domingo, abril 17, 2011

Narrativa de Medina Carreira

O tal “Velho do Restelo”, ou “Profeta da Desgraça”, afinal tinha razão. E desmonta por completo os argumentos do Pinócrates.

É só ler e avaliar.

Bom, dado o que está em causa é tão só o futuro dos nossos filhos e a própria sobrevivência da democracia em Portugal, não me parece exagerado perder algum tempo a desmontar a máquina de propaganda dos bandidos que se apoderaram do nosso país. Já sei que alguns de vós estão fartos de ouvir falar disto e não querem saber, que sou deprimente, etc, mas é importante perceberem que o que nos vai acontecer é, sobretudo, nossa responsabilidade porque não quisemos saber durante demasiado tempo e agora estamos com um pé dentro do abismo e já não há possibilidade de escapar.

Estou convencido que aquilo a que assistimos nos últimos dias é uma verdadeira operação militar e um crime contra a pátria (mais um). Como sabem há muito que ando nos mercados (quantos dos analistas que dizem disparates nas TVs alguma vez estiveram nos ditos mercados?) e acompanho com especial preocupação (o meu Pai diria obsessão) a situação portuguesa há vários anos. Algumas verdades inconvenientes não batem certo com a "narrativa" socialista há muito preparada e agora posta em marcha pela comunicação social como uma verdadeira operação de PsyOps, montada pelo círculo íntimo do bandido e executada pelos jornalistas e comentadores "amigos" e dependentes das prebendas do poder (quase todos infelizmente, dado o estado do "jornalismo" que temos).

Ora acredito que o plano de operações desta gente não deve andar muito longe disto:

1. Narrativa: Se Portugal aprovasse o PEC IV não haveria nenhum resgate.

Verdade: Portugal já está ligado à máquina há mais de 1 ano (O BCE todos os dias salva a banca nacional de ter que fechar as portas dando-lhe liquidez e compra obrigações Portuguesas que mais ninguém quer - senão já teriamos taxas de juro nos 20% ou mais). Ora esta situação não se podia continuar a arrastar, como é óbvio. Portugal tem que fazer o rollover de muitos milhares de milhões em dívida já daqui a umas semanas só para poder pagar salários! Sócrates sabe perfeitamente que isso é impossível e que estávamos no fim da corda. O resto é calculismo político e teatro. Como sempre fez.

2. Narrativa: Sócrates estava a defender Portugal e com ele não entrava cá o FMI.

Verdade: Portugal é que tem de se defender deste criminoso louco que levou o país para a ruína (há muito antecipada como todos sabem). A diabolização do FMI é mais uma táctica dos spin doctors de Sócrates. O FMI fará sempre parte de qualquer resgate, seja o do mecanismo do EFSF (que é o que está em vigor e foi usado pela Irlanda e pela Grécia), seja o do ESM (que está ainda em discussão entre os 27 e não se sabe quando, nem se, nem como irá ser aprovado).

3. Narrativa: Estava tudo a correr tão bem e Portugal estava fora de perigo mas vieram estes "irresponsáveis" estragar tudo.

Verdade: Perguntem aos contabilistas do BCE e da Comissão que cá estiveram a ver as contas quanto é que é o real buraco nas contas do Estado e vão cair para o lado (a seu tempo isto tudo se saberá). Alguém sinceramente fica surpreendido por descobrir que as finanças públicas estão todas marteladas e que os papéis que os socráticos enviam para Bruxelas para mostrar que são bons alunos não têm credibilidade nenhuma? E acham que lá em Bruxelas são todos parvos e não começam a desconfiar de tanto óasis em Portugal? Recordo que uma das razões pela qual a Grécia não contou com muita solidariedade alemã foi por ter martelado as contas sistematicamente, minando toda a confiança. Acham que a Goldman Sachs só fez swaps contabilísticos com Atenas? E todos sabemos que o engº relativo é um tipo rigoroso, estudioso e duma ética e honestidade à prova de bala, certo?

4. Narrativa: Os mercados castigaram Portugal devido à crise política desencadeada pela oposição. Agora, com muita pena do incansável patriota Sócrates, vem aí o resgate que seria desnecessário.

Verdade: É óbvio que os mercados não gostaram de ver o PEC chumbado (e que não tinha que ser votado, muito menos agora, mas isso leva-nos a outro ponto), mas o que eles querem saber é se a oposição vai ou não cumprir as metas acordadas à socapa por Sócrates em Bruxelas (deliberadamente feito como se fosse uma operação secreta porque esse aspecto era peça essencial da sua encenação). E já todos cá dentro e lá fora sabem que o PSD e CDS vão viabilizar as medidas de austeridade e muito mais. É impressionante como a máquina do governo conseguiu passar a mensagem lá para fora que a oposição não aceitava mais austeridade. Essa desinformação deliberada é que prejudica o país lá fora porque cria inquietação artificial sobre as metas da austeridade. Mesmo assim os mercados não tiveram nenhuma reacção intempestiva porque o que os preocupa é apenas as metas. Mais nada. O resto é folclore para consumo interno. E, tal como a queda do governo e o resgate iminente não foram surpresa para mim, também não o foram para os mercados, que já contavam com isto há muito (basta ver um gráfico dos CDS sobre Portugal nos últimos 2 anos, e especialmente nos últimos meses). Porque é que os media não dizem que a bolsa lisboeta subiu mais de 1% no dia a seguir à queda? Simples, porque não convém para a narrativa que querem vender ao nosso povo facilmente manipulável (julgam eles depois de 6 anos a fazê-lo impunemente).

Bom, há sempre mais pontos da narrativa para desmascarar mas não sei se isto é útil para alguém ou se é já óbvio para todos. E como é 5ª feira e estou a ficar irritado só a escrever sobre este assunto termino por aqui. Se quiserem que eu vá escrevendo mais digam, porque isto dá muito trabalho.

Henrique Medina Carreira.

terça-feira, abril 12, 2011

Maratona de Milão 2011

4H 14M 49S Tempo oficial.

Não foi a pensar neste tempo final que, no Sábado, cedinho, bem cedo, fui para o Aeroporto.

Depois da minha primeira experiência na distância rainha do atletismo, no Porto, em Novembro último, e desafiado pelos meus companheiros do Porto Runners, inscrevi-me na Maratona de Milão.

O facto de ser no exterior, de ser uma prova numa cidade com um clima ameno, mesmo fresco na Primavera, levou-me a pensar que, com treino, poderia baixar das 4 horas de tempo final.

Cheguei ao Aeroporto, encontro o grupo da equipa Douro Azul, animados com é apanágio. Passo pela segurança, chego à porta de embarque e, já sentados à espera da hora de saída, o Mesquita e o Carlos Rocha. Saudações, conversas futebolísticas e eis que chega o grosso do nosso pelotão. Todos animados saltamos para o laranja voador.

Conversas animadas, troca de experiências, expectativas e, acima de tudo, boa disposição de todos.

Chegados a Milão, depois de uma viagem de autocarro de 50 kms, o nosso maior obstáculo mostrava toda a sua imponência: 33º!

Uma semana antes, todos comentávamos que, os esperados 22º eram um exagero, que a baixa humidade relativa, combinada com o calor, levaria a que o esforço despendido tivesse que ser superior, etc. e tal, e eis que se confirmavam os nossos temores.

Sem deixar de passar pela fantástica nave principal da Estação Central de Milão, fomos em busca de um sítio para almoçar. Distribuídos pelas mesas disponíveis, rapidamente devorámos massa e pizza para repor energia, recarregar e voltar ao caminho.

Enquanto alguns foram de metro para o hotel, eu e mais os Jotas (de João: Meixedo, Morais, Freitas e Vieira) acompanhados de um outro companheiro de viagem português que conhecêramos no avião, fomos a caminhar debaixo daquele calor de matar. Guiados por uma bússola de um Iphone, lá fomos caminhando pelas ruas e avenidas de Milão até ao nosso destino. Pelo meio, uma incursão por uma das imensas gelatarias de Milão, onde encontrámos iguarias suficientes para nos baixar a temperatura.

Chegados ao hotel, surpresa: Algumas reservas não existiam. Confusão instalada. Telefonemas, mais telefonemas, boa vontade e lá se arranjou solução.

Entretanto, eram quase 18h. Tínhamos ainda que ir levantar os dorsais e eu, que estava ainda a 4 estações de metro de distância do meu hotel, ainda tinha que ir fazer o check-in. O Vasco Batista lá se disponibilizou para levantar o meu kit da maratona, e assim, fiz-me ao caminho, prometendo regressar às 20h, depois de uma refrescadela.

Depois de um agradável jantar na Via Dante, lá fomos todos descansar o esqueleto de um estafante dia, que já ia bem longo.  

6h. Saltei com o ti-ri-ri-ri do Nokia, sempre irritante. Saltei ainda mais com ten-ten-ten do Blackberry. É curioso como, quando queremos muito estar a horas em qualquer lugar, até levamos mais que um despertador…

Primeira contrariedade, o pequeno-almoço só seria servido depois das 7h30. Impossível esperar. Era arriscado, não dava para ir ter com o resto do pessoal, como combinado, e estar a horas na partida, que era um pouco distante.

Cheguei ao Genius hotel, para deixar a minha bagagem, já que, como regressava ao Porto nessa noite, fiz o check-out do meu hotel, às 7h15. O João Meixedo disponibilizou o quarto para o banho depois da prova e para ali deixar a mala, mas quando bati à porta, já lá não estava. Desci e deixei-a na recepção, na esperança que ali estivesse quando regressasse.

Entretanto acumulava erros e lapsos. Não tinha tomado pequeno-almoço, tinha bebido pouca água na véspera, caminhado sob um sol abrasador, e descansado pouco devido ao excessivo calor.

Enquanto esperava pelo metro que me levaria a Rho para a partida, comi o que tinha: 3 barras de cereais e um gel que vinha no kit da maratona e dizia ser indicado para esforços prolongados, desde que consumido entre 1 a 2 horas antes. Enfim…

Chegado à partida, primeira alegria: água! Bebi 2 garrafas e levei outra na mão. Primeira preocupação: Tinha deixado os protectores dos mamilos no hotel. Toca a procurar, junto com a malta do Douro Azul, que me acompanhara na viagem até ali, alguém com vaselina ou pensos. Nada! Só latas e boiões de vaselina vazios. Já imaginava o quanto iria sofrer com o tecido a roçar, começar a sangrar, e com a água… Ufff! O peito a arder é horrível. Acho que é pior que uma cãibra. Enfim, em busca de alguém que me salvasse, encontro, finalmente, o Carlos Rocha. Com o ar mais desesperado do mundo enquanto o via deixar o saco com os seus pertences, no camião que os recolhe e leva para a chegada, ouvi-o dizer que não tinha nem pensos nem qualquer creme protector. Espera, diz-me. O Pedro é capaz de ter. E tinha. Uns milagrosos pensos para calos da compeed (merecem a publicidade) doados pelo Pedro Viana.

Fiz-me à partida. Com um tempo de maratona fraco, fui colocado na parte de trás do pelotão. Demorei uns 3 minutos até cruzar a partida.

Mais um erro: Depois de arrancar, vejo uns tipos com uns balões na cabeça que diziam 4h45. Nem pensar, disse para mim mesmo, tenho que ir em busca do das 4h. Vi mais balões à frente, fui passando balões, 4h30, 4h15… Não vi mais nenhum. Vou muito lento, pensei. Ali vou eu a acelerar (palerma), cruzo-me com o João Vieira (excelente estreia) e o João Mota Freitas que o acompanhava, pergunto para que tempo correm, dizem-me sem expectativas de tempo, que queriam apenas chegar ao fim, o tempo final é o corolário dessa vontade. Ok, pensei. Ou ficas e tens companhia, ou então fazes o que já te disseram muitas vezes, vai no teu passo, não exageres, nem fiques, nem aceleres, mantém um passo. Olho para o Garmin, vejo que estava mais próximo dos 6/Km, decidi ir atrás dos balões das 4h. Disse-lhes, prevendo um desfecho fatal, que ia indo e eles apanhavam-me mais à frente.

