Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça,
coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria…
e talvez deveria seguir as instruções, mas
quando vão me dar a ordem de ser feliz?
Por acaso não se dão conta que para ficar bonito
eu tenho que me sentir bonito?…
A pessoa mais bonita que posso ser!
O que realmente importa é que ao nos olharmos no espelho,
vejamos aquele que devemos SER.
Por isso, a minha recomendação a todos que amo é:
Entreguem-se, comam coisas gostosas, beijem, abracem,
dancem, apaixonem-se, relaxem, orem, viajem, pulem,
durmam tarde, acordem cedo, corram, voem, cantem,
meditem, arrumem-se para ficar lindos,
arrumem-se para ficar confortáveis!
Admirem a paisagem, aproveitem, e, acima de tudo,
deixem a vida despentear vocês!
O pior que pode acontecer é que, rindo frente ao espelho,
vocês precisem se pentear de novo…
Aproveitem cada dia.

domingo, setembro 25, 2011

Free Running na Serra d’Arga com Carlos Sá

 

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Todos temos amigos, familiares ou apenas conhecidos, que nos dizem achar espantoso, o facto de termos tempo para treinar, correr, ter vida profissional e familiar e não nos queixarmos. É realmente admirável.

Mais admirável ainda, é o facto de cada vez mais pessoas fazerem parte deste enorme pelotão em que se está a transformar a corrida recreativa em Portugal.

Muita dessa evolução deve-se, na minha opinião, ao facto de haver heróis com histórias de vida pelas quais nos apaixonámos e nos revemos.

Qualquer um de nós, quando quer, tem tempo para fazer as coisas que lhe proporcionam mais prazer e em que melhor partido tira do tempo aplicado para o fazer. É a qualidade da ocupação que nos permite concluir se temos ou não tempo.

Ontem, pouco depois das 6h, nutridos e preparados, mais de 40 pessoas, com um único elo de ligação entre todas elas, o prazer de correr e a vontade de conhecer pormenores de uma prova que se avizinha, dirigiram-se, mais ou menos organizadas em pequenos grupos, para um Free Running na Serra de Arga.

O objectivo deste encontro, era, intenção do seu organizador, Carlos Sá, o de proporcionar uma ambientação ao terreno e às exigências que daí advêm, a quem se quer iniciar na prática da corrida em montanha e por trilhos na natureza. Como organizador do Grande Trail Serra d’Arga, o Carlos quis que alguns dos inscritos na prova tivessem uma primeira abordagem ao terreno, para que se inteirassem das exigências do mesmo e da diferença para as corridas de estrada e/ou pista visto muitos não terem sequer uma única experiência em trail.

Houve de facto lugar para alguns se aperceberem da dureza do desafio de subir uma encosta com 600 mts de desnível, em pouco mais de 2 ou 3 quilómetros.

Enfim, tudo contornado com a compreensão e ajuda de todos para com todos.

Chegados bem cedo a Dem, localidade do Concelho de Caminha que servirá de base à prova, começamos por ouvir, num pequeno briefing, os conselhos e advertências do nosso anfitrião, que, surpreendido pelo nº de participantes (44, quando tinham comunicado a presença apenas 33), pediu para que todos fossem colaborantes.

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Iniciamos logo de imediato com uma autêntica escalada de 4 quilómetros, com um desnível de 500 mts. Para quem desconhece a sensação, equivale a subir à Torre dos Clérigos. 7 vezes. Continuamente. Um quebra pernas à partida de uma prova de montanha é mesmo isso. Um quebra pernas, uma forma de selecionar logo no início e refrear os mais apressados. No nosso “estágio” foi a forma de descobrir quem estava habituado a correr e quem não estava em condições de subir à Torre dos Clérigos uma única vez.

Em vez de seleção, visto ser um convívio, um treino onde ninguém ficava para trás, houve celebração. Ali chegados, contemplamos deliciados a fabulosa vista proporcionada pela morfologia do terreno e pelas condições atmosféricas que permitiam, como se pode ver pela foto, ver até à foz do Rio Minho, junto a Caminha.

