amador |ô|
adj. s. m.
adj. s. m.
adj. s. m.
1. Que ou o que ama.
2. O que, por gosto e não por profissão, exerce qualquer ofício ou arte.
3. Apreciador.
(Dicionário Priberam)
Andamos todos de homenagem em homenagem, justas, aos atletas que elevam bem alto o nome de Portugal, principalmente àqueles que o fazem com enormes sacrifícios, que o fazem por carolice, porque são como nós, amadores.
Nos últimos meses tivemos a alegria de ver o Armando Teixeira, Carlos Sá, Pedro Marques, Telmo Veloso e Susana Simões, com resultados que a todos nos orgulharam, como se um pouco do que eles conseguem fosse também nosso, os que partilhamos com eles as ruas e trilhos de treino e provas.
Todas as homenagens são poucas para o que todos eles conseguem alcançar com tão pouco. Limitam-se a “fazer das tripas coração”, técnica tão nortenha de fazer sem meios aquilo que muitos, tendo-os, não conseguem. São justas.
Mas deixem-me personificar no homem que dá título a este texto, a homenagem justa ao atleta amador.
Amador, porque é operário (como ele orgulhosamente diz) de uma multinacional, onde exerce a sua profissão, sendo a corrida um hobbie, um passatempo que apaixonadamente faz, para ocupar tempo livre e para desfrutar de todo o ambiente que normalmente se cria no grupo onde treinamos, e com o grupo com que corremos.
Amador porque não se limita a treinar e seguir escrupulosamente um plano de treinos com vista a atingir um tempo objectivado e estudado por um qualquer treinador, que nem tem. Amador porque faz todas as provas que pode, desde provas de 10 kms até ultra trails onde consegue acompanhar os melhores.
E amador porque, aconteça o que acontecer, nada lhe vai mudar a personalidade de apaixonado e de bem com a vida.
Conheci o Vasco uma semana antes daquela que foi a sua (e minha) estreia na distância mais longa das corridas de estrada, a maratona. Lembro-me como se tivesse sido ontem, ao pormenor, daquele treino. E lembro-me porque o Vasco é daquelas pessoas que marca. Ele e a sua simpática família, sempre disponíveis para os outros.
O Vasco é das pessoas mais humildes que conheço, mas daquelas que têm um altruísmo incontinente, não se limitando a ser quem são sem saírem do seu lugar.
Sempre disponível para ajudar, sempre com uma palavra de incentivo, sempre a aconchegar os outros e sempre com um sorriso de menino cada vez que consegue a foto da ordem com os ditos profissionais. Em todas as fotos onde, surpreendido ou não, aparece, mostra sempre um sorriso rasgado, seja no início, meio ou no auge do sofrimento que algumas a todos nós provocam. Garanto-vos que não há prova onde ele vá que não faça um amigo. Não é capaz de fazer uma prova compenetrado, sem falar com o atleta que vai ao lado, ou sem oferecer o gel, ou incentivando… É assim o Vasco.
Certamente que vos podia dar mais alguns exemplos do atleta amador, daquele que, com sacrifício busca objectivos que não lhe trazem mais que o dever cumprido. Muitos mesmo. Mas o de um homem que trabalha por turnos rotativos de 8 horas, que tanto está a trabalhar de manhã, como à tarde ou no turno da noite (08h-16h/16h-24h ou 00h-08h), e que mesmo assim tem tempo para treinar, descansar, ser marido e pai, e não se esquecer dos amigos… Daqueles que eu conheço, é exemplar.
Impressiona toda a evolução que o Vasco conseguiu em 2 anos de corrida. Completou hoje a sua 5ª Maratona de estrada, com um formidável tempo de 2h51, 105º classificado na Maratona de Madrid.
E com uma regularidade de ritmo que espelha trabalho e muita dedicação.
É justo que se homenageie o resultado, mas é mais justo que se homenageie o Homem. Que é seguramente um excelente filho, irmão e principalmente pai e marido.
Parabéns ao clã Batista. São uma inspiração.
E parabéns a ti Vasco.
É um orgulho imenso ser teu amigo. Obrigado por retribuíres.