Um pouco antes da incursão pelo centro histórico da cidade, onde nos cruzávamos com atletas que tinham, seguramente, mais 3 ou 4 kms que nós, cruzo-me com muitos colegas de equipa, com um cumprimento especial ao Meixedo. Ia bem, como sempre. Mais um grupo de runners, entre eles o nosso presidente, todos em excelente ritmo.

Junto à Catedral de Milão, a nossa claque. Nunca falham no apoio. Que bem que soube aquele banho de reconhecimento, a nossa camisola é uma responsabilidade, que nos é recompensada pelo carinho e força transmitido por todos.

Até ao Km 30 corri num ritmo consistente entre os 5 minutos e 20/Km e os 5’45. Mesmo a parar momentaneamente em todos os abastecimentos para beber isostar e carregar uma garrafa de água, consegui, até ao km 30 manter um ritmo consistente. Nos 5 kms seguintes oscilei entre os 6’ e os 6’30, já depois de ter enjoado completamente ao gel, fruta e isostar. Antes, no abastecimento dos 30 kms o João Vieira e o João Freitas passaram por mim, deram-me força, e eu tentei, mas as pernas…

Abrandei, andei a passo, pensei em tudo e mais alguma coisa. Vejo um espanhol cheio de cãibras, todo esticado, fico com ele uns instantes, estico-lhe os pés, dou-lhe uma esponja com água e digo-lhe que aquilo não é lugar para desistir. Lembro-me de repente da Jangada de Pedra do Saramago, agarro no Jimenez e ali fomos os dois amparados nas fraquezas de um e do outro. Foram uns arrastados 5 kms a 7, 7’30. O espanhol definitivamente ficou no chão, agarrado à perna, ao km 40. Eu segui com duas garrafas de água nas mãos. Fui passando gente, ganhando forças sei lá onde, e acabei debaixo daquele sol escaldante com um sprint de 1 km a 6’11, o 42º, e mais 600 metros a 5’32. Foi um final à Porto Runner.

Melhorei o meu tempo nos 42,195 km em 14 minutos, não conseguindo, contudo, baixar das desejadas 4h. Mas 4 anos apenas depois dos 134kg, correr uma maratona com uma média de 5’58/Km, não deixa de ser motivo de orgulho.

Dos 4025 atletas que iniciaram a prova, 3403 chegaram à meta. Fiquei em 2372º lugar da geral, acham mau?

Um obrigado a todos os que me ajudaram na preparação para esta empreitada. Não fico por aqui. Vou continuar, porque a corrida já faz parte da minha vida.

O Porto Runners é já o meu clube. A todos vós um muito obrigado por me terem recebido de braços abertos. 

sexta-feira, abril 08, 2011

Desafios

Todos nós temos desafios que colocámos a nós próprios. Desafios de mudança, ou de conquista, desafios que nos levam em busca de realização pessoal.
Há uns anos atrás, não sonhava sequer em conseguir fazer um jogo de futsal sem cair para o lado no fim, mas, depois de muita luta e sacrifício lá cheguei ao fim numa distância que não é fácil de concluir, nem para os profissionais.
Amanhã, mais uma vez, parto em busca da realização de mais uma empreitada de 42,195 km. Vou, com um alargado grupo de atletas do clube onde corro (Porto Runners), participar na Maratona de Milão. Espero apenas acabar.
Entretanto, aqui fica um artigo referente aos meus, digámos, miseros kapabites de fama.

Rui Pinho- Já pesou 134 Kgs, hoje corre maratonas

quarta-feira, abril 06, 2011

Dia D

Agora que o homem pediu apoio financeiro à União Europeia, admitiu que a situação era insustentável, será que agora vai, finalmente, admitir que as políticas seguidas foram erradas? Não me parece.

Os banqueiros vieram gritar vivas, não ao FMI, mas ao alívio.

Infelizmente o Zé povinho, enganado por um esquizofrénico da imagem, acha e está convencido, que, se não viesse o FMI, o Sócrates podia continuar o regabofe, e que, com um esforcito, a malta tinha aumentos e dinheiro para gastar já ao virar da esquina.

Os partidos mais à esquerda continuam a falar de um mundo que já acabou na década de 80, depois da queda do muro.

Entretanto, enquanto aguardava que as Tv’s entrassem em directo, o Primeiro Ministro demissionário fazia uma figura triste, transmitida pela TVI por acidente, mas que demonstra bem o político preocupado com o País que é José Sócrates. Os grandes estadistas têm este tipo de atitudes. Infelizmente, os exemplos de grandes estadistas para este Sr. são o Berlusconi e o Sarkozy…

Enfim, um dia decisivo para o nosso futuro, e o peneirento, a pedir a um colaborador para ver qual o melhor ângulo para o show…

terça-feira, abril 05, 2011

Este País não é para moinas!

Vejo um Sr. muito bem vestido, com botões de punho reluzentes, a dizer que Portugal precisa de um empréstimo urgente, que estanque a subida das taxas de juro da dívida pública.

Espanta-me esta onda dos banqueiros. Agora que acabou a concessão de créditos e negócios chorudos a 50 e 60 anos, as famosas parcerias público privadas (PPP’s), que nos vão levar grande parte dos recursos nas próximas décadas, hipotecando assim o País, choram lágrimas de crocodilo, como se não tivessem culpas no cartório.

Sempre votei desde que tenho cartão de eleitor. Não sou daqueles que acha que os Bancos não passam de associações de índole criminosa, com cobertura do estado. Parece-me que são essenciais ao desenvolvimento económico, que podem e devem alavancar as economias, fazendo apostas sãs, que promovam aquele investimento que traz riqueza. Não se devem envolver em negócios de especulação, como não se envolveram em demasia, caso contrário teriam tido o mesmo fim dos bancos irlandeses.

Chateia-me ouvir tudo o que é militante de extrema esquerda, que vive à custa do capitalismo, marchar contra este, como se fosse a fonte de todos os males. Não é.

Deveríamos ter em Portugal um partido de esquerda, entre o PS e o PC. Um partido que assumisse como normal este sistema (europeísta, a favor da moeda única) mas que lutasse contra os lobbies instituídos. Há sempre esperança quando se perfila uma nova liderança ao centro, mas os partidos do arco governativo deixam-se envolver pelos poderosos lobbies, distribuindo pelos que não têm as poucas migalhas que caem dos bolos que devoram.

Somos um País de moinas. Gravita tudo à volta do Estado.

Mal aparece alguém a lutar contra esses lobbies, há uma autêntica guerra de informação e contra-informação, alimentada por quem tem o poder neste País, como aconteceu nas últimas legislativas entre o Publico e o DN.

Por muito que queiram os partidos mais à esquerda, Portugal não sobrevive sem bancos, nem pode, de forma alguma, continuar a alimentar de subsídios quase tudo o que não é rentável nem quase todos os moinas deste País.

Desde que, no “reinado” de Guterres, o famoso diálogo começou a distribuir subsídios, tendo-se multiplicado as associações de tudo e todos bem como as fundações (chamadas S.A.) em busca de benefícios, proliferaram os moinas.

Temos que os mandar às malvas, é o que os bancos estão a fazer.

Mas moinas maiores que eles…

Foram os únicos que tiveram recursos para se segurarem. Pagaram a grandes escritórios de advogados (moinas!) para blindar tudo o que contratualizaram com o Estado.

Agora, das duas uma. Ou vota tudo à esquerda e eles estouram com o que ainda há cá de capital e nos albanizamos, ou quem ganhar as próximas eleições tem túbaros suficientes para lhes dizer que esperem ou então que renegoceiem. É a minha esperança.

Ide moinar ao caraças!

sexta-feira, abril 01, 2011

FMI

F de feitos num oito. De fo****s. De fomos enganados, completamente enganados. Fomos levados a crer que, se o Estado gastasse muito, se se desdobrassem as empresas publicas em várias empresas mais pequenas integradas em grupos empresariais, que teriam cargos para distribuir e divida para dividir.

F de famintos pelo poder. Tudo ao pote. Uns agora outros lá metidos. Os ex-presidentes de câmaras municipais foram metidos em cargos de chefia da administração publica, em institutos públicos e outros promovidos a Governadores civis.

F de falidos. Nós. O futuro.

F de formados. Uns ao Domingo, ou com imensas cadeiras que julgam, somadas, serem equivalentes a um curso superior, outros arduamente, com esforço, dos próprios, dos pais.

F de foras da lei. Todos os que foram ao pote.

M de merda. Que foi como deixaram o País. Nunca as finanças publicas estiveram tão mal.

M de marginais de colarinho branco. Que só se distinguem dos outros pelo poder económico, que de recurso em recurso, pago com o nosso dinheiro, voam até às absolvições escandalosas.

M de maçonaria. Maçonaria que está representada em larga escala no bloco central, principalmente no PS, e que em nome de ideais de alguns, destroem o País de todos. Maçonaria das Fundações, que cabia perfeitamente na letra anterior, mas que não passam de Fundações S.A., fachadas de lavagem de dinheiro com fins nebulosos.

I de insucesso. O caminho do bom aluno da Europa foi afinal um caminho Inglório.

I de inveja, de invejosos, de gente irritada com o facto tão humano de outros pensarem diferente.

I de insegurança. Portugal está a saque. A criminalidade aumenta a olhos vistos. Homens que sequestram e espancam a mulher têm como medida de coação uma distância mínima da vitima de 150 metros! Podem quase morar na mesma casa…

I de irresponsabilidade. Ninguém é responsável, ninguém quer responsabilidade por nada, nem ninguém está disponível a assumir quota de participação no caminho que foi seguido.

I de idiotas. Porque todos somos responsáveis pelo caminho que seguimos, uns por participação, outros por omissão.

I de imperativo. É imperativo mudar, e é imperativo injectar capital e capital de confiança neste País. E se os únicos que nos derem tempo forem os Sr.s do FMI, acho que é melhor do que o cobrador do fraque. Porque o default é semelhante ao Incómodo de ter um cobrador “à perna”: Vergonhoso.

segunda-feira, março 28, 2011

Crise

O Príncipe herdeiro da coroa inglesa e sua esposa, Camila Parker bolas, iniciaram hoje uma visita de 3 dias a Portugal. Parece que já foram recebidos pelo casal representante da monarquia pasteleira deste País, os Silva, que na pessoa do homem lá da casa, muito honra o bolo que por cá homenageia os reis.

Diz a comunicação social, que o dito par vai oferecer um banquete ao Sr. que veste saias e joga polo, e à sua esposa pecadora, oriunda da nobreza, mas que parece que é mais galdéria, aos olhos do povo, do que era a falecida esposa do Carlos. É melhor dizerem que quem oferece o banquete somos nós, os contribuintes, porque se o Sr. Silva tivesse de pagar, iam seguramente comer o prato do dia na cantina do Campus Universitário.

O governo demitiu-se.

Com muita tristeza da malta, o Socras, como carinhosamente é tratado, vai recandidatar-se pelo seu partido, como figura maior de um novo governo. Ganhou as eleições internas com mais de 90% dos votos, sinal da pluralidade socialista, caso contrário teria 99.

Esta semana, o Lula e a herdeira, Dilma, vêm também a Portugal. Não se sabe ainda quem vai pagar o tacho, mas não sou seguramente eu, e o PCP diz que não cabem todos na cantina da Soeiro Pereira Gomes. Contudo, disponibilizou a Quinta da Atalaia para os brasucas montarem acampamento, se quiserem ocupar o lugar do Kadhafi na liderança dos escuteiros socialistas maçónicos.

Entretanto, o líder da oposição, Marce…, desculpem, Pedro Passos Coelho, encheu-se de coragem e pôs à prova o seu inglês em Bruxelas para garantir que tudo correrá pelo melhor para os Bancos a quem devemos dinheiro.

O Armando Vara, depois de ir buscar um atestado ao Médico de Família, foi ao BCP buscar a indeminização pela quebra de contrato. Recebeu uma pipa de massa e a Standard & Poor’s desceu, quase de imediato, o rating desse banco para quase lixo. Eu já achava o mesmo do dito banco e não sou analista económico.

Entre todos estes assuntos há um denominador comum, a crise.

As crises são janelas de oportunidade. Para todos.

Por cá, crise, só para alguns.

Sabem o que mais me irrita? Toda esta gente se serve do País. Falam muito do antigo regime, mas, pelo que dizem os antigos, sabiam todos com o que podiam contar.