Foto de conjunto, toca a descer rumo ao Pincho. A meio caminho um primeiro abastecimento junto a uma das abundantes bicas de água, onde alguns se deliciaram com as castanhas que já se notam caídas pelos caminhos.

A figura da prova revela-se aqui. Enquanto me preparava para  “assaltar” a mochila do Vítor Dias para comer um indispensável abastecimento em forma de gel, aparece o já baptizado Brecas. O homem, com pouco mais de 6 quilómetros percorridos, já gemia de dores. Queixava-se de cãibras, esticava a perna, massajava os gémeos, mas nada o curaria daquele martírio. Achava que comendo, eventualmente uma coisa daqueles que os atletas comem, se tornaria um atleta. Não, o gel não traz resistência aos músculos, nem serve para os regenerar. Lá por se chamar gel não serve para modelar, como o do cabelo, nem para enrijecer. Não. É gel, porque é mais fácil de transportar e digerir, e porque concentra o essencial para manter a energia necessária para o continuo esforço físico. Mas o Brecas achava que não, que era a poção dos druidas. O Barbosa lá lhe deu um.

Chegados ao Pincho por uma encosta desnivelada, deparasse-nos  uma imagem fabulosa, linda. A natureza característica do Minho: Um verde a envolver formações rochosas com quedas de água esplendorosas. Quase por instinto, por celebração do momento, todos ficamos ali por alguns minutos a contemplar o fantástico quadro.

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E lá seguimos nós junto ao Rio Âncora numa parte do percurso muito técnica e que ainda não estava limpa da vegetação própria de um ambiente selvagem. Dali trouxe (eu e provavelmente mais alguns) uns picos nos dedos e bastante lama nas meias. Houve tempo para experimentar equipamento, de concluir que os bastões, nesta fase, atrapalhariam e de pedir a S.Pedro que nos dê um dia como o de ontem, nada de chuva ou nevoeiro, pouco sol e temperatura amena, a rondar os 18º. Obrigado.

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Rio fora, percurso partilhado com praticantes de canyoning, alguns curiosamente conhecidos de um ou outro corredor (há surpresas em todo o lado, Portugal é mesmo pequenino), lá fomos em direcção a S.Lourenço da Montaria, onde irá terminar a prova de 20 quilómetros.

Ali chegados, antes de iniciarmos a subida à Sra. do Minho, a mais de 800 metros de altitude, alguns dos participantes menos preparados, ou mesmo sem vontade, ou com cãibras, como o Brecas, regressaram a Dem numa carrinha que ali nos esperava precisamente para isso.

Encosta acima, pelo trilho que nos levaria ao final do nosso treino, fomos sentindo a temperatura a descer e a brisa, ligeira, a soprar. O silêncio da montanha a acompanhar-nos e os cavalos garranos ali ao lado, a pastar em grupos pequenos e a olharem-nos com alguma indiferença. No planalto, finalmente terreno para correr em ligeira subida, num esponjoso chão com erva encharcada.

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Chegados à Sra. do Minho, tempo para contemplar as vistas, Ponte de Lima ao fundo, Lanheses um pouco mais a Oeste. E ali ficamos a saber que vamos subir e descer aquela autêntica parede. Parede para nós, pista de séries para o Carlos Sá. Não é à toa que é um dos melhores do Mundo no trail. Um atleta fantástico, não me canso de o dizer, com uma humildade e simpatia única dos que nada têm a provar, mas que não se cansam de o fazer. Um campeão!

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Começamos ali a parte pior do treino, a que nos pôs pior do que os 1200 metros de desnível positivo acumulado. Preferíamos ter regressado a Dem a correr, do que transportados por um local, numa carrinha de transporte escolar que mais parecia a moto do poço da morte. Eu e o Vitor Dias sentados no chão, completamente enjoados, os demais agarrados como podiam aos bancos, e o motorista a garantir à mulher, via telemóvel, que estava a chegar para o almoço. Enfim, esperemos que as crianças tenham horários compatíveis com os hábitos gastronómicos do dito senhor, senão…

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Já com o banho tomado, e depois de uns alongamentos num parque infantil, em ambiente de agradável convivência, iniciamos a terceira parte do free-running. O piquenique correu lindamente, com os já poucos resistentes. Café tomado regresso a casa.

Ficamos todos com a sensação que o Grande Trail Serra D’Arga vai ser uma prova com excelentes condições. O Carlos Sá merece-o e tem feito um trabalho excelente na divulgação de uma modalidade de que tanto gosta e que tão bem nos tem representado por esse mundo fora.

Fica o agradecimento à disponibilidade demonstrada pelo Carlos, e a quem o ajudou a preparar este treino.
Dia 23 de Outubro lá estaremos.

Ficam as imagens recolhidas e compiladas pelo Carlos Sá e pelo Vítor Dias.

www.correrporprazer.com

quinta-feira, setembro 22, 2011

Gente que me faz confusão

Faz-me sempre imensa confusão que alguém se lembre de tudo o que lhe passou pela vida. Tudo e todos os que por ela passaram. É que simulam uma memória tão boa, tão eficiente, tão fotográfica, que se lembram mais facilmente da infância dos Pais, do que da vida adulta dos próprios.
Hipocrisia e caldos de galinha, cada um toma a que quer. Sim, eu sei que o ditado diz outra coisa, mas deu-me mais jeito assim.
Detesto hipócritas e cínicos.
E não gosto mesmo nada quando acham que me tomam por lorpa.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Irritações

Detesto semáforos de controlo de velocidade!
Se são accionados a mais de 30 e eu vou a 20, porque raio passam para amarelo e logo vermelho?
Se for a 50? É igual! Mas de for a 100, já nem detectam. Vá lá alguém entender isto...
Entretanto, o verão voltou em força. Para irritar mais um pouquinho...

domingo, setembro 04, 2011

José Teixeira

Hoje, dia de treino longo, fiz-me ao caminho sozinho, manhã bem cedo, para uma volta à cidade.

Fiz os mais de 30 km's com o Sr. Teixeira, colega dos Porto Runners, no pensamento. O Sr. José Teixeira faleceu ontem, na marginal do Porto, onde tantas provas fez e onde tantas vezes treinou. Faleceu a fazer o que tanto gostava, correr.

A minha primeira maratona, coincidiu com a sua ultima. Terminou à minha frente uns segundos, e festejamos ali mesmo, com a tradicional  cerveja na mão.

Inscreveu-se para a Maratona de Milão, mas não a correu, disse, por não ter treinado o suficiente. Não deixou, contudo, de lá ir e, com a família, de nos apoiar e felicitar junto à meta.

Hei-de recorda-lo sempre como um simpático atleta de pelotão que todos gostaríamos de ser um dia.

Podem ler aqui um artigo escrito pelo Vítor Dias ainda antes da Maratona do Porto 2010.

Até sempre Sr. Teixeira!

sábado, setembro 03, 2011

Anúncios parvos

"Olá! Sou a Ana e tenho 40 anos. Hoje vim à praia com a família, depois de beber um iogurte que fez com que me desfizesse em bosta logo pela manhã. Assim pude fazer mais um dia feliz de veraneio com a barriga menos inchada!"
Digam-me que isto é tudo normal...

sexta-feira, setembro 02, 2011

Irritante criatividade

Irrita-me a criatividade de muita gente.

Do humorista/argumentista que encontra uma piada em todos os temas da actualidade e os transforma em riso.

Do escritor/pensador que encontra um tema e o desenvolve numa harmonia fantástica com a narrativa que nos cativa como um filme.

Da mulher que transforma um trapo em roupa, que faz de um olhar sedução, de um andar fascinação. Estas, em tudo o que é arte, são as que mais me irritam. Vejam que até provocaram o aumento do parágrafo, interrompendo um desfilar de artes facilmente elogiáveis e que tornariam este, num post realmente digno de crónica semanal de uma qualquer revista.

Mas como me irritam seduzem. Fascinam-me. Adoro-as. Gosto tanto de as apreciar que até tenho medo de o mostrar. E não, não é pelo lado sexual, sempre detestei o sexo como negócio e/ou choque visual, é mesmo pelo que insinuam, todos os jogos de sedução que mantêm no dia-a-dia, em tudo, ou quase tudo, o que fazem.

E são tão criativas… Que até irritam.