Estes gajos baixaram a política a um nível tal, a bandalheira é tanta, que já ninguém sabe com o que contar. Não há a mais ínfima esperança no futuro. As pessoas olham para o para os diversos partidos e não vislumbram esperança. Acham, porque lhes vendem essa ideia, que são todos farinha do mesmo saco. Não são, nem podem ser considerados como tal.

As crises são recorrentes, sempre existiram, preocupante é a falta de esperança no futuro e um rumo para esta gente.

E decoro nos gastos, porque mesmo insignificantes, esses gastos são um insulto para quem anda com as calças na mão.

terça-feira, março 15, 2011

Mentira

Já não escrevo há algum tempo, mas passo os dias a pensar, matutar e a teorizar sobre tudo e mais alguma coisa.

Hoje, vimos uma entrevista inimaginável de um político à portuguesa, que enche de “papo” tudo o que é comentador político, quais Zandingas que podem adivinhar o próximo passo. Fazem um jogo absolutamente lamentável enganando a opinião pública menos informada, com um constante bate-papo sobre qualidades políticas de um Primeiro-Ministro, que mais não é, na minha modesta opinião, do que um malabarista.

Tem discurso de malabarista, afunda o País e, não tarda muito, leva o BE aos 20%, com este constante zoar dos comentadores que espelham o PS ao PSD. Não há mais nenhum País na Europa que não tenha um verdadeiro partido de direita como opção de governo.

Tem que haver alternativa a uma política do “tudo publico”.

É mentira que seja inevitável esta política cega de cortes a tudo o que é justo.

Deixem de lado as isenções, subsídios e benesses a todos os grupos capazes de reivindicação e olhem mais para quem precisa.

Acabem com os Governos Civis e demais institutos públicos, que mais não são do que poleiros de boys.

Acabem com o regabofe de gastos dos que (se) servem (d)o Estado.

Deixem de lado a ideia dos passes sociais, das habitações sociais, do estado social, da saúde publica ou da escola publica igual para todos.

O meu passe mensal de transporte publico não tem que custar tanto como o de um reformado com a pensão mínima. O meu pai, reformado, não precisa, como o Belmiro de Azevedo também não, de desconto nas viagens de comboio em lazer. Há gente que precisa de uma casa e não tem, porque mesmo que saia o euro milhões a quem já tenha uma, ninguém o pode tirar de lá. Porque raio é que há gente a fazer cirurgias no SNS ao preço da chuva, quando tem possibilidade de pagar mais alguma coisa, e outros que não deveriam pagar nada e mesmo assim pagam? Porque é que quem tem não pode pagar mais um pouco, para os que menos têm não pagarem?

E não me venham dizer que não, que a diferença já está espelhada no IRS, porque todos sabemos que não é verdade.

Este País está a saque. O Estado ROUBA literalmente os recursos, que deveriam servir para dinamizar a economia, para sustentar um Estado insustentável.

Estamos num beco sem saída. Tudo à rasca.

No ultimo Sábado o País mostrou ao poder político, que mesmo assim ignora, que todo o caminho traçado até aqui está errado.

Mas também andavam lá muitos que, nas últimas eleições ficaram em casa. E depois queixam-se. É sempre melhor protestar porque sim.

Como dizia um cartaz na baixa do Porto: “Ó Sócrates beija-me, que já estou farta de ser fodida!”

domingo, março 06, 2011

E o País, pah?

Este Portugal sempre foi mais de ser levado do que de levar.

Somos historicamente um país pouco revoltoso. Há boa maneira lusitana fomos de revolução em revolução, de revolta em revolta, a reboque de acontecimentos internacionais, de modas, de esperanças fundadas em movimentos começados por outros. Mesmo na ditadura fomos a reboque do resto do mundo, ou acham que as ditaduras foram por cá inventadas?

No seguimento do desnorte, do regabofe, da bandalheira a que o País tinha chegado nos primeiros anos da república, chegou-se à conclusão que só uma ditadura poria o país na linha. E sabem porquê? Precisamente porque o país que nos prometeram com a república, tinha chegado apenas a alguns privilegiados, enquanto que outros, com mais educação que os demais, ou com menos perícia para o gamanço, se limitavam a sobreviver.

Os anos de Salazar, apesar de todos os defeitos conhecidos, foram (como os do Marquês de Pombal) anos de reposição da ordem e de recuperação das finanças publicas. Foram anos de resgate. Resgatar o que poucos tinham gamado e devolver ao país o que era seu por direito. Salazar levou ao extremo essa máxima, fazendo pobre o povo para enriquecer o país. Esqueceu-se de, depois das contas em dia, olhar para os que mais necessitavam, daqueles que, por muito que quisessem, não conseguiam.

Agora, depois do 25 de Abril, o povo nem sabe muito bem o que deve querer. Não sabe nem quer saber.

Passamos de uma alta percentagem de analfabetos para uma alta percentagem de licenciados em áreas sem futuro. Os analfabetos trabalhavam, os licenciados dos nossos dias desesperam por um emprego. Ou então são caixas de supermercados, com vencimentos inferiores aos especializados cortadores de carnes ou dos padeiros.

Portugal passou de um país em que era difícil estudar, para um país onde é difícil encontrar quem saiba fazer. Acabaram as chamadas profissões de arte. Já ninguém quer passar anos a aprender pacientemente com um mestre. Os jovens licenciados acham que, como licenciados, já sabem muito. É mais fácil encontrar um Engenheiro Civil do que um bom encarregado de obra.

O parque automóvel é agora enorme. Há famílias com um verdadeiro stand à porta. Telemóveis aos magotes.

Mudar de sistema? Ninguém quer. O que se avizinha são manifestações utópicas que vão levar uns milhares a reclamar por mais direitos e por menos deveres.

O partido que está no poder ganhará de novo se voltar a mentir em época de campanha, se voltar aos aumentos em tempos que deveriam ser de poupança, se mantiver os discursos ditos de esquerda, porque não se vislumbra, apesar dos licenciados produzidos, uma mudança de mentalidade.

Nas últimas presidenciais um candidato idiota, sem o mínimo de cultura, uma espécie de Tiririca luso, que se destacou pelas atoardas que dizia todos os dias, teve os votos que teve. Ontem um grupo de intervenção ganhou o festival da canção, graças aos votos do público. A RTP, que supostamente faz serviço público, quis pagar aquela espécie de chuva de estrelas, com as chamadas que o público (que apesar da crise, tem sempre mais algum para gastar no que não interessa) faz para votar. Apesar dos maestros, músicos e outros entendidos espalhados pelo país, que não escolheram aquela vergonha, acharam que o povo deveria decidir. E decidiu. Como o povo gosta é de folclore, carnaval e futebol, deu a vitória aos que melhor representam o nosso cantinho.

Neste país de licenciados, letrados, chefes e directores (sem esquecer os empresários), onde a malta se amansa com umas palavras "de esquerda", contra os ricos, esses bandidos que tudo sugam, onde o que queremos é fazer nenhum, onde o Estado subsidia a preguiça e penaliza o trabalho, onde quem não paga uma multa vai preso e quem não cumpre promessas eleitorais é reeleito ou mesmo condecorado, já nada é de espantar.

Os mentirosos vingam sempre neste país. É mais admirado o Alves dos Reis do que Vasco da Gama. A malta gosta é de chicos-espertos. Se tivessem feito um referendo para escolher o nome do Centro comercial em frente ao estádio da luz, teriam escolhido Eusébio. Assim como no Porto, escolheriam Pinto da Costa para nome do estádio do clube. Porque se há coisa em que os tugas não perdoam, é na bola. Amansam com tudo, mas se veem um grupo de adeptos do clube rival: Pedrada e porrada neles.

sábado, fevereiro 26, 2011

À rasca?

Confesso que estou farto deste país. Desde que sou gente que sempre ouvi tudo e todos a queixarem-se de tudo, da vida, da falta de trabalho condigno, da crise, do dinheiro que é pouco, dos preços que são altos, etc. Quem dos que nasceram e cresceram nas décadas de 60, 70 e 80, não se lembra dos avós falarem dos preços baixos de tudo e mais alguma coisa, no tempo deles?

Esta geração nascida já em tempos europeus, que agora se diz à rasca, não deixa de ter razões para protestar, mas, os do meu tempo, não tinham nem carro para andar por aí à conta dos papás, nem net paga pelos papás. Não havia meios de protesto para além do voto, dos comícios, das manifestações ou da simples tertúlia à mesa de cafés rodeados de uns finos.

A minha geração lutou contra a falta de condições financeiras dos nossos pais para nos pagarem a faculdade. Lutamos por direitos que foram tomados como adquiridos pelas novas gerações e entretanto gastos pelas gerações mais velhas. Somos os que nos maravilhamos com a Europa e que perdemos a ilusão na mesma. Subimos ao Éden e rapidamente caímos na real.

Brincamos nas ruas das nossas terras, sem wireless ou redes móveis. A polícia conseguia assustar-nos e impunha respeito. Se fossemos apanhados pela justiça íamos parar à tutoria. As nossas loucuras passavam por campismo selvagem e um festival de música não passava de umas festas de garagem, ou de uns concertos nuns pavilhões desportivos.

O preço do petróleo não era discutido todos os dias, já que, os poucos que tinham carro, não o usavam todos os dias. Íamos a pé para a escola. Não havia sms, nem mms, nem e-mails. Mesmo assim, os velhos não apodreciam sozinhos em casa. Os partidos pequenos, tipo BE, não tinham audiência de milhões através das Tv’s, tinham que cativar audiência para os comícios, senão esfumavam-se.

Os políticos temiam o povo. Tudo era espontâneo.

Fazíamos RGA’s (Reunião geral de alunos) nas escolas. Havia conselhos de turma, em que os delegados estavam presentes, para castigar eventuais abusos de algum aluno. Agora nem sei, mas devem ter pedo-psiquiatras, pedagogos, sociólogos e  psicólogos.

A malta andava sempre à rasca. Dinheiro só nas férias. Trabalhávamos. Havia OTL (Ocupação de tempos livres), empregos em serviços públicos, essencialmente durante as férias, que  davam para ganhar uns cobres. Ou então, optava-se por outras ocupações, em bares, cafés ou discotecas. Havia quem fizesse festas de garagem para angariar dinheiro para as férias. Eu, com mais alguns amigos, cheguei a pintar umas casas para ir umas semanas para longe.

Ninguém imagina, principalmente os que não andaram por lá.

Ir para o Algarve era uma aventura de um dia. E longo.

Ir a Vila Real demorava 5 longas horas por estrada sinuosa.

Os piqueniques eram usuais a meio das viagens e nos dia de verão.

A TV era o nosso luxo, a nossa tecnologia. A missa, catequese e a Religião e Moral obrigatórias.

Somos uma geração que trabalha, que tem ordenados iguais há 10 ou mais anos e que abraça o futuro sem sol. As reformas já foram.

Os nossos pais não têm rendimentos para nos sustentar, nem querem. Foram educados no tempo em que, aos 19/20 os filhos iam para a tropa e, quando voltavam, saíam rapidamente de casa em busca de futuro.

Ficamos à rasca com a vida e o futuro nas mãos.

Já nem temos a ilusão. Continuaremos a lutar, como sempre, embora já nem os empregos conseguimos segurar. Os putos que se dizem à rasca, vêm já com mestrados, doutoramentos, erasmus e pós-graduações, e cobram metade dos salários que auferimos.

À rasca andámos todos, mas nós nascemos assim. 

Somos uma geração que cedo e sempre aprendeu a desenrascar-se.

Aprendam vocês também. Vão ver que vale a pena. Dá um sabor único à vida!

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Autoridade precisa-se!

Não querendo eu fazer concorrência ao Correio da Manhã, vou voltar ao assunto do meu ultimo post.

Quanto ao tema na prisão de Paços de Ferreira, que tanto comentário idiota, despropositado e mesmo irresponsável gerou, inclusive do Ministro da tutela, tão rápido para criticar quem deve manter a ordem numa prisão, parece-me óbvio que, uma pessoa que passa por 8 estabelecimentos prisionais em todo o País e que sempre teve tal comportamento, desculpa quase todas as medidas possíveis. Devem ter tentado mil e uma formas de dominar uma bisarma com mais de 1,80m e mais de 150 kg. Se fosse fácil e se o dito energúmeno obedecesse a ordens, como parecia que estava a fazer, tinham seguramente domado o auto-intitulado “animal”. Não o fizeram em nenhuma das oito (!) prisões por onde tinha passado, e, o que é certo, é que agora, segundo os relatórios hoje tornados públicos,  passou a ser um preso como os outros. Cumpre desde aquele dia todas as normas instituídas e todas as regras básicas de uma comunidade ou sociedade. Limpa a cela, defeca nos lugares apropriados e trata os demais, guardas incluídos, com civilidade. E ainda há quem diga que a actuação daqueles homens vai dar lugar a processos disciplinares? Onde chegou esta fixação pseudo-humanista que opta sempre por defender os que já estão condenados, por parecerem o elo fraco? Pelo menos averigúem primeiro e falem depois.

Ainda no seguimento desta sociedade e desta justiça que tão forte é contra fracos que nos defendem, fica aqui o meu espanto, quando vejo que, um homem é acusado de homicídio simples (6 a 12 anos de prisão) depois de disparar sobre um outro, desarmado, sendo que três dos tiros que acabariam por o matar, foram disparados com a vítima  de costas e em fuga, e enquanto tinha a neta ao colo. Outro, o tal polícia que, com um tiro, abateu um condutor em fuga, é acusado de homicídio qualificado (12 a 25 anos de prisão). Curiosamente, o 1º, é pai de uma Juíza.

Juíza essa que mantinha um diferendo com o atingido pelos tiros disparados pelo seu progenitor, depois de uma altercação, provocada pela retirada à força da filha menor, alvo de uma disputa de poder paternal, dos braços do Pai, por uma trupe que a acompanhava.

As visitas do Pai eram, por ordem judicial, pasme-se, em locais públicos e supervisionadas pela mãe! A tal Sra.ª Juíza.

Os juízes neste País são todos competentes e sérios à partida. O Curso no SEJ dá imediatamente um atestado de bom em tudo. Não há memória de algum ter sido avaliado negativamente, nem sequer no exercício das funções para as quais lhes pagámos principescamente (tirando aquele desgraçado, que se lembrou de afrontar pedófilos, mas que, depois de tornada pública a classificação e que tinham sido os representantes do partido do Paulo Pedroso, irmão de um outro Juiz, a classificarem-no assim, voltaram atrás).

Não querendo levantar questões de ética ou eventual favorecimento pessoal, às vezes o que parece é.

Que raio de Justiça se promove neste País!

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

É a vida…

O homem que não quer limpar a cela, outros que querem demonstrar aos demais o que acontece quando se desafiam as normas de uma comunidade.

Podiam desatar a disparar taser’s contra os membros do Governo, ou os líderes europeus. Seria uma boa forma de os chamarem à razão.

Aquele homem enfiado num espaço que é seu, que ocupa mais de metade dos seus dias, que devia estar com tudo menos com ar de prisão, transformou-o num autêntico nojo.

Como foi possível chegar a tal ponto?

Enfim, agora que divulgam o vídeo da operação, que decorreu em Setembro, vem tudo em catadupa bater nos homens que têm como missão impor a  ordem nas cadeias quando os demais guardas não conseguem pelos meios normais e habituais.

Confesso que, nestes casos, tenho uma tendência contrária aos demais, de dar o benefício da duvida às autoridades. As pessoas têm em democracia o hábito de desafiar as polícias, como se estivessem a enfrentar quem nos governa. Aquele polícia que está a ser julgado por ter disparado contra uma viatura em fuga, é o símbolo de um Estado que se demite das suas obrigações, porque não é admissível que, um qualquer cidadão desobedeça a uma ordem de paragem de uma autoridade. Não se deve disparar por dá cá aquela palha, mas, colocar miúdos sob uma pressão tremenda, em que se lhes exige eficácia na acção, com uma arma num coldre, e quando este é constantemente desautorizado pelo Estado, que representa, leva-o a tomar decisões de defesa que não passam de imposições do mais forte. Admira-me é que, só após terem visto que o condutor não era portador de nenhuma arma é que o acusaram de homicídio.

Infelizmente neste cantinho da Europa, os poderosos impõem-se aos demais com arrogância e prepotência. Os polícias impõem-se aos que deviam proteger com a lei da bala. Ninguém tolera nada. Nem uns, os que fogem à regra, nem outros, os que a impõem. Mas, mesmo assim, acho que os polícias têm a decisão mais difícil.

Teria sido mais fácil para o condutor que fugiu sem razão aparente, parar, bem como aquele prisioneiro saber acatar as regras que, enquanto foi livre, não quis respeitar, e por isso está preso.

É a vida em sociedade.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Chuva

Ainda que poucos gostem de dias como este, a mim em especial, fazem-me sentir que o tempo, a meteorologia, é um pouco como a vida.
Os momentos que doem, que marcam de negro a beleza do nosso sol, são os que mais nos definem e nos transformam.
Não há memórias abundantes de dias de sol. Temo-lo como adquirido.
Já a chuva, pouco apreciada, pode ter beleza que poucos são capazes de descortinar.
Não há um unico dia de chuva que não mostre a beleza deste sol que deve guiar os nossos dias.
Há momentos para tudo.
Sejam felizes também na nostalgia dos dias cinzentos.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Grande Mundo

Este é um daqueles textos que escrevo sem título e sem rumo.

Dizem-nos, quando nos ensinam a escrever textos, que devemos estruturar os ditos. A partir de uma ideia ou de um título desenvolve-se um texto.

Creio que se governa da mesma forma. Um telejornal deverá ser estruturado mais ou menos da mesma maneira. A vida igualmente.

Sem meta criada para o texto, devo no entanto esclarecer que tenho muitas ideias em mente. Gosto desta desafiante tarefa de manter este paciente em que se transformou o meu blogue, num, embora cada vez mais raro, constante debitar de ideias e criticas muito pessoais, fazendo uma distribuição que faz com que tenha meia dúzia de receptores dos textos.

A tecnologia tem encantos vários. Conheço gente que nunca vi, vejo notícias que nunca veria, tenho reações e sentimentos por assuntos que nunca vivi, como agora no Médio Oriente com tanta libertação à imagem do que por cá se passou quando eu era ainda imune ao mundo.

Há uns anos, ter um guarda-chuva com abertura automática era um avanço tecnológico, vidros eléctricos nos carros ou mesmo um auto-rádio era o que de mais revolucionário a industria automóvel desenvolvia. Agora, se nos vêm com um mapa no carro riem-se à gargalhada.

A tecnologia toma-nos e agarra-nos o dia. Mas tem maravilhas que seriam impossíveis, como retomar contactos com quem já os tínhamos perdido e manter muitos com quem eventualmente os perderíamos. 

O que nos afasta de relacionamentos mais próximos dos que estão mais próximos, aproxima-nos dos que estão longe.

Um grande mundo que nos aproxima a todos.

E já tenho título. O texto esse, vai saindo. Como saiu.

domingo, fevereiro 06, 2011

Passeio de Domingo

Escrevo enquanto observo, espantado, a quantidade imensa de carros que circula por esta marginal de Gaia.

As conversas dentro dos carros devem resumir-se ao preço dos combustíveis, à crise que assola o ocidente em geral e a Europa em particular, em que Portugal se destaca.

Sinceramente sinto-me um estranho na minha terra. Em todos os sentidos.

Sinto-me na obrigação de ser um exemplar cidadão. Cumpro os meus deveres cívicos e não deixo nunca de ser civilizado.

Separo o lixo, não caminho por cima das dunas, não destruo mobiliário urbano, paro nas passadeiras, cedo passagem no trânsito, lugares nos transportes públicos e  até sou dador de sangue.

Não compreendo como podem as pessoas em geral viverem sem o sentido de civilidade que nos deve guiar, sem a educação necessária e exigível para se sociabilizarem com os outros e sem a urbanidade de promoverem a sua própria cultura bem como dos que deles dependem.

Este hábito tuga de passear à beira-mar/rio e/ou nos centros comerciais, deixa pouco espaço para se habituarem aos verdadeiros benefícios da cultura. Os museus são espaços desconhecidos para os portugueses em geral.

Este País está tão mal que mais rápido se reconhece um pastor, cromo de um programa de tv, do que o nome de um qualquer navegador.

Os hábitos dos portugueses são apenas e só invejar e gastar.

E queixarem-se da crise ao volante do utilitário com jantes especiais, tecto de abrir e suspensão rebaixada.

Num vai-e-vem lento e panorâmico estouram o dia e o depósito, prontos para mais uma semana em que, o máximo que os vai preocupar, é se o Falcao ou o Cardozo jogam no fim-de-semana.

Parolos somos todos, mas há uns mais que outros…

domingo, janeiro 30, 2011

Anda tudo doido!

O Cavaco ganhou. Foi reeleito (surpresa) PR e nós, como bons democratas, comemos e calámos. Eu ainda refilo um pouquito, já que fui um dos vinte e tal % dos tugas que se deu ao trabalho de trocar um passeio no Shopping, por uma ida à velhinha Alexandre Herculano, para colocar um papelito numa caixa preta. Já agora, não sei porque é que os palermas que lá estão, por detrás da urna, nunca me deixam a mim colocar o voto.

Os alunos, professores e pais dos estudantes das escolas com contrato de associação (é assim que se chamam, eu informei-me) fazem manifestações de SOS. Até parece que, de repente, há mais alunos no privado do que no publico. O que me espanta é que parece que Fátima, Freguesia do Concelho de Ourém, tem tantas criancinhas como clérigos. Isto numa terra onde não há maternidade, nem casais de sexo oposto suficientes para procriar em tão elevado nº.

O FMI ainda não chegou, mas parece estar à espera de voo.

A Floribela e o Djaló deram um nome a uma criança que nasceu fruto do casamento entre ambos, esquisito parece, e anda tudo a Lyoncificar o próprio nome.

Para cúmulo o Elton John e o marido(!) também tiveram um filho.

Anda tudo doidinho da cabeça…

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Democracia e capitalismo

Estamos a uns dias de mais uma eleição.

Quanto à democracia, estamos entendidos. Com Socialistas ou sociais-democratas ficamos na mesma. Nada mudará, nem convém.

A democracia é sem duvida o sistema mais justo de vida em sociedade. Mesmo os que perdem têm voz. Temos por cá partidos que sempre perderam e, em atitudes constantes de inimputabilidade democrática, passam as legislaturas a actuar como vencedores e mesmo com moralidade superior aos que efectivamente ganham.

No capitalismo é igual. Todos têm a oportunidade de ganhar. Ganham muitos, mesmo que ganhem alguns que não merecem, mas, sejamos justos, ganhar muito dinheiro dá sempre algum trabalho. E ganhar pouco ou ser remediado dá muito trabalho também.

Na terra da democracia, apesar dos milhões de pobres, há muita gente que conseguiu o “american dream”, outros houve que ficaram pelo caminho, mas todos tiveram acesso às ferramentas do sucesso.

Não sei as percentagens de pobres nos países absolutistas ou com ditadores ao leme, mas serão seguramente superiores às dos países democráticos.

O capitalismo é, para mim sem duvida, o sistema financeiro que melhor pode garantir, com a democracia bem orientada, uma razoável e justa distribuição de riqueza.

Não há sistema político nem financeiro que actue com mais transparência, nem com maior justiça.

É nossa obrigação, com a arma que todos eles temem, o voto, fazer com que as coisas funcionem com justiça.

No panorama político português não há muitas oportunidades de, em consciência, e dentro do padrão de costumes e na defesa de um estado livre e democrático, europeu e social, de votar em alguém que, estando fora da esfera dos partidos, seja suficientemente “normal” para nos representar.

Assim, e como sou liberal, defendo um estado laico mas com respeito pelas tradições, que defenda o capital e proteja quem trabalha, vou votar em alguém que acabe esta dança de uma espécie de senadores que se acham donos da democracia lusitana, e a que todos fazem uma vénia e consideram figuras paternalistas.

Vou votar Fernando Nobre.

domingo, janeiro 09, 2011

Alguém explica?

Alguém me explica como se pode andar uma vida à procura de coisas efémeras?

A idade dá-nos algum juízo e discernimento em relação a tudo o que nos rodeia. Faz-nos ponderar no que é realmente importante e relativizar os insucessos. Contudo, há muita gente que ainda relativiza demais e outros que dão pouca importância ao que o é na realidade.

Importante mesmo, acho eu, é  tentar gozar o “bilhete” com tudo o que está incluído.

Esta vida não deixa de ser uma grande oportunidade de sentir e poder fazer sentir o que de melhor temos nós e o Mundo.

Ninguém consegue ter argumentos fortes contra a determinação e teimosia de muitos, mas contra a arrogância, avareza, cobardia, hipocrisia e estupidez, acho que se deve responder apenas com um olhar em frente determinado e seguro de que a viagem continua.

Ninguém explica a alguém que perde seja o que for, que o que é melhor para outros pode ser o pior para nós e que, apesar de todas as injustiças de uma sociedade como aquela em que vivemos, pior seria se tivéssemos que viver isolados do mundo e da gente que nos rodeia.

Porque apesar de às vezes ser inexplicável, a gente parva também tem direito à vida.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

O dia-a-dia

Eu, continuo a mudança. Corro, trabalho, descanso e escrevo quando me apetece.

O País continua a assobiar para o lado.

Um sem-abrigo nos EUA, graças a uma filmagem de um transeunte colocada no Youtube, ganhou um novo rumo para a vida e realizou um sonho de menino, que, apesar dos estudos e das várias tentativas, não tinha atingido sem as novas tecnologias.

Em Inglaterra uma mulher anunciou o suicídio no dia de natal, e apesar dos mais de 1000 amigos, ninguém a demoveu de tal intenção, que infelizmente concretizou.

Por cá uma jovem descontente com o tratamento recebido numa loja de equipamentos informáticos e de telecomunicações, e depois de ter perdido num centro de arbitragem a causa que defendia, fez um autêntico furacão que se dirigiu contra a dita companhia que, com a força que foi atingida, teve de recuar e retirar uma ação por difamação que havia intentado contra a cliente, por esta ter publicado uns posts num blogue a dizer o que lhe ia na alma.

As novas tecnologias põem-nos em contacto mais frequente com quem está mais longe, mas coloca-nos mais longe de quem deveria estar muito perto.

Com o devido balanço feito, acho contudo que são mais os benefícios do que os malefícios.

No meu dia-a-dia já não prescindo da tecnologia, mas consigo viver sem ela. Afinal, foi a tecnologia que me fez despertar para a mudança, que me fez conhecer algumas pessoas fantásticas e que me fez ganhar este hábito da escrita e de mais informação e leitura.

Não há coisas boas sem senãos.

É uma questão de equilíbrio, como em tudo na vida e no nosso dia-a-dia.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Vira o disco e toca o mesmo…

Mudou o ano, a merda continua a mesma.

Continuo a ver gente rica a dar lições de poupança ao comum dos tesos em tudo o que é programa de TV.

As novas “Conversas em família” são uma espécie de ping-pong entre os economistas que dizem que deveríamos poupar mais (!!!!) e os inimputáveis de esquerda a achar que tudo se consegue à custa do patrão, dos bancos e dos especuladores.

Uns exigem poupança aos que não conseguem sequer poupar para férias na Caparica ou na Bola de Nivea de Matosinhos, os outros acham que podem mandar no dinheiro dos outros. Aludem ambos, para o que lhes convém, aos variadíssimos estudos dos múltiplos organismos nacionais e internacionais.

Não tenham ilusões. Isto não vai lá com poesia de esquerda e política de direita. Ou se assume o capitalismo puro e duro e se aplica como nos EUA, ou o socialismo e isto vira uma nova URSS. É ver a que subsistiu. Pobres e desgraças existem em todos os modelos económicos, mas existem sempre mais pobres quando estes são pagos como profissionais da pobreza.

Ontem vi num qualquer programa de TV americano o recém-eleito presidente, acho, da Câmara dos Representantes. Era tão só um ex empregado de limpeza da mesma. Como se tal fosse possível nesta sociedade de peneiras em que só as cunhas, ou a corrupção e as burlas são free-pass para os lugares políticos.

Este modelo de País em que o Estado rouba constantemente quem não tem para poder dar a alguns que não fizeram nada para ter, em que o Estado vende por tuta-e-meia as mais-valias futuras de todos os recursos públicos e subsidia, com o dinheiro do consumidor, os défices de exploração privados, não tem futuro.

Os mentirosos não podem continuar a ganhar com a mentira.

O Ano que aí vem vai dar tanta merda que o ar vai ser irrespirável.

Ah! Já agora, acabem lá com essa espécie de claques organizadas em que se tornaram os sindicatos, verdadeiros trampolins para os governos socialistas, a ver pela ultima aquisição do Ministério da Educação. E pela Ministra do Emprego. E outros…

Bom ano….

domingo, dezembro 19, 2010

Ainda a Justiça

Ouvi um destes dias o Ministro da Justiça queixar-se da falta de recursos da Justiça portuguesa.

Pudera.

Senão vejam:

Uma Sra. em litígio com um inquilino manda retirar o contador da água, para poder, uma vez mais, ao arrepio da justiça dos tribunais, fazer pressão para o levar a abandonar o apartamento que lhe tinha arrendado.

O inquilino pede ao funcionário encarregue da dita missão que aguarde enquanto contacta o advogado, para poder impedir o corte visto ter o contador em seu nome e com as contas em dia.

Ao ser confrontado com a chegada da proprietária, que tentava forçar a entrada do dito Sr., segura a porta do prédio, da entrada que partilham, impedindo a dita Sra. de levar a sua avante.

Com a indicação do Advogado, deixa o funcionário retirar o contador. Entretanto a senhoria deu-lhe acesso por outra porta, impondo a sua vontade de “proprietária”, como fez questão de vincar.

Uns minutos depois chega a Polícia. Bate à porta do inquilino, identifica-o e aconselha (como se alguém lhe tivesse pedido) um procedimento judicial.

Uns meses mais tarde o inquilino é chamado a depor em sede de inquérito. Vai à PSP e relata o que aconteceu. Todos são chamados a depor.

Mais uns meses e recebe a notificação do Tribunal. Acusação de agressão e injúrias à dita senhoria. A dita ofendida pede indemnização. Ficou ferida no braço por ter sido agredida com a porta!

Julgamento: 1ª sessão. Todos são ouvidos, excepto o Sr. que tinha ido fazer o corte. Incongruências da queixosa e das suas testemunhas em relação à porta e sua posição em relação à mesma. Espanto por só se ter deslocado ao Instituto de Medicina Legal 12!! dias depois da agressão, e espanto de todos por a principal testemunha de todo o ocorrido, apesar de ter sido ouvida em sede de inquérito, não ter sido chamada a depor pelo Ministério Publico.

2ª Sessão, imposta pela necessidade de ouvir o “Sr. da Água”. Diz a citada testemunha que não viu nenhuma agressão, o Sr. foi muito educado, a Sra. também, todos algo enervados mas nada de exageros nem agressões. Repetiu, segundo o próprio, “tudo o que havia dito em sede de inquérito”. Como havia dito coisas sem sentido, deve ter pensado o Polícia, não é importante. Então se os colegas foram registar uma queixa de agressão, o homem não a tinha visto? É porque se tinha ausentado…

3ª Sessão e última: Leitura da sentença. Até o Ministério Publico se retirou da acusação. “Vá à sua vida…”

É este o estado da justiça:

Um julgamento com muitas horas de “trabalho”, muita incompetência, muito show-off (que esta gente fala toda muito alto dentro das salas de tribunal, parecem educadores de indigentes. Só lhes falta dizer “qu’horror” no fim de cada frase). Andou uma dezena de pessoas a correr para um Tribunal para ouvir no fim aquilo que era evidente. Ninguém no seu perfeito juízo levaria a julgamento tal caso em nenhuma parte do mundo civilizado.

Excepto em Portugal.

Assim uma Juíza, uma Procuradora e dois advogados puderam amealhar, as duas primeiras pontos para a carreira e os causídicos uns euros para as prendinhas de Natal.

Os incompetentes esgotam os recursos deste País.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Advogados, Juizes e afins...

Não gosto desta classe.
Não que tenha alguma espécie de reparo em particular a quem quer que seja, até porque tenho amigos, familiares e conhecidos, que respeito, na profissão.
Acho é que, ao contrário do que apregoam e deveriam fazer, se tornaram numa classe aburguesada, que entre si, trabalhadores da justiça e administradores da dita, se protegem numa espécie de mundo à parte.
Em primeiro lugar são raros os casos em que apresentam um nome próprio. Intitulam-se todos Dr.s, tratam-se todos por Exª, Eminência, meretísssimo, e sabe-se lá o que mais. Não conheço muitos (excepto os meus amigos) que se apresentem com o nome próprio. Ele é Martins da Rocha, Soares de Oliveira, Santana Lopes, Marinho Pinto, Azevedo Matos, Oliveira de Sousa, Santos de Oliveira... Já as S.ras Dr.as são tipo Sandra de Rocha Matos, Etelvina Sousa Mendes, Joaquina de Monteiro Pacheco... Aburguesaram-se de tal maneira que, quem se der ao trabalho de assistir a um julgamento banal e vulgar de alguém que se queixou de outrem, de uma eventual agressão ou difamação, pode ver o/a Procuradora, numa orquestra afinada com Juiz/Juiza e assistente, a tentar encontrar culpa numa acusação por muito espatafurdia que pareça. Chega-se ao cúmulo de os advogados fazerem uma espécie de gritaria acusatória e de arrogante censura do arguido, sem que o mesmo seja defendido pelo tribunal que deveria manter a presunção de inocência do acusado e não o contrário. Passam os julgamentos num ping-pong de argumentos, tentam contornar a lei ou aplicá-la, como quem enche sacos de gomas. No fim cumprimentam-se, depois de uns se acusarem aos outros e de tentarem derrotar o "colega" fulano de baltrano. O réu, se for do povo e não burguês, é tratado pelo nome próprio, não vá achar-se alguém daquele meio de elite.
Trabalham pouco os advogados. Têm azar quanto aos julgamentos. São definidos prazos.
Em cada chamada que atendem, justificam o facto de ainda não terem feito nada com os prazos: "Ainda temos 12 dias... Só termina no próximo Mês...". O cliente, que normalmente paga adiantado, é sujeito às vontades do prestador do serviço.
Os advogados, que abrangem todos os que andam nas barras dos tribunais, não passam de contornadores de leis. Por cada parecer juridico que se arranje, com mais algum dinheirinho se encontra um que diga o contrário. São uma classe que pouco produz a favor da sociedade, que se remeteu a uma espécie de classe mafiosa, que cobra os honorários que bem entende, se o cliente se distrair e não pedir antecipadamente um orçamento discriminado. Dão-se ao luxo de cobrar tudo e mais alguma coisa. Ganham nome nas Tv's e política para depois poderem passear a fama nos tribunais, que, com juízes e procuradores tenrinhos, lhes vão fazendo o favor de ajudar no que podem. Julgam-se uns aos outros e cumprimentam-se no fim, e acham-nos todos pouco dignos do esforço das mentes brilhantes que procuram criar e explorar os buracos das leis.
Sem querer com isto generalizar, acho que lhes fazia bem um estágio na vida real. Deviam ir para a rua trabalhar, apanhar frio, sofrer na vida real e serem tratados por Zé, Joana, Pedro ou Maria.
Talvez assim caíssem na real e reparassem que quem lhes dá de comer somos todos nós que andámos há anos a alimentar uma máquina de justiça que, qual canibal, come todos aqueles que deveria servir. Absolvições e condenações incríveis são seladas com apertos de mão dos homens e mulheres de vestes pretas, que não passam de um conjunto de servidores, mas que se acham e tornaram num grupo digno de vassalagem.
Só espero que com este texto não vá parar a tribunal...

terça-feira, dezembro 07, 2010

Cá se vai andando...

Fazendo das tripas coração, como diz o povo, vamos-nos preparando para o que aí vem.
Não bastava o prometido aumento de impostos para 2011, a baixa de salários para alguns, e a depressão generalizada, ainda temos o Natal e o 1º dia do novo ano a um Sábado.
Para o ano, até a Sexta-Feira Santa vai ser a um Sábado.
Os patrões acham que tudo não passa de má vontade dos trabalhadores, batem palmas quando ouvem falar em baixa de salários devido à fraca produtividade, os trabalhadores acham sempre que alguém fica com a melhor e maior parte do proveito. Achamos sempre que é o patrão, mas não. É o Estado. O nosso buraco principal.
O Estado, não os funcionários públicos, que esses fazem das tripas coração e da indiferença vontade.
O buraco, para além dos recursos, vai agora, parece, levar-nos os feriados. Sim porque festas, só ao Sábado. E se possível, passam a taxar os Sábados.
Não sei como um funcionário publico consegue fazer uma carreira inteira sem matar um qualquer responsável político. Tenho a firme certeza que todas as revoluções mais importantes foram impulsionadas e lideradas por funcionários publicos. Sim porque não existe patrão mais endinheirado e com recursos tão abundantes como o estado.
E que raio de patrão. Muda as regras como bem entende, impõe quebras de vencimentos, altera a idade da reforma e não existe um empregado que o sequestre e lhe aperte os colarinhos?
Já imaginaram se um qualquer dono de fábrica, a espelho do que o estado português vai fazer no próximo ano, aumentasse as receitas e simultaneamente baixasse ordenados?
E, já agora, comprasse novos carros e barcos, continuasse a passear pelo mundo fora, esbanjasse literalmente dinheiro em festas e recepções milionárias para os amigos e conhecidos?
Agora ponham-se no lugar dos funcionários públicos.
Não se acham capazes de torcer o pescoço a alguém?

terça-feira, novembro 30, 2010

Trabalho, Inverno e Feriados

Ontem alguém me perguntava que raio de feriado era o de amanhã.
Ainda há muita ignorância neste País, pensei. Mas, o mais assustador era que esse alguém é licenciado numa das "nouvelles" engenharias, com tiques de licenciado mas com cultura de analfabeto.
As conversas de café resumem-se a casas com segredos e vidas alheias, ninguém se dá ao trabalho de perguntar o ano de implantação da republica, nem da independência, nem sequer da restauração da dita.
A malta gosta é de nevões para ficar retido nas estradas e serem entrevistados pelos ávidos reportéres da desgraça, que enchem telejornais com tanta palha, que promovem a falta de instrução geral.
A informação económica, cultural e histórica fica para os canais de cabo, pouco acessiveis ao zé povinho. Deixam para os generalistas todo o lixo com que se possa encher a pouca dedicação intelectual do tuga.
As televisões, como o País, estão rendidas à fast-food mental. A obesidade intelectual é o caminho mais fácil. Como no trabalho, ou na educação, assim como na alimentação, o importante é encher de entulho.
Um povo informado e formado pode ser um empecilho para o lucro fácil. Pelo menos para o imediato. Contudo transforma-se num corpo obeso e pouco móvel, que dificilmente se adaptará a novos desafios e constantes mudanças.
O segredo está na história. E a nossa está repleta de sucessos nos tempos em que nem havia feriados, nem segurança social. A malta dedicava-se ao trabalho. Que é o que faz falta.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Inimputáveis

Há-os por cá aos magotes. São muitos.

Ontem fui a uma Missa de 7º dia. Já não ia há algum tempo a uma celebração tão prepotente, tão cheia de mensagens de humildade e tão inócua de significado se dali tirar a homenagem a quem tinha morrido.

Sou uma espécie de católico informado. Os católicos, como os comunistas e outras religiões, quando tomam conhecimento mais aprofundado da realidade, chegam rapidamente à conclusão que acreditam numa verdade piedosa. Dizem-nos maravilhas de um mundo que não somos capazes de mostrar, mas que fielmente tentamos apregoar.

A Igreja, ou melhor, o edifício onde foi celebrada a dita eucaristia, não tem acessos para pessoas portadoras de deficiência. Física, entenda-se.

O Padre, mostrando-se como um igual, apenas pastor do rebanho (nesta fase senti-me com frio, estranhando a ausência de lã), senta-se numa cadeira imponente e elevada em relação aos seus 10! acólitos. No exterior grandes cartazes anunciam que as obras da igreja ainda não foram pagas; esqueci-me de perguntar se tinham sido ali colocados pelos credores se pelo dito padre. Padre que tinha ar de poupado. Apresenta uma farta cabeleira com calvície frontal a espelhar os seguramente mais de 60 anos. Com dificuldade de locomoção devido à obesidade aparente, orava com acentuação grave de duas em duas palavras na tentativa de mostrar a seriedade da mensagem.

Há pouco, vi na televisão as várias mensagens de esquerda, inimputável como a igreja, que apela à greve com o mesmo sentido sério e crente de quem se sente capaz de mudar porque sim.

Todos por cá se vangloriam da cimeira que organizaram. As festas correm sempre bem em Portugal. Faltaram foi os cartazes a anunciar que ainda nada estava pago, podia ser que assim nos ajudassem com alguma coisinha.

Portugal parece a casa de um qualquer bom vivant que, apesar de descapitalizado, continua a fazer festas e viagens lúdicas.

Continuam os nossos governantes a dizer que não precisamos da ajuda de ninguém, muito menos dos especuladores, outrora investidores informados do nosso radiante futuro.

A mim, que sou imputável, ainda me vão chamar infame pagão. E logo eu, outrora futuro pastor de um qualquer rebanho de reformados e incautos em busca de uma salvação que este mundo já não pode garantir.

E os inimputáveis continuam em alta, porque quando a crise aperta, tanto no tempo que parece restar como no dinheiro que aparenta faltar, qualquer vendedor de sonhos ganha áurea de salvador.

 

P.S.: Honra seja feita aos padres da Diocese de Braga que, a pedido do Bispo, acederam a doar um vencimento para ajudar os que mais precisam. Quero também afirmar que nem todos os padres são assim, nem todos os de esquerda são também assim. Mas que a floresta encobre as boas árvores…

quinta-feira, novembro 18, 2010

Sasha–1999/2010

 

17022009509

 

Morreu hoje.

Uma companheira de quase 12 anos que parte. Não é relevante se comparado com o facto de todos os dias alguém perder gente demasiado importante na sua vida.

Não deixa de ser é curioso o facto de sentirmos um nó na garganta, pelo menos eu sinto, cada vez que falamos de uma animal de estimação tão dedicado como o cão.

Acompanhou-me, sem reclamar, sem compreender muitas vezes as más disposições dos humanos, sem sequer ignorar fosse quem fosse que com ela se cruzasse num qualquer passeio matinal ou vespertino.

Morreu como viveu, calmamente deitada.

E é mais uma estrela que brilha no meu céu.

domingo, novembro 14, 2010

Porto Runner

 

Já me sinto aliviado da tensão que criei a mim próprio nos últimos 4 meses.

No dia 7 de Novembro de 2010 atingi um dos objectivos a que me propus.

Nada de especial. Tão só deixar-me embalar num rotineiro trote pelas ruas do Porto, cidade que me viu nascer e que sempre me surpreende pela beleza que espalha.

Na companhia de mais uns quantos apaixonados, que têm como passatempo, sempre que podem, experimentar as sensações que a endorfina nos provoca.

Quando embalei ruas da invicta fora, com a chuva que ainda caía naquela manhã de Domingo, senti a verdadeira liberdade. Senti que apesar do sofrimento que vinha, valia a pena estar ali.

Comecei em Julho a preparação. Durou todo o Verão, custou-me alguns petiscos, muitas unhas negras e horas de descanso. Mas não trocava nenhuma hora de treino por outra qualquer coisa.

Concentrado em ver no que me tinha tornado, curioso com as descobertas que faria, lancei-me ao desafio. É curioso como, depois de tanto treinarmos, sabermos que aquele pode ser um dos maus dias, um de pouca disposição para o sofrimento. Treinei afincadamente o sofrimento. E rapidamente me apercebi que o dito era a única companhia que tinha assegurada para aquela manhã.

Sem enumerar etapas, sem sequer as prever, achei que a banda que tocava junto à Alfandega do Porto estava já mais cansada com a hora e meia de atuação, do que eu e o Pedro com o alcatrão já calcorreado.

Impressionante a frescura que apresentavam os primeiros da prova, como se as endorfinas deles fossem mais puras que as minhas. Ou então nem dão por elas, entretidos com os tempos e os mínimos e os prémios. Sim que isto de correr é como sexo: Não deixa de o ser quando é pago, mas sabe melhor conquistado, desejado, suado e por prazer.

O Porto visto de Gaia é formidável. Enche-nos a alma dizer aos que cá vieram apenas sofrer que aquela é a nossa cidade, e que aquele quadro pintado em socalcos urbanizados é elixir suficiente para inebriar os músculos e levitar mais um pouco.

Já ia longo o caminho, decalcado por tantos Domingos a contar a sombra das pontes, a saltar entre canas de pesca e sacos de isco, e a cidade só para mim.

Vale a pena tanto andar para desfrutar da cidade só para nós. Não faço uso da música para me entreter nas horas que passo enfiado nas sapatilhas. A cidade é a melodia ideal. De noite a melodia é de luz, naquele Domingo a melodia era o Rio, a paisagem e o vento.

O vento, esse companheiro de sempre. Quando saio para treinar escolho o trajeto pela sua direção; nesse dia não me deu escolha. Depois de tanto esperar que eu passasse teve de soprar. E apanhou-me em cheio. Lá fui empurrando como consegui, sangrando da inexperiência latente na t-shirt, só pensava que estava ali para aquilo. Para sofrer. Ninguém me tinha dito que as endorfinas não são eternas. Somos nós que temos de enfrentar todo aquele emaranhado de sensações.

Não há como fugir. É um encontro com o nosso interior.

Buscamos forças onde já não as há. E choramos sem lágrimas deitar.

A emoção maior, a mais esperada, a meta.

Adornada por amigos que como eu sofreram e que deram o bálsamo para amenizar tudo aquilo que estava espalhado pelas ruas da minha cidade.

Felicitado, medalhado, fotografado e já com o descanso de ter terminado, senti-me finalmente um PORTO RUNNER! 

Porto Runner

terça-feira, outubro 26, 2010

A Mudança continua...

Poderia chamar-lhe a mudança contínua. Sim porque um acento gráfico muda completamente o sentido da palavra e da própria frase, ou fase.
Continua porque, 3 anos depois, continuo em luta contra o excesso de peso. Excesso que já vem, dizem os cardápios e diz aqui , de um grau de obesidade 2. Tinha a ideia de que engordar e manter-me assim seria inevitável. Na família havia antecedentes de excesso de peso, a minha actividade profissional era demasiado propícia a abusos e ao sedentarismo, e o tempo, esse bem raro para todos nós que achamos ter qualidade de vida, não sobrava para o exercício físico.
A rotina dos dias transformara-se em comer, conduzir, almoços e jantares de trabalho e descanso que a vida de comercial é muito desgastante.
Um belo dia, depois de comprar umas calças com o número 54 (!) decidi que chegava. Tinha 134 kgs. Comecei a controlar o que comia, a abdicar dos excessos e a tentar emagrecer.
No ano seguinte deixei de fumar. Um farmacêutico caído do Céu, qual anjo disfarçado que nunca mais vi (e continuo a ir à mesma Farmácia), vendeu-me (literalmente) um medicamento, dizia, "milagroso e revolucionário", que me levou a deixar de fumar.
Como tinha perdido até aí, com a dieta, cerca de 9 kg, fiquei com receio de vir a recuperar o que menos desejava, os quilos a mais. Comecei então a correr. Melhor, a andar depressa. Fazia inicialmente 4 Kms entre caminhada e corrida, sendo que a corrida se ficava pelos cerca de 400 mts. Durante todo o Inverno resisti à tentação de ficar em casa, no quentinho, e mesmo no estrangeiro corria todos os dias. Pouco a pouco fui ganhando o gosto à corrida e aos resultados que eram visíveis.
Em Setembro de 2009 fiz uma primeira corrida, já aqui relatada, e em Outubro a 1ª corrida com distância significativa. 2 horas e 20 minutos de um sacrificado mas glorioso caminho com 21 km e 97 metros. Hoje, ao recordar aquela corrida solitária em direcção ao meu objectivo, arrepio-me de tamanha determinação. E admiro a determinação do homem. Com um enorme arrepio de emoção cortei a meta e reparei que já eram poucos os que faltavam chegar, como eram poucos os que por ali ainda estavam. Com o dorsal ensanguentado e os pés em papa, olhei para o céu e recordei todos os passos que me tinham levado até ali. Tinha valido a pena.
Este ano, e depois de muitos Kms que já se transformaram em prazer, fiz a mesma prova em menos 22 minutos. Acabei ainda com muita gente na meta, com os merecidos aplausos que vieram um ano depois. Fiquei para aplaudir os que vinham, como eu um ano antes, sem público e com esforço redobrado.
Agora, quase a chegar ao peso ideal, estou a uma semana e meia de um desafio que abracei em Novembro do ano passado, a Maratona. A distância mítica de 42,195 Kms que medeia entre Atenas e aquela cidade Grega.
Continuo na evolução contínua de um plano de treino tirado da internet, com a duração de 20, já longas, semanas. Não dispenso a consulta do site de um amigo de pelotão, o Vitor Dias, que não conheço pessoalmente, mas que tem sido incansável na ajuda que me tem proporcionado. Incentiva, dá dicas de treino, de descanso e de nutrição. Mesmo com as imensas tarefas e ocupações que tem e para as que é solicitado e não enjeita, tem sempre uma palavra ou um gesto simpático que muito me ajuda a ultrapassar as dificuldades.
Continuo a progredir. Espero não parar.
A vida continua e o esforço é contínuo.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Crise da minha dívida

Eu, chegado ao ponto em que os especuladores da praça fizeram subir a taxa de juro que me exigem para me emprestar algum dinheirito, a um ponto tal que acho que não vou poder pagar, decidi, enquanto não me aumentarem o ordenado, não pagar nem uma mensalidade de qualquer empréstimo. Caso queiram receber o que já vos devo, terão de aumentar os montantes em dívida até à cifra necessária para vos pagar os juros. Prometo que deposito o que me emprestarem nos vossos bancos, contraio novos empréstimos nesses mesmos bancos e adiro a tudo o que são cartões bancários.

Para que acreditem que serei mesmo capaz de pagar vou reduzir os ordenados de todos os que para mim trabalham em 10%. As despesas que até aqui pagava aos meus funcionários passarão a ser suportadas pelos próprios. Os meus fornecedores terão de se contentar com metade das compras, sendo que os meus clientes serão penalizados com uma sobretaxa sobre tudo o que já compraram de 20%.

Se, mesmo assim, estas medidas não forem suficientes, os meus credores terão de me devolver 20% da taxa de juro cobrada.

Espero com estas medidas acalmar os vossos ímpetos de cobrança e baixar a taxa de esforço praticada em qualquer operação bancária.

Tudo o que fiz até aqui foi bem feito, por isso, gostava que me explicassem porque decidiram atacar-me na minha reputação enquanto bom cliente e provável pagador integral das minhas dividas.

As minhas contas são sãs. As dos meus netos e bisnetos é que podem, eventualmente, e caso continuem a especular, derrapar. Tenham pena dos que hão-de vir…

sábado, outubro 16, 2010

Um ano depois

Foi há um ano que houve eleições nesta espécie de País.

Há um ano, o palhaço do Ministro das Finanças, que hoje se diz cheio de experiência (só se for de fazer merda atrás de merda), aumentou, porque dizia ter margem, os funcionários públicos em 2,9% e diminuiu o Iva. Inclusive o da Coca-Cola.

Agora corta a torto e a direito. PALHAÇOS! GATUNOS! INCOMPETENTES!

Eu, como pessoa de bom senso, quero aqui o FMI JÁ!

O Estado dito social está a ser o reflexo do que é o Socialismo. Roubar à economia para manter o sonho de não fazer nada e ganhar algum à custa dos que pagam e fazem muito.

Há um ano, uma senhora dizia que não havia dinheiro para as anunciadas loucuras. Ninguém a levou a sério. No tempo dos programas voyeuristas que tanto entretêm o Zé Povinho, os parolos achavam que ter uma “velha feia” como 1ª Ministra, não era muito agradável. Vai daí elegeram um pseudo Engenheiro com ar de Pinóquio, que é tão mentiroso como aquele que dizia salvar o Boavista com dinheiro dos Árabes.

Agora tudo sofre.

O Estado Social está moribundo. Esta ideia que o tuga tem de que o Estado é o Pai que nos protege e governa, sem ter a ideia que tudo pagamos, levou-nos a ser geridos por uma corja de sonhadores, autênticos burlões bem vestidos, que nos venderam o sonho do “Tudo à Borla”, sem explicarem que a factura vinha depois.

E eu que acreditava na Senhora…

segunda-feira, setembro 20, 2010

Revisão

Por todos os meios disponíveis, fazem-nos chegar aos ouvidos notícias e relatos de gente, da esquerda à direita, mais ou menos indignados, uns porque sim, os outros porque não.

O PSD, sem medo, avança com um projecto que escarrapache na Constituição aquilo que nós já temos, o pagamento da saúde e da educação. Não há quem não se queixe dos preços dos livros, das taxas moderadoras, dos “mitras” que não pagam mas que não saem do balcão do café, etc., etc., etc…

O PS, que todos os dias procura nos bolsos do contribuinte o dinheiro necessário para silenciar quem mama do orçamento, diz que não, que não pode ser, nem pensar em mexer no Estado Social (?), mas que sim, vamos lá ver o que se pode fazer.

O PCP, partido mais ou menos inimputável do nosso sistema constitucional, que apresenta um candidato partidário, o que, à luz da constituição que ajudaram a redigir e aprovar em 1976, é inconstitucional. Mas no PCP, tudo o que tem o crivo do Comité Central, é como o que emana de um Concílio do Vaticano: Dogmas incontestáveis. Os camaradas são a representação fidedigna do povo trabalhador e tal…

O BE, partido que nem é nem deixa ser, continua a achar mais importante a discussão sobre os casamentos gay e adopções dos ditos casais, do que a própria Constituição. Não os condeno. Com este PS tudo o que for de esquerda e não necessite de fundos, desde que sirva para abandalhar, eles aprovam

O PP, bem o PP…

É compreensível. É uma espécie de sogra. A filha, ou filho, muito queridos, defendidos mas sempre sobre alerta, sobre pressão, de não deixarem o par sem apoio e sem o amor incondicional. Não venha a filha, ou filho, devolvido. Elas preferem sempre ir lá a casa mandar, mudar e manobrar. É como o PP. Nunca propõe mas faz. Ou diz como fazer. E depois diz que avisou.

Enquanto isto, a malta casa, divorcia-se, junta-se, separa-se. Uns cuidam dos filhos, outros fogem dos ditos e fazem outros.

Freud dizia que os homens não buscam a felicidade com medo de provocar infelicidade nas relações que vão, ingloriamente, mantendo. O pavor da mágoa que sempre fica de uma relação que termina, é superior à desconhecida mesura de felicidade que deixa de se procurar.

Talvez tenham os homens transportado tudo isto para a política e, ingloriamente, continuem a procurar felicidade e caminho para o que já não dá fruto.

Revisões precisam-se.

domingo, setembro 12, 2010

Nortada

 

Acho que nunca escrevi aqui sobre futebol. Sabem os que me conhecem melhor que, enquanto adepto benfiquista, abstenho-me de fazer comentários jocosos ou depreciativos em relação aos outros clubes do panorama desportivo nacional.

Enquanto miúdo, filho de uma benfiquista ferrenha e de um ex-portista convertido à força (o poder feminino não tem fronteiras), tornei-me alvo de vários tios que, com vontade de por uma lança em território inimigo, me levavam ao Estádio do Porto, equipado a rigor (na altura havia o hábito da bandeira, as camisolas são mais modernas), a ver se me encaminhavam para o rol de adeptos do clube azul e branco.

O meu Pai, como gostava de futebol e não querendo contrariar a esposa, filiou-se num outro histórico do Porto, o Salgueiros. Por influência de um amigo da família que era dirigente do velhinho e simpático clube, que na altura militava nas divisões secundárias, tendo mesmo, por um ano, jogado na 3ª divisão nacional, seguia a equipa de perto, estando presente em quase todos os jogos.

Os meus irmãos mais velhos jogavam no Salgueiros (Basquetebol 1º e futebol mais tarde), eram dois deles benfiquistas e um sportinguista, e eu, não querendo, por estratégia, contraria-los e por ambicionar jogar também no salgueiral, rendi-me à Alma salgueirista. Lembro-me que a minha prenda do 6º aniversário foi o cartão de sócio do Salgueiros, do qual ainda sou associado.

Sei bem o que aquele clube sofreu no tempo da ditadura, depois de apoiar o candidato Humberto Delgado ao ceder as instalações desportivas para um comício, quando não houve mais quem se disponibilizasse para tamanha afronta ao regime de então.

Com a ajuda e trabalho pós-laboral(!) dos sócios e amigos do clube, construiu-se na década de 70 uma bancada nova. Cada um trazia o que podia, desde sacos de cimento até ao tijolo. Pedra a pedra cresceu um sonho.

No norte estamos todos habituados a sofrer para conseguir seja o que for. Não faltarão exemplos por este País fora de casos parecidos, mas, como os tripeiros, é difícil. De ser e de explicar.

Já quando nos limitámos às tripas dos porcos para dar a carne às tropas exaustas e com fome, mostramos ao País que poderia contar com o Porto para o ajudar a crescer e a ser um País mais justo.

Nunca por cá se é mal recebido.

Tudo isto para vos dizer que, embora não sendo portista, tenho a perfeita consciência que o que para cá vem, sai daqui valorizado. Porque no Porto, seja no futebol seja noutro sector qualquer da sociedade, as pessoas contagiam-se e esforçam-se por fazer mais e melhor com muito menos que os outros.

Esta semana, um ex jogador portista, dizia que o Benfica era uma brincadeira e o Porto uma família. Não sendo o sujeito uma grande exemplo, diga-se que, por cá, as pessoas superam-se e transformam-se para melhor.

Na política é igual.

Sempre que um bom quadro vai para Lisboa, estraga-se. Veja-se o Ministro Teixeira dos Santos, ou Augusto Santos Silva. Dão, enquanto governantes, cobertura ao saque às regiões mais desfavorecidas, sendo a principal, por ser uma das que mais contribui e que menos recebe, a Região Norte.

O desperdício continua em Lisboa. É um autêntico triângulo das bermudas dos recursos do País. Veja-se a quantidade de institutos públicos, de chefias militares e civis, de escritórios vários, de direcções gerais, de secretarias de estado, ministérios e tudo o que os faz, ou melhor, que não os faz, mexer. Recursos que se perdem na burocrata e burguesa Lisboa, com o seu Terreiro do Paço como expoente máximo do desperdício Luso.

E diz o Presidente da Republica que Portugal tem de “favorecer o aumento da produção de bens e serviços transaccionáveis, em detrimento daqueles que não são transaccionados nos mercados internacionais”.

Ao contrário do que defendem, sacam recursos das regiões mais desprotegidas para alimentar a obesa máquina estatal e os Escritórios de Advogados e de Estudos que a ela se colam, quais carraças.

Resta-nos a esperança de um dia algum queira ficar por cá numa espécie de e-governo, e, na ânsia de melhorar o País, se lembre de regionalizar. Porque esta região com autonomia, poderia transformar-se num motor catalisador do resto da Nação.

Agora, continuarem a comer a carne e a deixarem-nos as tripas é que não.

Pode ser que o povo acorde…

1 Ano depois…

 

E 6 dias, para ser absolutamente preciso nas datas.

http://tripasenortadas.blogspot.com/2009/09/00h48m03s.html

Hoje, para fazer uma pequena comparação com a prova de há um ano, fui à mesma corridinha.

Fui sozinho. A companhia cingiu-se aos muitos milhares de atletas e candidatos a tal.

Esperava fazer o mesmo trajecto do ano anterior, mas o dito foi alterado. Foi menos interessante, mas muito recompensador, atendendo ao facto de, este ano, ter sido um dos que acabou a prova com a sensação de que era pouco. Fiz outros tantos Km’s e assim satisfiz a minha vontade de calcorrear alcatrão.

Uma prova engraçada para iniciar. Fica a curiosidade de, no final, o meu GPS marcar menos 1,5 Km que a distância anunciada.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Acordo sem tempo

Acho que anda tudo ao contrário. O acordo ortográfico leva-me a achar que tudo muda. É quase como se, de repente, mudassem o lado da condução. Passava a ser tudo à direita, com a prioridade à esquerda, circular à esquerda (o que já muitos fazem, e que passariam a fazer à direita), ultrapassar pela direita, etc.

Além do mais estou a chegar à idade em que tudo o que foi há 20 anos me parece ter sido ontem. Cheguei ao tempo em que os anos parecem meses, quando antes, os meses pareciam anos. Excepto nas férias. Esses meses nunca foram grandes.

Ora, como a resistência à mudança aumenta com os anos, estou com uma séria dificuldade em me adaptar ao dito. Mas anda para aí malta que até já se adaptou aos vícios linguísticos da juventude dos nossos dias. O “brutal”, o “rsrsrsrs”, o “xd” ou o “babe” já fazem parte do vernáculo que usam em tudo o que são redes sociais e mesmo na troca de sms’s, muito em voga nos dias que correm, ganhando ao escândalo do meu tempo que se limitou ao “fixe”. E mesmo este foi roubado para uma campanha eleitoral. Não estou a ver nenhum slogan do género: “Passos Coelho o Brutal Candidato, lol”…

Não concordo com o acordo e é-me difícil ter tempo para o entender. Fui “formatado” com outro software e já não estou a tempo de um reset.

Este blogue vai manter-se fiel ao português antigo.

domingo, agosto 22, 2010

Portugal Seguro

 

Numa espécie de trabalho árduo, as autoridades nacionais andam atentas aos factores de risco que podem gerar insegurança em Portugal.

As polícias, GNR e PSP, têm um departamento, ou umas equipas, que circulam com uns carritos que dizem “Escola Segura”. Mas à porta das escolas ninguém se sente inseguro à hora do lanche ou da pausa da manhã. Seria melhor se estivessem por ali à hora de saída, mas a essa hora os Srs agentes já saíram do emprego.

Passamos o ano a ler nos jornais, notícias que relatam acidentes mortais em tudo o que é estrada nacional, mas no entanto, eu que faço uns 70 a 80 mil km’s por ano, só vejo radares montados em Auto-estradas e Itinerários principais. Ou nas cidades durante o dia. Deve ser por isso que morre mais gente de noite e nas estradas nacionais: Pela falta de radares.

Para passarem à população um sentimento de segurança, as polícias, fazem operações com grande nº de efectivos, à noite, nas grandes cidades e acessos às médias. Só que os Srs Agentes saem às 7h. Os frequentadores das discotecas que se mantêm abertas para lá dessa hora têm menos probabilidade de serem fiscalizados.

Ora, ali para os lados de Celorico da Beira, um Sr. que, como eu, achava tudo isto, conduzia uma carroça puxada por uma burra, alcoolizado. Depois de uma perseguição, imagino, emocionante, foi detido para ser julgado.

A Juíza deu-lhe uma valente reprimenda. Alertou-o do perigo de conduzir alcoolizado, e disse-lhe que, se a burra fosse uma tentação, a vendesse. Multou o homem em 409 €. Três ou quatro dias depois da infracção. Célere justiça a dos tesos. Se tivesse sido um Ministro, ou um jogador da bola, tinha que ir à escola mais próxima, onde a PSP ou GNR poria um carro da “Escola Segura” para a fotografia. Pagar ninguém pagava nada e a Juíza mandava o infractor contratar um motorista.

Entretanto, com estas vicissitudes todas, criminosos apanhados em flagrante a violar mulheres indefesas, ou a roubar empregados dos CTT, são mandados esperar por julgamento. É preciso um inquérito, apresentação de testemunhas, peritos, avaliadores psicológicos, assistentes sociais, etc.

Muito mau mesmo é conduzir carroças alcoolizado.

Ainda por cima puxada por uma burra. Que tentação. Se o homem vender a burra, como sugeriu a Juíza, provavelmente vai ter que a puxar ele, e caso esteja alcoolizado, é multado na mesma.

Pobre é sempre pobre. E o País, pelo menos dos pobres, ainda está seguro.

sábado, agosto 14, 2010

Literalismo e paradoxo

“ - Porque será que uma coisa que nos mata pode também fazer-nos sentir mais vivos?

Villada suspirou.

- Isso é o que os filósofos chamam de paradoxo. Quando Deus nos criou, decidiu que o literalismo seria a ruína do mundo. Por isso, inventou o paradoxo para o contrariar.

- Mas como contrariamos o paradoxo?

- Interpretando-o literalmente.”

in As Profecias de Nostradamus, de Mario Reading

 

Acabado de apresentar um dos meus livros de férias, vamos à interpretação, literal, das ditas.

Quem quer sossego não tira férias em Agosto. Deixa-se estar a trabalhar, contagiado por um ambiente morno onde nem todos estão “a banhos”. O trânsito nas cidades fica facilitado, os dias são suficientemente grandes para dar um pulinho à praia, mas, paradoxalmente, é muito pior conduzir nas estradas do resto do País.

Todo o mundo se dirige ao litoral. Uns ficam-se por lá, outros, literalmente, fazem “piscinas” diárias pelas estradas de acesso às praias e zonas turísticas do burgo.

Paradoxalmente, o sossego do tempo de descanso, torna-se numa busca, literal, de um melhor lugar para estacionar, de um melhor lugar para a toalha, ou, para quem está pelo Algarve, de uma praia que ainda tenha lugares vagos.

Ou seja, o tempo que deveria servir para quebrar rotinas, esquecer horários, relaxar, não é mais do que a troca de stress por outro stress. Literalmente. Paradoxalmente é um stress, para a grande maioria, agradável.

Eu, como não gosto nem de uma coisa nem de outra, tiro férias apenas e só para ficar quieto e sossegado, em casa, sem ter de me deslocar por entre quem nem se maça, nem se rala, com quem anda por aí a fazer pela vida.

Paradoxalmente vivo na praia. Literalmente na praia.

Mas evito os banhos de sol e mar neste mês estranho, que mais parece um frenesim de gente que quer corar a ver se não se envergonha com o churrasco que se tornou a santa terrinha.

É que o País está, literalmente, a arder!

E paradoxalmente estamos todos descansados.

Boas férias.

domingo, agosto 08, 2010

Moda lusa

A Procuradora Adjunta rege as suas investigações pelas suas convicções. Vai daí negoceia um relatório que inclua as perguntas que não deixou fazer. Um despacho de arquivamento, a corresponder às suas convicções.

O Ministério Publico em Portugal leva a julgamento as causas mais imbecis que se possam imaginar; desde o roubo de um champô, até ao insulto entre vizinhos que não se gramam.

Sob o beneplácito de uma classe política que tudo tolera desde que se arquivem os casos das malas e dos licenciamentos à ultima hora, este MP continua a atafulhar os tribunais com casos ridículos, que mais parecem reposições foleiras do “Juiz decide”. Quando se trata de gente que não pode gastar dinheiro a entupir os processos com recursos que levem à sua prescrição, os juízes até decidem por convicção. Convictos da culpa do arguido condenam por impulso.

Quem quiser safar-se de um qualquer processo, contrate um defensor que tenha no CV mais prescrições. Ou então, dê uma saltadinha ao Brasil.

À boa moda lusitana, a Fatinha de Felgueiras, mulher de 56 anos, socialista e amiga do povo, diz que sofreu muito no Brasil (provavelmente apanhou um escaldão), e que só sobreviveu à custa da sua, parca, reforma. Aos desempregados a receber subsídio obrigam a apresentações periódicas, esta sujeita foge e ninguém lhe corta a pensão.

À boa moda tuga, o voyeurismo da malta, leva-nos a espreitar tudo o que é incêndio. É o Avatar português. Cinema 3D nas Serras e campos de Portugal.

À boa maneira portuguesa, está tudo de férias. Não se passa nada. Mais imposto, menos imposto, há-de inventar-se algum para cobrar a burrice e a falta de cultura deste povo. Que é feliz assim, porque a ignorância e a ingenuidade são os melhores calmantes do mercado.

Tudo vai ardendo, seja às mãos de quem pode ou pelas mãos de quem não quer saber.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Travestis

Os tempos modernos parecem assim ser.

O jornalismo, que não percebo, não entendo, nem tenho formação para tal, virou uma espécie de programa tipo “As tardes da Júlia”, onde se fala de tudo para encher tempo pré-determinado. É quase um acto heróico encontrar notícias por esse mundo fora para manter a malta entretida enquanto almoça no tradicional tasco, com a TV a debitar decibéis, enquanto se enche o copo de três e se põe mais uma isca no pão.

Lá pelo Algarve um senhor magoou-se ao ser abalroado por um barco, tartarugas deram à costa, e Tavira tem praias acessíveis só de barco, que as senhoras da Linha comparam, deleitadas, com as piscinas lá do condomínio.

Na Guarda há uma praia fluvial, na Zambujeira as miúdas vão ao banho que está muito calor, e, em Lisboa, por causa do calor, não vão os toiros reclamar das condições de trabalho, fechou-se o tecto amovível do Campo Pequeno e ligou-se o ar condicionado. Está quase tudo a postos para a Corrida do Emigrante. Sim, do emigrante, que eles vieram só para ir ao Campo Pequeno acompanhar as tias, que devido aos joanetes, ficaram pela linha.

Foda-se! Que País este! Apetece invocar Millôr Fernandes e desatar a descarregar palavrões que melhor adjectivem esta merda.

Entre um dia de incêndios e outro de acalmia no churrasco em que se transformou o Norte e Centro cá do sítio, ficámos a saber que houve um acidente de trânsito na Austrália e que Moscovo está poluída. Sim, isto deu nas notícias.

Como diz um amigo meu, quando alguém desaparece em terra não chega a ser notícia, se desaparece no mar fica uma multidão a olhar o horizonte a ver se o náufrago caminha sobre as águas. Outra vez entrevistas e mais entrevistas aos expert´s que vagueiam pela costa.

Entretanto a espécie de julgamento em que se transformou o processo Casa Pia parece que está em vias de ser anulado. Se não fosse assim, seria a Justiça travestida de justiça.

Um homem, que andou ao murro na Sexta-Feira, anda desde aí de hospital em hospital, e o pai já pondera processar os hospitais todos por achar que o filho, devido ao adiamento da cirurgia ao queixo, que lhe partiram, possa ficar com a boca à banda.

Eu continuo de férias, mas por cá.

São umas férias travestidas…

quinta-feira, julho 22, 2010

Constituição ou Bíblia Sagrada?

Percebo pouco disto, mas ou é de mim ou nada do que diz a constituição é respeitado.

Ensino gratuito? Onde?

Saúde gratuita? Só se for para os membros do governo e parlamentares.

Trabalho sem despedimento? Se as empresas não falirem…

Andamos há anos a enganar o Zé povinho com retórica. Andamos não, andam a enganar. E tudo porque ninguém teve coragem de mexer nos testemunhos sagrados dos discípulos do conselho da revolução. Da esquerda à direita querem todos continuar como o teso: A fazer de conta que tem a carteira cheia.

Não consta que se tenha mudado a Constituição americana para mudar o sistema de saúde.

Nem consta que nos Estados Unidos se pague mais pelos estudos do que em Portugal, antes pelo contrário. As faculdades financiam-se com ditos mestrados que não são mais do que os anos que Bolonha roubou às antigas licenciaturas. Tudo porque temos um ensino obrigatório cada vez menos suficiente para dotar os alunos com bagagem para o ensino superior. Passam a licenciatura a aprender a ler e escrever, passe o exagero.

A justiça, constitucionalmente gratuita, é mais cara do que comprar carro novo. Favorece quem tem possibilidades económicas para pagar as artimanhas legais que levem à prescrição ou amnistia dos delitos.

Somos um País maioritariamente de gente católica.

Assim como esperamos o reino dos céus prometido na Bíblia, ansiámos pelo País que desejámos na Constituição.

Assim seja.